domingo, 21 de dezembro de 2008

Nossos homens queridos

Alguns conceitos estão tão arraigados na nossa maneira de viver que nem nos damos conta das mudanças que vão lentamente tomando espaço na nossa cultura. Interessante que, quando a TV ou as revistas comentam as transformações comportamentais, a gente acha interessante, concorda até, mas, demora para identificá-las na própria vida. Essa ficha me caiu recentemente, esses dias.

Amplamente se fala da mulher independente, autora, mantenedora, que vem conquistando espaços cada vez maiores no mercado de trabalho e na condução do país. Na via paralela, os Fantásticos da vida comentam sobre o novo homem, mais participativo na educação dos filhos, presente nas tarefas de casa, etc. Mas, quantas de nós já reconheceu esse comportamento dentro de casa ou entre os amigos? Eu mesma escrevi outro dia neste blog sobre isso, considerando que as coisas permaneciam como no tempo da vovó.

O engraçado é que eu, particularmente, tenho a maior sorte em relações aos homens da minha vida (namorado, irmãos, primos e tios): todos, sem exceção, são grandes pais, cuidadores, participativos. E, mesmo assim, reconhecendo os perfis isolados, nunca tinha entendido que esses são os novos homens, os homens melhores (me perdoem os mais machistas e menos inteirados quanto à vida doméstica).

Eu não sei se todas as mulheres da minha família tem tanta consciência da sorte que possuem, mas é importante que tenham e que alimentem esses homens com todo o amor que as relações de troca precisam. Outro dia, comentei rapidamente sobre o Murilo Rosa e sua entrevista no programa da Marília Gabriela. Escrevi quão fofo ele é por ser tão amante da mulher e tão atencioso com ela e o filho.

A delícia é que esses murilos existem bem pertinho da gente, mulherada, por favor... alimentem! Às vezes, por acreditar que o nosso murilo tem obrigação de fazer isso ou aquilo, a gente esquece de apreciar a evolução. O que eu percebo em algumas mulheres é o medo de parecer amélia, sentir-se submissa por servir um copo d'água, fazer um agrado, servir o prato durante uma refeição. O triste é que a gente faz isso para uma visita, mas, não faz para o homem que ama. Talvez, seja medo de regredir a um tempo em que o homem mandava. Eu só acho que a gente precisa de um tanto de atenção para que tanta preocupação não descambe para o egoísmo e frieza.

Até mesmo Simone de Beauvoir, feminista de carteirinha, escritora determinada na discussão de propostas de mudanças radicais, e dona de frases como "é pelo trabalho que a mulher vem diminuindo a distância que a separava do homem, somente o trabalho poderá garantir-lhe uma independência concreta", foi companheira de vida toda de Sartre, e escreveu também: "todas as vitórias ocultam uma abdicação" e "renunciar ao amor parecia-me tão insensato como desinteressarmo-nos da saúde porque acreditamos na eternidade".

Da onde eu concluo (daqui e de muitas outras experiências) que o amor e a dedicação são e sempre serão as coisas mais importantes da vida. Nenhuma bandeira de orgulho ou sutiã queimado em praça jamais será maior do que o carinho entre homem e mulher. Não quero dizer que a mulher precise voltar a ser dona de casa, nem nada. Aliás, a verdadeira independência não condiz com frieza ou distância, só torna maior o desafio dos limites.

Não tem coisa mais linda do que ver homens tão bem sucedidos no trabalho e tão afetuosos com seus filhos e tão generosos com suas mulheres. Esses homens aprenderam melhor e mais rápido do que nós, mulheres, a equilibrar suas prioridades e ceder em suas conquistas.

"Onde o amor impera, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro", já dizia meu querido Jung.

2 comentários:

carmen disse...

Cacinha, quero entrar para essa família!
bjão, saudade.

marcelo barabani disse...

boa essa do jung... bom natal e bons homens!