terça-feira, 1 de maio de 2012

O divino em nós


Outro dia, vi no Facebook de uma amiga que retornava de uma viagem: "voltando, que Deus nos proteja". E, hoje, partindo em férias, no meio da estrada, pensei: "que seja tranquila e segura nossa viagem e que voltemos em paz". Minha amiga, claramente católica, guardava no coração o mesmo desejo que eu, budista tarja-preta: paz, segurança, proteção.

Daí a eu fazer uma viagem interna foi um pulo: fui ao passado distante, a outro nem tanto, ao dia de ontem e ao amanhã. Pra mim, segurança e proteção sempre foram palavras que estiveram ligadas a manutenção do status quo. Ou seja, nada de mudanças! Por isso tentei me segurar mais do que pude, me agarrei com unhas e dentes à algumas situações, sofri só em pensar nas prováveis perdas.

Fui uma aos 20, outra aos 30. Aprendi a mudar com muita dor, mas sobrevivi para entender que a mudança é o tom da vida. Hoje mudo e quero continuar mudando. Mudando o pensar, o agir, o sentir. Mudar é expandir, crescer, enxergar de outro jeito! Agora tenho medo de quem não muda, ou não quer mudar. Não mudar é apodrecer, virar lodo. Morrer.

Acredito que uma essência em mim permaneça, e é bom que ela não mude: sou eu na origem. Disso concluo que mudar é, na verdade, descascar, tirar de mim as capas de medo, preconceito e desconfiança que vesti para... sobreviver?

E pensando mais um pouco, entendi que a gente só se apega muito "ao que tem" apenas quando duvida do que é. Faz sentido, então, eu gostar de mudar somente há pouco tempo: foi há muito pouco tempo que comecei a confiar no que sou.

Voltando à minha amiga e aos nossos desejos de proteção, a lição que tiro daqui é que, por mais que eu acredite convictamente que sou, sim, a única responsável pela minha vida, tem uma hora que a gente se entrega mais do que ao divino que há em nós, mas ao universo que desconhecemos. Nessa entrega, nesse gesto de confiança no que ainda não compreendemos, tem, também, muito da confiança em nós mesmos. E e aí eu fecho meu círculo: confiança é a palavra que semeia felicidade, união, gratidão. E eu só consigo confiar fora de mim se confio dentro. Porque na vida, na vida não existe nada que não comece nem termine comigo. Mas, o mais bonito é que, apesar disso, só posso ser completa com o outro, nunca sozinha ;-)

terça-feira, 6 de março de 2012

E assim a vida sorri


Se tem uma coisa que eu faço com primazia é observar. E eu observo tudo: pessoas, coisas, relacionamentos, atitudes, resultados. É por isso que é tão difícil eu me enganar (mesmo que alguns achem que me enganam): eu olho mesmo, e com profundidade. Para os mais "astrológicos", essa falta de pressa no olhar é minha lua em Escorpião: quase nada me foge, mesmo quando eu própria gostaria de fugir ou disfarçar.

Por isso, minhas amizades (aquelas de convívio mesmo, as sérias) são poucas, verdadeiras e longas, capazes de suportar minhas sinceras intervenções e minha maneira auto-responsável de viver a vida. Não gosto de coitados nem de vítimas: a vida não é feita por ninguém além de nós mesmos, portanto, somos os únicos responsáveis.

Também não sou uma pessoas de luxos vazios: não há bolsa "de marca" que valha mais do que um bom jantar com amigos, nem um carro suficientemente mais importante do que uma boa viagem. Sim!, sou sensorial, mas não se engane: sou taurina, adoro conforto e segurança. Meu conceito de morar bem é uma ótima localização, mas sem sossego e área verde não funciona pra mim.

Adoro meu Givenchy, mas sou do cheiro verde mais do que da química adocicada. Prefiro uma boa gargalhada a um trejeito copiado da TV. Gosto de simplicidade, sou avessa a vaidade do ego: aparências não me conquistam, o que me seduz é a verdade.

Confio incondicionalmente em poucos, mas amo muitos com muita ternura, até mesmo quem não conheço. Me emociono fácil, mas perdurar em meu coração é raro. Sou de poucas palavras, mas quando elas chegam são encaixadas e me expressam perfeitamente. Afinal, eu sou feita de sinônimos, adjetivos e perguntas!

Não digo tudo o que penso, nem posso, porque sou certeira, mas nem sempre benevolente: acredito demais no potencial de cada um e não suporto ver desperdício humano. Somos um povo mal educado e preguiçoso, quem aceita isso? Mas tenho um coração cheio de esperança e confiança e tenho visões belíssimas sobre o futuro em pleno trânsito: sou mulher e entendo mesmo sem compreender.

Tenho TPM e não me aguento! Fico brava com lixo na rua e choro com criança abandonada. Político, tenho raiva, injustamente (?) de todos. Mães, não entendo, mas admiro demais. Um homem é meu refúgio e meu porto: sem ele, eu seria apenas um potencial latente; com ele, sou pura energia.

E assim eu vou seguindo: definindo lentamente, encaixando, encontrando algumas respostas. Mas, sobretudo, vou mudando: essa é a essência da vida. Se antes mudar me trazia pavor, hoje me traz alívio e alegria. Que bom que a vida muda :-)