quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

A nação somos nós



Quando precisamos, deixamos o carro sempre na mesma oficina. O atendimento é cordial, a oficina é limpinha (mulher pode entrar sem se preocupar em sujar o vestido), o serviço é rápido e o preço é justo.

Na hora de pagar, a maquinha do cartão fica no escritório do dono. Na parede, vários diplomas da Loja Maçônica. No diploma de Mestre está escrito "Amor e Trabalho". Eu sorrio, agradeço, desejo boas festas a todos e vou embora. No caminho de volta me lembro de que não recebi nota fiscal. Aliás, nunca recebi nota fiscal de lá.

Eu fiquei me perguntando: ele é bom trabalhador, bom cidadão, mas sonega?; ou é bom trabalhor, mas não é bom cidadão (porque sonega)? Ou será que é assim mesmo nesse país? Afinal, pagamos tantos impostos, tanto dinheiro não usado para seus devidos fins e que vai parar nas mãos de alguns, que revolta a gente. Além do mais, quem sobrevive pagando tanto imposto???

Outro dia, recebi o boleto do sindicato do qual minha empresa participa (não por livre e espontânea vontade, por imposição mesmo). Achei um absurdo, mas o que é que vai se fazer? Não pagar? Sindicato é máfia, recebe da empresa, do funcionário, do governo, rola propina, etc, etc... E ai de quem não pagar!

Portanto, pensei eu, não é justo julgar o dono da oficina. Ele gera empregos, é honesto, pai de família. Podemos dizer o mesmo dos nossos políticos?

Talvez um dia eu levante a bandeira "vamos deixar de pagar impostos!". É bem capaz que eu tenha meu CPF cancelado, minha empresa seja fechada e nada mude nesse país. Simplesmente porque nós, brasileiros, não somos unidos e somos incrédulos: não acreditamos na mudança a partir de nós.

Como já dizia Albert Camus : "a política e os destinos da humanidade são forjados por homens sem ideais nem grandeza. Aqueles que têm grandeza interior não se encaminham para a política." Sim, a bola não é deles; é nossa, moçada. Ano que vem tem eleição. Bora pensar antes de votar.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A vida para viver

Ouço todos os dias a queixa de que a vida é curta. Mas, ontem, pensando e pensando, cheguei a conclusão de que a vida é longa. Viver 80, 90 anos nos dá tempo suficiente para aprender e aproveitar a vida. O problema é que demoramos a aprender a viver e, quando finalmente começamos a aprender, a vida já está no fim. Aí fica a sensação de que não houve tempo para aproveitar, para saborear o que foi aprendido. Parece que não houve tempo para curtir a vida.

Ninguém acerta sempre. Não é humano acertar sempre. Mas arriscar tudo por qualquer coisa é ter uma miopia gigantesca na alma. Alguns riscos são importantes e enxergar a longo prazo ajuda a escolher os que valem a pena correr. Não é saudável atropelar os anos e todas as pessoas, fazendo coisas como se não houvesse consequência para cada escolha. Viver não é passar de ano.

Fiquei imaginando quais seriam as pequenas regras de ouro para uma vida melhor e longa, no sentido de "vivida de verdade, com valor". Certamente a lista é enorme, mas selecionei algumas que tem me ajudado. Talvez elas possam ajudar mais alguém também.

Seja educado: um sorriso, ou um "bom dia/tarde/noite" pode ajudar bastante em qualquer relacionamento, nem que seja os "burocráticos", aqueles do guichê de alguma coisa, ou pelo telefone para esclarecer alguma dúvida. A pessoa do outro lado da mesa (ou do telefone) também tem uma vida, problemas e alegrias. Isso é sério.

Seja gentil: em qualquer situação. Se estiver além das suas forças naquele momento, seja, pelo menos, educado. Não empurre e, se empurrar, peça desculpas. Não tente ganhar 30 segundos no dia passando na frente de alguém, pois isso não vai alterar seu horário, mas certamente trará uma marca de mau humor ao seu dia e uma úlcera depois de algum tempo.

Não traia: trair amigos, colegas de trabalho, alguém da família, marido ou esposa é uma fonte de estresse tanto para você quanto para quem é traído. Corrói o coração (dos dois) e traz rupturas irreparáveis. Juro que falar a verdade, abertamente, mesmo que doa no começo, é a melhor maneira de manter o carinho das pessoas. A regra é a mesma se você tiver dúvidas, se sentir inseguro ou deseja algo que é do outro. Diga a verdade, sempre. Funciona.

Não use palavras para ferir: algumas feridas nunca cicatrizam. Seja franco; cruel, jamais.

Coloque-se no lugar do outro: sair do próprio mundinho, povoado de orgulhos e picuinhas, pode ajudar a entender melhor qualquer situação.

Saiba que você não é o centro do mundo: as pessoas tem famílias, problemas no trabalho e milhares de outros assuntos importantes. Um olhar mais fechado nem sempre é por sua causa, compreenda.

Dedique-se de corpo e alma a alguém (ou a vários alguéns): isso é amor.

Cultive amigos: ninguém, absolutamente ninguém, é feliz sozinho. Entretanto, não junte-se a qualquer pessoa por medo da solidão.

Aprenda: não cometa aos 40 os mesmos erros que cometia aos 20 ou 30. Não combina mais.

Tente sempre acertar: mas quando errar, erre por uma boa causa. Imaturidade não é sinônimo de má intenção ou mau caratismo.

Trabalhe: seja útil, produza, contribua para o movimento do mundo.

Mantenha sua fé: mas saiba que fé sem atitude e sem mudança não transforma a vida.

E, claro, cuide da saúde: ela reflete seu amor pela vida. Engordar demais, beber demais, fumar, e todos os excessos prejudiciais são um lento suicídio. Mesmo que você interrompa um hábito ruim depois de 10, 20 anos, seu corpo já terá sofrido todos os estragos. A vida não é uma entidade que te trata bem ou mal: a sua vida é seu reflexo.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Ninguém nasce sabendo, mas morrer sem aprender é outra história


Algumas vezes a vida parece piorar de repente e fica difícil, achamos até impossível que ela melhore, volte a ser feliz, como em alguns momentos ela foi.

A maioria de nós sustenta esse percalço por anos, acreditando que a vida é aquilo mesmo, não há nada o que fazer; ou, se há, é difícil demais para, sequer, iniciar. A vida transforma-se num luto sem fim. Saímos até a procura de algumas palavras de conforto, e dá-lhe filme de superação, frases feitas no Google e livros de auto ajuda. Mas o efeito dura pouco: na hora do eu-comigo-mesmo o desamparo acontece.

Outro dia eu me preocupei muito com uma pessoa querida que estava assim, desiludida e sem rumo. E orei mentalmente por sua recuperação. A boa notícia é que, talvez, de alguma forma, essa onda de bem querer atinja quem quer que esteja precisando. A notícia não tão boa assim é que o processo leva tempo e há que se ter paciência: muitas quedas virão até a boa subida começar.

A felicidade é um exercício: a princípio exige esforço, a musculatura flácida, preguiçosa e sedentária implora pela comodidade do mesmo. Mas, a cada dia que a gente não se resigna, a cada dia que a gente levanta cedo pra correr exatamente para o destino que se quer atingir, o coração fica mais forte, a alma também, as pernas e braços vão deixando de reclamar.

Quase sem perceber, o corpo vai delineando, a gordura vai dando lugar ao músculo mais enxuto, a respiração deixa de ofegar tanto, e a gente vai chegando, chegando, chegando. E quando chega, olha novos e outros horizontes: criamos uma turma de "corredores" ao nosso redor. Outros problemas virão e outras dificuldades também. Mas, se antes era difícil levantar 1 kg de problemas porque a força da alma inexistia, agora já dá pra levantar 10 k e continuar andando.

Eu não sei o que cada um precisa fazer para ser feliz, eu sei o que eu vivi e por quais desníveis, pelos motivos que tive na época, escolhi passar. A quem se espante com a palavra escolha. Ainda tem gente que acha que somos marionetes de algum deus, de alguém ou de alguma situação. Esse é o pior e mais desastroso erro que um ser pensante pode cometer contra si mesmo. Se há uma força fora de nós mesmos, ela trabalha a nosso favor, sempre: seja para o bem, seja para o mal.

A felicidade é um exercício, sim. E, assim como uma academia, é preciso ir. Não adianta só pagar e achar que tudo cairá do céu. Exercite-se. Antes que chegue dezembro e você encha seu caderninho de objetivos para o ano que vem que jamais sairão do papel.

terça-feira, 5 de julho de 2011

1 + 1 = 3



O homem não é um ser isolado, todo mundo percebe isso. Desde os primórdios, a humanidade se juntou em grupos, se casou, teve filhos e a vida continuou em bandos, tanto para criar quanto para destruir.

Nenhuma descoberta foi um ato solitário: antes da luz elétrica acontecer, muita gente deixou rastros de trabalho para Thomas Edison: Tales de Mileto, filósofo grego, esfregou um âmbar num pedaço de pele de carneiro e viu eletricidade; Otto von Guericke estudou o atrito e Benjamin Franklin inventou o pára-raios. Isso prova que Thomas Edison foi fruto da soma, mesmo que ele tenha descoberto a lâmpada aparentemente sozinho.

Até a guerra existe porque é praticada por pessoas com o mesmo ideal. Jantares e encontros, reuniões, família: tudo acontece por causa do sentimento de comunidade. Portanto, vai na contramão da humanidade quem se isola, quem guarda a disfarçada arrogância de que "não preciso de ninguém", "ninguém paga as minhas contas", "melhor sozinho do que o estresse de ter alguém se metendo na minha vida".

Pessoas com imensa dificuldade de relacionar-se alimentam, continuamente, o medo, já tão grande, de sofrer, isso é muito claro para a maioria de nós. Mas essa solidão revela, também, um tanto de preguiça em trabalhar para melhorar a vida, muito de prepotência quando acredita que o outro é quem tem que mudar e adequar-se a ele.

Tem gente que disfarça a solidão tendo alguns amigos, saindo de vez em quando, interagindo aqui e acolá. Ainda assim, essa pessoa preserva seu isolamento na medida em que evita profundidade, intimidade, algum confronto, alguma possibilidade de perda. No raso, tudo é mais confortável para quem levanta a bandeira do individualismo, mas não há força na solidão, nem alegria.

Outro dia eu ouvi de uma conhecida que "no final do dia, é você com você, é só o que importa". Embora eu concorde com a preservação da individualidade (diferente do individualismo) e embora eu saiba que muito do que sentimos é peculiar e único, e que somos nós que escolhemos cada traço do nosso caminho, eu precisei discordar.

Somos frutos de referências pessoais, sem dúvida, mas muito, muito mesmo, de referências familiares e sociais. Sem apoio, conforto, incentivo e atrito com quem amamos jamais poderemos enxergar coisa alguma, sequer evoluir. Ninguém piora quando carrega a intenção do bom convívio. Não é preciso gostar de todo mundo ou incluir qualquer pessoa, mas é fundamental não temer o relacionamento. É preciso deixar entrar antes de excluir pelo julgamento da possível dor.

Arthur Schopenhauer disse "a solidão é a sorte de todos os espíritos excepcionais". Sorte??? E vai compartilhar a excepcionalidade com quem? E será que é excepcional porque nunca ninguém mostrou que não é tanto assim...? Na solidão é muito fácil acreditar nas coisas que criamos, inclusive nas mentiras.

Acredito que certo, mesmo, estava Aristóteles ao dizer "quem encontra prazer na solidão, ou é fera selvagem ou é Deus". Nietzsche falava que detestava quem lhe roubava a solidão sem em troca lhe oferecer verdadeiramente companhia. Mesmo sendo uma grande fã dele, eu sempre me pergunto: será que ele algum dia pensou em oferecer verdadeiramente companhia ao invés de somente esperar por ela?

É, esse é um dos grandes problemas do solitário: o egoísmo.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Falando de homens



Falar de homens e mulheres é coisa pra quem pode, para quem tem experiência generosa e refinada sobre a arte de relacionar-se. Dizem que o texto abaixo é da Fernanda Montenegro, de quem sou fã. Mesmo que não seja, é muito bom, vale a pena ler:

Minha amiga, se você acha que Homem dá muito trabalho, case-se com uma Mulher e aí você vai ver o que é mau humor!


O modo de vida, os novos costumes e o desrespeito à natureza tem afetado a sobrevivência de vários seres e entre os mais ameaçados está o macho da espécie humana.

Tive apenas 1 exemplar em casa, que mantive com muito zelo e dedicação num casamento que durou 56 anos de muito amor e companheirismo, (1952-2008) mas, na verdade acredito que era ele quem também me mantinha firme no relacionamento. Portanto, por uma questão de auto-sobrevivência, lanço a campanha ‘Salvem os Homens!’

Tomem aqui os meus poucos conhecimentos em fisiologia da masculinidade a fim de que preservemos os raros e preciosos exemplares que ainda restam:

1. Habitat

Homem não pode ser mantido em cativeiro. Se for engaiolado, fugirá ou morrerá por dentro. Não há corrente que os prenda e os que se submetem à jaula perdem o seu DNA. Você jamais terá a posse ou a propriedade de um homem, o que vai prendê-lo a você é uma linha frágil que precisa ser reforçada diariamente, com dedicação, atenção, carinho e amor.

2. Alimentação correta

Ninguém vive de vento. Homem vive de carinho, comida e bebida. Dê-lhe em abundância. É coisa de homem, sim, e se ele não receber de você vai pegar de outra. Beijos matinais e um ‘eu te amo’ no café da manhã os mantêm viçosos, felizes e realizados durante todo o dia. Um abraço diário é como a água para as samambaias. Não o deixe desidratar. Pelo menos uma vez por mês é necessário, senão obrigatório, servir um prato especial. Portanto não se faça de dondoca preguiçosa e fresca. Homem não gosta disso. Ele precisa de companheira autêntica, forte e resolutiva.

3. Carinho

Também faz parte de seu cardápio – homem mal tratado fica vulnerável a rapidamente interessar-se na rua por quem o trata melhor. Se você quer ter a fidelidade e dedicação de um companheiro completo, trate-o muito bem, caso contrário outra o fará e você só saberá quando não houver mais volta.

4. Respeite a natureza

Você não suporta trabalho em casa? Amigos? Futebol? Pescaria? Jogos? Liberdade? Carros? Case-se com uma Mulher. Homens são folgados. Desarrumam tudo. São durões. Não gostam de telefones. Odeiam discutir a relação. Odeiam shoppings. Mercado então, nem se fala… Enfim, se quiser viver com um homem, prepare-se para isso.

5. Não anule sua origem

O homem sempre foi o macho provedor da família, portanto é típico valorizar negócios, trabalho, dinheiro, finanças, investimentos, empreendimentos. Entenda tudo isso e apóie. A maior beneficiária disso é você!

6. Cérebro masculino não é um mito

Por insegurança, a maioria dos homens prefere não acreditar na existência do cérebro feminino. Por isso, procuram aquelas que fingem não possuí-lo (e algumas realmente não possuem! Também, 7 bilhões de neurônios a menos!). Então, agüente mais essa: mulher sem cérebro não é mulher, mas um mero objeto de decoração. Se você se cansou de colecionar amigos gays e homossexuais delicados, tente se relacionar com um homem de verdade. Alguns vão lhe mostrar que têm mais massa cinzenta do que você.

Não fuja desses, aprenda com eles e cresça. E não se preocupe, ao contrário do que ocorre com as mulheres, a inteligência não funciona como repelente para os homens.

E por fim… Não faça sombra sobre ele… Se você quiser ser uma grande mulher tenha um grande homem ao seu lado, nunca atrás. Assim, quando ele brilhar, você vai pegar um bronzeado. Porém, se ele estiver atrás, você vai levar um pé-na-bunda. Aceite: homens também têm luz própria e não dependem de nós para brilhar.

A mulher sábia alimenta os potenciais do parceiro e os utiliza para motivar os próprios. Ela sabe que, preservando e cultivando o seu homem, ela estará salvando a si mesma.

E minha Amiga, se Você acha que Homem dá muito trabalho, case-se com uma Mulher e aí Você vai ver o que é Mau Humor!

Só tem homem bom quem sabe fazê-lo ser bom!

Eu fiz a minha parte, por isso meu casamento foi muito bom e consegui fazer o Fernando muito feliz até o último momento de um enfisema que o levou de mim. Eu fui uma grande mulher ao lado dele, sempre.

Fonte: http://www.lardocelar.org/uma-mulher-inteligente-falando-dos-homens/

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Praticar a verdade, de verdade



Eu nunca fui uma pessoa de aceitar autoridade. Liderança, sim, pois parte do bom senso e da admiração, jamais da ditadura. Por causa disso, nunca me senti confortável com chefes ou pessoas que tentam se impor a qualquer preço. Não sigo determinações cegas, nem palavras sem lógica. Gosto de gente com conteúdo inteligente, que saiba argumentar com sabedoria. Sentimentalismos também não funcionam comigo.

A maioria das pessoas aceita certas coisas com mais facilidade. Eu não. A única coisa que aceito com facilidade é a verdade, todo o resto, se misturado a qualquer tipo de mentira, é muito difícil de engolir. Foi por causa dessa minha dificuldade que já afastei muita gente da minha vida. E muita coisa também.

Acredito que estamos vivendo uma era única na nossa sociedade e a tecnologia tem ajudado sobremaneira na mudança que pressinto ser definitiva: as pessoas comuns estão denunciando aquilo que consideram errado. E que ninguém me diga que "certo" e "errado" são subjetivos demais para serem definidos: todo mundo sabe, tem noção, do que é certo e errado.

Hoje mesmo vi pela TV as imagens de um pai chutando um filho caído no chão. O fulano vinha fazendo isso com frequência, impunimente, até que o filho mais velho tomou coragem e filmou pelo celular. Foi parar na Rede Globo. Pois é, anos de violência interrompidos por um gesto tão simples.

Até outro dia, as corrupções políticas eram denunciadas por outro político corrupto que certamente não tinha conseguido atingir um objetivo qualquer. Chantagem que ia parar na mídia, pra logo depois desaparecer, esquecida no meio de tantas outras. Agora, quem começa a denunciar é o povo, com a tal câmerazinha do celular, põe lá no "Youtubiu" pra todo mundo ver. Foi assim que a professorazinha lá do Rio Grande do Norte ganhou nome e voz, e, também, foi parar na Rede Globo. O Sarneyzão teve que voltar atrás no sumiço do impecheament do Collor na "histórica" galeria do planalto. Obra de quem? De alguém que falou.

Um amigo, religioso que só, católico do tipo que a família vai à missa todo domingo e participa das obras da igreja, veio me contar que tinha abandonado tudo aquilo. Motivo? Máfia nas relações com o dinheiro e com o poder. Ele se desiludiu, se afastou. Apesar de não ser católica, eu disse a ele que, se ele pretendia mudar alguma coisa, tinha que estar lá, presente. Foi aí que ele me disse: os corretos são mais fracos porque são poucos. Verdade. Trinta pessoas dizendo que não é bem assim, que você está exagerando e você pensa que está mesmo. E se retira.

Quem vive nesse mundo sabe que precisa lidar com politicagens. E como eu disse lá no comecinho, eu não aprendi direito essa parte. Sendo assim, eu tenho feito um esforço genuíno para lidar com essas situações em que nem os próprios envolvidos percebem que estão enganando: para a maioria desses "pequenos políticos diários", enganar é uma questão de sobrevivência. Tudo por uma pequena posição, um palco, mínimo que seja.

Até onde deveria imperar o bom mocismo há mentira. Órgãos que "ajudam" os mais pobres, ONG's sem fins lucrativos, religiões: onde há a chama do poder ilusório humano, há ganância, "jeitinhos", interesses, confabulações escusas. O que fazer, então? É possível lutar sozinho? É possível confiar que haja mais alguém inteiramente ciente do certo para formar um grupo, nem que seja de dois? Tenho fé que sim. Nossa história tem exemplos belíssimos de pessoas que ajudaram a romper a escuridão de uma era.

E não é pretensão querer ser um deles, pois todos foram também pessoas comuns com um desenho nítido na alma: eram incansáveis. Nós temos sorte, o maior caminho eles já fizeram. As maiores barbaridades já foram apresentadas ao mundo, ninguém mais tem a ilusão de que o homem é o bom selvagem de Rousseau. Ninguém mais tem vergonha de se apresentar como traído, enganado, desde que possa provar que há, em algum momento, uma justiça que não é a humana.

Foi assim que conclui a conversa que tive com uma grande amiga hoje: é preciso falar, falar para quem quiser ouvir. Não importa se muitos se fingirão de surdos. O importante é que os corretos ouçam e formem coro. Uma hora, uma casa cai. Até quem comandou um povo com algemas por décadas caiu, por que, por que não acreditar que é possível vencer comportamentos que já deixaram de ser duvidosos para estamparem que são corruptos?

Bora limpar a garganta e fazer bom uso da palavra: calar é o mesmo que concordar, ser sócio do erro.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Um fim é sempre um recomeço



Uma amiga muito querida me procurou hoje numa tristeza que me cortou o coração. Separada há alguns dias do seu amado, ela não sabe o que fazer para superar. Eu, e todo mundo desse planeta, já passou por essa dor. Acho que é por isso que dói tanto na gente quando alguém que a gente gosta sofre dessa perda.

Logo de cara, quando acontece, a perda do amor é sempre incompreensível. Por que, como assim, tão de repente??? A gente pensa, chora e nunca entende, nunca. E vai lá falar com o outro, tentar dizer que "mas, mas..." e nada. Ver o outro irredutível é a morte, não dá, simplesmente não dá para compreender.

Não há nada que alguém diga nesse comecinho de fim que possa aliviar ou trazer esperança. Não se pode ser leviano e dizer "isso passa", nem leviano duplo e garantir que "ele voltará". Até porque, "ele voltar" nem sempre é o melhor, nem sempre será mais feliz.

Aliás, se posso dizer alguma coisa é: algo muito desconfortável para ambos já estava acontecendo. A explosão parece repentina, mas nunca é. Como tudo na vida, uma ruptura é resultado de um processo que, muitas vezes, a gente não quer ver nem acompanhar. Por isso, quando acontece, parece que nos pega de surpresa.

Mas, como quem está sofrendo é uma querida muito querida, tem outra coisa que eu faço questão de registrar: minha linda, certamente, certamente mesmo, por mais que agora pareça que não, sua vida está precisando de mudança. Não importa qual, ninguém tem nada a ver com isso. O importante é que a gente sempre sabe onde precisa sacudir e horas como essa são maravilhosas para alavancar. Aproveite, não deixe passar a chance, não adie, não lastime.

Quem não quer ficar ao nosso lado está nos dizendo que, na dupla, nós também não estávamos tão felizes assim. Ninguém é infeliz sozinho. Essa pessoa está fazendo o que talvez não teríamos coragem por pura acomodação. Passado o luto, nosso coração sempre fica mais claro, mais transparente, mais ciente do que quer, mais inteiro, e, principalmente, mais coerente. Não existe cegueira no amor. Quando estamos "cegos" pode ser por qualquer motivo, menos por amar.

Aproveite seu coração cheio de sentimento, minha linda, para dar uma resposta a sua vida: a mudança veio, vá com ela! Se há reconciliação possível, ela primeiro precisa acontecer em você.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Nem tanto isso, nem tanto aquilo


Outro dia, durante uma conversa, um amigo comentou que precisava se deixar levar mais pela emoção do que pela razão. Ele contou que, há anos, racionalizar tudo foi a maneira que ele encontrou para garantir menos sofrimento. A gente pensa mesmo assim, né? Acha que a emoção é a causadora de toda dor e a razão nos protegerá.

Essa guerra antiga entre nossos dois hemisférios cerebrais é uma falácia, na verdade. Não há nada que alivie uma dor. No máxima ela será somatizada, e, quem sabe, virando uma cistite ou pressão alta a gente consiga prestar atenção nela.

E, longe de ser também uma vilã aos olhos dos hippies da alma, a razão é uma questão de saúde emocional a quem tem a mínima intenção de compreender o que dispara uma angústia. Identificar, analiticamente, a fonte do que nos machuca pode não resolvê-la, mas traz à luz o medo que, desconhecido, é invencível.

Quanto a emoção, coitada, sozinha ela é uma perdição: de energia, de tempo, de confiança. Ninguém 100% entregue só aos desatinos do coração tem direção na vida. Nem amar consegue, já que não tem inteligência pra isso. A pessoa envolve-se aqui e acolá, com seres e causas, como se todos os "escolhidos" fossem o motivo pelo qual ela vive.

Assim, concluímos que nem isso nem aquilo: desarmar o discurso bacana, recheado de argumentos ferozes, em prol de uma postura (emocional ou racional), é o primeiro passo para encontrar o resultado da verdade da vida de cada um. Não há muita regra, não. Mas é fundamental que haja equilíbrio, que haja sinceridade no olhar pra dentro, que haja coragem para assumir certas causas. Disfarçar os reais motivos das nossas fugas e usar bandeiras que nos confundem só nos distanciam daquela coisa que a gente vive dizendo que anda atrás: felicidade. Como bem disse Goethe, "a alegria não está nas coisas, está em nós".

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Eu não!



Outro dia, um amigo que conheço há bons 15 anos, me disse pela 2ª vez: "tu devias ser psicóloga". E eu, que já tive essa vontade quando era adolescente, agradeci enormemente por ter seguido outro rumo.

Desde que me entendo por gente sou essa massa questionadora. Nunca tive resposta satisfatória para pergunta alguma, a não ser que a vida faz sentido e vale a pena sempre. Por isso é que eu disse ao meu amigo: se eu fosse psicóloga, enfermeira, médica, cientista política, filósofa ou afim, já teria enlouquecido. Seria um estímulo super-super-extra carregado para uma mente tão inquieta quanto a minha.

Eu preciso mesmo é desse trabalho gostoso, leve, que fala de beleza e auto-estima. Assim, com essa distração boa que ainda me remunera ( ;-) ), eu tiro um pouco o pé do chão, me encanto com as cores, fotos, shows e novidades do "mundinho" fashion. Mas, engana-se quem pensa que esse mundo não é sério. É sério e muito! Além disso, é um universo caro, que coloca nosso país no 3º lugar do ranking do mercado. Quem me conhece sabe que não me caberia viver sob qualquer tipo de irresponsabilidade. Eu trabalho bastante, mas trabalho feliz, pois equilibro bem meus estímulos e não carrego nada de negativo do trabalho para casa.

Portanto, querido amigo, nada de psicologia. Meus pequenos palpites sobre a vida ficam entre amigos e está bom demais ;-)

Beijos

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Viver a vida

Há dias estou digerindo alguns acontecimentos e conversas recentes. Dentre os mais marcantes, as mortes do nosso ex vice-presidente, José de Alencar, e da bela Cibele Dorsa me fizeram prestar atenção a coisas que naturalmente jugamos saber. Fiquei me perguntando o que diferenciou tanto o final da vida de cada um dos dois: Alencar viveu até o último segundo dos seus quase 80 anos lutando para viver. Cibele não quis, apesar o vigor dos seus 36.

A conclusão a que cheguei, apesar de parecer tão óbvia, é que os únicos bens que nos mantém "vivos", com vontade de viver, são o afeto conquistado ao nosso redor e o forte propósito de construir nesse mundo uma marca pessoal de valor.

Ouvi de pessoas que conheceram José de Alencar que ele era "uma simpatia", bem humorado, firme em sua honra, justo. Sua esposa, d. Mariza, quando soube que ele estava com câncer, fez uma promessa: nunca mais usaria suas jóias (que ela adorava) para que seu marido vivesse mais. Segundo amigos do casal, era comum Alencar dizer para a esposa "deixa de bobagem, Mariza, você adora suas jóias!", mas ela foi firme. Nunca mais usou sequer um anel. Com tanto amor e cuidado assim ao redor, quem é que pode querer morrer?

Já da Cibele, pouco se sabe sobre sua vida. Mas eu fui lá no Twitter dela pra entender um pouco como ela se sentia ultimamente. Parecia uma vida muito oca, superficial, a não ser pelo sentimento que a unia ao noivo , Gilberto Scarpa, que se suicidou aos 27 anos pela mesma janela. Um relacionamento doentio: ela, frágil e imatura demais com pinta de bacana, e ele, usuário de drogas, dependente de tudo, inclusive dos aplausos furfles! de quem mesmo???

Por isso, é brega para um monte de gente mas a verdade é a seguinte: a vida só tem sentido com um forte laço de união famíliar, de amor, amizade, propósito social, dignidade. Gente, tá na hora de reconquistar ou construir essas coisas, né? Quem tem, preserve. Quem não tem, construa! Se sente fraco? Procure ajuda, please! Tá forte, bacana? Ajude. A-ju-de. Pode ser importante demais para alguém.

Um beijo

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Adeuses



Eu estava folheando a Veja depois do almoço quando me deparei com a matéria sobre a tragédia na serra fluminense. No depoimento de um pai que perdeu a filha de 16 anos pude sentir a dor: "minha filha fazia tudo para mim, cortava meu cabelo, fazia minha barba. Acho que ela não tinha ideia do quanto eu a amava".

Lembrei de uma amiga que ontem me contava sobre o fim de um relacionamento de 7 anos. Chorando, ela disse: "a gente se amava tanto, tanto! Como é que terminou assim?", e eu, pra não chocá-la num momento de tanta mágoa, só consegui responder "dê tempo ao tempo".

Perdas tão distintas como essas, de amores e prazos tão diferentes, machucam pela ausência do outro, sim, mas também pela culpa de não ter feito e dito, não ter tentado, por ter adiado, por ter se ferido com o orgulho de que as relações são imperecíveis.

O pai em luto jamais esquecerá sua dor. Entretanto, quando sua angústia for anestesiada pela sobrevivência, seu olhar sobre os outros filhos terá uma nova necessidade: a de provar o amor e experimentá-lo no cotidiano, com menos pressa e mais paciência. Apreciar a convivência com quem tem importância ganhará outro significado.

Já para minha amiga, depois da separação, um sopro de calor no coração: amará novamente, amará melhor e será melhor amada. O fim de um amor é sofrido, todo mundo sabe, todo mundo já experimentou. Mas, o desejo de viver de verdade e feliz, e de fazer o outro feliz, pode gerar o bom aprendizado da alma, a sabedoria da paz, o clarão do propósito - aquele que vai facilitando e limpando o caminho -, pois, como disse Lya Luft, "viver deveria ser - até o último pensamento e derradeiro olhar - transformar-se".

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Uma escolha no meio do caminho



Outro dia, andando pela rua, eu ouvi: "a paz não tem preço", e eu pensei: tem, sim, e é bem caro. A gente sempre pensa que os sentimentos da alma são fruto do além, da casualidade temperamental da força divina. Poucos de nós lembra que a relação entre o sentimento e o ambiente está intrisicamente ligada à responsabilidade de cada um de nós em alimentar a tranquilidade ou o desespero.

É comum lamentar uma situação e esquecer completamente a raiz do sofrimento. Se olharmos em retrospectiva e com bom senso, fatalmente enxergaremos o motivo numa má escolha, na preguiça em corrigir um rumo ou na permissividade.

Ainda ontem, alguns amigos comentavam sobre a relação com os filhos e em como estar presente, observando e educando de fato é trabalhoso e árduo, mas que é a única garantia de não lamentar no futuro. Quem delega a educação dos filhos à escola e à sociedade está se esquivando e sentenciando a família a sofrer severos danos no futuro. Da mesma forma, delegar o que quer que seja (nosso tempo, nosso bem estar, nossa alegria, segurança, etc) é presságio de vida infeliz.

Sentir-se em paz, viver em paz, dormir em paz: tudo isso é fruto do cuidado nas escolhas, do olhar atento na consequência de cada gesto e do esforço em aproveitar a verdade. "Muitas das circunstâncias da vida são criadas por três escolhas básicas: as disciplinas que você decide manter, as pessoas com quem você decide estar, e as leis que você decide obedecer" (Charles Millhuff).

O destino não é uma questão de sorte. Destino é fruto de escolha certa, ou pelo menos consciente. Quando se sabe o que faz, ou deseja saber, a vida entra no eixo que planejamos e não mais no acaso (que de acaso não tem nada). Como já dizia Eleanor Roosevelt, "a longo prazo, moldamos nossas vidas e moldamos a nós mesmos. O processo nunca termina até que morramos. E, as escolhas que fizemos são, no final das contas, nossa própria responsabilidade."

Desde gastar ou economizar, acordar cedo ou não, trabalhar ou depender de alguém, cuidar da alimentação, olhar a lição do filho, até decidir quem o acompanhará pela vida a fora, saiba que cada resultado será fruto da sua decisão. Aproveitando as frases já ditas por gente que sabia das coisas, há uma expressão budista que diz: "a destruição leva apenas um instante. A construção requer exaustivos esforços".

Mas, não se engane, nem tenha preguiça. O resultado de quem é empenhado em ser feliz é um só: a felicidade e a tal paz de espírito. Não deixe para amanhã, não. Nem para segunda-feira, nem para o começo do ano que vem. A coragem para essas decisões aparentemente miúdas são como folhas de papel colocadas uma sobre a outra diariamente: a princípio, a gente não enxerga o acúmulo, mas, depois de um tempo, é visível a resma sobre a mesa.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Qual é a sua idade?

Existe um tempo para cada coisa na vida. Ouvir isso quando criança é muito frustrante e continua sendo quando a gente cresce. Não queremos saber de esperar ou de desapegar: queremos tudo exatamente no momento em que, no auge do mimo, batemos o pé para conseguir. Mas assim como pai e mãe sabem a melhor hora para o filho dormir, comer ou estudar, a vida continua fazendo esse papel conosco até que, enfim, a gente aprenda a tomar conta de si.

Enquanto muitos envelhecem (e essa é a palavra mesmo, pois apenas somam anos à vida), muito poucos amadurecem e aí está a grande diferença entre resignar-se e compreender. Compreender é verbo de adulto. Durante o dia nos relacionamos com crianças de 35, adolescentes de 40, meninas e meninos de cabelos brancos e tempo suficiente vivido para ter aprendido a mudar a vida, evoluir.

Enquanto isso, me impressiono com os filhos dessa leva de peters pan e cinderelas: jovens de 16, 20 anos obrigados a crescer pela incapacidade dos pais em amadurecer. É uma geração que, talvez, no futuro queira arriscar, brincar e sentir mais prazer. Talvez consigam quando seus filhos estiverem crescidos. Talvez não, talvez já estejam por demais engessados para liberar alguma leveza.

O fato é que é lamentável ver pseudo-crescidos comportando-se como se não houvesse amanhã. O desespero em não adultecer transforma mulheres e homens em travestis de pessoas, aquela coisa caricata que finge ser o que não é. Essas pessoas consomem desvairadamente, fumam, bebem, são carentes ao extremo de serem promíscuas. A ala feminina faz filho ou fica doente. A masculina faz filho, não dá conta e nem quer.

O resultado é esse mundo esquisito e sem valor que vem assustando gente do bem. A notícia boa é que gente do bem é teimosa e geralmente não desiste de fazer o trabalho de formiguinha que demora a surtir efeito. Mas que um dia há de dar. Há de dar.