segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Hello, little girl


Hoje é o dia das crianças. Pela primeira vez nessa vida vi um sentimento genérico abraçar todo mundo. Foi uma nostalgia por todos os cantos por onde andei. Até no Twitter: o povo trocou a foto por uma da infância e passou horas contando as lembranças boas. Que coisa, né? Esqueceram a santa em detrimento da saudade.

Claro que essa nuvem nostálgica me pôs a pensar. Lembrei daquela história que diz que precisamos de testemunhas que acompanhem nosso caminho, que nos certifiquem da verdade de nossas recordações e nos ajudem a validá-las. Dizem, também, que as melhores testemunhas são nossos irmãos e, depois, o amor que encontramos.

As perguntas que me fiz foram: quanto mudei nesses anos todos, que alegrias senti? Que alegrias causei? E por que? Como faz pra repetir, pra garantir, eternizar?

Muita gente diz que o homem muda pelo amor ou pela dor. Eu discordo: o amor nos torna mais doces enquanto ele vive em nós. É fácil ser "bonzinho" enquanto se está feliz, quero ver alguém desiludido ser gentil ou compreensivo. E quanto à dor, bom, essa é bem egoísta. Quem sofre, só enxerga o próprio umbigo. Na melhor das hipóteses, quando a dor passa, a gente fica um pouco mais solidário, entende melhor quando o outro chora, mas é só. Se a dor for esquecida, então... tudo volta ao que era antes.

Na minha modestíssima opinião, a única fonte de transformação efetiva e profunda é a consciência. Por isso, eu acho que tanto faz a fase que a gente vive: a ficha pode cair sempre que houver o desejo consciente de enxergar, processar, compreender, mergulhar, e, sim, mudar para ser feliz.

São 5 as fases que todo mundo passa depois de um sofrimento: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Das 5, a que mais me impressiona é a barganha. A gente sempre pensa que “talvez se eu agir desse ou daquele jeito, seja possível reverter a situação”. O famoso "jeitinho". É difícil mesmo dar-se a oportunidade de sair do lugar, procurar a realização agindo diferente, mas é preciso tentar, tentar sem parar até conseguir. Achar que pode obter resultados diferentes agindo da mesma forma, como já dizia Eisntein, é a maior tolice do ser humano.

Com o fim da infância, e a medida que os anos passam, a gente vai percebendo que a vida se torna menos tolerante com os nossos erros e nos dá cada vez menos tempo para corrigi-los. Quanto mais a gente insiste em bater a cabeça, mais difícil fica disfarçar. Bom. Bom mesmo. Caso contrário, ficaríamos eternamente mulambando por aí.

Mas, voltando ao dia 12, foi boa tanta troca de lembranças, e a conclusão a que cheguei foi que essa é a única fase verdadeiramente inocente da vida (clichezão, mas é verdade). O problema é que eu achava que nunca passaria ;)

Da minha parte, o impressionante é que eu nunca havia sentido saudades da minha infância antes. Essa foi a primeira vez. E foram muitas. Amei, obrigada.

Um beijo, boa semana.

2 comentários:

Gil disse...

funny porque tive uma infancia otima... mas sempre soube que seria mais feliz adulta...acho que tive pressa por isso... talvez tenha perdido algo, mas fazer o que? nao ter medo de envelhecer foi o meu "brinde"...

Cristiano Almeida de Souza disse...

Olá Acácia, venho lhe parabenizar pelo texto: "Antídoto contra monotonia - Resgate memórias e dê espaço às mudanças".
Após Lê-lo, meio que sem querer...zapeando na internet, senti como que uma obrigação em parabenizá-la.
Fui transportado pela magia da leitura, consegui enxergar as recomendações de Reiner Rilke "as memorias de sua infãncias são como tesouros que ninguém pode lhe tirar..." e esse volver a infãncia, é algo que sempre trabalho em meus grupos operativos. estou enviando um motivador em anexo - O espelho, que sempre emociona os participantes.
Ao ler a seguinte frase: "E quanto à dor, bom, essa é bem egoísta. Quem sofre só enxerga o próprio umbigo." foi como se, destes palavras aos pensamentos que eu tinha ha muito tempo... como o sofrimento é egoista...
Parabéns pelo texto. Ganhou um novo fã, rs.
Grande Abraço.

“Ainda que você esteja sozinho em seu barco, sempre conforta ver as luzes dos outros balançando por perto.” (Irvin Yalom)