domingo, 2 de novembro de 2008

O importante é perguntar


Pois é, gente, não tem jeito: blog é intimista mesmo. Ando por aí, visitando endereços que falam de cinema, política, moda, etc, mas, no final das contas, o que cada um quer mesmo é dar sua opinião, dar voz àquilo que normalmente a gente nem fala, sei lá eu porquê. É tão bom conversar, não é?

Essa semana eu falei e ouvi um bocado, até papo pra lá de profundo como a existência de Deus rolou. Confesso que foi a prosa que mais me impressionou, dada a delicadeza do tema e a delicadeza madura de quem conversava. É bonito sentir o respeito que se dá e recebe numa hora dessas.

Que a vida é arte e engenharia a gente nem precisa falar. Peixes, flores, cabritos, terra, água, céu: "só" isso já seria suficiente para fazer ulular qualquer criatura. Para piorar um tanto mais, a gente ainda tem a humanidade. Aí, pronto! Como se não bastasse pensar e criar, a gente ainda carrega sentimentos, guarda lembranças (onde???), tem memória pra tudo (cheiro, fisionomia, tato, sabor). E sonha! Como é que é isso mesmo? A gente reproduz o que vê durante o dia ou anda por esse mundão afora vez por outra?

Tudo isso se complica e se mistura quando ninguém consegue decifrar a origem nem o objetivo dessa parafernália ambulante que somos nós. E olha que a gente tenta, viu? É cientista, filósofo, religioso, artista, arqueólogo, ateu, psicólogo, poeta, gente comum. Todo mundo atrás de uma explicação. Até criança, quando atina para o absurdo da coisa, corre pro pai e pergunta: "pai, como foi que eu nasci"?

Apesar de admirar a convicção que habita alguns corações, sempre me pergunto como é que se pode ter tanta certeza de alguma coisa sem experimentá-la de alguma forma. Parece coisa de São Tomé, eu sei, mas nem católica eu sou, portanto, deixemos o santo descansar. O fato é que eu não posso afirmar que não há vida depois dessa ou que não há vida em outro planeta se eu nunca morri, se eu nunca saí por aí!

A mente humana é capaz de pregar peças sem fim, a gente está ca-re-ca de saber. Há milhares de anos nos enganamos, exageramos, subestimamos, eliminamos, desenvolvemos só com o pensamento. Portanto, eu acho impossível que alguém tenha uma resposta definitiva sobre qualquer coisa.
Platão, Santo Agostinho, Rousseau, Marx, Nietzche, Freud: graças a eles descobrimos que não estamos sós em nossas dúvidas, mas todos morreram sem resposta. Ou, talvez, chegaram à conclusão de que a vida é uma não-resposta gigante mesmo e que isso é que a torna incrivelmente maravilhosa. Essa insaciedade não avilta, só engrandece.

Há um poeta indiano chamado Rabindranath Tagore que fala claramente de Budismo em seu poema Verdades. Ele até usa o conceito de purgatório, inferno e ceú, mas como algo vivido todos os dias, dependendo da postura de cada um.

Vivi meus três caminhos na terra
Purgatório. Inferno. Céu.
Tudo de acordo com meus projetos,
minhas atitudes,
procurando não reincidir nos mesmos erros.
Agora - vago e espero
entre ápodos e flagelos
o ressurgir da verdade.

Santo Agostinho tem histórias lindas também, que encontram ecos no coração e na alma da gente. Acredito que esteja na força da própria descoberta o segredo de tanta beleza na vida.

“Não te disperses. Concentra-te em tua intimidade. A verdade reside no homem interior”.

“Não podes ser bom amigo dos homens, se primeiro não o fores da verdade”.

“A verdade não é minha nem tua, para que possa ser tua e minha”.

"A verdadeira força consiste em ter a coragem de agir quando se tem fortes medos, dúvidas ou desejos alternativos".

"Aqueles que pretendem encontrar a alegria fora de si, facilmente encontram o vazio".

"Não saias de ti, mas volta para dentro de ti mesmo, a verdade habita no coração do homem".

2 comentários:

Fabricio disse...

Belo texto, Amarelinha!!! :-)))

Bjo, boa semana e até quarta!

Nanci disse...

Com certeza!

O importante é fazer de cada experiência de nossa vida uma semente no nosso coração...

Um beijo e parabéns!

PS: Achei seu blog nos links do blog do Fabricio...