quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Voa e aceita


Falava eu outro dia sobre aceitação dentro de um contexto bem específico. O engraçado foi que, só então, entendi quanta coisa eu própria havia assimilado sem fazer uso desse termo. Acho que quando a gente usa "aceitação" tem medo de parecer resignado "e puro" demais. Mas, não é assim, não.

Quando alguma coisa se resolve bem e honestamente, a gente nem se preocupa em rotular. A coisa vai banhando como aquele Frascati que a minha amiga Gil adora e me ensinou a gostar também: devagar, lentamente e, quando a gente vê, já está embriagada do jeito mais gostoso que existe. É a embriaguês feliz, leve, de quem não tem obrigações depois do almoço e pode continuar ali com as amigas, bebendo, conversando, rindo.

Aceitar serve para um monte de coisas: aceitar o tempo que passa e a gente não dá conta de tudo mesmo, aceitar a pinta no ombro, o cabelo com mais ou menos volume, as dificuldades, o jeito de ser (que é muito bom quase sempre), o ritmo diferente, o olhar.

Aceitar também, e principalmente, vale para o outro (porque ele só reflete aquilo que nós somos e queremos conosco, no final das contas): aí, aquilo que antes era um "defeito" vira um ítem de fabricação e pronto. É mais feliz viver assim, mas, sinceramente, quando esse estágio se instala é como olhar do alto de uma montanha: enquanto se sobe, mal se percebe o caminho, tamanha preocupação em respirar e superar. Quando se chega lá é UAU.

Eu podia escrever páginas e páginas sobre o assunto, que é bem bom. Mas, eu estou light demais, tranquila demais, feliz demais para elocubrar tanto.

Um beijo, uma deliciosa noite de quarta-feira. Pra todo mundo. Pra sempre. Será que é pedir demais? ;-)

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Coisas da vida II


Estava aqui, esperando para ser atendida, pensando em algumas coisas boas que vi hoje. Em plena época de Haiti e mortos pelas enchentes em SP, foi bom reparar nas pequenas coisas boas que ainda temos nessa vida.

No posto de gasolina, um dos funcionários entrou na loja de conveniência, pediu uma Coca e dois pães-de-queijo. Foi levar a um morador de rua que dormia por ali. Acordou-o com jeito e entregou o "café-da-manhã". Assim mesmo: com jeito.

Uma primavera completamente pink e carregadíssima, caindo pelo muro de uma casa amarela, tirou meu fôlego. Quase fui lá, pedir uma muda, mas lembrei que tenho uma em casa. Só falta crescer :)

Uma senhora foi grosseira com uma moça desconhecida no elevador. A moça foi gentil com ela. É, tem gente que não se rende mesmo, e acaba ensinando alguma coisa a quem deveria saber mais do que ela.

Numa troca de emails, um amigo me chamou de "mala". Eu morri de rir. Fazia um tempão que alguém não me "xingava" assim, tão espontânea e carinhosamente.

Li uma frase do Millor Fernandes no Twitter que dizia assim: "A felicidade conjugal só é possível a três" e tive a maior tranquilidade em discordar. Aliás, tem sido muito gostoso discordar de algumas frases feitas, famosas ou impactantes por puro empirismo. Sei lá, acho que pensar demais tem seus prós, after all.

Homem comprando flores! Ah, quem não acha isso lindooooo???? E com simpatia, aff.

A propaganda da Claro, da menininha com o pai, ele assustando o monstro embaixo da cama dela pelo celular. Fofo! E tem pai assim, viu? Coisa linda.

Estou correndo 10 km, 5 vezes por semana. Nada como um objetivo para dar sentido a algumas coisas. E, como eu, muita gente vai lá, tem disciplina, corre, se dedica, cuida. Impressionante como isso me faz feliz :)

Acho que vou começar a fotografar a cidade. Tem gente fazendo isso e eu fico namorando as fotos alheias. Tá na hora de ter as minhas, né? Afinal, a cidade vai mudar, as pessoas também, mas a gente se emociona sempre com as mesmas coisas.


terça-feira, 26 de janeiro de 2010

E o resto?


Estou exausta depois do Campus Party. Por isso, aproveitando que dei uma lida no pocket da Martha Medeiros, resolvi publicar uma de suas crônicas, estou cansada demais para elaborar qualquer coisa profunda. O livro inteiro parece comigo e meus olhos se emocionaram diversas vezes. Outras vezes, lendo, me senti balançar a cabeça como quem diz "eu sei...".

Bom, segue abaixo "Todo o resto", saído de Coisas da Vida (exclui um trechinho aqui outro acolá, só pra ficar mais objetivo). Enjoy ;)

" 'Existe o certo, o errado e todo o resto.' Esta é uma frase dita pelo ator Daniel Oliveira representando Cazuza, em conversa com o pai, numa cena qualquer que, ao meu ver, resume o espírito do filme.

Certo e errado são convenções que se confirmam com meio dúzia de atitudes. Certo é ser gentil, respeitar os mais velhos, seguir uma dieta balanceada, dormir 8 horas por dia, morrer bem velho e com o dever cumprido. Errado é dar calote, repetir de ano, beber de mais, fumar, se drogar, não programar um futuro decente, dar saltos sem rede.

E o resto? E tudo aquilo que a gente mal consegue verbalizar, de tão intenso? Ora, meia dúzia de normas preestabelecidas não dão conta do recado. Somos maduros e ao mesmo tempo infantis, por trás do nosso autocontrole há um desespero infernal.

O amor é certo, o ódio é errado, e o resto é uma montanha de outros sentimentos, uma solidão gigantesca, muita confusão, desassossego, saudades cortantes, necessidade de afeto e urgências sexuais que não se adaptam às regras do bom comportamento. Há bilhetes guardados no fundo das gavetas que contariam outra versão da nossa história, caso viessem a público.

Todo o resto é o que nos assombra: as escolhas mal feitas, os beijos não dados, as decisões não tomadas, os mandamentos que não obedecemos, ou que obedecemos bem demais - a troco de que fomos tão bonzinhos?

A maturidade é um álibi frágil. Seguimos com uma alma de criança que finge saber direitinho tudo o que deve ser feito, mas que no fundo entende muito pouco sobre as engrenagens do mundo. Todo o resto é tudo que ninguém aplaude e ninguém vaia, porque ninguém vê."

E eu completo, antes de dormir: todo o resto pode ser a vida acontecendo. Ou, quem sabe, amor.


domingo, 24 de janeiro de 2010

Against the wind


Não pensei em mim, não, quando ouvi essa música hoje. Lembrei de todos nós que nos iludimos ou nos perdemos um dia, ou de vez em quando, achando que o que nos faz felizes está sempre no impossível. E saimos procurando, indo para cada vez mais longe. Até entender que precisamos voltar.

Beijos (o link está aí, ó)

Against The Wind
Bob Seger

It seems like yesterday
but it was long ago
Jane was lovely, she was the queen of my nights

There in the darkness with the radio, playing low
And the secrets that we shared the mountains that we moved

Caught like a wildfire out of control
till there was nothing left to burn and nothing left to prove

And I remember what she said to me
How she swore that it never would end
I remember how she held me, oh so tight

Wish I didn't know now what I didn't know then
Against the wind

We were running against the wind
We were young and strong
We were running against the wind

And the years rolled slowly past
And I found myself alone
Surrounded by strangers I thought were my friends
I found myself further and futher from my home

And I guess I lost my way
There were oh so many roads
I was living to run and running to live
Never worried about paying or ever how much I owed

Moving eight miles a minute for months
At a time
Breaking all of the rules that would bend
I began to find myself searching
Searching for shelter again and again
Against the wind

A little something against the wind
I found myself seeking shelter against the wind

Well those drifter days are past me now
I've got so much more to think about
Deadlines and commitments
What to leave in, whar to leave out

Against the wind
I'm still runnin' against the wind
I'm older now but still runnin' against the wind
Well I'm older now but still runnin'
Against the wind, against the wind
I'm still runnin' against the wind
I'm still runnin' against the wind
Against the wind
I'm still runnin' against the wind