quinta-feira, 17 de março de 2016

A piora da cura: a jornada da ética brasileira


Existem alguns ditos populares que são muito inteligentes e facilmente visíveis na prática. Quando alguém está doente e tem uma piora repentina se diz que é a "piora da cura". Depois desse pico da doença, realmente se verifica que o paciente melhora e fica "bom". O contrário também se diz: quando um paciente internado em estado muito ruim melhora de repente, a preocupação aumenta... "é a melhora da morte".

Assim vejo a atual situação do Brasil: estamos, a cada dia que passa, caindo no poço mais e mais profundo da sujeira política, mas creio que esse período servirá para nos curar, ou, pelo menos, nos trazer a reflexão necessária para o início da "melhora" política.

Entretanto, para que tenhamos uma verdadeira transformação devemos mergulhar na autoavaliação e observar nosso próprio comportamento. Será que somos tão éticos assim? Será que ao comprar uma carteirinha de estudante falsa, só para pagar meia-entrada no cinema, não nos faz corruptos também? "Fazer um gato" para conseguir um ponto a mais da TV a cabo em casa é "legal"? O que dizer de quem para em vaga de idoso ou deficiente "só por um minutinho"?

A velha característica brasileira e cotidiana do "jeitinho", quando eleita pelo povo, se transforma em política desmoralizante.

Não, esse não é o primeiro governo a desrespeitar, envergonhar e humilhar os brasileiros, mas é o que tem nos dado mais oportunidades e motivos para ir às ruas e dizer aquilo que não queremos mais.

Sim, esse governo nos representou, sim, uma vez que foi eleito legitimamente pela maioria dos brasileiros, mas certamente não nos representa mais. Devemos, dessa forma, mostrar a todos os políticos, como aconteceu com as vaias aos representantes do PSDB durante a maior manifestação da história do Brasil na Av. Paulista no domingo, 13 de março, que nossa reprovação não é só para com o PT e, sim, para com todos aqueles que não cumprem seus mandatos conforme a lei.

Não precisa construir nave espacial, nem transformar todos os cidadãos em milionários. O povo quer "apenas" dignidade. Dignidade na saúde, no transporte, na educação, na segurança. Dignidade e respeito. Quer que seus impostos valham a pena ser pagos. Que sua luta diária seja por uma família mais feliz e, consequentemente, por uma sociedade mais saudável.

Nunca será perfeito, não há país de primeiro mundo que seja. Mas não é de perfeição que estamos falando, é de justiça. Se houver corrupção, e sempre haverá, que seja detectada e punida e que seja motivo de vergonha, não de "pizza".

O povo brasileiro é um povo alegre por natureza. Fico imaginando como seria a nossa alegria se vivêssemos num Brasil onde todos pudessem ter, de fato, condições, não mínimas de sobrevivência, mas estruturais para construir a vida que desejassem, com oportunidades e crescimento.

É possível que tenhamos que vivenciar um luto. Creio que estamos chegando a ele. É o pico da doença se apresentando. Mas também acredito que logo virá a melhora, a cura, e a sociedade civil deve se preparar, ética e moralmente, para o novo Brasil, pois de outra forma a cura não será sustentável.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Mãe é verbo


Sempre que ouvia falar em amor incondicional de mãe eu pensava "amor é amor; de mãe é um amor maior, só isso". Na minha santa ignorância eu não entendia, e não podia entender, esse gigante chamado "amor incondicional". Nenhuma mulher antes de ser mãe consegue entender o que é amor incondicional. E poucos, pouquíssimos homens são capazes de entender também.

Pois bem, minha filha nasceu há 8 meses e chegou varrendo tudo o que eu pensava saber sobre amor. Varrendo, não; trouxe mesmo foi um furacão. E me arrebatou com algumas verdades simples, me ensinou que necessário de verdade é amor e bagunçou fundo meu coração cheio das influências hormonais, perplexo e inundado de uma vontade enorme de proteger aquele serzinho indefeso.

Esqueci o que sabia sobre olhares gentis. Nenhum olhar consegue ser mais doce do que um olhar de mãe. Nenhum carinho, nenhum gesto contém mais cuidado do que o de uma mãe. O medo é grande, sempre, a coragem também. A culpa, ah... a culpa! Culpa por não ser perfeita define. Depois eu penso: "toda mãe é perfeita, só que erra de vez em quando".

Nunca a barriga de uma mulher e seus seios tiveram tanto sentido: foram inventados para construir a vida e alimentar os filhos. Ponto. O resto é só diversão. E, se precisar, a gente dá jeito depois com academia, cirurgia plástica ou só com uma roupinha que caia bem.

O coração de uma mãe sangra. Sangra com o choro do filho quando ela não sabe porque ele chora e quando ela sabe também. Sangra quando o narizinho está entupido e ele acorda no meio da madrugada assustado porque não consegue respirar. Imagine o quanto sangra o coração de uma mãe cujo filho passa por dificuldades muito, muito piores...

Mães são polvo mesmo, como já disse alguém: nós conseguimos embalar um filho, mexer na bolsa procurando o Rinosoro, falar ao telefone, almoçar e falar com a vizinha, tudo ao mesmo tempo. Somos polvo porque criamos braços e pernas extras para proteger nossa cria do que for preciso e também para vê-la sorrir. Polvos-palhaços, polvos-malabaristas, polvos-cantores, polvos-curadores. Polvo-polvo, cheio de garras e afetos por todo lado pra garantir a serenidade do sono de alguém que sequer vai lembrar depois. Mas nós sabemos que, mesmo sem lembrar, tudo, absolutamente tudo estará registrado naquele coraçãozinho pequenininho que vai crescer e se tornar um adulto gentil só porque foi amado por uma mãe de verdade (infelizmente algumas mulheres parem mas não são mães. Poucas, ainda bem).

Filhos nascem para melhorar seus pais, principalmente suas mães. Nunca mais, depois de ter um filho, uma mulher será capaz de ser dominada por uma atitude exclusivamente fria, calculada apenas na razão. Nosso coração será sempre um guia, seja qual for a situação. Haverá sempre a ponderação da mãe, "e se fosse com meu filho?", sempre a preocupação no olhar, a alma inquieta de quem não espera mais do mundo a não ser mais compaixão e menos violência.

Mãe vive querendo um tempinho só para si, mas quando esse tempo surge ela prefere ficar com a família, curtindo, sem fazer nada, ou, quem sabe, recolhendo brinquedos. Quando a casa fica silenciosa, à noite, e todo mundo vai dormir, às vezes a mãe anda pela sala, pela cozinha, arrumando alguma coisa, tomando um copo d'água devagar só para ouvir o coração acalmando, "que todos tenhamos uma boa noite de sono".

Mãe nunca pensa 1 e essa mulher nunca mais se colocará em primeiro lugar outra vez na vida. Mãe não é amiga. Amiga a gente tem na escola, na vizinhança, no trabalho. Mãe não tem destino, não tem fome, nem frio. Mãe é verbo. Nem cuidar define direito. Mãe é mãe. E ponto.





segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Carta para uma filha


Poucos homens são capazes de tamanha demonstração de amor. Eu tive sorte de casar com um deles e tê-lo escolhido para ser pai da minha filha. Com muito amor e muita gratidão, nós ganhamos da vida essa princezinha. Texto original no blog do meu marido, amor, amigo, companheiro de todas as horas: http://bit.ly/1kP2Ntt

Carta para uma filha

Mariana, minha filha,

Nada neste universo jamais será capaz de superar a maravilha que é ver a vida se manifestar, em qualquer de suas formas. independente do tempo, do lugar ou das circunstâncias onde ela venha a florescer.

Acreditar no poder transformador que toda nova vida tem é essencial à própria natureza humana, às suas esperanças, aos seus sonhos. E isso se torna algo muito mais forte quando esta nova vida se manifesta na forma da sua própria filha.

É por isso, Mariana, que ter recebido você na minha vida e na vida da Acácia é um presente que palavras não são capazes de descrever. Jamais conseguiremos expressar a felicidade de ter você conosco, e poder ficar admirando o seu jeitinho doce e cuidar de você é um prazer do tamanho do mundo.

Aliás, você é o grande resultado do enorme amor entre eu e sua mãe, e por isso também você é a razão da nossa alegria. Não mediremos esforços para que você possa se tornar um grande valor para o mundo, para que você seja também imensamente feliz, e para que tenhamos, nós três, histórias eternamente maravilhosas.

E não importa se alguém disser que os tempos são difíceis, que o lugar é uma incerteza, ou que as circunstâncias são desafiadoras, ainda assim a beleza da vida irá, sempre, sobrepujar a tudo com sua grandiosidade e seu esplendor, e você é a protagonista desta história, nas vidas minhas e da sua mãe.

Enfim, neste que é o décimo dia de sua vida, queria apenas lhe dizer obrigado por existir nas nossas vidas. Te amamos muito.

Pois que venha essa maravilhosa estrada chamada familia. E que bom que estamos apenas começando… :-)

Beijos,

Papai

sexta-feira, 2 de maio de 2014

É muito blá blá blá



Às vezes, eu abro o Facebook pela manhã e já me dá um cansaço. É muita opinião formada sobre tudo, quase sempre sem aprofundamento e sem prática: muita gente escreve a frase bonita que copiou de algum lugar, mas sequer refletiu sobre ela e, se refletiu, sequer pensa em praticá-la na própria vida (muitas vezes, ela acha que a frase é perfeita para o OUTRO!).

Recentemente, uma dessas frases foi a do Gabriel Garcia Marques, grande escritor, quem sou eu para constestar a genialidade dele. A frase é boa, e jamais saberemos o que, de fato, ele quis dizer (e nem precisamos porque a interpretação é de quem lê e ponto). Mas é aí que mora o perigo... ler "A vida não é o que a gente viveu, e sim a que a gente recorda, e como recorda para contá-la" pode ser um bálsamo de ilusão para quem adora uma zona de acomodação.

Tem gente que adora escrever que "o silêncio é a melhor resposta", como se isso fosse resolver alguma situação. Não resolve. Mesmo. O que resolve é o diálogo, é o SIM claro, o NÃO claro, tudo muito bem definido. O silêncio só serve se a gente quiser parecer ignorar ou, quem sabe, desrespeitar alguém. O silêncio não faz mais nada além disso.

E as mensagens cheios de machismo e feminismo? Quanto gente se entregando, não é mesmo? Outro dia, um conhecido escreveu que "quem gosta de homem é gay. Mulher gosta é de dinheiro". E o sujeito é casado! Quanta grosseria com a esposa e quão baixa é a autoestima dessa criatura... Já algumas mulheres adoram postar indiretas sobre o comportamento masculino, como se o fato de um homem não querer namorá-las, como elas idealizam ser namoradas, os tornassem frios, aproveitadores e que, por não quererem nada com elas, eles irão morrer gordos, solitários e falidos! Algumas frases como "quem constrói um grande homem é uma mulher" finalizam esse pensamento imaturo e, sorry, arrogante.

Fora isso, tem aquele monte de frase reclamando da coitada da segunda-feira e idolatrando a sexta. Fico me perguntando se essas pessoas tem vida entre a segunda e a quinta, se sorriem, se amam, se... sei lá, qualquer coisa! Ser feliz somente 2 dias na semana, e porque não vai trabalhar, é desperdiçar 260 dias do ano! Acho triste alguém que não enxerga valor no seu trabalho. Acho triste alguém imaginar que seria feliz só se não precisasse trabalhar. Penso ser muito inútil uma vida sem trabalho, sem produção, sem cooperação. O trabalho é responsável pelo nosso sustento; sendo assim, acredito eu, alguém que deseje não trabalhar quer muito ser sustentado por alguém... nem que esse "alguém" seja o governo!

Eu passaria dias contando frases que me enchem de cansaço. Nada contra o Facebook, eu adoro, by the way. O problema, como sempre neste mundo, são as pessoas e seus blá blá blás de conteúdo repetitivo e preguiçoso. Tá na hora de falar (ou escrever) somente depois de pensar e colocar em prática. Aí, sim, com a prática, até o discurso vai mudar.