quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

2009, minha estrela dançarina

Quando 2007 chegou ao fim, eu achei meio injusto imaginar que 2008 pudesse ser melhor. Será que não seria um exagero? Afinal, o ano tinha sido tão intenso, tão feliz que parecia impossível que 2008 pudesse ser ainda mais. Mesmo o que foi sofrido teve seu propósito e acrescentou um bocado de maturidade e discernimento à minha vida.

Mas, aí, chegou 2008 e, dia-a-dia, eu prestei atenção. Aprendi com tanta gente o tempo todo que a impressão que me dá é que vivi 10 anos em 1: 2008 termina hoje com um saldo gigantemente positivo e nobre.

Conquistei, cultivei, entristeci, chorei, reinventei. Aprendi a brigar, soltei a voz, consolei, respondi (ainda falta aprender a perguntar mais). Redescobri uma paixão: escrever! E escrevi muito, o ano inteiro. Sobretudo, foi um ano em que amei. Amei de verdade, do fundo do meu coração minha família, reencontrei uma parte dela, e amei, e cada amigo de maneira diferente, com a singularidade que cada um possui. Amei meu trabalho, meus projetos e meu caminho. Compreendi e amei meu jeito de ser, meu ritmo antes tão criticado por mim mesma, minhas escolhas, esse meu olhar tão oblíquo algumas vezes.

O futuro, que antes eu pensava em construir sozinha porque acreditava que é assim que cada um devia fazer, hoje aceito que não é mais: futuro a gente planeja e constrói junto.

2008 foi tão possivelmente melhor do que 2007 não por milagre ou por simples desejo de quem pula as 7 ondinhas. 2008 foi grande por consequência, fruto da dedicação e do esforço as quais me propus. As crises sempre foram imensas e companheiras a minha vida inteira e é só por elas que eu entendo (ou entendo que é possível entender).

Como já dizia meu Nietzsche, em Zaratustra: "é preciso um grande caos interior para parir uma estrela dançarina". Venha brilhar, minha estrela dançarina, 2009 está chegando!

Feliz, feliz, feliz ano novo desde já e sempre, todo dia e a cada noite. Que seja novo nosso desejo, nova a nossa amizade, fresca e linda nossa vontade, firme e determinado o nosso objetivo.

Feliz, alegre, risonho: que seja eterna a nossa vida e que haja vida sempre viva em nosso coração.

Um beijo grande, obrigada e até ano que vem!

domingo, 28 de dezembro de 2008

A Cesar o que é de Cesar


Era uma vez um homem que plantava espinhos. Um dia, olhando a plantação do vizinho, ele percebeu que seu vizinho colhia flores e revoltou-se, pois ele só colhia os espinhos que plantava. Viveu anos revoltando-se por isso, e continuava colhendo espinhos, sem entender porquê.

Certa manhã, esse homem, pela primeira vez, sentiu vontade de colher flores também. Entretanto, ainda cultivando espinhos, só espinhos conseguia colher. Ele não conseguia enxergar que para ver crescer flores em suas terras era necessário arrancar os espinhos e, em seu lugar, plantar as sementes da flor que ele queria ver desabrochar. Sempre aparecia alguém tentando fazê-lo entender essa lógica, mas o homem era um pouco cego e surdo e só via e ouvia o que lhe fosse conveniente.

Assim, esse homem foi vivendo, ora sangrando os dedos com os espinhos que cultivava, ora sangrando outrem com eles, até que foi ficando cansado e todos ao seu redor também.

Ainda não se sabe o final dessa história, mas todo mundo torce para que o tal homem comece a plantar uma planta mesmo, que dê frutos e flores, e comece a viver feliz, usufruindo de suco e cor em suas terras, atraindo borboletas e pássaros ao seu redor.

"Como é que faz pra lavar a roupa?
Vai na fonte, vai na fonte
Como é que faz pra raiar o dia?
No horizonte, no horizonte

Este lugar é uma maravilha
Mas como é que faz pra sair da ilha?
Pela ponte, pela ponte
A ponte não é de concreto, não é de ferro
Não é de cimento

A ponte é até onde vai o meu pensamento
A ponte não é para ir nem pra voltar
A ponte é somente pra atravessar
Caminhar sobre as águas desse momento

A ponte nem tem que sair do lugar
Aponte pra onde quiser
A ponte é o abraço do braço do mar
Com a mão da maré
A ponte não é para ir nem pra voltar
A ponte é somente pra atravessar
Caminhar sobre as águas desse momento"


(Lenine)

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Noite feliz


Todo mundo que acompanha esse blog sabe que eu sou budista, praticante mesmo, questionadora da vida e dos rótulos que costumamos dar às coisas. Mas, como amante do amor como único instrumento poderoso de transformação, eu não poderia deixar de falar sobre a noite de hoje: é Natal.

Por tudo que se possa dizer da data (que virou comércio, que mal é lembrada com o sentimento puro de nascimento do menino Jesus e etc), o Natal me comove como centelha da fé humana. A história do menino simples que despertou para o amor e sua condição de salvador (que, by the way, todos nós possuímos) irradia ternura e alegria pelas ruas desse mundão tão dolorido pelo esquecimento do homem. A noite de hoje, mesmo aos que não crêem, é sinônimo de família, de abraço afetuoso, de desejo de paz entre as nações, de reflexão.

Dizia eu, ainda há pouco, que a verdadeira fé não separa nem distingue, tampouco posso orgulhar-me de respeitar as religiões que não pratico. Ressaltar tal respeito seria o mesmo que admitir que há cisão na intenção de amor do homem e que considero "a minha verdade" superior a verdade do outro.

Hoje, o que eu quero é celebrar a fé de todos aqueles que crêem e que não desistem de viver num mundo melhor e mais justo, que desperta e mantém o amor entre todos, sem preconceito e com justiça. Quero abraçar todos aqueles a quem amo e de quem estou longe, senti-los no meu abraço e no meu coração, desejando ardentemente reencontrá-los para amá-los ainda mais, no corpo e na alma, na presença de todos os dias.

Quero, ainda, lembrar de quem não pode comemorar, seja pelo motivo que for, e desejar que, um dia, todos sintam em seu coração a mesma paz de quem tem fé e esperança na vida.

Feliz Natal a todos.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Nossos homens queridos

Alguns conceitos estão tão arraigados na nossa maneira de viver que nem nos damos conta das mudanças que vão lentamente tomando espaço na nossa cultura. Interessante que, quando a TV ou as revistas comentam as transformações comportamentais, a gente acha interessante, concorda até, mas, demora para identificá-las na própria vida. Essa ficha me caiu recentemente, esses dias.

Amplamente se fala da mulher independente, autora, mantenedora, que vem conquistando espaços cada vez maiores no mercado de trabalho e na condução do país. Na via paralela, os Fantásticos da vida comentam sobre o novo homem, mais participativo na educação dos filhos, presente nas tarefas de casa, etc. Mas, quantas de nós já reconheceu esse comportamento dentro de casa ou entre os amigos? Eu mesma escrevi outro dia neste blog sobre isso, considerando que as coisas permaneciam como no tempo da vovó.

O engraçado é que eu, particularmente, tenho a maior sorte em relações aos homens da minha vida (namorado, irmãos, primos e tios): todos, sem exceção, são grandes pais, cuidadores, participativos. E, mesmo assim, reconhecendo os perfis isolados, nunca tinha entendido que esses são os novos homens, os homens melhores (me perdoem os mais machistas e menos inteirados quanto à vida doméstica).

Eu não sei se todas as mulheres da minha família tem tanta consciência da sorte que possuem, mas é importante que tenham e que alimentem esses homens com todo o amor que as relações de troca precisam. Outro dia, comentei rapidamente sobre o Murilo Rosa e sua entrevista no programa da Marília Gabriela. Escrevi quão fofo ele é por ser tão amante da mulher e tão atencioso com ela e o filho.

A delícia é que esses murilos existem bem pertinho da gente, mulherada, por favor... alimentem! Às vezes, por acreditar que o nosso murilo tem obrigação de fazer isso ou aquilo, a gente esquece de apreciar a evolução. O que eu percebo em algumas mulheres é o medo de parecer amélia, sentir-se submissa por servir um copo d'água, fazer um agrado, servir o prato durante uma refeição. O triste é que a gente faz isso para uma visita, mas, não faz para o homem que ama. Talvez, seja medo de regredir a um tempo em que o homem mandava. Eu só acho que a gente precisa de um tanto de atenção para que tanta preocupação não descambe para o egoísmo e frieza.

Até mesmo Simone de Beauvoir, feminista de carteirinha, escritora determinada na discussão de propostas de mudanças radicais, e dona de frases como "é pelo trabalho que a mulher vem diminuindo a distância que a separava do homem, somente o trabalho poderá garantir-lhe uma independência concreta", foi companheira de vida toda de Sartre, e escreveu também: "todas as vitórias ocultam uma abdicação" e "renunciar ao amor parecia-me tão insensato como desinteressarmo-nos da saúde porque acreditamos na eternidade".

Da onde eu concluo (daqui e de muitas outras experiências) que o amor e a dedicação são e sempre serão as coisas mais importantes da vida. Nenhuma bandeira de orgulho ou sutiã queimado em praça jamais será maior do que o carinho entre homem e mulher. Não quero dizer que a mulher precise voltar a ser dona de casa, nem nada. Aliás, a verdadeira independência não condiz com frieza ou distância, só torna maior o desafio dos limites.

Não tem coisa mais linda do que ver homens tão bem sucedidos no trabalho e tão afetuosos com seus filhos e tão generosos com suas mulheres. Esses homens aprenderam melhor e mais rápido do que nós, mulheres, a equilibrar suas prioridades e ceder em suas conquistas.

"Onde o amor impera, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro", já dizia meu querido Jung.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Delicadeza e alguma paciência

Não acredito na vida "em paz" de quem vive o meio do mato, ou na solidão do Tibet. Viver em sociedade é o maior desafio de quem verdadeiramente pretende ser uma pessoa melhor, pois exige respeito não só nos confrontos, mas, pricinpalmente nas miudezas do dia-a-dia. E viver bem, além desse respeito, requer cuidado e uma boa dose de delicadeza. Nesse quesito, tratar o outro como gostamos de ser tratado é fácil e faz toda a diferença.

Da minha parte, alguns detalhes costumam pesar muito no julgamento que faço do outro (eu sei, não deveria, mas é mais forte do que eu). Aqui, a idéia de levantar dicas sobre esse assunto é mais um pedido do que propriamente síndrome de Danusa: parece que o mundo ficou mais "sem noção" depois do advento internet e celular e atentar para a nova etiqueta pode ajudar um bocado as convivências. Se alguém quiser completar, é só escrever:


  • responder e-mail: gente, respondam, respondam sempre, nem que seja apenas com um "ok"! Uma das coisas mais deselegantes dessa vida virtual é enviar uma mensagem (muitas vezes, perguntando alguma coisa) e a pessoa do outro lado não dar a menor bola. E-mail é como um chamado de conversa e se você não responde é falta de educação;


  • o celular nos encontra a qualquer momento, mas nem sempre podemos falar como gostaríamos. Perguntar "você pode falar?" evita conversas interrompidas de supetão, ou, ainda, o famoso "tá, tá, tá" sem interesse;


  • por falar em telefone, não custa atentar: para ligações pessoais, não ligue antes das 10h da manhã nem depois das 10h da noite (principalmente no final de semana), a menos que você seja muito íntimo ou o assunto gravíssimo;


  • ainda ao telefone (ou msn): jamais esqueça de mostrar algum interesse. "Oi, fulano, tudo bem?" pode amenizar qualquer conversa, mesmo as mais difíceis;


  • pressa não é aval para grosseria: a gente acha que só porque está atrasado pode sair atropelando todo mundo, furar fila, xingar. Isso, além de piorar o seu próprio humor, desencadeia um efeito dominó de irritabilidade altamente desnecessário;


  • minha mãe usava uma expressão interessante: "fazer cortesia com chapéu alheio". Isso não é coisa só de gente abusada, não. A gente que se acha mais politicamente correto também comete esse deslize por vezes;


  • pais, não fechem os ouvidos para o barulho que seus filhos estejam fazendo, nem os olhos para a malcriação deles. Crianças estão sempre testando seus próprios limites e o limite dos pais, portanto, evitem que elas testem também a paciência dos demais;


  • se tem uma coisa que eu considero inadmissível é jogar indiretas (pra lá de diretas) sobre um assunto que não se tem coragem de falar às claras. Além de covardia, o outro se retrai e o assunto continua mal resolvido;


  • a última desse post (mas, nem de longe, a última das necessárias): pensar quinze vezes antes de palpitar na vida dos outros é coisa que a gente deve exercitar todo santo dia, faça chuva ou faça sol.

Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora, vou na valsa
A vida é tão rara
Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência


O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência...

(Lenine)

sábado, 13 de dezembro de 2008

Presente para o ano inteiro

Uma amiga veio me visitar hoje - despedida de ano é assim, a gente fica com vontade de ver todos os amigos como se dissesse "obrigada pela amizade por mais esse ano, sinto saudade, gosto tanto de você que preciso te dar um abraço" (às vezes não dá, o que me faz sentir muito). Mas, a minha amiga chegou tão quebradinha, tão chateada com um problema, que o abraço foi mais de desabafo, para só depois, então, tornar-se abraço de alívio.

E eu fiquei pensando em todas as coisas pelas quais a vi passar, por quantas mais ela passará, por tudo que cada um de nós vive, tantas gotas todos os dias até virar mar transbordando, caindo em destino.
§
Como budista, destino é coisa estranha pra mim. Desde que Sakyamuni entendeu a vida ele fala sobre carma, lei de causa e efeito. O raio é que a gente logo pensa que carma é coisa sofrida, que merece ser paga com dor e sacrifício, assim como o destino é sempre uma fatalidade. Carma, na visão do Buda, é o conjunto de efeitos bons e maus, que tende a ser mais gordo de um lado ou de outro dependendo da dieta que se faz. Aqui, gotas boas, cultivadas por bons sentimentos e ações somadas, deságuam naquelas situações felizes não por milagre, mas por mérito. No Budismo, ser feliz não é uma possibilidade, é uma consequência.

Em meio a tanta confusão, corre daqui, esquece dali, dá um jeitinho acolá, é preciso atentar para a finalidade: por que mesmo estou fazendo isso? por que mesmo continuo assim? minha vida caminha para algum lugar ou eu estou apenas sendo empurrado? e quem é que está empurrando mesmo?

Somos selvagens bons, como disse Rousseau, mas a gente pouco lembra disso e se castiga, esquecendo que merece bons tempos, boas companhias, boas contas. Foi Rousseau quem disse também "o homem nasceu livre, e em todos os lugares está acorrentado".

Acho que tem uma hora na vida, e aí a gente aproveita o final de ano, em que é preciso pesar. Nessa época, a família ganha importância, os amigos, as luzes alegres, a esperança, porque é isso que nos traz ao princípio e enche o coração de saudade. Saudade de um tempo feliz de criança que ganha bicicleta no Natal, faz conta pra saber quanto tempo ainda falta para crescer e vai dormir com birra porque não quer perder tempo sonhando . Saudade da inocência e da novidade. Todo dia tinha.

Ao invés de transbordar de agonia e pressa, a gente bem que podia gotejar esse espírito revigorante de ano novo para o ano todo. E se encher de presente, e dar pra alguém também. Presente do coração é uma delícia. Uma d-e-l-í-c-i-a.

Acho que o que mais faz falta para ser feliz é perder o medo de. Mas, aí (ai ai ai) é assunto tão longo e profundo que é melhor terminar por aqui com uma música linda do John Lennon (ele é a cara dessa época, não é?), War is over (Happy Xmas).

Beijos a todos, saudades de quem eu não puder ver até o final de ano :)

So this is christmas
And what have you done
Another year over
And new one just begun

And so this is christmas
I hope you have fun
The near and the dear one
The older and the young

A very merry christmas
And a happy new year
Let's hope it's a good one
Without any fear

And so this is christmas
For weak and for strong
The rich and the poor one
The world is so wrong

And so happy christmas
For black and for white
For the yellow and red one
Let's stop all the fight

A very merry christmas
And a happy new year
Lets hope it's a good one
Without any fear

War is over - if you want it
War is over - if you want it
War is over - if you want it
War is over - if you want it

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Filhos cósmicos

Eu não sou astróloga, nem nada. O que conheço de cada signo é mais por observar e pelo pouco que estudei muito en passant num curso de Gnose que fiz há milhares de anos. Muito além da brincadeira que se lê nos jornais e revistas, eu acredito, sim, em combinações astrológicas. Ué, se a lua interfere nas marés, que dirá na gente, que é feito de 70% de água e muda de humor como se estala os dedos.

Genericamente falando, dá para desenhar o perfil de cada signo, inclusive físico. Guardando as diferenças de tudo o que os astros permitem (como ascendente, signo lunar, equilíbrio dos elementos no mapa astral - água, terra, água e ar), dizem também que, em todo signo, tem a turma que está mais evoluída (com as características nobres mais ressaltadas) e a galera que bate mais a cabeça (caindo mais nos "defeitos" do que nas qualidades).

Que me perdoem os que não concordarem com as descrições abaixo, é só uma farra para desanuviar a mente e, de novo, aqui tem só o meu próprio olhar e experiência. Bora lá:

Áries (21 de março a 20 de abril) - Regente: Marte / Elemento: Fogo - está aqui um ser impulsivo, sincero, meio autoritário. O ariano é líder nato, cabeça dura, espontâneo. É dito que é meio imediatista, mas quem não é nesse mundo? Guerreiros, são dedicados e conquistadores. Famosos: Airton Sena, Xuxa, Junior Lima. Queridos: minha sobrinha Marilinha, Lena e Wan.

Touro (21 de abril a 20 de maio) - Regente: Vênus / Elemento: Terra - eu sou taurina, portanto, me perdoem, mas eu pre-ci-so advogar em causa própria: é o melhor signo do zodíaco :) Persistentes e tenazes, os taurinos são leais, amigos e teimosos até os 30. Empacados, precisam de absoluta segurança antes de mudarem de lugar, mas, quando o fazem, estão certos e conscientes da escolha. Apaixonados, adoram boa música, a boa mesa e conforto. Famosos: Herbert Vianna, George Lucas, Sigmund Freud. Queridos: Rodrigo, meu primo Alan, Sara, Sheyla, Fabrício e Edu.

Gêmeos (21 de maio a 20 de junho) - Regente: Mercúrio / Elemento: Ar - simpáticos, versáteis e amigáveis. Um tanto indisciplinados, os geminianos são ótima companhia, mas há que se ter bons ouvidos: eles adoram falar! Distraídos por natureza, gostam de música e apaixonam-se com facilidade. Famosos: John F. Kennedy, Helen Hunt, Maria Fernanda Cândido. Queridos: Mamis, meu irmão Ismar, Sílvia, Déborah, Gabi e Marilena.

Câncer (21 de junho a 21 de julho) - Regente: Lua / Elemento: Água - cuidadosos, possuem forte instinto familiar. Normalmente introspectivos, são constantes e criativos, e estão sempre com um dedinho na arte. Famosos: Machado de Assis, Sartre, Betty Lago. Queridos: Alanzinho, Paulo, Chico e Ana.

Leão (22 de julho a 22 de agosto) - Regente: Sol / Elemento: Fogo - adoram ser o centro das atenções, mas também são generosos e inteligentes. Famosos: Jennifer Lopez, Tomoko Fujita, Caetano Veloso. Queridos: meus primos Pe, Po e Poliana, Pedro, Bola e Angélica.

Virgem (23 de agosto a 22 de setembro) - Regente: Mercúrio / Elemento: Terra - dizem que são perfeccionistas, mas, sei não. Eles adoram organização, mas alguns são bem bagunceiros, acho que é por causa do Mercúrio, o mesmo regente de Gêmeos! Amigos e sinceros, adoram uma festa, mas são sérios e profissionalmente dedicados. Os homens são altamente seletivos com a mulherada: submissão e tolice não é com eles! Famosos: Glória Pires, Sean Connery, Keanu Reeves. Queridos: minha sobrinha Marcela, João, Regina, Fernanda e Carla.

Libra (23 de setembro a 22 de outubro) - Regente: Vênus / Elemento: Ar - mudam muito de opinião e não são lá muito equilibrados, como o símbolo Balança sugere (mas, quem é, afinal?). Vulneráveis à beleza, têm gosto apurado para a estética e possuem forte senso de companheirismo. Famosos: Tim Maia, Brigitte Bardot, Washington Olivetto. Queridos: minhas primas Ellen, Anne e Sylvia.

Escorpião (23 de outubro a 21 de novembro) - Regente: Marte (ou Plutão?) / Elemento: Água - profundos e intensos, costumam levar a má e rasa fama de vingativos. Perspicazes e persistentes, são intuitivos e possuem profundo senso de pesquisa. Famosos: Graciliano Ramos, Diogo Vilela, Bill Gates. Queridos: meu sobrinho Paulinho, minha prima Débora, Lu e Jun.

Sagitário (22 de novembro a 21 de dezembro) - Regente: Júpiter / Elemento: Fogo - adoram novidades e aventuras. São idealistas e francos, alegres e joviais. Costumam ser ótimos em repassar o conhecimento que têm, mas têm uma tendenciazinha ao fanatismo. Famosos: Sabrina Parlatore, Carlinhos Brown, Victoria Paris. Queridos: as pequenas Taís e Tainá, Luciane e Ricardo.

Capricórnio (22 de dezembro a 20 de janeiro) - Regente: Saturno (lógico!) / Elemento: Terra - organizados e sérios, os capricornianos buscam a estabilidade. Persistentes e ambiciosos, precisam de conquistas sólidas e duradouras para sentirem-se confortáveis. Tendem ao isolamento e têm dificuldade em relaxar, pois estão muito voltados para o aspecto prático e realizador do dia-a-dia. Famosos: Anthony Hopkins, Maurice Béjart, Luís Carlos Prestes, Jô Soares. Queridos: meu irmão Franklin, Barabani, Rico, Carla Guedes e Socorro.

Aquário (21 de janeiro a 19 de fevereiro) - Regente: Urano / Elemento: Ar - visionários, modernos e inteligentes, são ágeis no pensar e amantes da arte em geral. Valorizam a liberdade, mas são amigos e fraternos. Muitas vezes são rebeldes porque se julgam incompreendidos, além de imprevisíveis e criativos. São inovadores e humanitários e representam as reformas sociais, mas precisam de alguém "mais chão" para concretizar seus objetivos. Famosos: Plínio Salgado, Maitê Proença, Mônica Waldvogel. Queridos: minha sobrinha Bia, meu tio Hildo, tia Ilma, Lau e também é meu ascendente.

Peixes (20 de fevereiro a 20 de março) - Regente: Netuno / Elemento:Água - famosos pela sensibilidade, os piscianos são intuitivos e românticos. Receptivos, têm a tendência a sentirem-se vítimas, pois assumem sacrifícios facilmente. Precisam de desenvolvimento espiritual e criativo (como a múscia, por exemplo) para canalizar tanta inspiração. Famosos: Levi Strauss, Gabriel O Pensador, Heitor Villa-lobos, Gabriel García Márquez. Queridos: Joaquim, Marcita, Jean e Claudio.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Linda Maitê


"Quando criança, Maitê Proença nunca foi elogiada por sua beleza. Os pais, intelectuais, não falavam sobre frivolidades em casa. “Só percebi que esse negócio de ser bonita era importante quando cheguei no Rio e virei atriz”, conta a paulista.

A atriz, que também virou apresentadora e escritora, lança segunda-feira, na Livraria Argumento, do Leblon, seu segundo livro: “Uma Vida Inventada — Memórias Trocadas e Outras Histórias”, romance com tintas autobiográficas em que duas personagens narram histórias separadas que se tocam e se confundem. “Quero esse jogo de pistas falsas. Se fizesse biografia clássica, não falaria sobre determinados assuntos, por pudor, por discrição”, diz.

Com franqueza desconcertante, Maitê conta no livro aventuras pelo mundo — ela conhece mais de 60 países. Também dramas como o do pai, que matou a mãe dela num crime passional: “Eu tinha 12 anos quando minha mãe morreu e o mundo se desfez. Meu pai, que a matou no auge de um ódio pelo amor que sentia, foi cuidar de si”, escreve." (fonte: O Dia online)

Abaixo, um trecho do livro que ganhei outro dia e vou ler assim que terminar o Sabino.

"Eu me apaixonei por um homem com voz de madeira e olhos que enxergam pássaros a distância. Foi na varanda de sua casa na África, à beira de um lago com patos selvagens. Ele falava de pedras arcaicas, mosaicos romanos em quebra-cabeça, da caça do dia e do outro dia, de aborígenes no deserto, de zepelins sobrevoando oceanos. E eu olhava os bichos pastando e o verde e o verde.

Ele foi contando histórias... eu respondia qualquer coisa só para o tempo encompridar. De noite nós partimos dali porque eu já não podia ficar, nem ele. Chovia, e era bom, e era confortável estar ao lado daquele homem. Hospedamo-nos num castelo de pedras para poder conversar mais, e, quando nos cansamos de tentar ficar íntimos de uma vez só, fizemos amor com urgência, porque assim tinha de ser.
Ele dormiu como fazem os homens depois dessas coisas, e eu fiquei sonhando acordada porque o vinho e as emoções misturadas não me deixavam pregar o olho. Enquanto amanhecia eu pensava que, se um dia for criar galinhas, elas serão d'angola, pintadas, como gosta o homem da voz de madeira que tem uma pena guardada na estante da sala. E eu o convidei para criar cabras no jardim do Burle Marx, ou na terra dele, se assim preferir. E o convívio com esse homem será leve e cheio de risos como eu preciso, e será triste também, como ele precisa. E será sempre confortável como estar só - mas estando juntos."

Day by day, through the years


Já faz um tempo que eu venho pensando sobre alguns chavões que se repetem a respeito do amor. Algumas frases vem se somando, e engraçado como a gente atrai aquilo que pensa mesmo, e aí pensa mais, atrai mais e vai se formando aquele círculo até que se ponha pra fora, pra romper e pensar em outra coisa.

Pois bem, cresci ouvindo "o amor é cego" e "quem ama o feio bonito lhe parece". Outro dia, numa chamada do Brothers & Sisters, uma frase de efeito: quem você ama pode ser quem você menos conhece.

Sinceramente, eu não acredito em nada disso. Não acho que o amor seja cego, nem que a gente distorce quem o outro é por conta de amar. Só é possível amar de verdade se a gente conhece, senão não é amor, é paixonite, ou, pior: dependência da grossa. É impossível que eu e o outro nos enganemos sem dar pista alguma de quem realmente somos ou queremos (por enganar eu quero dizer dourar a pílula, mostrar ser uma coisa que não é, enfeitar, e não trair ou maquinar maldosamente).

Sabe aquelas pessoas que passam anos vivendo mais ou menos e aí descobrem, "de repente", quem o outro é e passa a odiá-lo com fervor, feito doença mesmo? Eu não entendo, não compactuo com a figura de vítima que esse tipo adota. Nenhum relacionamento é 90 um e 10 o outro. Numa relação, qualquer que seja ela (mãe/filho, marido/mulher, amigo/amigo), cada um tem 50% de participação, mesmo quando parece passiva, receptiva apenas.
Portanto, eu não acredito que alguém ame quem lhe faça mal, quem lhe piore, quem lhe atrase. Há que se estar na mesma frequência para atrair o outro. Se o objeto de "amor" é motivo de infelicidade, das duas uma: ou é masoquismo ou aprendizado. Se for masoquismo, sempre haverá um sádico de plantão para completar. Mas, se for aprendizado, é bom tratar de aprender logo para viver a vida com tudo o que ela tem de melhor. Algumas vezes, o aprendizado traz rompimentos quando apenas um decide e age para mudar. Lembram da tal frequência? Pois é. Mas, se isso acontecer, não é melhor do que viver feito prisioneiro?


A vida é tão curta, tão curta. Merece ser vivida com o coração feliz, com o peito mais sossegado, com abraço na hora de dormir, com beijo de bom dia. Parece tão simples, mas a maioria vive sem. Imagino o quanto seríamos capazes de doar ao mundo se vivêssemos em paz nas nossas casas. Com a cabeça tranquila, com certeza olharíamos todas as pessoas com mais ternura e tolerância. Por isso esse mundo anda tão desorientado, violento. O povo anda infeliz, não é?


Eu desejo, mesmo, de todo coração, que, antes mesmo de 2009 chegar, e depois e sempre, tratemos de olhar primeiro para dentro para conhecer quem somos, e aí para o outro para enxergar se há amor para amá-lo como ele é e para viver a vida juntos. Day by day, through the years, como canta nosso Lenny Kravitz. Felicidade só existe se for (bem) compartilhada.


"Eis que uma vez, num dia mágico,
o encontrei
e ao conversarmos lhe falei sobre os reis
sobre as leis e a dor
e ele ensinou: nada é maior que dar amor
e receber de volta amor."


(Eden Ahbez, na versão do Caetano)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Abraçar o mundo começa pelas próprias pernas


Uma das grandes maravilhas de fazer aniversário é que, a cada ano, a gente melhora. Verdade. Tem um coisa que acalma no peito, mesmo na mais deliciosa euforia ou quando o sofrimento chega. Acho que Shakespeare, ao dizer "isso também passará", queria justamente falar sobre viver o presente, porque tudo passa, sim, não porque as coisas acabem, mas, e principalmente, porque elas acontecem.

Essa garantia de viver, dia após dia, hora a hora, construindo, renovando, lapidando mesmo, é um prazer que não se experimenta na ansiedade de quem vive fora do momento presente. Sabe aquela história de uma coisa de cada vez? Pois é, funciona.

Eu tenho reparado que sempre que eu me dedico "concentradamente" a cada pedaço do meu tempo, além da coisa fluir bem e de maneira objetiva, eu produzo mais e melhor. Por pedaço de tempo quero dizer tudo o que eu preciso e quero fazer: orar, trabalhar, namorar, conversar com as pessoas, dormir.

Parece que eu começo a entender o que é dedicação e que dedicação não tem nada de trabalhoso. Trabalho é para coisas que a gente "tem" que fazer, não para o que se gosta de fazer. E, mais uma vez, fazer aniversário traz bem a noção da diferença entre uma coisa e outra. Fica mais gostoso viver assim.

Encontrei com a minha vizinha hoje quando ela voltava do super-mercado. A dona Doroty está sempre fazendo alguma coisa, coisa incrível. Pois bem, eu jurava que ela tinha 65, 66 anos. Quase caí de costas quando ela me disse que tem 80! 80! Tão ou mais lúcida do que eu, bem disposta sempre, cuida do marido, um senhor de 84. Hoje ela me contava que ele havia desistido muito da vida depois que se aposentou. Achei triste porque ela é uma mulher viva demais. Aí eu fiquei pensando que se ele se dedicasse a algo que não fosse a sua própria misère ele ainda estaria vivo também.

Da onde eu concluo, agora, nesse instante, que talvez exista uma linha tênue entre o melhorar com o tempo e entregar-se a ele. E que, quem sabe, nós que buscamos tanto, questionamos tanto, vamos, afinal, quase sem perceber, conquistando nosso maior presente nessa vida: a plenitude.

Tá, ainda falta um bocado para eu chegar lá, mas, sabe?, tá bom demais esse meu caminho.

"... eu me perdi de noite
sem luz sob tuas pálpebras
e quando me envolveu a claridade
nasci de novo,
dono de minha própria treva."

(Neruda)

Lembranças do caminho de volta


Eu escrevi esse post há alguns dias, entretanto, colhendo os benefícios da tecnologia Google, quando ele for publicado eu estarei longe deste computador, sentindo saudade das minhas casas (essa da vila e a do coração do meu querido).

Sempre que viajo percebo o quanto gosto dos meus lugares: minha cidade, meu quarto, minha cozinha. Adoro minhas gavetas, tudo ali, guardadinho para quando eu precisar. Já repararam que em nenhuma viagem nossas coisas ficam acomodadas como em casa?

Lembro que quando vivi em Boston, depois da saudade das pessoas, o que mais eu sentia falta era do calor do Brasil (esse ar quentinho sempre, acho que isso é aconchego). O Brasil inteiro tinha virado meu lar enquanto eu estava fora.

Nem precisa ficar tanto tempo ausente, basta alguns dias para que reencontrar as pessoas na volta dê a sensação de encontrá-las, de novo, como se fosse a primeira vez. Tem emoção, vivacidade, coragem. Engraçado isso, mas a saudade tem esse dom mesmo: provoca rejuvenescimento nas relações, no cotidiano, até na saúde. A luz da vizinhança parece tão mais amorosa depois da minha ida...

Estará comigo nesses dias o Encontro Marcado, de Fernando Sabino. Nessas horas é que penso que tem uma turma nessa vida que é tudo igual no coração: sente as mesmas dores, sorri dos mesmos riachos, enxerga a curva pronta para acontecer a todo instante. E me impressiono como ainda nenhuma apostila conseguiu evitar tanta passagem. Acho que é porque cada um precisa fazer a sua viagem mesmo, sem ela ninguém vê paisagem alguma.

Por isso, eu vou, mas eu volto. Por isso, eu caminho para casa, usando as palavras de Sabino, ora pela escada, ora pela ponte, procurando sempre, sempre, sempre o divino encontro.

Viajar é uma delícia, mas ficar é melhor ainda.

"De tudo ficaram três coisas:
a certeza de que ele estava sempre começando,
a certeza de que era preciso continuar
e a certeza de que seria
interrompido antes de terminar.
Fazer da interrupção um caminho novo.
Fazer da queda um passo de dança,
do medo uma escada,
do sono uma ponte,
da procura um encontro."

(Fernando Sabino, O Encontro Marcado)

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Gema em lapidação, foi assim




Reflexos, azulados e brilhantes
e a folha branca do papel
já amassado sob os meus braços

dos asterismos de tua gema resultam os raios
coadjuvantes do teu colo à noite
protagonistas dos teus sonhos e desejos
nome escolhido, com certeza herdado

testemunho a transformação
a gema lapidada em jóia,
me arvoro ourives, me pretendo parte
e sou apenas o reflexo da luz azul que ilumina minhas folhas

corindon é tua raiz, tal qual a minha
tua cor azulada é detalhe, somos frutos da mesma pedra
ser fruto de pedra é testemunhar a história antes da História...

de um lado vermelho, de um lado rubido outro azul, do outro safira
nada nos cabe melhor, meu amor, nada.
(RB)

Pedaços de amor


Watching you
I'm wanting you everytime
My soul seemed locked in darkeness
But you brought me the light
If I only knew how to do
how to become part of you

Sometimes, I get so lost in my mind
and if I want some peace
I run straight to your arms
and see you leaving me is the hardest pain I can feel
You go like the sun setting down
Always vanish with a smile

And if I ever run,
I'll never have the strength to go very far how could
I survive without you near me,
to heal up my heart?
How i wish it never ends
How I wish you never run away

And as I find in you my reason to beI love you more day after day
But should this time ever come I hope to see you fading away
With the smile you gave me once

Girl you got me going insane
Girl you got me going insane...

¨

Seja minha,

minha sombra feita de coqueiros, corrente e brisa marinha
solidão que acaba em mim sozinho
minha imagem refletida
Num espelho d'águas mansas e macias
copa de árvore onde eu faça um ninho
Min'alma cantante
meu corpo em grito
Seja minha amante, seja minha
Porque o dia da dúvida passou
e o medo de te perder me dá vertigem
e o que houver de esquerdo e triste
vamos endireitar a ferro e amor

Porque ser minha
é opção da vida inteira
é abdicar de qualquer outra opção
é não perder o medo jamais
é domar o coração
com entregas e promessas sussurradas

Seja minha por inteiro
O inteiro dos teus dias e que noites vazias do meu peito
Sejam noites de vigília
À espera, à espreita
Fera enjaulada e sem fuga
que meu amor seja tua prisão
da qual nem os pensamentos se libertem
Que meu amor seja teu alimento, tua água e teu vício
Que meu amor seja o teu, seja meu único abrigo

¨

deixa eu te contar
desse dia lindo que fez hoje
e de como você me fez falta
deixa eu te contar
de como vai fazer calor essa noite
e de como você me fará falta
falta se tem daquilo que se achou ou daquilo que se perdeu

eu não te perco, eu te acho sempre, e cada vez mais,
em todos os lugares onde estou
na piscina de manhã cedinho,
na mesa do almoço repleta de gente
na chuva que cai de tarde e que dá um sono...

e agora, nessa hora tão mortinha,
em que ainda não teminei meus "afazeres"
embora já possa antegozar o descanso que virá
nessa hora, nesse minuto exato
eu te amo muito mais do que já sabia
e amo saber do tanto que você já faz parte disso tudo
(escrito pelo Rodrigo)

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Ê lê lê...


Hoje eu participei de uma cena surreal que me tirou do sério. Estava eu aguardando, na portaria de um prédio, ser atendida pelo porteiro para liberar a minha entrada. O rapaz de 20 e poucos anos precisava recadastrar o sujeito à minha frente quando o mesmo resolveu ter um chilique. Agrediu o pobre moço verbalmente, telefonou para o escritório aonde ele teria que ir para reclamar do serviço do prédio, falou alto, se sentiu um galo.

Eu fiquei indignada, completamente. E, com a voz mais calma desse mundo, chamei o dito cujo de ignorante. Com certeza, ele não esperava por isso, ficou vermelho, falou mais alto ainda, repetindo todos os insultos que já dissera. Fiz questão de esperar o responsável pelo escritório que o talzinho iria visitar, que resolveu descer para amainar os ânimos, para contar o absurdo da situação. Foi o que fiz, afinal.

Entretanto, ver o porteiro tremendo pelo constrangimento pelo qual passara me deixou mais furiosa ainda e acabei dando uma de xenófoba (o sujeito era estrangeiro) , perdendo parte da minha razão quando disse a ele que ele estava fora de casa e devia ter mais educação com quem o recebia tão calorosamente no Brasil. Pois é.

Outro dia, saiu uma pesquisa no UOL sobre preconceito. O resultado dizia que a maioria das pessoas respondeu "sim, o mundo é preconceituoso, mas eu não". Imagine todo mundo dizendo isso. De quem estaríamos falando, então?

Para completar, ainda há pouco, eu assistia ao documentário sobre uma pequena cidade de Minas, Noiva do Cordeiro. Ô troço difícil esse de preconceito. Sempre me pergunto se discriminação é desvio de caráter ou ignorância pura. Mas, e quando sou eu quem surge com aquele preconceitozinho básico? Como é que eu me julgo? Difícil, né?

Eu não acredito em gente boazinha. Acredito em pessoas que se observam e que melhoram com exercício diário. Assim sendo, a humanidade tem chance, do jeitinho que Mandela diz: "ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar."
Vambora, então.

Noiva de Cordeiro:

No fim do século XIX, Maria Senhorinha de Lima, natural do povoado próximo de Roças Novas, se casou com um descendente de franceses, Arthur Pierre. Três meses depois, sentindo-se infeliz, ela abandonou o lar e foi morar com Chico Fernandes, no local onde acabou sendo criada a comunidade.

O seu ato deixou a população escandalizada, já que as mulheres não tinham o direito de abrir mão de um casamento em nome do amor. Começou aí a história de preconceito e isolamento. A Igreja Católica rapidamente se colocou contra o casal, que foi excomungado e difamado. Mesmo assim, o casal seguiu sua vida, teve filhos, que tiveram outros filhos, e a comunidade cresceu.

Por volta dos anos 40, o pastor Anísio Pereira se mudou para o povoado ao se apaixonar por uma jovem local. Ele fundou a Igreja Evangélica Noiva de Cordeiro, que passou a ser o nome do lugar. Os preceitos dessa Igreja eram muito sérios, restritos, as mulheres não podiam usar maquiagem, não podiam fazer controle de natalidade e os dias de jejum obrigatório prejudicavam o trabalho. Por conta do rompimento com a fé católica, o preconceito dos povoados vizinhos crescia ainda mais. As mulheres da comunidade começaram a perceber que a Igreja não trazia tantos benefícios e que, pelo contrário, dificultava a vida e o sustento. Aos poucos, foram se desligando, até colocar um fim na igreja local. A partir daí, passaram a viver uma vida sem religião – mas com muita fé em Deus -, sem dogmas e sem formalidades.

A rotina de Noiva do Cordeiro dificultava a integração com as populações vizinhas. As mulheres eram vistas como prostitutas, perdidas, e esses boatos afetavam muitos relacionamentos da comunidade. Há alguns anos, as mulheres resolveram mudar essa realidade. Para correr atrás de recursos e lutar por seus direitos, fundaram uma associação comunitária. Com isso, conseguiram criar uma escola de informática, a primeira da zona rural de Minas Gerais. Essa conquista fez com que, aos poucos, começassem a ser respeitadas pelas comunidades vizinhas. Uma fábrica de tecidos também foi montada e aumentou a renda local.

Atualmente, o modo de vida dos moradores de Noiva de Cordeiro é admirado e respeitado. Na comunidade, nada é de ninguém, tudo é de todos. Todos trabalham, todos comem o que plantam, e todos usufruem dos benefícios alcançados.

(Fonte: globosat.globo.com/gnt/secoes)

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Estica e puxa


Notícia do Globo.com: O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobrevoou nesta quarta-feira as regiões mais atingidas pelas chuvas em Santa Catarina, onde já morreram 97 pessoas, e não 99 conforme a Defesa Civil local informara anteriormente, e destinou cerca de R$ 2 bilhões para ajudar as vítimas e a reconstrução do estado e outras regiões do país atingidas por secas e enxurradas.

Triste a situação, desesperadora. Noventa e sete mortos, cidade inundada, corações desolados. Desesperançados. Impossível imaginar o que aquele povo esteja sentindo. Duvido que qualquer pessoa que olhe nos olhos dos moradores de lá consiga ficar imune àquela dor.

Mas, eu acho que, apesar de tudo, a gente deve e precisa tirar uma lição daqui. Desde 1983, quando uma inundação deixou 49 mortos e quase 200.000 desabrigados, os estudiosos alertam sobre a ocupação irresponsável das planícies, o desmatamento e diversos outros fatores geoambientais. O que foi feito desde então? A região continuou sendo ocupada desordenadamente, ignorando o solo "podre" (quando a água infiltra, satura e desliza).

O governo local tem responsabilidade sobre a tragédia? Sem dúvida. Faltou fiscalização, planejamento, orientação. Concordo que a atuação política poderia ter evitado boa parte do problema. Só que eu não posso deixar de pensar que cada pessoa, cada morador de Santa Catarina seja igualmente responsável pela situação na qual se encontra.

A gente vive fazendo isso na vida: enxerga o erro, insiste nele e depois lamenta quando o resultado (previsto) acontece. Sinceramente, eu não sei porque. Nem posso caminhar pelo discurso cultural (brasileiro é assim mesmo), já que semelhantes tragédias percorrem o mundo inteiro. Aliás, a Terra parece uma bolha prestes a estourar e, mesmo sabendo disso, continuamos agindo como se nada estivesse acontecendo.

Reparem que o homem não separa seu comportamento pessoal da vida social que leva. Enquanto forçamos nossos limites domésticos para ver até onde a nossa insatisfação nos trará total desencanto, vamos irrompendo, sem pudor algum, o coração do mundo com igual desleixo. Afinal, pensamos, nós, o futuro não chega. Nunca. Esquecemos, entretanto, que as consequências sim, a cada minuto. Eu que o diga. Mas, eu estou acordando :) e, gente, se até eu posso melhorar, vamos combinar, qualquer um pode. Wake up, little Susie, wake up.

"Não basta abrir a janela para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há ideias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela."

(Alberto Caeiro)


terça-feira, 25 de novembro de 2008

Murilo Rosa


Gente, coisa mais fofa desse mundo a entrevista do Murilo Rosa à Marília Gabriela, no GNT.

Qualquer hora, a gente fala desses homens tão especiais, que amam e cuidam, e são en-can-ta-do-res. E melhor: existem!

Beijos

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Amigos e poetas

Ontem eu conversava com uma amiga pelo msn quando escrevi um "I know!" em resposta a uma afirmação dela. Mas, não foi um "I know" qualquer. Na minha cabeça, eu gritei um "I know" igualzinho à Monica, de Friends.

Explico: eu assisto Friends há um tempão, desde que entrou no ar, em 1994, conheço trechos inteiros de vários episódios e morro de rir de verdade. O sitcom saiu do ar em 2004 e até hoje as reprises me aliviam a alma. Mesmo. Adoro as bobagens, as sacadas, sobretudo a transparência entre os seis amigos que, com todas as diferenças, construíram uma amizade tão gostosa que todo mundo pensa que é verdade (ou será que sou só eu?).

Assim como em Sex in the City, Friends tem personagens bem distintos, exagerados na expressão pra gente conseguir se enxergar neles, e tudo com bom humor que é pra fazer sucesso. Eles moram em Manhattan e frequentam um café chamado Central Perk (com "e" mesmo), pertinho do prédio em que moram.

Falando mais deles, vou começar pela Monica, já que mencionei o "I know": ex-obesa, Monica é uma figurinha perfeccionista, controladora, competitiva. É, também, acolhedora, mãezona, leal. Chef de cozinha, Monica não confia em mais ninguém na cozinha. Morre de ciúmes de sua louça (só usa a melhor para celebrar o Thanksgiving. O coitado do Joe sempre recebe um prato de plástico). Louca para ser mãe, Monica termina o seriado casada com Chandler e seus dois filhos adotados (tanto ela quanto ele tinham problemas para uma gravidez, mesmo por inseminação. É, lá também tinha problema).

Chandler: filho de uma mãe "fervorosa" (deu em cima até do melhor amigo dele) e de um travesti, é inseguro e vive fazendo piadas. Os amigos não sabem direito no que ele trabalha, mas Chandler é contador. Tentou alguns relacionamentos e o mais engraçado foi com a Janice (oh Janice). Ele e Joe (seu roommate) viveram estórias engraçadíssimas com os patos e galinhas que criavam no apartamento. Amigão de Ross, Chandler é humilde e sempre se desculpa ao perceber que magoou um deles.

Ross: bobão e cientista, é irmão de Monica e trabalha no Museu de História Natural. Casado bem no comecinho do seriado, logo de cara se separa porque a mulher descobre que gosta de meninas (de uma, especificamente). A situação fica engraçada quando, depois de separados, eles descobrem que estão grávidos e Ross passa a "competir" pela paternidade do filho com a namorada da ex. Na verdade, Ross é apaixonado por Rachel, seu amor de adolescência, e é com ela e a filha do casal que ele termina a novela.

Rachel: mimada e infantil, Rachel trabalha com moda, na Saks, divide apartamento com Monica, e são vizinhas de Joe e Chandler. Começou o seriado vestida de noiva, pois havia fugido do altar, deixando o noivo dentista para ir morar em NY. Indecisa, ora ama Ross, ora quer ser só sua amiga. Flertou com Joe e namorou um Pablo asqueroso. Linda de viver, Rachel é delicada e virou a mãe cuidadosa de Emma, fruto de uma noite não programada com Ross.

Joe: um fofo! Ingênuo, companheiro, franco, vive tentando a carreira de ator, fazendo bicos aqui e acolá, até que vira o Dr. Drake, do seriado Days of our lives. Louco por carne, deu uma linda prova de amizade quando, Phoebe (vegetariana de carteirinha), grávida, teve o desejo "indecente" de comer carne. Fiel às vaquinhas, Phoebe não queria que nenhuma delas morresse por causa de sua vontade incontrolável de rosbife. Joe, então, prometeu parar de comer carne durante toda a gravidez dela, assegurando, assim, que nenhum bicho a mais morreria, pois ela comeria a cota dele. How are you doing? era o que ele sempre dizia, com cara de safado, quando estava de olho em alguém. Único solteiro no final da estória, Joe ganha um programa de TV na Califórnia e deixa os amigos em NYC.

Phoebe: a melhor, na minha opinião. Engraçada, honesta, transparente, Phoebe é a melhor amiga de todos. Tem uma história trágica de vida (a mãe a abandonou quando era pequena, o pai a rejeitou, foi separada do irmão - que reencontrou já adulta - , descobriu que tinha uma irmã gêmea, viveu nas ruas, foi presa, etc), mas guarda uma doçura sem igual. É massagista totalmente tochpe-tchura, acredita em ETs, é vegetariana e protege os animais. Deu à luz a trigêmeos depois de fazer uma inseminação in vitro a pedido do irmão, cuja esposa, 20 anos mais velha, não podia engravidar. Extremamente lógica nas suas viagens, tem coração doador, magia na alma, tranquilidade e coerência. Termina o seriado casando com um grande amor, coisa mais linda.

Quer saber? Nunca mais um seriado do gênero será tão bom quanto esse... ô perfeição. Assistam quando puderem, canal 47 da Net :)

domingo, 23 de novembro de 2008

O coração de Hannah


Hannah Jones tem 13 anos. Sua história andou pela mídia há bem pouco tempo, sensibilizou alguns, horrorizou outros, mas ninguém que soube da vida dela ficou impune: Hannah prefere morrer a continuar sofrendo.

A menina, que nasceu na cidade de Marden - Inglaterra, teve leucemia aos 4 anos. Passou por 12 cirurgias e incontáveis sessões de quimioterapia. A leucemia cedeu, mas os tratamentos abriram um buraco no coração de Hanna, que funciona mal desde então e pode parar a qualquer momento. Se a menina recebesse um coração novo, correria o risco de desenvolver leucemia novamente, como conseqüência dos remédios usados para evitar a rejeição ao órgão transplantado. Em pouco anos, precisaria de um segundo transplante. Foi, então, que Hanna reinvidicou o direito de não ter o coração transplantado, pois prefere morrer em paz com a família.

A partir dessa decisão, muitas teorias, conceitos e belos textos foram escritos. "Hannah está sem esperança", "deprimida", "não acredita na vida", "está com um 'buraco' no coração". O hospital que cuida de Hannah entrou na justiça para garantir a continuidade do tratamento, mas desistiu do processo após ouvir de uma assistente social que a menina está bastante segura de sua decisão.

Baseada apenas no que li, sinceramente acho que essa menina conseguiu dar uma prova de amor à vida. Em uma de suas cartas, Nitiren Daishonin (o Buda dos Últimos Dias da Lei) diz: "é melhor viver pouco com dignidade do que acabar em desgraça aos 120 anos".
Acredito que Hannah, além de um bravo ato de coragem, fez uma escolha por qualidade de vida e por essa dignidade da qual fala Nitiren. Para quem é fisicamente saudável, é muito fácil dizer "não desista, viver vale a pena acima de tudo". Não estamos discutindo um suicídio, e, sim, de deixar a natureza fazer o seu trabalho, sem a intervenção humana.

Sou a favor dos avanços da medicina, cla-ro, mas penso muito sobre a onipotência que a ciência pretende se dar. Fazendo um trocadilho com as palavras de Chico, em sua Cálice, "talvez o mundo não seja pequeno, nem seja a vida um fato consumado", mas todos não têm o direito de "inventar o seu próprio pecado e morrer do meu próprio veneno"?

Desejo a Hannah toda a felicidade que ainda virá em sua vida, queria eu ter a chance de conviver com ela um tiquinho só. Com certeza, tão pequena ainda, ela já sabe que "a paz no coração é que é o paraíso dos homens" (Platão).

Viva la vida.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Que príncipe que nada

Eu me lembro da primeira vez que percebi o sentimento, o mais diferente de todos, que me fez despertar para a adolescência. Eu tinha 11, 12 anos e gostava de um menino da minha classe, da mesma idade, super-bonitinho. O engraçado é que eu falava com todo mundo, mas morria de vergonha dele e ficava muda quando o guri aparecia. Ô tempo bom... rs

Naquela época, a gente até falava de namorado, amor, beijo, mas tudo era só "uma coisinha de nada", quase uma brincadeira, embora a meninada já sofresse, e escrevia no diário, fazia hora na porta da escola.

Lembro do primeiro beijo, tão estranha a descoberta, mal sabia eu que aquilo seria o fim da tranquilidade dos meus patins. Não sei se eu achava que aquele menino seria o meu príncipe, meu namorado e tudo mais. Mas, de lá para cá, a memória me é bem clara e o príncipe nunca me apeteceu. Para falar a verdade, se eu fosse a Branca de Neve, namoraria mesmo era o guarda que lhe poupou a vida no meio da floresta... já começou o "relacionamento" com uma bela prova de não-egoísmo, arriscando-se a ser morto pela rainha invejosa (há versões da estória que conta que não foi o beijo do príncipe que salvou a princesa e, sim, o tropeção de um dos anões que carregava o caixão de cristal. Quer dizer, príncipe só na "vestimenta" mesmo, né?).

Acho que foi por isso que sempre me apaixonei por homens inteligentes, daqueles que sabem tudo, conhecem o mundo, sabem do que é feita a rebiboca da parafuseta e a composição química do ácido sulfúrico. Beleza por beleza foi, e ainda me é, inútil: o que me inspira é o conjunto da obra.

Assim como aos 11, hoje eu ainda me sinto muito ingênua para falar de amor. Taí um sentimento que desconcerta, faz a gente rever um quinhão de conceitos, duvidar da razão. Mas, se tem uma coisa que eu aprendi recentemente, é que o amor precisa ser real para ser e se manter forte. Precisa ser cotidiano, entregue, participativo. Precisa ser presente, sim, na dor e na alegria, na noite e no dia, na brincadeira da praça e na delícia do quarto. Para amar é preciso disposição, inclusão, mas, sobretudo, para amar é preciso ter amor no coração.

Amor é vida
É ter constantemente
Alma, sentidos, coração — abertos
Ao grande, ao belo

É ser capaz d'extremos
D'altas virtudes
Compr'ender o infinito, a imensidade
E a natureza e Deus

Gostar dos campos, das aves, flores, murmúrios solitários
Buscar tristeza, o ermo
E ter o coração em riso e festa
E à branda festa, ao riso da nossa alma

Fontes de pranto intercalar sem custo
Conhecer o prazer e a desventura
No mesmo tempo, e ser no mesmo ponto,
O ditoso, o misérrimo dos entes: Isso é amor, e desse amor se morre!

(Gonçalves Dias)

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Tchau, Vó

A gente enfrenta muitas perdas na vida. A primeira, eu acho, é a perda do conforto do útero, embora, pela memória tão inconsciente dessa idade, não sei se conta. Depois, a vida entra numa gangorra de ganha-e-perde sem fim: aprende a andar, perde o colo; perde o 1º dente, ganha a 1ª fantasia (a fada dos dentes, lembram?); perde a inocência do Papai Noel, ganha a linha direta para pedir o presente ao pai.

Todas essas são perdas que, de uma forma ou de outra, nos enriquecem, pois trazem sempre a contrapartida do crescimento, da maturidade. Tem uma perda, entretanto, que não tem riqueza alguma, não traz alegria pois nunca haverá ganho algum depois. Trata-se da perda, pela morte, de um ente querido.

Eu perdi a minha avó ontem. Na verdade, nós fomos perdendo-a nos últimos 10 anos, com toda a falta de saúde dela, com a distância, com as ausências. Acho que é aí que a morte me assusta tanto: quando eu, definitivamente, perco toda e qualquer chance de fazer alguma coisa, conquistar, conviver, recuperar que seja.

Isso, mais uma vez, me põe a pensar na morte que a gente deixa acontecer diariamente por insensibilidade, por egoísmo, por achar que terá ainda muito tempo (no futuro!) para redimir-se. E adia, adia o outro, a si, adia a felicidade que é levantada delicadamente por pequenos gestos. Por pequenos gestos a gente também se afasta, cada dia um pouquinho mais e, quando vê, a separação está instaurada, mesmo com o "bom dia" de todos os dias. É preciso aprender a amar, porque, como já dizia Shakespeare, "sem saber amar não adianta amar profundamente".

Num dia como o de hoje, sem muita coisa organizada no peito, com o sentimento meio anestesiado, confuso e triste, encontrei pessoas que, mesmo sem saber da minha perda, falaram sobre morte como eu jamais havia ouvido, nem experimentado. Trouxeram um bálsamo tranquilo e contente para uma noite de muita solidão. É, as dores são sempre solitárias.
Obrigada aos amigos que estiveram comigo hoje, sabendo ou não. Obrigada por cada gesto, pela presença, pelo abraço. Tem dia que demora pra passar... e ter companhia nesses dias é sempre um bom remédio.


"De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem
Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
Meu tempo é quando.

(Vinícius de Moraes)

domingo, 16 de novembro de 2008

Amor-próprio ou recompensa?


Há uns bons anos, eu disse a alguém que eu me presenteava sempre (toda semana) porque eu merecia. Afinal, eram tantas as obrigações, tantos os compromissos que era justo que eu comprasse alguns mimos para mim mesma.

Na época, essa pessoa questionou a minha justificativa argumentando irritantemente (pelo menos, foi o que eu senti no então). De lá para cá, eu andei observando muito as motivações que norteavam meu consumo, e achei triste quando, ainda ontem, uma amiga comentava de uma conhecida comum e seu desequilíbrio na shopping-terapia.

Imediatamente, eu me peguei pensando na diferença entre cuidar de si e tentar recompensar-se por todas as agruras a que a gente mesmo se impõe (por medo, preguiça, e mil outras razões). Esses conceitos são puramente devaneios da minha cabeça, mas acho que vale a pena parar um tiquinho para tentar encontrar alguma verdade nessa história.

Para mim, cuidar de si tem a ver com tratar da saúde (toda: física, mental, espiritual), cultivar o amor e as amizades, afastar-se do que não é digno, prevenir-se de canais que entopem o futuro (principalmente aquilo que não funciona mais).

O que acontece, muitas vezes, é que a gente se confunde e sai consumindo exageradamente, quase obrigando-se a necessidades que vêem não sei da onde, como se isso fosse acariciar nossa mais profunda carência. Mulher é campeã nisso, basta uma tristezinha e é um tal de "preciso de um sapato, uma bolsa, outra calça preta" (a 15ª). Uma visitinha ao shopping é um verdadeiro tapa-buraco, pena que dura pouco.

Às vezes, a gente repete esse vício também para aliviar uma culpa. Quem é que nunca comprou uma "coisinha" só para aliviar a falta que fizemos numa data importante, ou para alegrar alguém (como se o nosso ombro não fosse suficiente), ou, ainda, para disfarçar uma "mancada"? Pais são campeões nisso, casais também. O resultado é péssimo porque, se male-male a gente se engana, que dirá enganar o próximo.

Não sei se eu exagero. Pode ser. A verdade é que eu adoro presentes (de mim para mim, de mim para os outros, dos outros para mim), mas duvido de tudo que parece "demais", e acho que too much of a thing is good for nothing. Como qualquer outro trabalho, prestar atenção a si mesmo, o tempo todo, cansa naqueles dias mais preguiçosos. Entretanto, esse é o tipo de esforço que vale a pena, pois, como já dizia Platão, "não espere por uma crise para descobrir o que é importante em sua vida".

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Rodablog - Porções que se misturam


O que uma consersa despretenciosa não é capaz de fazer, não é? Pois bem, estava eu conversando com um amigo blogueiro quando ele me contou o quanto escrever tem lhe feito bem. Aí, quando brinquei "vamos fazer o encontro dos blogueiros", ele foi logo topando! Incentivou mesmo!

Agora, eu já estou pensando em como fazer isso, como divulgar, qual a intenção, cenário, periodicidade, enfim, pirei com a idéia. Logo eu, que quase não gosto de eventos mesmo... rs, ainda mais desse gênero. Já até pensei no nome: Rodablog (surgiu assim do nada, facinho, facinho).

Tem muito literatura boa nos blogs, me surpreendo muitas vezes lendo alguém como se eu própria tivesse escrito aquilo. É super-bacana ver que tem muito neurônio funcionando, tentando se expressar e conseguindo com o custo de receber críticas não lá muito construtivas. Mas, tudo tem um preço, e, vamos combinar, quem critica para destruir não merece crédito, não... o negócio é deletar e bola pra frente.

Outro dia, recebi um comentário de uma amiga de um amigo, ambos blogueiros. Fui lá no blog dela para xeretar, chafurdar nos pensamentos daquele ser. A-d-o-r-e-i! Poético, simples, sensível. Apareçam por lá, vou criar um link aqui, o nome é "Existo, logo penso". Nanci, obrigada. Uma frase em especial me chamou muitíssimo a atenção em um dos seus posts: "Nunca se adie. Faz tanto mal que você nem imagina". A gente sabe, mas faz que esquece para ir empurrando. É bom quando alguém põe assim, de maneira tão nua.

Bom, então o convite está feito: blogueiros e pretendentes-a estão convidados para o 1º encontro do Rodablog. Enviem sugestões, por favor, idéias e etc. Só atentem que será em fevereiro, isso mesmo, daqui a 3 meses. Acho que até lá todo mundo já recarregou as baterias e estará muito afim de começar o ano com coisas novas.

Estou aguardando, beijos.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Monstro da palha


Gente, vocês precisam assistir a esse vídeo do Cocoricó! É a coisa mais fofa desse mundo! E, para não perder o hábito, eu fiquei reparando no tal do Monstro da Palha, coitado. O Astolfo morrendo de medo, viajando na maionese, enquanto o tal do monstro não faz nada. Pois é, nada! Nem fala o bichinho! Só fica lá, atrás do porquinho. Se o Astolfo olhasse pra ele, veria que nem é feio nem nada, é só uma coisa!

Isso sem falar na letra da música. Coisa linda. Igualzinho a gente quando tenta imaginar o futuro. No final, o porquinho consegue o que quer após muito sofrimento (à toa, porque nada acontece de fato), fica rouco, uma tragédia. O interessante é que ele termina assim: "a gente é porquinho mas já sabe se virar". Uma graça. "Já sabe se virar..."

Assistam ao vídeo, please, please, please. Não há como não sorrir, como não se encantar. Aliás, obrigada Gabi, obrigada Rodrigo. Ambos enviaram coisas lindas para "a manhã cinzenta de segunda-feira".

A letra da música "E se...", do Cocoricó caminha logo abaixo. Beijos.

E se o meu brinquedo caísse
E se eu tentasse pegar
E se na hora acordasse com monstro da palha
Querendo me assustar
E se o monstro me obrigasse
A cantar uma canção
Uma canção enfeitiçada
Mesmo se eu quisesse
Não parava de cantar
Cantar, cantar, cantar...
Trálá, lá, lá, lá...
Trálá, lá, lá, lá...
Trálá, lá, lá, lá...
Se eu quisesse chamar minha mãe
A canção não me deixava
Se eu quisesse gritar
Se eu quisesse chorar
A canção não me deixava
Eu tinha que cantar, sem parar, sem parar
Trálá, lá, lá, lá...
Trálá, lá, lá, lá...
Trálá, lá, lá, lá...
E se a minha mãe ouvisse
Eu cantando essa canção
E se ela pensasse assim
Bom, o porquinho tá cantando, então tá tudo bem...hm, hm?
E se isso acontecesse?
Se eu ficasse enfeitiçado pelo monstro da palha?
E minha mãe não viesse me salvar?Hein? o que eu faria?Hein?
Eu cantaria muito alto, muito alto e muito forte
Até ficar rouco, rouco
Completamente sem voz
Minha mãe ia pensar
Hmm, que silencio, vou lá olhar o porquinho
E viria me salvar
Ai, ai, a gente ainda é porquinho mas já sabe se virar
Ai, ai, a gente ainda é porquinho mas já sabe se virar

Chistes necessários


Ai, gente, tem hora que é preciso apelar. Buscar por aí a graça que uma segunda-feira cinzenta não tem, ainda mais quando a semana já começa com poucas horas de sono.

Resolvi fazer uma pausa "light", remexendo em cabeças alheias só para distrair. Fucei no blog do meu amigo Fabrício, que fala hoje sobre o MAU (assim mesmo, em letras maiúsculas) na internet. O assunto é sério, exige proliferação, mas o que eu queria era uma novidade boa, divertida. No hall de blogs amigos do meu amigo, eu encontrei "Uma dama não comenta" e ri sozinha. Super-leve, bem-humorado, blog bacaninha de verdade.

Esse é o tipo de exercício que tem me feito um bem danado, principalmente em tempos como esse, com uma notícia pior do que a outra na TV, no jornal, nas Curitibas da vida.

Respirar fundo, olhar pela janela, ouvir música boa, falar com alguém sem comentar de trabalho, almoçar em outra vizinhança. Caminhar por ruas novas, reparar nas casas, sentir como São Paulo é grande e a gente dá conta de viver nela. Pequenas variações sobre o mesmo tema que funcionam como gotas energizantes.

Outro dia uma amiga me convidou para assistir um filme qualquer no cinema sobre atentado, com explosão e perseguições. Ah, não, minha querida, vamos ver coisa mais gostosa. Para ver explosão eu vejo de casa mesmo, é só sintonizar em qualquer canal da TV aberta.

A gente precisa cuidar do nosso bem-estar, sim, não só no tangível, mas, sobretudo, naquilo que, efetivamente, melhora nosso humor e, na sequência, nossos convívios. Simplificar mesmo. Parar um tantinho, tirar um cochilo depois de um esforço daqueles, esticar a rede e deitar para ler um pouco. Ok, difícil no meio da semana, não é? A rede e o cochilo talvez, mas todo o resto é bem possível, sim, senhores.

Garantir uma qualidade melhor de vida exige algumas escolhas, como morar mais perto do trabalho, ter vida perto de casa (academia, escola, etc e aí evitar usar o carro), comer bem (de verdade!), procurar alternativas, praticar uma filosofia de vida condizente com os seus propósitos. Por isso, quando alguém me questiona sobre meu jeito de viver, eu respondo: eu faço comigo o que é melhor para mim. Simples assim. O bom é quando essa simplicidade favorece o questionamento no outro e o ajuda a encontrar o seu jeito de viver mais inteiro.

Entre as coisas que eu ainda não consegui é entender a falta de confiança (minha, sua, de todos nós). Mas, está aí uma coisa que eu nem sei se quero de fato. Talvez, eu deva apenas aprender a conviver com ela para não cobrar muito de mim nem de qualquer outra pessoa. Aqui vale encontrar o mesmo suspiro que precisei para suavizar essa segunda-feira cinzenta e rir. Pois, como se diz por aí, rir ainda é o melhor remédio.

Um dia, a mãe do saci pediu para ele ir ao mercado: -Durval vá ao mercado, mas vá num pé e volte no outro.O saci foi e nunca mais voltou!!!

Dois amigos se encontram depois de muito anos. - Casei, separei e já fizemos a partilha dos bens.- E as crianças?- O juiz decidiu que ficariam com aquele que mais bens recebeu.- Então ficaram com a mãe?- Não, ficaram com nosso advogado.

O condenado a morte esperava a hora da execução, quando chegou o padre: - Meu filho, vim trazer a palavra de Deus para você. - Perda de tempo, seu padre. Daqui a pouco vou falar com Ele, pessoalmente. Algum recado?

OBS: Chiste não tem nada a ver com shit, embora a idéia de bullshit seja bem apropriada... rs

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Cuidar do que importa


Tem gente que nos faz um bem danado, não é? Ficar perto delas extrai nossa porção melhor, faz a gente ver o que quer da vida, ajuda a definir até aquilo que não queremos mais. Estou falando isso porque tive uma semana bem cheia, nem tempo para escrever nesse blog querido eu consegui, mas foi uma das minhas melhores semanas desse ano, graças a essas pessoas.

Pra começar, após alguns contatos tímidos nos últimos 2 meses, eu (re)encontrei uma parte da família que eu não conhecia. Essa aproximação me fez lembrar do meu primeiro post, o Nascimento da Gema: "É assim que dá saudade, uma saudade danada das pessoas queridas que são minhas raízes, mãe, irmãos, sobrinhos (gente, são 4!) e também daquelas pessoas que não pude conhecer porque o mundão é grande e o povo se espalha. Tem, ainda, aquele galho da árvore genealógica que se perdeu, não por morte morrida, mas por morte do descuido. Essa é a pior morte: quando não faz tanta falta assim, ou, pelo menos, a gente acha que não". Não é incrível a sincronicidade do dr. Jung? Lá no fundinho do meu coração, aquele texto escrito em agosto já era um chamado para encontrar essas outras gemas.

Só isso já seria assunto pra mais de ano, mas aconteceu também uma felicidade profissional: defini claramente meus projetos, defini com quem quero seguir e como, e deixei pra lá aquilo que, de fato, eu não quero mais, não preciso, não posso porque me consome desnecessariamente. Aqui, o convívio com a absoluta preponderância de gente pra lá de bacana fortalecendo minhas escolhas.

Tem épocas em que a gente se mistura com tantas tribos que se empolga, ou se contamina, ora com isso, ora com aquilo. Fica difícil não perder tempo, "desperdiçar emoções", desviar dos propósitos (até eles ficam meio nublados, por vezes). A importância de ter gente boa perto da gente é a influência que se recebe. Mesmo, gente! Isso não é grá-grá de pai e mãe. Nem estou apenas repetindo o antigo ditado "me diga com quem tu andas e eu te direi quem és".

Ter gente boa de alma no nosso convívio é diferente de ter bons amigos. Bons amigos são fun-da-men-tais, mas, até a gente achar o bom amigo de verdade... Em contrapartida, se a boa alma (sem conotação religiosa alguma) está por perto, ela te ajuda sinceramente. Isso pode até virar uma amizade madura e proveitosa depois para ambos e durar a vida toda. Ou pode durar só o tempo que for preciso para os dois. Pode virar sociedade. Pode virar família, aquela que a gente escolhe. Interessante, percebi agora que falei das duas famílias: a sanguínea, que traz a força da vida; e a querida, que nos aquece o coração.

A semana foi intensa mesmo. E a melhor parte dela foi perceber que eu tenho uma sorte gigante por ter por perto pessoas tão especiais na família, no trabalho, os amigos, o homem que amo. Gente que me faz melhor, acrescenta, multiplica sentimento, delicadeza, gratidão. E, definitivamente, não há nada de maior importância nessa vida do que isso.

"O presente é tão grande, não nos afastemos (...)
O tempo é a minha matéria,
o tempo presente,
os homens presentes,
a vida presente."

(Drummond)

domingo, 2 de novembro de 2008

O importante é perguntar


Pois é, gente, não tem jeito: blog é intimista mesmo. Ando por aí, visitando endereços que falam de cinema, política, moda, etc, mas, no final das contas, o que cada um quer mesmo é dar sua opinião, dar voz àquilo que normalmente a gente nem fala, sei lá eu porquê. É tão bom conversar, não é?

Essa semana eu falei e ouvi um bocado, até papo pra lá de profundo como a existência de Deus rolou. Confesso que foi a prosa que mais me impressionou, dada a delicadeza do tema e a delicadeza madura de quem conversava. É bonito sentir o respeito que se dá e recebe numa hora dessas.

Que a vida é arte e engenharia a gente nem precisa falar. Peixes, flores, cabritos, terra, água, céu: "só" isso já seria suficiente para fazer ulular qualquer criatura. Para piorar um tanto mais, a gente ainda tem a humanidade. Aí, pronto! Como se não bastasse pensar e criar, a gente ainda carrega sentimentos, guarda lembranças (onde???), tem memória pra tudo (cheiro, fisionomia, tato, sabor). E sonha! Como é que é isso mesmo? A gente reproduz o que vê durante o dia ou anda por esse mundão afora vez por outra?

Tudo isso se complica e se mistura quando ninguém consegue decifrar a origem nem o objetivo dessa parafernália ambulante que somos nós. E olha que a gente tenta, viu? É cientista, filósofo, religioso, artista, arqueólogo, ateu, psicólogo, poeta, gente comum. Todo mundo atrás de uma explicação. Até criança, quando atina para o absurdo da coisa, corre pro pai e pergunta: "pai, como foi que eu nasci"?

Apesar de admirar a convicção que habita alguns corações, sempre me pergunto como é que se pode ter tanta certeza de alguma coisa sem experimentá-la de alguma forma. Parece coisa de São Tomé, eu sei, mas nem católica eu sou, portanto, deixemos o santo descansar. O fato é que eu não posso afirmar que não há vida depois dessa ou que não há vida em outro planeta se eu nunca morri, se eu nunca saí por aí!

A mente humana é capaz de pregar peças sem fim, a gente está ca-re-ca de saber. Há milhares de anos nos enganamos, exageramos, subestimamos, eliminamos, desenvolvemos só com o pensamento. Portanto, eu acho impossível que alguém tenha uma resposta definitiva sobre qualquer coisa.
Platão, Santo Agostinho, Rousseau, Marx, Nietzche, Freud: graças a eles descobrimos que não estamos sós em nossas dúvidas, mas todos morreram sem resposta. Ou, talvez, chegaram à conclusão de que a vida é uma não-resposta gigante mesmo e que isso é que a torna incrivelmente maravilhosa. Essa insaciedade não avilta, só engrandece.

Há um poeta indiano chamado Rabindranath Tagore que fala claramente de Budismo em seu poema Verdades. Ele até usa o conceito de purgatório, inferno e ceú, mas como algo vivido todos os dias, dependendo da postura de cada um.

Vivi meus três caminhos na terra
Purgatório. Inferno. Céu.
Tudo de acordo com meus projetos,
minhas atitudes,
procurando não reincidir nos mesmos erros.
Agora - vago e espero
entre ápodos e flagelos
o ressurgir da verdade.

Santo Agostinho tem histórias lindas também, que encontram ecos no coração e na alma da gente. Acredito que esteja na força da própria descoberta o segredo de tanta beleza na vida.

“Não te disperses. Concentra-te em tua intimidade. A verdade reside no homem interior”.

“Não podes ser bom amigo dos homens, se primeiro não o fores da verdade”.

“A verdade não é minha nem tua, para que possa ser tua e minha”.

"A verdadeira força consiste em ter a coragem de agir quando se tem fortes medos, dúvidas ou desejos alternativos".

"Aqueles que pretendem encontrar a alegria fora de si, facilmente encontram o vazio".

"Não saias de ti, mas volta para dentro de ti mesmo, a verdade habita no coração do homem".

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Falta muito?


Amanhã é feriado, sábado e domingo, Ano Novo
É dia de festa, de saudade, tudo de novo
Pode chover, pode gear
Cair o mundo
Pode a terra até tremer
E vai tremer

Amanhã é dia de amor
Reencontro, comemoração,
aniversário
Deixa a manhã chegar
A tarde cair, a hora derramar
O mundo todo vai silenciar
A banda vai parar
pra assistir o tempo parar

E assim, feito adolescente apaixonada,
Eu vou tentando rimas, buscando palavras
Sabendo que feliz é encontrar
sem combinar mesmo
O teu abraço de pastor
Tuas mãos de senhor
Teu peito de amor
E a tua boca de vampiro

Amanhã é dia 30 de outubro
Feriado
E estaremos fechados em nós
Esquecidos do mundo

Falta muito para chegar amanhã?

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Bailarico noturno

Pensar na vida é um risco toda vez. Eita viagem que não cansa. Numa dessas, eu elucubrei um bocado, dancei balés distraídos, me confundi. E cheguei ao seguinte debate: se fôssemos vender a vida a um objeto, a uma gota (ou pinça, borboleta, whatever) quais seriam nossos argumentos para convencer o provável comprador?

O que diríamos a respeito do nascimento, dos anos, da escola, do crescimento? Falaríamos dos pais, do avós e tios, dos irmãos, amigos, lugares, saudades? Desentendimentos? Viravoltas? Comentaríamos das possibilidades infinitas a serem construídas dia-a-dia ou do destino como um pacote fechado, adquirido com antecedência e garantido pelo acordo pré-nascimento?

Venderíamos a certeza de momentos felizes e escreveríamos as dores em letras miúdas? Ou seríamos éticos e diríamos com naturalidade para não assustar "olha, vai acontecer uma dor aqui e outra acolá, e, às vezes, fases inteiras de tristeza"? Seriam como efeitos colateriais ou defeitos de fábrica? Haveria troca? Depois de quanto tempo?

Contaríamos das cores, dos cheiros, das formas, das sensações? Com quais palavras explicaríamos um abraço? Como diríamos o que é ser cuidado, que cuidar a gente vai aprender hora menos hora, que febres chegarão, solidão também, paciência, viço, TPM? Plagiriaríamos Sartre ao dizer que "somos todos frágeis, que o sol formiga nas folhas das castanheiras, que a chuva de sol desce pela fronte, que ler na rede é felicidade"?

Facilitaríamos a escolha entre os sexos, explicando as vantagens de um e de outro? Haveria um sexo mais caro do que outro? Faríamos desconto por algum motivo? Qual motivo? Parcelaríamos? E se houvesse inadimplência? Ou a vida não teria preço, teria, sim, uma taxa eterna e diária a ser paga? Teria garantia?

Poderíamos responder qual o principal sentido que nos inspira todos os dias a levantar e repetir os hábitos, os pensamentos, ações? E a nossa intenção em tudo isso? Saberíamos dizer o que esperamos dos anos que passam, dos relacionamentos, da educação, da polidez, do banho, da chuva? Por que ir à praia?

E, por fim, se nada convencesse o nosso ouvinte, que cartada final usaríamos? Que principal argumento ofereceríamos como irrefutável? Nossas próprias motivações?

Há uma música linda do Luís Ramalho, que se chama Foi Deus que fez você. Embora eu não acredite que a criação tenha acontecido assim, a letra resume docemente a razão da vida. Está lá embaixo, no último trechinho:

"Foi Deus que fez o céu, o rancho das estrelas
Fez também o seresteiro para conversar com elas
Fez a lua que prateia minha estrada de sorrisos
E a serpente que expulsou mais de um milhão do paraíso
Foi Deus quem fez você
Foi Deus que fez o amor
Fez nascer a eternidade num momento de carinho
Fez até o anonimato dos afetos escondidos
E a saudade dos amores que já foram destruídos
Foi Deus
Foi Deus que fez o vento

Que sopra os teus cabelos
Foi Deus quem fez o orvalho
Que molha o teu olhar, teu olhar
Foi Deus que fez as noites
E o violão plangente
Foi Deus que fez a gente
Somente para amar, só para amar."

sábado, 25 de outubro de 2008

Esses moços


Hoje, uma amiga me contava quão triste ela estava por causa do namorado. Entrou em detalhes da história deles, mas, basicamente, me dizia que o problema era ele, que ele isso e aquilo. Difícil ter o que dizer numa horas dessas porque a pessoa está lá, fragilizada, querendo só ouvir que tudo vai dar certo. E ainda tem que ser um "tudo vai dar certo" com conteúdo, embasado na vontade genuína de ajudar, senão, não rola, ao invés de ajudar, a gente piora.

Minha maior dificuldade em momentos como esse é que eu realmente acredito que cada história seja única, que verdades são individuais e empíricas, como escrevi outro dia. Por isso, tomo todo o cuidado do mundo antes de "aconselhar" alguma coisa baseada em experiência minha. Prefiro ouvir mesmo e, se possível, fazer com que a pessoa se ouça e, por si só, perceba e melhore.

Entretanto, essa nossa conversa me fez pensar a respeito do universo masculino e suas relações conosco, mulheres. Aí, sem pretender ditar lei alguma, resolvi dividir com vocês as poucas verdades que conheço sobre o assunto, algumas presenciadas, outras observadas e, a maioria, vividas com os meus 50% que todo relacinamento exige.

Vou seguir por tópicos para ficar mais fácil de identificá-las, mas não há ordem de importância: fui lembrando e escrevendo. Se algum espécime do sexo masculino se sentir no dever de refutá-las, fique à vontade, apenas tenha em mente que não tenho intenção de catequizar criatura alguma e que, portanto, não precisa tentar me convencer de nada também. No final das contas, seremos sempre amantes um do outro apesar e, principalmente, por causa de todas as nossas diferenças.

1. com raríssimas exceções, homens amadurecem mais tarde do que as mulheres mesmo. Às vezes, 40, 50 anos mais tarde;

2. homens só conseguem ser amigo de mulher se ela não for atraente. E dizer "mas fulana tem um rosto lindo e eu sou só amigo dela" não vale. "Rosto lindo" quer dizer "mas, é obesa", e, claro, aí não rola mesmo;

3. assim como nós mulheres, homens são inseguros vez por outra. Respeitemos, sem pirraça, sem tripudiar;

4. homens lavam a louça no começo, arrumam a cama para fazer um charme. Depois de um tempo, a conta acaba sendo nossa, a menos que a gente reeduque de verdade. Sabe como é, mãe acostuma mal os filhos, são as primeiras a torná-los preguiçosos;

5. e por falar em mãe, os melhores homens são aqueles que nossas mães adoram. Quando a mãe não for com a cara do dito cujo é melhor reparar com calma: mãe tem olho clínico e sabe quando a coisa não dará certo. Isso não quer dizer que o sujeito seja malvado, só que vocês juntos não serão bons um para o outro;

6. seduza seu homem sempre, enquanto o amar e enquanto o quiser, não só no começo da relação. Porque senão, um dia, ele vai esquecer que você é sedutora, e você também esquecerá;

7. homem enlouquece com mulher que tem vida própria. Os mais infantis chamam isso de ciúme e agem possessivamente. Os mais maduros se encantam e tratam de ficar mais perto para fazer parte daquela vida;

8. testosterona é hormônio predominantemente masculino, nunca duvide. Portanto, cultive muito a sua própria libido;

9. homem, quando está interessado, procura. Essa história de achar que ele perdeu seu telefone e que, por isso, não te ligou, é pura tolice. Não perca seu tempo confabulando desculpas;

10. aliás, exercendo meu lado sexista, eu tenho que dizer: homens são caçadores, mesmo, mesmo. Caçar os mantém excitados, alertas, produtivos. Meninas, dêem um tantinho de trabalho (no bom sentido);

11. celulite é encanação feminina. Desde que não seja de nível 3 (ai!), os homens não dão nem 10% da importância que a gente dá;

12. vale aqui o ditado (meio chulo, mas verdadeiro): homem adora mulher que é uma dama na rua e uma... "libertina" na cama;

13. homem chora. E, quando confia, chora na sua frente;

14. bobagem dizer que homem só respeita quem se respeita. Todo mundo só respeita quem se respeita;

15. eles podem ser mais práticos, mas também têm bom gosto e reparam na nossa delicadeza e dedicação, NUNCA esqueçam disso;

16. nenhum homem, aliás, ninguém é responsável pela nossa felicidade e bem-estar;

17. os homens não são todos iguais! A gente é que atrai os mesmos relacionamentos até decidir não querer mais;

18. tem muito ainda, mas, vou parando por aqui com mais uma coisinha: se você quer que seu namorado, marido ou ficante mude... talvez, quem deve mudar é você.

Canta Vinícius:

"E se mais do que minha namorada
Você quer ser minha amada
Minha amada, mas amada pra valer
Aquela amada pelo amor predestinada
Sem a qual a vida é nada
Sem a qual se quer morrer
Você tem que vir comigo
Em meu caminho
E talvez o meu caminho
Seja triste pra você
Os seus olhos tem que ser só dos meus olhos
E os seus braços o meu ninho
No silêncio de depois
E você tem de ser a estrela derradeira
Minha amiga e companheira
No infinito de nós dois"