sábado, 26 de dezembro de 2009

A chave é do rei


Me chamem de brega, de romântica inveterada, mas a noite de Natal terminou com o amor e a paixão do rei Roberto Carlos ;)

Eu selecionei alguns trechos lindos e também a letra de uma música que conheci essa semana. Me diga se não é por demais emocionante...

"Eu sei que esses detalhes
Vão sumir na longa estrada
Do tempo que transforma
Todo amor em quase nada
Mas quase
Também é mais um detalhe
Um grande amor
Não vai morrer assim
Por isso
De vez em quando você vai
Vai lembrar de mim..."

(Detalhes)

"Vem, que a sede de te amar me faz melhor
Eu quero amanhecer ao seu redor
Preciso tanto me fazer feliz

Vem, que o tempo pode afastar nós dois
Não deixe tanta vida pra depois
Eu só preciso saber
Como vai você?"

(Como vai você?)

"A mulher que eu amo
Tem a pele morena
É bonita, é pequena
E me ama também

A mulher que eu amo
Tem tudo que eu quero
E até mais do que espero
Encontrar em alguém

A mulher que eu amo
Tem um lindo sorriso
É tudo que eu preciso
Pra minha alegria

A mulher que eu amo
Tem nos olhos a calma
Ilumina minha alma
É o sol do meu dia

Tem a luz das estrelas
E a beleza da flor
Ela é minha vida
Ela é o meu amor

A mulher que eu amo
É o ar que eu respiro
E nela eu me inspiro
Pra falar de amor

Quando vem pra mim
É suave como a brisa
E o chão que ela pisa
Se enche de flor

A mulher que eu amo
Enfeita a minha vida
Meus sonhos realiza
Me faz tanto bem

Seu amor é pra mim
O que há de mais lindo
Se ela está sorrindo
Eu sorrio também

Tudo nela é bonito
Tudo nela é verdade
E com ela eu acredito
Na felicidade

Tudo nela é bonito
Tudo nela é verdade
E com ela eu acredito
Na felicidade..."

(A mulher que eu amo)


quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Feliz Natal


Não pude, nem poderei, falar com todos os meus amigos hoje. Além de grande o nº de gente querida, alguns estão longe (na França!), outros em outra cidade (Santos :)), outros ainda em outra esfera. Alguns em outra galáxia. Mas, não importa: quero desejar a todos o melhor Natal de suas vidas.

Embora eu não seja católica, eu reconheço a beleza da noite natalina. As famílias se reunem, há um espírito de boa vontade e alegria no ar. É uma época de amor mesmo. E um amor maior, é o que parece. A gente sai um pouco da concha daquilo que vivemos o ano inteiro para distribuir votos e sorrisos. Pela cidade toda, eu ouvi hoje "boas festas".

Portanto, meus queridos, tenham uma boa festa amanhã. Que os abraços e beijos mais amados sejam dados e que o desejo de uma vida mais feliz seja tão forte que seja lembrado e construído ao longo do ano que chega.

Que sejamos corajosos e tenazes na nossa busca e que haja caminho e chegada. Sem chegar, cansamos. Cansados, desistimos. Que cheguemos, portanto, e, que, ao chegar, lancemos novo olhar, para mais adiante, e que tenhamos conosco quem amamos, sempre, a nos acompanhar e garantir vitalidade e proteção. Afinal, só existimos com testemunhas.

Um beijo muito, mas muito grande mesmo e que seja feliz a nossa história :)


segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

As lições do amor


No sábado ouvi uma história de amor rompido. Não foi o caso de um dos dois ter deixado de amar, nem uma traição de qualquer tamanho, que provocou a separação. Foi um tanto de imaturidade mais a coisa da vida que insiste em ensinar desse jeito torto mesmo.

E aí, eu fui acompanhando os detalhes do depois, daquilo tudo que se faz quando um aborto desses se dá sem preparo algum. A gente meio que enlouquece, sai procurando pistas da pessoa querida, fuça Orkut, Facebook, Twitter. No caso dos dois da história, ambos seguiam esse rumo, ainda estavam apaixonados. E acabaram descobrindo coisas nada desejadas e enlouqueceram na dor do amor e se magoaram ainda mais. Disseram "fiz por amor" e o outro também, mas o orgulho destrói e eles estão destruindo o que eu assisti tão grande.

Chorei por dentro ao ouvir, assim como choro agora. Sempre acho triste um fim, mas finais como esse me machucam ainda mais porque ainda havia (ou há) um sentimento enorme, obrigatoriamente sufocado, latente, dolorido.

O interessante é que ontem presenciei uma história inversa: um namoro de adolescência, esquecido já, voltou após ambos terem casado e tido filhos. Foram 33 anos de separação.

Não sei quais instrumentos a vida usa para ensinar o que quer que seja. Temo e respeito essa coisa toda de destino, carma, seja lá que nome isso tem. Discordo e me revolto às vezes, também, pra depois me aquietar e voltar a acreditar no propósito daquilo que é mistério pra mim.

Voltando pra casa na noite de domingo, passei por caminhos antes muito visitados por mim e senti o cheiro do passado. Não há como não sentir o nó na garganta. Histórias alheias e as nossas acabam emocionando igual, principalmente para quem vive de emoção como eu.

O bom é deixar metade pra lá e metade guardado. Emoção, sim, mas com qualidade de saudade, não de dor.


quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Escolhas X desistências



Na sexta-feira passada eu fiz duas escolhas. Quem as julgasse puramente de fora, sem me conhecer, juraria que eu estava desistindo de coisas importantes. Mas não foi isso, não.

Não gosto do verbo desistir, acho que sempre soa como covardia ou preguiça. Não que eu seja o símbolo da coragem ou da disposição, mas, francamente, convenhamos, desistência é sinônimo de renúncia, coisa melo-cristã demais para uma budista acostumada a extrair de si o que quer da vida.

Mas voltando às escolhas de sexta-feira, uma foi profissional e outra foi pessoal. A profissional surgiu do desejo de assumir mais ainda o nome da minha empresa. É dela minha motivação, portanto, será dela meu desempenho exclusivo. Pensando assim e, juntando a isso as limitações que eu vinha carregando, a escolha ficou fácil: foi trocar 6 por 2 dúzias.

A escolha pessoal foi mais fácil ainda, se pensando no resultado a médio (que dirá a longo prazo). Pesei um conjunto de poucas coisas e a decisão veio redonda: pronto, caminho escolhido, ombros mais relaxados e sono tranquilo.

Não acredito em ônus mais pesado do que bônus. Quando isso acontece, é bom parar para analisar, cuidar de ouvir o coração e os sinais da vida. Se deixar passar tempo demais, é bem capaz que a coluna arqueie e o corpo adoeça, sem dó nem piedade. É da alma que nascem o câncer, a febre, o derrame. Pegando mais leve, no mínimo, a vida infeliz traz cortisol em excesso e envelhece a pele que deveria brilhar.

Pensando na minha tranquilidade e paz de espírito, valeu a pena ter dispensado o que parecia alguma boa oportunidade naquelas quinta e sexta. Essa semana, anti-véspera do Natal e quase Ano Novo, fiz meus planos para 2010. Sucesso, paz, amor e união.

Tim-tim.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Viva la vida


Um conhecido meu terminou um relacionamento nesse final de semana. Uma amiga minha, bem amiga dele, foi lá consolar a agora ex do moço e eu fiquei pensando nisso. Como disse Carpinejar, não há justiça na separação e, portanto, não há nada, absolutamente nada que um diga ao outro que se faça compreensível a dor da perda.

O bom (sim, existe algo bom nisso mesmo que na miopia do momento a gente não veja) é que a gente sempre volta a amar. Diferente (ainda bem), mas volta. E sempre será um amor forte e eterno como o de outrora porque o coração esquece o que passou. Pode não esquecer os vícios e acabar comentendo-os vez por outra. Mas, a dor da separação o coração sempre esquece quando começa a amar outra vez.

Eu jamais diria isso para essa moça. No recente da perda, é bem capaz que ela me atirasse duas pedras e cuspisse em mim toda a fúria do orgulho vencido. Para o coração esquecer, ou entender, ele precisa, obrigatoriamente, percorrer o caminho sozinho. É pra isso que servem as experiências: nos abastecer de alguma certeza, mesmo que temperária.

Que sejam felizes todos os corações. A vida precisa deles para continuar.

Here we go again


É uma noite fria em São Paulo e chove bem devagar. E eu aqui, quase febril, num desejo inútil de que esse domingo não acabe. Fazia muito tempo que eu não tinha um final de semana tão bom, de tão grande paz. Eu estou sem palavras, sorry :)

Quero ir para Paris.

Beijos, boa semana a todos.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Entre o vermelho e o cor-de-rosa


Lembram a história do cliente de produtos eróticos? Pois é, uma das ações que pretendo lançar é um encarte de contos e, pra isso fiz uma pesquisa entre algumas amigas a respeito de um blog a que tive acesso. Queria saber a opinião feminina sobre os textos, já que os homens falam mais sobre o assunto e é fácil saber do que gostam.

O tal blog, do qual gostei muito by the way, alterna entre intenso romântico e intenso picante e as meninas foram bem unânimes em dizer que preferem a espiral menos explícita, uma coisa mais sutil, sem o uso de algumas palavras. Comentando com um amigo sobre o resultado dessa pequena "enquete", ele riu: mulheres são, definitivamente, mais "retraídas" quando o assunto é sexo.

Particularmente, eu achei que isso havia mudado bastante. Entretanto, o que eu vi entre as amigas com idade entre 25 e 40 foi o mesmo desejo pelo romance mais "meigo", embora algumas tenham confessado um certo "calor" em alguns trechos do blog.

No post anterior falei sobre amor X dinheiro X dependência. Talvez, a gente encontre nessa singela pesquisa um denominador comum: a liberdade e o prazer femininos têm um caminho muito longo a percorrer e certamente não é igual (e nem precisa ser) ao masculino. Mas, de alguma forma, tudo isso transita pela independência profissional e financeira da mulher, reflexo de menos medo do pecado, menos apego à culpa, menos medo da solidão que se julga companheira da liberdade.

Isso não é uma bandeira e juro que não pretendo elaborar um tratado sobre a emancipação feminina. É só o gosto pelo pensar mesmo, uma tentativa de entender um pouco mais a meu respeito. E, claro, compreender essa relação tão delicada-profunda-difícil-e-boa que é a nossa com os homens que amamos tanto.

Beijos, bom final de semana ;)

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Vale-amor


Outro dia recebi pelo Twitter a chamada da última edição da revista Nova. Era mais ou menos assim: "se você deixá-lo pagar a conta no primeiro encontro quer dizer que terá que dormir com ele?". Fiquei tão passada! Como assim? Em pleno ano 2010 essa questão pautando??? Ainda existe esse tipo de questionamento na cabeça feminina ou isso é falta de assunto da revista?

O fato é que, depois disso, tenho observado a maneira como as mulheres comentam sobre os homens, sobre essa história do dinheiro deles, sobre pagar conta, sustentar depois que casa, etc. E me pus a pensar no lugar que o amor ocupa em tudo isso. É claro que nessa prosa toda tem um ranço cultural e arquétipos que não acabam mais, mas, será só isso?

Acho que o amor perdeu muito da sua pureza, do seu estado incondicional, da falta de armadura que lhe é necessária, da fluidez, do querer a felicidade do ser querido no matter what. E aí que o que restou foi a possessividade que permeia todas as coisas (não só o amor), a mesquinhez que briga pelos "nerudas que você me tomou", um tanto de orgulho e desatenção por aquilo que se julga já conquistado.

Obviamente, eu não me excluo desses perrengues emocionais e de tantas outras gangorras humanas. Mas, estranho e não gosto de mim quando ajo assim e acho bem triste quando vejo isso estampado nas relações ao meu redor.

Quero acreditar que posso amar de maneira mais limpa, sem tantos adereços perversos e tamanha miopia que rondam questões tão baratas diante de um grande amor. Certamente não sou a mesma que amou aos 17, nem a mesma que amou aos 28. Mas, ainda assim estou longe de ser a mulher que ama sem condições. Adoraria ser. Quem sabe um dia? Talvez, aí, eu não me impressione tanto com o amor da Nova, nem me assuste com qualquer outra forma de amar.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Salve o redemoinho


Ai, ai, assunto não falta. Fica até dificil escolher: tem o Natal que eu adoro mesmo não sendo católica, tem o dia-a-dia, tem... uma coisa específica, tem o auê que a história do meu novo cliente tem causado (povo anda curioso com o tal do erótico) e tem 2009.

Eu sei, já falei muito desse ano, mas, hoje me ocorreu que esse foi, definitivamente, o melhor ano da minha vida. Me perguntei porque e foi fácil responder: me superei. E me espantei com isso, demais. 2009 foi um ano de mergulho profundo e a descoberta não podia ter sido rasa.

Foi assim no trabalho, na família, no amor, nas amizades e, principalmente, no espelho. Acho que nunca me deparei comigo mesma dessa forma: sorria, neguinha, você tem falhas fenomenais, mas também tem qualidades tão bonitas que parecem singulares.

Budista como sou e, especialmente, como membro da SGI, sei que 2010 guarda em si um grande propósito. Sendo assim, entendo as tempestades de 2009, apesar de sofrer de falta de ar no meio a tanta turbulência. É bom ter o olhar mais a frente, faz a gente atravessar com mais confiança, carregar mais amor e tolerância enquanto tenta não se afogar pelo caminho. Propósito faz diferença nessa vida.

O fato é que levo disso tudo mais discernimento, mais critério e menos ilusão. Sou romântica (e adoro ser), sou derretida em carinho, forjada em companheirismo. Mas entendi o que são dois e o que pode ser muito mais. Delícia, conforto: compartilhar é muito mais amor do que o que se lê por aí (ou aqui).

Vida tem datas. E dezembro é uma data linda, forrada de significados. Um deles é o fim de um ciclo e o início de outro. Te espero 2010. Enquanto isso... continuo aproveitando o restinho de 2009, tentando levar dele mais um pouco daquilo que preciso. Um Chanel, um colar de pérolas, um lindo anel. E, o melhor de todos os presentes, mais um beijo de "feliz ano novo, mulher amada da minha vida".

domingo, 29 de novembro de 2009

91,25


Eu ia começar escrevendo que essa foi uma semana atípica. Desisti: todas as semanas de 2009 foram! Também foram curtas demais para dar conta de tudo que eu queria e extremamente longas para tantos desatinos e emoção. Semanas com noites dormidas de um jeito e acordadas de outro. Manhãs certas e tardes nem tanto, e vice-versa. Tem uma frase do filme Uma mente brilhante que diz "a convicção é um luxo para quem está de fora". É isso mesmo. Então, já que o atípico perdeu sentido, vamos às divagações de praxe.

A YellowA, minha querida empresa, ganhou um cliente novo. Trata-se de um fabricante de produtos eróticos, bem diferente dos demais, tenho que dizer. O interessante foi que, enquanto via o dono da empresa me apresentar alguns produtos, me pus a pensar: como é bom dedicar tempo ao ritual da sedução.

E acho que a sedução eficiente é a que começa em si e funciona em si, pensada pra si mas dedicada a quem se ama. O banho, a textura das espumas, os tecidos, os gestos: lindo quando íntimo, quando entregue, nada ensaiado, nada só "pra fora". Aliás, no amor, a única força é a verdade. Nada pode impulsionar mais do que isso. Já reparou como a gente move montanhas (mesmo!) quando o coração pulsa de desejo e verdade? Sai pela boca, a pele brilha, o olhar se encanta. Deuses, como é maravilhoso amar!

Tem um trecho do livro da Marta Medeiros (copiei abaixo) que fala da paixão. Concordo, acho bonito e poético, mas só até a página 5. Depois disso, prefiro permanecer, seduzir eternamente o dono do meu coração, sem precisar buscar novas paixões para manter-me acesa. Mas isso é outra história. Olha o texto dela:

"A questão não é por que nos apaixonamos por Roberto e não por Vítor, ou por que nos apaixonamos por Elvira e não por Débora. A questão é: por que nos apaixonamos? Estamos sempre tentando justificar a escolha de um parceiro em detrimento de outro, e não raro dizemos: "Não entendo como fui me apaixonar logo por ele". Mas não é isso que importa. Poderia ser qualquer um. A verdade é que a gente decide se apaixonar. Está predisposto a se envolver - o candidato a esse amor tem que cumprir certos requisitos, lógico, mas ele não é a razão primeira de termos sucumbido. A razão primeira somos nós mesmos.

Cada vez que nos apaixonamos, estamos tendo uma nova chance de acertar. Estamos tendo a oportunidade de zerar nosso hodômetro. De sermos estreantes. Uma pessoa acaba de entrar na sua vida, você é 0km para ela. Tanto as informações que você passar quanto as atitudes que tomar serão novidade suprema - é a chance de você ser quem não conseguiu ser até agora."

Até algum tempo atrás eu dizia que eu parecia aquele trecho da música do Kid Abelha que diz "eu tenho pressa, tanta coisa me interessa, mas nada tanto assim". Vi essa frase ganhar vazio, ficar inócua nos últimos tempos. Me interesso de verdade por pouca coisa hoje, mas me interesso intensamente. Uma delas é aprender que não se come um prato inteiro de uma vez, mas em pequenas garfadas. Que não se perde 15 kg em uma semana, mas um pouco e saudavelmente a cada dia. Que não se constrói um amor sólido em 30 dias, mas no decorrer de mais tempo.

A vida nessa semana foi assim. Viva as semanas atípicas, viva a paixão, viva o amor. Se a vida é isso mesmo, que seja sempre bem-vinda.

Boa semana a todos ;)

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Centro


Minha amiga Sílvia me enviou hoje. Achou que parecia com meus pensamentos dessa semana. Eu achei lindo. Obrigada, Síl. Beijos, bom final de semana.

Centro

“Seria o tempo e o espaço um ciclo? Sendo assim, em qualquer ponto da roda do tempo o passado é futuro, o futuro é passado. E o presente um encontro dos dois, quando tudo está contido em um momento singular e infinito chamado agora.

Esse lugar é o coração da nossa consciência onde simplesmente observamos tudo que acontece ao redor, sem julgamento ou desejo de corrigir o que estamos vendo. Assim como o centro da roda fica imóvel, enquanto tudo gira ao redor dela, é retornando ao centro na nossa consciência e sendo serenos que nos permite ver a verdade.”

Mike George, Return to the Centre, Clear Thinking, 23/08/09

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Divina jóia


Quando iniciei esse blog, há quase 1 ano e meio, quando ele ganhou o nome de Gema em Lapidação (e foi até outro dia, né?) eu criei um box dedicado ao luxo. Por muitos meses, durante todo o início do Gema, meus maiores e mais frequentes luxos foram o tempo e o silêncio.

Ainda gosto do silêncio, mas agora chamaria de "ausência de barulho", ausência de ruído, principalmente o interno, aquela coisinha chata que fica nhem-nhem-nhem o tempo inteiro.

Quanto ao tempo... bom, esse ainda é meu grande luxo, meu maior desejo, meu sonho de consumo eterno. É muito triste e frustrante não ter esse bem para desfrutar com quem se ama, para descobrir sensações, para dançar junto, cozinhar, compartilhar, dormir. Descobrir. Redescobrir. Ter tempo para se apaixonar, para se entregar, desarmar-se, sorrir. Tempo para a vida, para não se arrepender, tempo para construir, tempo para ter tempo.

E o bonito do tempo, que todo mundo sabe e disse brilhantemente Victor Hugo, é que "o tempo não só cura, mas também reconcilia". Não é mesmo divino?

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Borboletas reais


Passei o dia me perguntando sobre mim mesma, no quanto quero (e preciso) mudar tanta coisa em mim, minha falta de santidade, meu excesso de humanidade (com todos os defeitos, fragilidades e possível sensibilidade imbutidos nisso). No final da tarde ouvi uma pessoa que reforçou esse sentimento, e pensei: puxa, porque não sou assim como essa mulher que me conta essa história? Cheguei perto de desejar ser outra coisa, tamanha minha introspecção.

Questionei minha naturalidade, o jeito normalmente simples, a falta de pose, o lidar com o outro igual. Não seduzo com hora marcada nem de caso pensado. Será que isso deveria mudar? Esse "salto alto" é necessário sempre, é necessário "mais"? Deveria eu mexer mais no cabelo, lançar o olhar 43 o tempo inteiro, rebolar, o quê? Fingir requinte, simular quem não sou para garantir qualquer coisa (por quanto tempo e por que mesmo?)?

Mas, aí, como anjos existem, recebi um comentário lindo no meu post "Borboletas na alma" (a gente não tem noção do bem que um comentário pode fazer a alguém, né?). Quem escreveu foi a Pamela, uma pessoa que vejo pouco, sempre a trabalho. O comentário é doce e de uma sinceridade que me desarmou, fiquei com os olhos marejados. Obrigada, Pam.

Depois disso, recebi a declaração amorosa da Ro, amiga querida, aqui em casa mesmo, e flores da Ana, rosas vermelhas lindas, e abraços e beijos (não, não é meu aniversário). Outro dia comentei também sobre o cuidado da Sílvia. O que foi, gente, vocês resolveram fazer um complô para me emocionar? Ou os deuses ouviram minhas dúvidas e resolveram responder que não, não, Acácia, existe valor em ser como você é. Tomara que tenha sido isso porque foi isso que eu entendi e foi isso que me confortou.

A gente vive num mundo vaidoso e, às vezes, eu me contamino e me julgo aquém de muita coisa. Quando isso acontece, eu preciso desse apoio todo, dessa cerca que me valida, me levanta, me recupera.

Por essas e outras tantas razões é que, de novo, só tenho a agradecer. E garantir que terei sempre o coração aberto para retribuir tudo o que recebo. Minha humanidade - aquela parte que erra, que traduz orgulho, egoísmo e mesquinhez - também tem como par a metade divina - boa, gentil, carinhosa, solidária, cheia de um amor que busca a verdade. Outro dia eu ouvi que eu sou "muito budista". Tomara ser sempre. Para isso, eu pratico todos os dias.

Eu tinha prometido escrever sobre o filme que vi ontem (Borboletas na alma - maravilhoso, by the way), mas quer mais borboletas na alma do a alegria de saber que existe um motivo em todas as coisas? E que do amanhã a gente sabe, sim, porque quem cultiva sempre sabe o que colherá? Viu? Melhorei ;)

Um beijo.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Borboletas na alma


Estou terminando tudo por aqui para assistir "Borboletas na alma". O filme europeu ainda não chegou ao Brasil, talvez nem chegue, mas ouvi dizer que é lindo, emocionante. E já decidi: hoje, quero chorar muito de emoção!

Já ouvi falar em borboletas no estômago, e fiquei pensando que sentir borboletas na alma deve ser muito mais gigante, certamente a coisa mais deliciosa desse mundo. Parece melhor do que felicidade, me remete para um sentimento maior até do que o próprio amor. E, sendo assim, deve ser uma plenitude maior do que eu jamais imaginei. Tudo isso porque alguém me disse "você é muito pequena para carregar tanta coisa", e eu respondi sorrindo "quer me ajudar?". A resposta foi o Borboletas na Alma. Bonito, né?

Amanhã eu conto como foi o filme, quem sabe a gente não se contagia e começa a transmitir "borboletas" um para o outro?

Aproveitando, olha que bonito esse trecho do Caio Fernando Abreu:

"Tenho uma parte que acredita em finais felizes,
em beijo antes dos créditos,
enquanto outra acha que só se ama errado.
Tenho uma metade que mente, trai, engana.
Outra que só conhece a verdade.
Uma parte que precisa de calor, carinho, pés com pés.
Outra que sobrevive sozinha , metade auto-suficiente.
Mas, há muito, eu erro a mão. A dose.
Esqueço a receita do equilíbrio".

Pra completar, publiquei o link de Utopia no título. Sempre amei essa música e acho que combina com essa noite de chuva ;)

Beijos (ah, obrigada a todos os emails e comentários sobre a alteração do Gema).

Deixa passar


Pois é, o Gema mudou de nome. Não que a idéia da lapidação tenha perdido sentido, mas cansei da marca, comecei a achar pretenciosa, antiga e quis mudar. Coisas antigas devem ficar onde moram: no passado e, sabe de uma coisa?, o passado não volta.

Minha amiga Gil falava hoje, durante um evento de trabalho, que sentiu saudades de uma época da vida enquanto assistia a uma palestra. Eu disse a ela que saudade a gente sente até de ex-marido que não funciona mais. E a gente sente saudade porque só lembra da parte boa, esquecendo o que não servia mais e desencadeou a ruptura. Se pensar direito, ou tentar reviver aquela história, verá que é em vão tentar ressuscitar: o que morreu deve ser enterrado. Algo para voltar deve renascer, não sobreviver à sombra do que foi um dia.

Parece triste e pesado o que digo, eu sei, mas não é, não. É final de ano, logo 2010 bate à nossa porta e, sinceramente, 2009 precisa ficar em 2009. Carregar bagagem pra quê, santabenedita?

Feliz ano novo pra todos amanhã, depois de amanhã, semana que vem, ano que vem. Todo dia. Tim-tim.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Amigas: mais sobre as fêmeas


Amizade daquelas que todo mundo fala, para todos os momentos, para o que der e vier, etc é coisa rara, mas, acho que pra isso tem família (que, digam o que for, é para tudo) e o marido/ a mulher.

De resto, amizade pode ser de todas as formas, desde que leal, que tá valendo. Amizade só de bar, amizade para estudar, amizade para chorar as pitangas, amizade para gargalhar: o que vale é reconhecer o tipo e não cobrar o que cada um não pode dar (pelo menos não até que possa).

Especificamente falando da amizade entre mulheres, existem alguns mitos chatos. Dizem que mulher é invejosa, competitiva, falsa, e por aí vai. Quando eu era criança, tive lá minhas amiguinhas, coisa de escola e brincar de bicicleta. Acho que a gente não tem muita noção nessa fase.

Na adolescência a coisa complicou bastante: foi difícil mesmo ter uma turma de amigas. Começa a fase dos namoricos e, de fato, era uma ou outra que se mantinha por perto. Existia, sim, uma ciumeira e era por coisa tão boba! Acho que cresci a partir daí com essa crença de que é raro ter amiga e foi demorado entender que isso é tão tolo quanto qualquer outra generalização.

Comecei o bem-querer depois de adulta e tive boas amigas desde então, e tenho ainda hoje. Amigas queridas, solidárias, cuidadosas, cada uma a sua maneira. Gosto de saber que tenho outro feminino caminhando comigo, entendendo as coisas com os mesmos hormônios que eu. Só a gente sabe como é ter tanta variação no mesmo minuto ;) Mais do que isso, é feliz não conviver com a antipatia gratuita, nem rejeitar uma pessoa pelo medo de competir com ela (isso é doentio, não é?).

Hoje, só me afasto de alguém quando essa pessoa me faz mal (no sentido de trazer uma carga incompatível com a minha). Não gosto de gente ressentida, nem arrogante, nem desrespeitosa, seja homem ou mulher. Gosto de gente que ama, fértil de coisa boa, que sorri, é educada de coração. E tenho amigas e amigos fantásticos assim, o que me faz pensar que, de alguma maneira, eu melhorei, fiquei mais amiga também.

Não concordo de forma alguma com Vinícius de Moraes quando ele diz que "eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores... mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!", simplesmente porque os amores verdadeiros também são amigos e só podem ser amores se assim for. A amizade precisa permear todas as relações, senão, nas faz sentido. Mesmo as de trabalho. Já viu como é chato trabalhar somente pela burocracia da coisa?

Gosto mais desse trecho de Oscar Wilde:

"Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. E para saber quem eu sou, pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que normalidade é uma ilusão imbecil e estéril."

E deixo a pauta para o próximo post: existe gente normal?

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Sutilezas divinas


Todo mundo já sabe que sou taurina. Digo isso sempre porque combina demais comigo tudo o que se diz sobre o meu signo. Não foi à toa que escolhi nascer sob essa marca, achei fofo essa história de comer bem, preguicinha, lealdade, segurança (e outras cositas mais) e decidi: vou nascer taurina e pronto!

Pois bem, na categoria “comer bem”, boa mesa é uma das maiores delícias da minha vida: em casa ou não, comida boa faz bem ao meu humor, me dá conforto, força e ânimo. Sempre fui suscetível ao paladar, ao cheiro, toque, e, principalmente, ao olhar. A audição e o mental (aff) também, mas esses dois ficam pra depois ;-)

Bom, isso pra contar que os florais brasileiros que minha amiga Sílvia preparou pra mim têm me feito um bem danado. Usei florais de Bach por 5 anos seguidos, há algum tempo. Lembro que sempre gostei, mas acho que tem coisa diferente nos florais de Joel Aleixo. Talvez o jeito de prescrever, as cartas, o fato de eu confiar tanto na amiga-terapeuta e também meu próprio amadurecimento, além, claro, das essências em si.

O fato é que desde sexta-feira tenho me sentido mais light, mais relaxada, confiante. Isso tudo na época que estou vivendo não é coisa fácil, não. Três pedreiros em casa há séculos, empregada mais filho pequeno, tinta, andaime, quase tudo fora do lugar, sem falar no tanto de dinheiro gasto: haja paciência. Haja. Ainda bem que para ajudar tem muita coisa boa nessa vida.

Quem quiser conhecer o site/blog da Sílvia, o endereço é http://www.vidafloral.com.br. Aproveita e marca uma consulta com ela, tenho certeza de que vai fazer bem.

Beijos

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Faço, logo existo


Outro dia eu comentava que meu maior desejo é tirar minhas verdades do discurso e praticá-las na vida real, no dia-a-dia.

Isso quer dizer deixar que pregar o respeito quase como uma utopia e lembrar-me dele quando estiver irritada ou nervosa com alguém, por exemplo. Também quer dizer esquecer as belas palavras sobre sustentabilidade e agir efetivamente, dando exemplos sem nem mesmo perceber. Falar de amor, sim (porque é uma delícia!), mas principalmente esbanjá-lo diariamente sobre meus afetos profundos. Sorrir para a moça do caixa não porque eu "lembrei" que isso faz bem pra todo mundo, mas porque a empatia fluiu sincera.

Quantas coisas assim podem sair no pensamento para ganhar vida nos gestos? Incontáveis... i-n-c-o-n-t-á-v-e-i-s. Isso é provocar uma mudança pura, não uma burocracia politicamente correta (se é que polílica e correto podem estar juntas na mesma frase. O correto seria "impolítico". Enfim.).

Fico ouvindo o povo encher a garganta para levantar bandeiras e observo a prática: niente, nada me convence, fica até feio. Mas também tem a gente que nem percebe e já está ok, fazendo tudo o que acredita, fielmente, surtindo efeito, bacana, correto, honesto. Uma delícia, dá alegria, vontade de compartilhar, ficar perto.

Tem uma frase budista que diz que "lata atrai lata, ouro atrai ouro". Acho que isso quer dizer me polir sempre (ou lapidar, para combinar com o Gema). Assim, é possível atrair, cada vez mais, jóias genuínas, pra brilhar junto ;)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Mais do mito da fêmea


Bicho que se culpa tem título: mulher. Penso nisso desde ontem por conta de um acontecimento que deveria ter sido simples pra mim, mas não foi.

Depois da "revolução feminista", o que a gente mais ouve é: mulher tem culpa quando sai pra trabalhar e deixa o filho em casa, quando vai se cuidar e deixa a família, quando isso, quando aquilo, culpa, culpa, culpa. Isso é tão verdadeiro que toda amiga minha que "consegue" sair para tomar um chopp vai logo se justificando "preciso de um tempo para mim", "conquistei essa liberdade", "eles precisam entender", e por aí vai.

Que chato, né? Na minha vida inteira, só ouvi coisa parecida de um único homem, quando falava do próprio filho. E essa culpa vem de onde? É do tempo em que mulher só ficava em casa ou da maneira como nossos hormônios são e pronto? É defeito ou qualidade? E olha que não precisa ser mãe para ter o instinto: eu me cobro quando me ausento, me cobro pela distância, me recrimino pela falta de tempo, pela desatenção às vezes, pelo estresse.

Mulher, como escreveu certa vez um blogueiro, parece que precisa ser super para ser validada como moderna, atual, antenada. Tem que ser excelente dona-de-casa (tô perdida), profissional bem-sucedida, mãe maravilhosa, esposa perfeita, fêmea fatal, malhadora, amiga de muita gente bacana, ter vida social intensa. Aff. Cansei. Como faz tudo isso, gente???

E não pode nem dar uma choradinha na TPM que muito marido já fala "ih, tá naqueles dias", como se só por isso a gente chorasse. A gente sofre com a pressão, viu? Bastante.

Eu conheço muitos homens sensíveis, gentis mesmo. E tenho sorte de conviver com um prá lá de especial. Mas, ainda assim, quando vejo amigas reclamando e se desculpando por reclamar (com culpa mesmo), dá vontade de dizer: "vai lá, diz o que você sente, relaxe!". Já que eu não falo isso pra nenhuma delas porque não me envolvo no relacionamento de casal algum, uso meu blog para contar: mulheres, desistam do super. Vamos ser mais humanas, como os homens (sem machismos, nem feminismos). Já viram como eles não temem serem vistos apenas como homens?

Somos fortes, sim. Heroínas e guerreiras também. Mas, os homens também são. Se nós podemos muitas coisas, eles também podem. Dêem espaço para eles e verão homens tão dedicados como achamos que só nós podemos ser. Nós não somos mais nem melhores. Isso é mito. Aceitar isso faz a culpa diminuir. Eu deveria aprender também ;)

domingo, 8 de novembro de 2009

Pecados da fêmea


Minha amiga Gil sugeriu, outro dia, o tema "pecadinhos" e eu acabei acrescentando algumas lendas também, depois de uma conversa interessantíssima com o universo masculino. Um pouco do assunto anda logo abaixo, aguardando a sua opinião e alguma sugestão. Depois me conta o que foi que você achou ;)

Da seção "pecadinhos", escolhi dois mais recentes: o que fazer depois de uma noite dormida com maquiagem? Esfregar o rosto na manhã seguinte resolve? Não, sequer esfoliação é indicado, já que a esfoliação provoca oleosidade. Mulherada, o negócio é limpar e hidratar. Só. Ah, e evitar que aconteça de novo, faz mal mesmo.

Ainda nos pecados, a segunda situação é a seguinte: semana inteira de academia e dieta X uma noitada de bebida e fritura. E então? Jejum no outro dia? Não, cara pálida... super-alimentação saudável, sim, e atividade física para queimar a gordura "gorda".

Agora, as lendas (e essas são boas). A brasileira sempre foi famosa pelo bumbum farto, certo? E o brasileiro sempre adorou, certo? Sim, para ambas, lendariamente falando. O que se sabe é que, na incapacidade de ter o bumbum da globeleza, a gente acabou copiando os seios americanos: fartos de silicone. Já quanto a preferênca masculina, o que ouvi ontem foi que o bumbum farto "demais" atrapalha e, aí, eu paro por aqui para evitar detalhes...

A outra lenda, e essa é meio picante, é que o orgasmo feminino deixa a mulher "acesa" depois. Mentira. Nenhuma descarga dessas pode deixar uma pessoa "ligada" a ponto de falar sem parar. Gente, dá sono. Mesmo. Atrelada a essa, a história de que mulher não "brocha". Como assim, né? Claro que brocha e é visível se o namorado for atento e sensível.

Ainda na seção luxúria, mulher tem muito, mas muito mais desejo do que qualquer homem é capaz de imaginar. Sou contra essa história de que a testosterona é que faz do homem um ser mais "suscetível", digamos assim, ao apelo sexual. É claro que aqui não cabe generalizar. Assim como há variações de diversos tipos disso ou daquilo, há de haver aqui também. Mas, ainda assim, homens, please, prestem mais atenção à suas namoradas: mal adaptando uma frase de Eintein, uma mulher "despertada" jamais volta ao seu estado original (ainda bem :)).

Bom, a gente sabe que tem mais um milhão de pecadinhos e lendas tumultuando nosso dia-a-dia, né? Quem quiser enviar a sua/seu, fique inteiramente à vontade. Terei o maior prazer em escrever mais 150 posts sobre o assunto ;)

Beijos, boa semana.

sábado, 7 de novembro de 2009

Vida de amores


A maioria das pessoas, e aqui eu me incluo com extrema facilidade, tem o amor como termômetro. Nada tem a mesma importância: se a mãe, o filho, o marido ou qualquer outra pessoa amada padece de alguma dor, o coração da gente já se inquieta. O mesmo vale para aqueles dias em que, por algum motivo, a relação em casa ficou estremecida enquanto a gente sai para trabalhar.

O trabalho não rende tão bem, a hora na academia parece infinita, o ida ao supermercado parece coisa de alienígena. Nem o mundo de gente caminhando ao lado parece fazer muito sentido.

Em contrapartida, como é deliciosa essa rotina toda quando tudo em casa está na santa paz! Eu acredito mesmo que amores, além da evidente função de cuidar do viço da vida, serve para aliviar nossas tensões e somar aquelas alegrias que nos fazer rir sozinhos muitas vezes.

É por isso que amar torna a vida tão mais leve: a gente tem certeza que conta com a ajuda, e sabe da preocupação, da dedicação, do afeto que permeia pra além de qualquer vínculo mundano.

Fazendo um adendo, as amizades entram aqui como um bálsamo: os amigos são, sem dúvida, uma espécie de família que emociona. E isso independe do tempo que se conhece nessa vida: tem gente que acaba de entrar e parece ter existido desde sempre.

Amor, amor, a gente precisa todo dia. E todo dia quer fazer mais. Sim, posso parecer brega, mas é a coisa mais importante dessa vida. E, pra mim, sempre será a solução para esse mundo.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Tomorrow never knows


Eu fiquei pensando sobre essa expressão "amanhã nunca se sabe" e, como todo bom taurino, fiquei intranquila com a impossibilidade de me divertir com o incerto. Eu sei, isso é bobagem, já que de nada adianta tentar controlar o futuro. Ainda bem, diz baixinho meu senso de vida. Que tortura, reclama meu pé no chão.

Ontem, durante uma reunião, foi falado que para lidar com o imprevisto só mesmo uma força imprevista. Totalmente de acordo: eu e o mundo inteiro de coisas vivas sabemos e vivemos à base do inconstante, do caos, e conhecemos igualmente um poder advindo sabe-se lá de onde.

É fato que o ser humano teme a mudança. É fato que qualquer movimento diferente demanda um novo pensar, uma nova postura, uma mecânica nova. A questão que sobra é até que ponto minha disposição e coragem têm força para caminhar. Até que ponto minha vontade de conhecer uma vida sonhada têm fôlego para garantir a sua realização. No final das contas, tanto a disposição quanto a coragem e o fôlego se resumem em escolha. E escolha, como a gente está careca de saber, acarreta uma renúncia aqui para colher um fruto desejado acolá.

Quando a gente acorda pela manhã e se pergunta "academia ou dormir mais um pouco?" pensando meramente naquele instante, a impressão que dá é que essa é uma escolha sem consequências, inócua. Mas, assim como um dia segue outro, uma displicência acaba trazendo mais uma, e mais outra, e mais outra ainda. Até que, nesse caso específico, o sedentarismo se transforma em diabetes, pressão alta, excesso de peso, às vezes depressão. É, nada é tão inócuo assim.

Por isso é que eu fico aqui, mexendo meus neurônios, tentando entender quais são as armadilhas e benesses a que me imponho e cultivo. Estarei eu sendo excessivamente exigente comigo mesma? Será, sim, que bom que "amanhã nunca se sabe" porque, assim, podemos todos os dias reinventar? Mas, por outro lado, reinventar todos os dias não é cansativo demais? Quais pedaços precisamos mudar e quais outros devemos manter e melhorar? Não sei, não. Pelo menos, não ainda. Será que um dia saberei?

Ah... perguntas, perguntas... dizem que quem pergunta ainda vive. Bom, desse jeito, viverei por mais 200 anos, no mínimo :)

"O futuro é para frente e para trás e para os lados" (Clarice Lispector)

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

A biboca da parafuseta


Um amigo facebookou ainda há pouco a famigerada questão entre ser feliz e ter razão. Confesso que isso me cansa um pouco, pois parece sempre que quem escolhe ser feliz opta por fechar os olhos para um tanto de coisa importante em detrimento... do que mesmo?

Hoje, durante o almoço, eu dizia que, depois de tantos anos levantando questões e "discutindo verdades" em terapia e etc, eu simplesmente cansei. Ara ara, a vida pode ser tão mais gostosa quando tá todo mundo disposto, não é? Por isso, perdi a paciência para quem faz doce, enrola, fica difícil, inacessível em seu "pensamento profundo". Aff, que preguiça pra tudo isso.

Ando gostando cada vez mais de quem agrega, junta, compartilha, mistura. Exclusão e isolamento, pra mim, virou coisa de gente muito pouca, que morre de medo de dar e faltar para si. E olha que disso eu posso falar sem pudor algum, eu mesma já fui de me isolar um bocado. Ainda bem que, mesmo com o medo todo, eu fui lá e entendi que dar só aumenta o que a gente tem. Lição da vida que ninguém ganha por nós, tem que ir e buscar.

Enfim, ter razão ou ser feliz me parece, a essa altura do brasileirão, tão obsoleto quanto o sexo dos anjos: se eles tem ou fazem, good for them. Vamos tratar de cuidar do nosso e fazer feliz as nossas estripulias.

Boa semana, beijos beijos beijos.

domingo, 1 de novembro de 2009

Sem os anéis


Mil anos depois, estou eu aqui de volta, morrendo de saudade. Completamente instalada na casa nova (êêêê...), exausta, feliz, ainda aguardo o dia em que os pedreiros me deixarão sem pó ou distrações deles próprios. Esse dia há de chegar :)

Enquanto isso, fiquei pensando na minha nova ajudante e em seu marido que ontem, amigavel e prontamente, se ofereceram para ajudar em um tanto de coisas que faltava para concluir o processo de mudança.

Sou observadora, não tem jeito. Nem posso chamar isso de vício ou hábito: é da minha natureza e pronto, não preciso explicar, simplesmente acontece. Pois eu vi nesse casal uma educação, gente, um refinamento que pouco vejo por aí. Normalmente, a gente classifica de educado quem fala baixo, diz "por favor", "obrigado" e pede licença. Tem a turma que acredita que educação é coisa que vem com o conhecimento, a literatura, a cultura geral. Acho isso não.

A educação pura, diria até a verdadeira, que me impressionou neles foi a natural. Dava pra sentir na expressão e no jeito de como se dirigiam: tinha respeito na fala e no gesto. Longe da condição social, a educação transitou por ali com a tranquilidade do espontâneo, não sabia o que é "politicamente correto", nem "pertinente" ou "socialmente aceito".

Fiquei me lembrando de quantas vezes eu presenciei gente sendo polida só enquanto a situação era favorável. Quando a sorte virava, logo o lado dark do berço se manifestava. Que berço é esse que se fala tanto, né? Só dá trejeito fino e nada mais? Cadê a delicadeza?

O cuidado desse casal, a consideração, a humildade, tudo fruto da percepção que eles têm da vida. Ninguém ensinou. Ninguém corrigiu. Ninguém pagou. Gente, isso é berço. Isso é humanismo. Evolução da boa.

Eu sei, sou meio boba para essas coisas mesmo, mas é porque eu realmente acredito nelas. Não me impressiono com status, nem me mostre seu relógio porque não me interessa, nem tampouco um carrão maravilhoso. Me comove, de verdade, é a vida acontecendo no meio da gente, a simplicidade que torna tudo mais fácil, mais fluido.

Obrigada, Janinha e família. A nossa onda está só começando.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Bem rapidinha


Ainda há pouco eu twittei que a gente estranha tudo que é unusual, não corriqueiro. Mesmo que bom, ainda assim a gente estranha. Eu me referia especificamente a um fato ocorrido há algumas horas e acabei estendendo essa sensação à outras situações.

Já parou pra pensar em como a gente fica "meio assim" no primeiro instante? Não é natural ir se soltando aos poucos e só assim? Poucas vezes me lembro de ter ido a uma festa sem conhecer ninguém e, de cara, me sentir em casa.

Eu achava que o nome disso fosse timidez, mas, não é não. É reconhecimento, faro, proteção. A gente vai olhando, sentindo segurança e baixando a guarda devagar na medida em que ganha intimidade. Quando vê, já tá no meio da pista, dançando e cantando. E, o melhor, acompanhado ;-)

domingo, 25 de outubro de 2009

De noite, Neruda


De noite, amada, amarra teu coração ao meu
e que eles no sonho derrotem
as trevas como um duplo tambor
combatendo no bosque
contra o espesso muro das folhas molhadas.

Noturna travessia, brasa negra do sonho.
Interceptando o fio das uvas terrestres
com pontualidade de um trem descabelado
que sombra e pedras frias sem cessar arrastasse.
Por isso, amor, amarra-me ao movimento puro,
à tenacidade que em teu peito bate.

(Neruda)

Ah, vontade de escrever... mas, e o sono? Amanhã, tomara ;)

Beijos, boa semana

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Guarda-novidade


Li hoje um texto desses que correm pela internet, o autor é Joseph Newton e fala sobre abrir vazios necessários. Apesar do começo ser óbvio, eu continuei lendo já que a amiga que me enviou é inteligente e raramente envia esse tipo de coisa. Pois bem, o autor diz que enquanto não nos desapegarmos de objetos antigos, aqueles que guardamos por anos sem uso algum, estaremos ocupando o espaço que, certamente, é de uma coisa nova. Engraçado, justo agora que ando na faxina para a mudança de casa :)

Ele continua dizendo aquilo que sabemos: guardamos sentimentos velhos também, sentimentos que já não nos dizem respeito, mas que, por pura birra, cismamos em cultivar. Lembranças de dores passadas, mágoas, desconfianças, rancor: tudo isso pode, e deve, ir para o lixo.

A parte boa do texto, a que me chamou a atenção, é a que diz que a gente só guarda aquilo que teme que faltará, que fique vazio, por pura carência, e acaba enviando duas mensagens ao nosso cérebro: "não confio no futuro" e "o novo e o bom não são para mim". Mania que a gente tem de achar que é melhor "isso que eu tenho agora" do que "quero criar mais, experimentar mais, viver mais".

Fiquei feliz por perceber que, apesar da música do Lulu Santos dizer que "assim caminha a humanidade, com passos de formiga e sem vontade", tem gente que põe a cabeça pra funcionar e cria mensagens que nos encorajam a dar passos, mesmo que pequenos hoje, mas sinceros e rumo ao objetivo de ser inteiro.

Há fases em que a gente vai devagar mesmo (para um pouco também), mas já reparou como, às vezes, esse monte de passinhos viram um salto? É quando a vida parece que muda de repente, sem lembrar que tudo foi plantado, construído, cuidado de certa forma.

Algumas pessoas acreditam em destino, outras em acaso, coincidência. Muitas, assim como eu, acreditam em conquistas. Acreditam que, sim, há um traço direcionando para aquilo que herdamos de nossos pais, com suas crenças e vivências, mas, que, fundamentalmente, criamos a nossa história sempre que damos lugar ao novo e, principalmente, ao que é realmente importante na vida. O segredo? Não tem, não. É só pura coragem.

(Essa é a minha coluna semanal do portal Minha Vida. Estará no ar na próxima 6ª-feira com pouquíssimas alterações.)

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Making my way


Li uma frase hoje que era assim: "confie em quem já tentou". Fiquei pensando tanto nisso que meu coração respondeu: quem tenta tem intenção de conseguir, claro, óbvio, e, por isso, carrega tanta sinceridade que já vale a confiança.

Desde menina ouço minha mãe falar e falar (e como falava) que confiança é difícil de conquistar e fácil de perder. Ela falava desse jeitinho, eu ficava até irritada porque, criança e adolescente depois, eu mal sabia o que era aquilo que mamis dizia.

Enfim, cresci (um pouco, é verdade) e fui entender mesmo o que ela dizia somente há poucos anos, quando confiei verdadeiramente pela primeira vez. É estranha a sensação no começo, mas acho que nem pensei direito: confiar foi natural, uma resposta, um alento.

Acho confiança a jóia mais rara dessa vida. Uma preciosidade que faz a gente enfrentar qualquer coisa, uma arma honesta que carrega o brado amoroso de qualquer vitória.

Falei hoje sobre a confiança que tenho em mim, especialmente em situações de muito risco. Eu sou do tipo que renasce das piores crises, que levanta, se regenera, recupera e avança. Mas, sabe? Quero mais não. Quero me manter ereta sempre, sem precisar me reerguer. Quero ir lá, todas as vezes, sempre pronta, forte, tranquila. Quero o meu coração sereno, gente comprometida comigo, a vida é bem melhor assim, não é?

Deixa a confusão para o cinema, novela, para o Jornal Nacional, para os programas da Record e SBT. Se fora de casa haverá sempre gangorras, que dentro dela haja conforto, porto, descanso. Isso não quer dizer mesmice, não. Isso é segurança. Coisa boa demais.

Ainda vou pensar um bocado sobre isso, torcendo pra sair logo do mental e voltar para o coração, lugar de onde nunca deveria ter saído.

Beijo

domingo, 18 de outubro de 2009

O futuro que chega


Pois bem, o final de semana com uma hora a menos termina. Cansada, corpo dolorido da mudança, desacelerando depois do vinho, mas eu estava com tanta saudade do blog, tanta, tanta, que não resisti: aqui cheguei e vou aproveitar para desafogar o coração.

O dia foi emotivo, meio festeiro meio despedida. Depois de 5 anos vivendo nessa casa como se estivesse de passagem, a sensação que tenho é que encontrei um lar. A casa nova é linda, tem jeito de morada mesmo, tem espaço para viver nela com muita música, comida boa, gente e luz (tem música do Pearl Jam no título, ouvi tanto hoje junto com Norah Jones).

Ainda vai levar um tempo para que ela fique perfeita, a reforma é longa. Mas, já dá pra vislumbrar: as fotos estão por lá, os CDs,a cozinha já desenhou os cafés-da-manhã e, nos armários, roupitchas penduradas! Tem até quarto de hóspedes e minha mãe será a primeira a inaugurá-lo (bonito, né?).

Eu queria contar mais, a vida mudou tanto, mas meu corpo pede cama. Ainda por cima, tem horário de verão pra confundir só um pouquinho mais ;)

Beijo procês, boa semana.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Hello, little girl


Hoje é o dia das crianças. Pela primeira vez nessa vida vi um sentimento genérico abraçar todo mundo. Foi uma nostalgia por todos os cantos por onde andei. Até no Twitter: o povo trocou a foto por uma da infância e passou horas contando as lembranças boas. Que coisa, né? Esqueceram a santa em detrimento da saudade.

Claro que essa nuvem nostálgica me pôs a pensar. Lembrei daquela história que diz que precisamos de testemunhas que acompanhem nosso caminho, que nos certifiquem da verdade de nossas recordações e nos ajudem a validá-las. Dizem, também, que as melhores testemunhas são nossos irmãos e, depois, o amor que encontramos.

As perguntas que me fiz foram: quanto mudei nesses anos todos, que alegrias senti? Que alegrias causei? E por que? Como faz pra repetir, pra garantir, eternizar?

Muita gente diz que o homem muda pelo amor ou pela dor. Eu discordo: o amor nos torna mais doces enquanto ele vive em nós. É fácil ser "bonzinho" enquanto se está feliz, quero ver alguém desiludido ser gentil ou compreensivo. E quanto à dor, bom, essa é bem egoísta. Quem sofre, só enxerga o próprio umbigo. Na melhor das hipóteses, quando a dor passa, a gente fica um pouco mais solidário, entende melhor quando o outro chora, mas é só. Se a dor for esquecida, então... tudo volta ao que era antes.

Na minha modestíssima opinião, a única fonte de transformação efetiva e profunda é a consciência. Por isso, eu acho que tanto faz a fase que a gente vive: a ficha pode cair sempre que houver o desejo consciente de enxergar, processar, compreender, mergulhar, e, sim, mudar para ser feliz.

São 5 as fases que todo mundo passa depois de um sofrimento: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Das 5, a que mais me impressiona é a barganha. A gente sempre pensa que “talvez se eu agir desse ou daquele jeito, seja possível reverter a situação”. O famoso "jeitinho". É difícil mesmo dar-se a oportunidade de sair do lugar, procurar a realização agindo diferente, mas é preciso tentar, tentar sem parar até conseguir. Achar que pode obter resultados diferentes agindo da mesma forma, como já dizia Eisntein, é a maior tolice do ser humano.

Com o fim da infância, e a medida que os anos passam, a gente vai percebendo que a vida se torna menos tolerante com os nossos erros e nos dá cada vez menos tempo para corrigi-los. Quanto mais a gente insiste em bater a cabeça, mais difícil fica disfarçar. Bom. Bom mesmo. Caso contrário, ficaríamos eternamente mulambando por aí.

Mas, voltando ao dia 12, foi boa tanta troca de lembranças, e a conclusão a que cheguei foi que essa é a única fase verdadeiramente inocente da vida (clichezão, mas é verdade). O problema é que eu achava que nunca passaria ;)

Da minha parte, o impressionante é que eu nunca havia sentido saudades da minha infância antes. Essa foi a primeira vez. E foram muitas. Amei, obrigada.

Um beijo, boa semana.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Doadores de afeto


Escrevi há pouco para uma amiga que há muito não vejo. Falava sobre como andam as coisas, o trabalho, a família, os amigos, o amor. Enviei um livro, coitada, vai precisar de paciência para ler tudo. Mas, atenciosa como é, aposto que vai pedir mais ;)

O fato é que tem dia que é de uma riqueza sem fim, né? Logo pela manhã, eu li uma frase que foi uma verdadeira sacudida: "só os tolos e ignorantes têm certezas. Os sábios estão sempre em dúvida". Depois, recebi um email super-carinhoso de uma moça que leu minha coluna no portal Minha Vida. Ela dizia que, depois de ler o texto, foi clicando nos links e achou várias coisas minhas: meu blog, meu Twitter, enfim, meu coração. Disse Natália que se identificou muito e quer continuar me acompanhando. Interessante, rs.

Na sequência, Jorge (que também veio pelo Minha Vida) me contou sobre a emoção que sentiu com meus textos. Gente, vocês querem me convencer??? Que coisa linda tanta demonstração de afeto. Na reunião de todas as quartas na minha casa, foi a vez da minha amiga Ro rasgar a seda e me encher de carinho. Para fechar a noite, minha amiga Gil, querida... que linda declaração!!! Não cabe tanto em mim, gente, não cabe.

Fico verdadeiramente tocada com tanta doação, obrigada mesmo. Isso só reforça em mim a certeza de que, na minha vida, não há absolutamente nada mais importante do que um coração feliz.

Como todo bom taurino, adoro conforto, luxo, comida boa, cristais, bom vinho. Um amigo disse hoje que taurinas adoram receber flores, são românticas e... teimosas! Verdade, mas, quem disse que flores e luxo valem a pena em solidão? Quem me convence de que a vida merece ser vivida sem amor, sem amigos, sem beleza? Uma música é capaz de me tirar no chão, que dirá a lua cheia dessa noite.

Lucky me. Ouçam a música no título do post... Coisa mais linda desse mundo.

Beijos

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Nossos ventos


A manhã foi rica em assuntos para a blog, mas uma coisa está gritando pra mim desde ontem: não precisamos de ingênuos novos que desconheçam nossas fraquezas para continuar alimentando-as. O que a gente precisa é de verdade e gente comprometida capaz de nos amar mesmo conhecendo essas fraquezas.

Pular de galho em galho é mais fácil, mas uma hora cansa. A riqueza é criar raízes.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Você precisa do que?


Esse meu blog é estritamente pessoal, todo mundo que acompanha já percebeu. Aqui eu derramo as minhas experiências sem intenção de que se tornam verdades unânimes, sequer verdades. Alguém, vez por outra, se identifica e é super-natural: somos humanos e parecidos em algum momento. Digo isso porque estive pensando sobre um assunto delicado e corro de risco de gerar algum desconforto. Mas, é para o bem, como sempre é a minha intenção.

Fiz terapia por 4 anos e participei também por um bom tempo de um grupo cujo objetivo era trazer luz ao coração e ajudar a melhorar a vida através do auto-conhecimento. Tentei terapia outra vez, depois disso, mas foi por pouquíssimo tempo. Trabalhei bastante comigo, como vocês podem imaginar.

O fato é que, tendo vivido todas essas coisas, me sinto muitíssimo à vontade para dizer: terapia ajuda na medida em que alivia uma dor momentânea (e falar sobre a dor sempre trará benefícios), mas não atua na mudança, sequer na transformação da rota que insistimos em manter.

Além de mim mesma, conheço pessoas assíduas e aplicadas em processos terapêuticos (quaisquer que sejam: freudiano, junguiano, holístico, etc) que, no máximo, conseguem entender como funcionam e porquê, mas que, lamentavelmente não conseguem romper com os ciclos, vícios, deslizes e boicotes.

Lembro que, após um determinado tempo e conhecendo o raciocínio da psicóloga que me atendia, eu escondia uma informação ou outra e, aí, acabava rolando uma manipulação. Péssimo pra mim que não atingia a melhora, e, talvez, péssimo para ela que via seu trabalho assim, sem resultado efetivo.

Encontrei a saída apenas quando reencontrei o Budismo porque, ali, téte-a-téte comigo mesma, sem intervenção, sem máscaras e sem escapatória (ou resolvia ou estava fadada à eterna repetição) eu fiquei inteiramente sob a minha responsabilidade. Foi somente assim que entendi que a brincadeira de fazer-de-conta-que-a-vida-é-passatempo não me fazia feliz. E, vamos combinar, felicidade é assunto que exige compromisso, desejo profundo e seriedade da boa. Propósito bão e é disso que eu preciso :) Tim-tim.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Me escuta que eu te falo


Ontem à noite, durante a ida a um evento com um amigo de trabalho que é bom de conversar, eu contei sobre uma perda recente. Foi um alívio enorme admitir, assumir uma definição minha, principalmente porque sou sempre mega-reservada com minhas peripécias pessoais.

E, aí, a gente emendou a prosa com as estripulias da vida, os medos, relacionamentos e tal. Claro que eu soltei a máxima da minha amiga Ana que diz que a gente só tem medo do que conhece, medo de repetir. Foi, então, que me deu uma luz: é por isso que eu ando tão sem medo: quero começar uma história totalmente nova na minha casa (nova!), sem ranço algum de passado qualquer.

Gente, francamente, não sei de onde vem essa certeza, mas eu a tenho: estou prestes a experimentar uma parte da vida que jamais conheci e estou muito feliz com a possibilidade. Bom, já comecei bem, rs. Fui capaz de me ouvir dizendo em alto e bom som coisas que só meu travesseiro conhecia. Libertador pra mim. E é isso mesmo, quero de fato essa transparência nos meus dias comuns.

Beijos, hoje já é quase quinta-feira... que alegria :)

terça-feira, 29 de setembro de 2009

No frigir do dia


Saí de um evento impressionada com um vídeo que assisti por lá. Foi só um trechinho, mas o suficiente para me causar curiosidade e me fazer correr para o Youtube e vê-lo inteiro.

Não sou lá muito fã da Lady Gaga e a letra da música é bem ruinzinha. Mas, eu gostei do ritmo e entendi as cenas. Entendi do meu jeito, mas entendi. Depois que você assistir (o link está aí no título do post), me diga o que achou, se pensou a mesma coisa que eu.

Fora isso, um twitteiro famosinho postou que mulher só se apaixona por dinheiro. Claro que eu tinha que refutar e disse a ele que mulher, depois que se sente amada, não aceita nenhum outro tipo de moeda.

Continuando o dia, falei a uma amiga que sofria uma desilusão que a gente só se desilude com quem ama. Já viu alguém que não nos diz nada ou não gostamos nos entristecer? Deles não esperamos nada: se vier algo de bom, ok; mas já nos prepraramos para qualquer coisa ruim. Já quando se ama... a esperança pode até morrer, mas demora, luta, reluta, briga até o fim.

Pensei na minha mudança de casa programada para os próximos 10 dias e entendi o final do ciclo, o encerramento de uma história, foram anos sob esse teto. Tudo aqui tinha um cheiro e uma vida que já estão se apagando da minha memória. Eu sou assim, não sei se bem ou não, mas, quando o desligamento se dá, meu coração não lamenta, só enxerga a vida nova que chega.

Quero fazer dessa casa nova um lar cheio de vida, cheia de movimento, cheia de luz, transparência, claridade! Que venham a família, as crianças, os adultos, os risos e conversas, TV ligada, música tocando, amor inteiro. Quero ver vídeos bonitos e dançar. Dar festas. Deixar a porta aberta. Cozinhar. Conviver. Eu vos declaro, mas, principalmente, nós nos declaramos. É isso que eu espero, que eu acredito com todo o meu coração.

Beijo procês :)



segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Para viver o remanso


Nas minhas últimas "férias" (se é que se pode chamar uma semana de férias) fui convidada por uma parceira de negócios a ficar na casa dela, um casarão numa praia bonita. Aceitei, achando que me sentiria a vontade, mas foi puro engano. Meu encabulamento foi tamanho que biquini só com canga, shorts e camiseta. Resultado: a brancura da ida foi a mesma da volta.

Agora, às beiras de mais um feriado, recebi outro convite desses, dessa vez para uma montanha bem charmosa. Eu? Declinei. Viagem para ser relaxante só se for 100% lazer. Então eu escolhi um lugar desses que tem rei, acho que chama Pasárgada, e vou ficar por lá, olhando o vento, tomando sol, desejando recuperar uma inocência destruída por puro descuido meu. Às vezes a gente erra, né? Mas, eu andei errando muito, arriscando muito e preciso de perdão. Um tipo de perdão que só eu posso me dar.

Esses dias de descanso servirão para isso: para eu voltar a sentir um amor tão forte por mim mesma que seja capaz de me redimir.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Põe no blog!


Tivemos hoje uma longa discussão sobre blog, site, informação e blá-blá-blá. Defendi os blogs com unhas e dentes e achei engraçado porque, até pouquíssimo tempo atrás, a discussão era entre impresso e internet, num claro preconceito contra a vida virtual. Ninguém acreditava em e-commerce, nem em jornalismo em portais (heim, portal?). Pois é.

Há algumas semanas, durante o Digital Age, diversos números e pesquisas sobre redes sociais foram apresentados. Dentre as pesquisas, o que foi dito é que as pessoas estão cada vez mais interessadas em conteúdo pessoal, opinião, envolvimento, participação. Outra pesquisa diz que o funcionário que usa blog, Twitter e família são mais produtivos, mais parceiros, mais transparentes e, sobretudo, mais criativos. O maior sucesso na TV tem sido o reality show e há uma explicação: o mundo frio deixou de encantar, as pessoas querem a vida real.

Claro que há muita bobagem nas mídias sociais, mas o mesmo é verdadeiro no mundo impresso, na TV, no rádio. Mau gosto e banalidades não são prerrogativas virtuais, mas da falta de profundidade de uma parcela do povo. Tem gente rasa em todo lugar. Não tem gente que gosta de funk? Isso é culpa de uma arte chamada música? Não, né? Então!

Ainda mais vivendo nesse mundo volátil onde tudo perde a importãncia num piscar de olhos. E muda, vira outra história. Fundamental estar aberto, no mínimo. Preconceito contra etnias, escolhas sexuais, classe social, forma de expressão, tudo é a mesma coisa: em maior ou menor grau, é falta de vontade de conhecer, se render, aceitar o que nem sempre é do formato no qual nos moldamos.

Eu sou fã da internet. Sempre fui. Me encantei com blog, Twitter porque enxerguei uma onda, a necessidade das pessoas em parar de se reservar tanto (inclusive no mundo empresarial). E isso não tem volta: depois que se sente o gostinho de compartilhar, não se volta ao isolamento.

Beijo, boa noite de sexta-feira (delícia!)

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Devolvo-me


Algumas pessoas que acompanham meu Facebook e Twitter sabem que eu trabalhei numa "trasnformação" ontem com a Cris Arcangeli. Como ela mesmo disse, é mais uma revelação do que transformação porque tudo já estava lá, os mimos e cuidados só valorizaram.

Eu fiquei pensando nisso e no quanto a gente vai se escondendo devagar: primeiro com pequenos boicotes, e, depois, quando pega gosto pelo anonimato, com grandes descuidos. Deixa a pele ficar sem brilho, deixa o brilho perder o olhar. O sorriso ganha mais do que timidez: ganha vergonha, uma desistência de alegria, um forçado "tudo bem" capaz de passar ileso pelo porteiro, mas jamais para quem nos conhece e ama de verdade. Mas, mesmo quem nos ama não é capaz de nos devolver o viço. Talvez porque pouquíssimos amantes sejam corajosos o suficiente para ver e incentivar o outro a brilhar. Já pensou no trabalho?

Por isso, claro, a lição fica por conta de cada um mesmo. O exercício efetivo da melhora da auto-estima só pode ser eficaz se diário, pessoal e intransferível. A gente cansa de repetir isso, até para o próprio espelho, mas o fato é que a gente se alegra mesmo é com o estímulo alheio, sempre. Vi a Thais (vencedora da promoção) recuperar uma vaidade boa, uma postura potente, e me perguntei por quanto tempo ela alimentaria esse presente.

Acho que essa é a nossa maior lição na vida: experimentar-se para fazer-se e saber-se melhor, independente do outro, mas compartilhando com ele. Alguns chamam isso de individualidade, outros (os mais medrosos e frágeis) chamam de egoísmo. Eu, particularmente, chamo de inteligência em estado puro. E nela não há razão, nem julgamento, sequer medo. Aqui, o que a gente encontra é a garantia de que a vida passa, mas a alegria precisa estar em toda parte.

Um beijo :)

domingo, 20 de setembro de 2009

Minhas cartas


Me lembro de escrever poesia aos 7 anos. Aos 8, ganhei um prêmio na escola (a coleção completa do Sítio do Pica-Pau Amarelo) pelo meu desempenho nas aulas de Português. Diário, poemas, avaliações sobre a vida aos 11. Quem segurava?

Foi dos 15 aos 17 meu ápice: era tanto papel escrito que as amigas começaram a ler e a opinar. Algumas incentivavam, outras compartilhavam, a maioria se encontrava naquelas palavras. Época fértil :)

Não sei bem porquê, mas parei de escrever perto dos 18 e fiquei anos sem me expressar nem mesmo por bilhete. Que coisa essa falta de lembrança, esse esquecimento do quanto era bom dizer. Continuei lendo muito e sem nenhum apego: meus livros, depois de lidos e diferente dos meus CDs, eram de quem quisesse.

Foi preciso um homem de belíssimas e apaixonadas declarações para me acordar daquele quieto exercício de sentir-pensar-e-nada-mais. Comecei por retribuir tudo o que dele recebia: gigantescos emails românticos, bem traçados, queridos. Que época mais do que fértil e feliz.

De tanto escrever pra ele, fiquei com vontade de escrever para muitos. E montei meu blog, esse de onde vos falo, e, há mais de um ano, venho, volto, sinto falta quando demoro, escrevo o tempo inteiro nos meus olhos. Tudo é assunto. Tudo apaixona, impressiona. Escrever é um pedaço da minha vida.

Por isso eu incentivo sempre que vejo alguém fervendo de conteúdo, e fico feliz quando a coisa dá certo. A Patrícia (lembram dela?) acabou de publicar um blog e já tem mais posts do que eu, rs (http://diasgenericos.blogspot.com).

Escrevi hoje a minha primeira coluna no Portal Minha Vida (http://www.minhavida.com.br) e estou adorando a idéia. O texto saiu daqui, claro, quase como uma homenagem ao Gema.

Mas, homenagem mesmo eu devo a todos vocês: tanta reciprocidade me mantém nessa grande paixão. Obrigada, obrigada, obrigada.

Boa semana :)

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

O melhor e mais bonito poema


"Um sábio me dizia: esta existência, não vale a angústia de viver.
A ciência, se fôssemos eternos, num transporte de desespero inventaria a morte.
Uma célula orgânica aparece no infinito do tempo.
E vibra e cresce, e se desdobra e estala num segundo.
Homem, eis o que somos neste mundo.

Assim falou-me o sábio e eu comecei a ver
dentro da própria morte, o encanto de morrer.

Um monge me dizia: ó mocidade,
és relâmpago ao pé da eternidade!
Pensa: o tempo anda sempre e não repousa;
esta vida não vale grande coisa.
Uma mulher que chora, um berço a um canto;
o riso, às vezes, quase sempre, um pranto.
Depois o mundo, a luta que intimida,
quadro círios acesos : eis a vida.

Isto me disse o monge e eu continuei a ver
dentro da própria morte, o encanto de morrer.

Um pobre me dizia: para o pobre a vida é o pão e o andrajo vil que o cobre.
Deus, eu não creio nesta fantasia.
Deus me deu fome e sede a cada dia, mas nunca me deu pão, nem me deu água.
Deu-me a vergonha, a infâmia, a mágoa de andar de porta em porta, esfarrapado.
Deu-me esta vida: um pão envenenado.

Assim falou-me o pobre e eu continuei a ver,
dentro da própria morte, o encanto de morrer.

Uma mulher me disse: vem comigo!
Fecha os olhos e sonha, meu amigo.
Sonha um lar, uma doce companheira que queiras muito e que também te queira.
No telhado, um penacho de fumaça.
Cortinas muito brancas na vidraça,
Um canário que canta na gaiola.
Que linda a vida lá por dentro rola!

Assim, pela primeira vez eu comecei a ver,
dentro da própria vida, o encanto de viver."

(Guilherme de Almeida)

A poesia do Twitter



Eu sou apaixonada pelo Twitter. Acho útil, acho inteligente, me estimula a visitar lugares na internet que eu, por conta própria, jamais visitaria. Além disso, me põe a ler o pensamento de gente, no mínimo, criativa. Isso é interatividade da boa.

E uma coisa interessante são as respostas que a gente recebe. Fala-se diretamente com alguém ou joga-se uma pergunta no ar e pronto: manifestações aparecem por DM, reply ou e-mail.

Hoje, exaurida da semana de 80 dias, pedi uma poesia. Gostei dessa, mas a melhor irá no próximo post... merece exclusividade.

Beijos, feliz Natal ;)

A inteligência sem amor, faz-te perverso.

A justiça sem amor, faz-te implacável.

A diplomacia sem amor, faz-te hipócrita.

O êxito sem amor, faz-te arrogante.

A riqueza sem amor, faz-te avarento.

A docilidade sem amor, faz-te servil.

A pobreza sem amor, faz-te orgulhoso.

A beleza sem amor, faz-te ridículo.

A autoridade sem amor, faz-te tirano.

O trabalho sem amor, faz-te escravo.

A simplicidade sem amor, deprecia-te.

A lei sem amor, escraviza-te.

A política sem amor, deixa-te egoísta.

A vida sem amor... não tem sentido.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Por que?


Uma pessoa importante demais na minha vida me disse, certa vez, que eu não deveria dar importância àquilo que não tem importância e que nem deveria transparecer qualquer intenção de demonstrar a falta de importância.

Entendi, dei razão e foi o que eu fiz recentemente. Por que é, então, que eu estou com a sensação de que deveria ter deixado claro a falta de importância, ter brecado, transparecido meu recado? Não seria importante deixar a desimportância clara?

Estou me perguntando isso. Aceito opiniões.

Beijos

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Em bom português


Ok, pessoas, antes do desfile de 7 de setembro, a tradução do sermão do padre Flynn :)

Beijos, bom feriado!

"O que fazer quando não temos certeza? Esse é o tópico do meu sermão de hoje.

Quando o presidente Kennedy foi assassinado no ano passado, quem de nós não se sentiu perdido, em profunda desorientação, sem esperança? 'Para onde ir? O que fazer? O que digo para os meus filhos? O que digo para mim mesmo?'

Foi um tempo de sentarmos juntos, unidos no sentimento de falta de esperança. Mas, pense nisso: seu desespero era o que o ligava ao seu companheiro. Foi uma experiência pública terrível, mas estávamos nela juntos.

Imaginem o quão pior é para um homem solitário, uma mulher solitária atingidos por uma tragédia particular... 'Ninguém sabe que estou doente, ninguém sabe que perdi meu querido amigo, ninguém sabe que fiz algo errado'. Imaginem a solidão. Agora você vê o mundo pela janela: de um lado do vidro, pessoas felizes e sem problema e, do outro, você.

Quero contar uma história. Uma noite, um navio cargueiro foi a pique e pegou fogo e só um marinheiro sobreviveu. Ele achou um barco salva-vidas e, por ser marinheiro, elevou seus olhos ao céu, guiou-se pelas estrelas e determinou o caminho. Mas, as nuvens chegaram e ele não pôde ver as estrelas pelas próximas 20 noites.

Ele achou que estava no caminho certo, mas não tinha certeza. E enquanto o tempo passava e o marinheiro ficava mais fraco, ele começou a duvidar. Ele estabeleceu o caminho certo? Ainda estava a caminho de casa? Ou estava perdido e condenado a uma morte terrível? Não havia como saber. Teria ele imaginado a mensagem das constelações por conta das circunstâncias? Ou teria ele visto a verdade e tinha que acreditar nela sem uma confirmação?

Alguns de vocês aqui hoje conhecem essa crise de fé que descrevo e quero dizer a vocês: a dúvida pode ser um elo tão forte e duradouro quanto a certeza.

Quando você está perdido, você não está só."

O sermão do padre Flynn


Gente, com tanta chuva, o melhor programa desse mundo era mesmo comer e assistir filme. Foram 3 hoje, seguidos, acompanhados de pipoca, morango, bolo, sopa e muitas lágrimas (ah, os filmes foram tão sensíveis, tão bons...).

O trecho abaixo é do comecinho de Dúvida (com Meryl Streep e Philip Seymour Hoffman), trata-se do sermão do padre Flynn. Forte :O

"What do you do when you’re not
sure? That’s the topic of my sermon
today.

Last year, when President Kennedy
was assassinated, who among us did
not experience the most profound
disorientation? Despair?

What do I say to my kids? What do I
tell myself? It was a time of
people sitting together, bound
together by a common feeling of
hopelessness.

But think of that! Your BOND with
your fellow being was your Despair.
It was a public experience. It was
awful, but we were in it together.

How much worse is it then for the
lone man, the lone woman, stricken
by a private calamity?

‘No one knows I’m sick.’

‘No one knows I’ve lost my last
real friend.’

“No one knows I’ve done something
wrong.” Imagine the isolation.
Now you see the world as through a
window. On one side of the glass:
happy, untroubled people, and on
the other side: you.

I want to tell you a story.

A cargo ship sank one night. It
caught fire and went down. And
only this one sailor survived.
He found a lifeboat, rigged a
sail...and being of a nautical
discipline...turned his eyes to the
Heavens and read the stars.

He set a course for his home, and
exhausted, fell asleep.

Clouds rolled in. And for the next
twenty nights, he could no longer
see the stars. He thought he was
on course, but there was no way to
be certain.

And as the days rolled on, and the
sailor wasted away, he began to
have doubts.

Had he set his course right? Was he
still going on towards his home?

Or was he horribly lost...

and doomed to a terrible death? No
way to know. The message of the
constellations - - had he imagined
it because of his desperate
circumstance? Or had he seen truth
once...

and now had to hold on to it
without further reassurance?

There are those of you in church
today who know exactly the crisis
of faith I describe. And I want to
say to you: Doubt can be a bond as
powerful and sustaining as
certainty. When you are lost, you
are not alone."

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Patrícia e sua saudade


Lembram da Patrícia, a pessoa que conheci durante um seminário e que me impressionou muito pela intensidade? Pois é, lendo meu blog ela viu o cometário que fiz sobre ela e tal. Fez uma observação por lá, explicando melhor aquilo que eu não havia entendido na sua total dimensão. Adorei. Adorei.

Aí, de presente, ela me enviou algumas coisas que tem escrito. Estou insistindo com ela para que faça um blog: história não falta! Vou continuar insistindo até que ela nos brinde com um tanto da sua sensibilidade.

Uma dos textos que recebi da Patrícia está logo abaixo. Fala da saudade. A dela, mas que é parecida com a nossa.

Um beijo, obrigada Patrícia :)

Ausência

sua cabeça no meu travesseiro,
a minha volta, suas memórias,

meu pobre corpo,
sua ausência não entende,

assim, persisto,
uma insistência ilógica,
onde fantasio, e
sempre te recrio,

e neste exercício louco,
entre vida e memória,
me confundo e me perco.

Tento como dever diário,
fazer de minha rotina,
um ritual de desapego,

no entanto,
sei que te carrego,
por toda a eternidade.

(Patrícia Gonçalves)

domingo, 30 de agosto de 2009

O curioso caso de Benjamin Button


Eu já tinha assistido esse filme umas duas vezes. Lembro que nas duas lamentei não ter anotado algumas falas. Ontem, na terceira vez, consegui. E trouxe pra cá, para nunca mais esquecer. Mesmo que algumas pareçam óbvias, é isso que a gente sempre faz: esquece. Ainda tem a bagagem emocional do filme que dá muito mais sentido a cada palavra :)

"Nunca sabemos o que nos espera." (Queenie, sobre viver hoje)

"A gente pode ficar furioso com o rumo dos acontecimentos. A gente pode xingar, pode amaldiçoar o destino, mas quando chega o fim a gente tem que aceitar." (Cap. Mike Clark ao ser morto durante a guerra)

"Vc mal falou comigo." (Daisy p/ Benjamin, durante o reencontro)
"Não quero estragar tudo." (Benjamin p/ Daisy)

"Dorme comigo." (Daisy no reencontro)
"É claro que sim." (Benjamin)

"Nada dura para sempre." (Benjamin, com medo, p/ Daisy)
"Algumas coisas duram." (Daisy p/ Benjamin)

"Acho que foi naquele momento que ela percebeu que nenhum de nós é perfeito." (Benjamin, ao falar de Daisy)

"Mude ou continue sendo quem é. Não há regras para essas coisas." (Benjamin p/ a filha)

"Espero que vc tenha uma vida da qual se orgulhe. E se não tiver que tenha forças para comerçar de novo." (Benjamin p/ a filha)

"Boa noite, Benjamin."
"Boa noite, Daisy."

"Está tudo bem. Não há problema algum em esquecer algumas coisas." (Daisy p/ Benjamin quando ele começa a "envelhecer")

"Ele olhou para mim como se soubesse quem eu era. E fechou os olhos como se fosse para dormir." (Daisy, quando Benjamin morre em seus braços, bebê, sem memória)

sábado, 29 de agosto de 2009

A vida de todos os dias


Ontem à tarde, durante o trabalho, falamos sobre morte e ficamos ponderando sobre a dor: ela é maior quando a morte é repentina? Ou a dor esperada é tão sofrida quanto? Perguntei no Twitter e algumas pessoas responderam por lá mesmo, outras enviaram e-mail, duas ficaram preocupadas achando que talvez eu estivesse passando por uma perda e telefonaram. Fofo isso.

Enfim, a maioria disse que a morte repentina é mais dolorosa porque não permite despedida nem tampouco dá oportunidade de fazer o que se deseja para a pessoa que vai. Alguém também disse que depende, se para quem fica, se para quem vai. Minha amiga Sílvia foi muito mais profunda: escreveu que toda morte deveria ser esperada (não é a única certeza, afinal?).

Bom, o fato é que ninguém gosta do assunto. Eu, então, sempre tive pavor, não entendo, não aceito, não tenho consciência da finalidade. Por isso, cuidar da vida é tão importante pra mim. Cuidar da minha consciência viva é uma questão tão fundamental que é como se eu quisesse garantir que valha a pena tudo, no caso de não haver nada depois, que seja só pó. A intensidade da minha emoção e da minha busca é proporcional ao meu pavor pela morte.

Conheci uma pessoa impressionante durante um seminário essa semana. A Patrícia é intensa e cheia de paixão, mas, como todo mundo, tem um desejo sobrenatural de controlar o futuro. Sentiu um grande amor sem vivê-lo de verdade, sem concretizá-lo, e só percebeu o desperdício quando o homem que amava morreu de um câncer. Por uma série de questões familiares, ela nem pode acompanhá-lo no hospital, mal pode se despedir, e, claro, sofre demasiadamente pelo apego que não foi desatado por falta de... do que mesmo?

Todas as histórias que ouço me fazem pensar. Me fazem analisar minha vida, por que faço? por que não faço? por que digo/não digo? fico ou vou? Acho que isso ajuda um bocado, mas atrapalha na medida em que não sou fluida, estou sempre me apegando à experiências alheias para justificar minhas decisões. A conclusão que tiro dessa frase que saiu "sem querer" agora é que talvez eu tenha tanto medo da vida quanto da morte. E, atenta a isso pela primeira vez, vou tratar de me soltar, relaxar, viver. Talvez, afinal, a famosa "primeiro dia do resto das nossas vidas" parece fazer sentido.

Bom final de semana a todos. Um beijo cheio de vida.