terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Vale-amor


Outro dia recebi pelo Twitter a chamada da última edição da revista Nova. Era mais ou menos assim: "se você deixá-lo pagar a conta no primeiro encontro quer dizer que terá que dormir com ele?". Fiquei tão passada! Como assim? Em pleno ano 2010 essa questão pautando??? Ainda existe esse tipo de questionamento na cabeça feminina ou isso é falta de assunto da revista?

O fato é que, depois disso, tenho observado a maneira como as mulheres comentam sobre os homens, sobre essa história do dinheiro deles, sobre pagar conta, sustentar depois que casa, etc. E me pus a pensar no lugar que o amor ocupa em tudo isso. É claro que nessa prosa toda tem um ranço cultural e arquétipos que não acabam mais, mas, será só isso?

Acho que o amor perdeu muito da sua pureza, do seu estado incondicional, da falta de armadura que lhe é necessária, da fluidez, do querer a felicidade do ser querido no matter what. E aí que o que restou foi a possessividade que permeia todas as coisas (não só o amor), a mesquinhez que briga pelos "nerudas que você me tomou", um tanto de orgulho e desatenção por aquilo que se julga já conquistado.

Obviamente, eu não me excluo desses perrengues emocionais e de tantas outras gangorras humanas. Mas, estranho e não gosto de mim quando ajo assim e acho bem triste quando vejo isso estampado nas relações ao meu redor.

Quero acreditar que posso amar de maneira mais limpa, sem tantos adereços perversos e tamanha miopia que rondam questões tão baratas diante de um grande amor. Certamente não sou a mesma que amou aos 17, nem a mesma que amou aos 28. Mas, ainda assim estou longe de ser a mulher que ama sem condições. Adoraria ser. Quem sabe um dia? Talvez, aí, eu não me impressione tanto com o amor da Nova, nem me assuste com qualquer outra forma de amar.

Um comentário:

Augusto Branco disse...

Um amigo disse-me certa vez que amar as mulheres está cada vez mais difícil... Mas, na verdade, se olharmos pra trás o materialismo está arraigado em nossa sociedade,que formou-se baseada em relacionamentos com casamentos arranjado$, com as mães perguntando às suas filhas primeiramente quais eram as posses do pretendente, ao invés de querer saber qual o sentimento entre eles. Os homens, por sua vez, aprenderam que bastaria ter dinheiro para casar com a mulher de seus sonhos. Dotes eram oferecidos. Os ca$amentos eram verdadeiras negociações, que antes beneficiavam as famílias dos cônjuges, e agora os benefícios ficam entre as partes...
Numa dessas revistas femininas, vi certa vez a lista de características a observar antes de escolher um par. Na lista das mulheres constava: Inteligência, Situação Financeira, Bom Humor, Beleza, Sexo, Amor - na ordem. Entre os homens, a lista aparecia da seguinte forma: Beleza, Bom Humor, Sexo, Amor, Inteligência, Situação Financeira. Quanto ao item Situação Financeira aparecer por último na lista dos homens e em segundo (?) lugar na lista das mulheres, eu suspeito que seja apenas pelo fato de que os homens não estão habituados a pensar na situação financeira das mulheres, pois durante longos anos eles estiveram na posição de compradores, e elas nas de compradas...
Apesar de tudo, sou mt otimista. Chega um momento em que as pessoas percebem que dinheiro não é tudo, que sexo não é tudo, que beleza não é tudo e... bem... apenas para alguns este momento chega cedo, e para outros chega bem tarde, já no leito de morte!rs