domingo, 7 de dezembro de 2008

Day by day, through the years


Já faz um tempo que eu venho pensando sobre alguns chavões que se repetem a respeito do amor. Algumas frases vem se somando, e engraçado como a gente atrai aquilo que pensa mesmo, e aí pensa mais, atrai mais e vai se formando aquele círculo até que se ponha pra fora, pra romper e pensar em outra coisa.

Pois bem, cresci ouvindo "o amor é cego" e "quem ama o feio bonito lhe parece". Outro dia, numa chamada do Brothers & Sisters, uma frase de efeito: quem você ama pode ser quem você menos conhece.

Sinceramente, eu não acredito em nada disso. Não acho que o amor seja cego, nem que a gente distorce quem o outro é por conta de amar. Só é possível amar de verdade se a gente conhece, senão não é amor, é paixonite, ou, pior: dependência da grossa. É impossível que eu e o outro nos enganemos sem dar pista alguma de quem realmente somos ou queremos (por enganar eu quero dizer dourar a pílula, mostrar ser uma coisa que não é, enfeitar, e não trair ou maquinar maldosamente).

Sabe aquelas pessoas que passam anos vivendo mais ou menos e aí descobrem, "de repente", quem o outro é e passa a odiá-lo com fervor, feito doença mesmo? Eu não entendo, não compactuo com a figura de vítima que esse tipo adota. Nenhum relacionamento é 90 um e 10 o outro. Numa relação, qualquer que seja ela (mãe/filho, marido/mulher, amigo/amigo), cada um tem 50% de participação, mesmo quando parece passiva, receptiva apenas.
Portanto, eu não acredito que alguém ame quem lhe faça mal, quem lhe piore, quem lhe atrase. Há que se estar na mesma frequência para atrair o outro. Se o objeto de "amor" é motivo de infelicidade, das duas uma: ou é masoquismo ou aprendizado. Se for masoquismo, sempre haverá um sádico de plantão para completar. Mas, se for aprendizado, é bom tratar de aprender logo para viver a vida com tudo o que ela tem de melhor. Algumas vezes, o aprendizado traz rompimentos quando apenas um decide e age para mudar. Lembram da tal frequência? Pois é. Mas, se isso acontecer, não é melhor do que viver feito prisioneiro?


A vida é tão curta, tão curta. Merece ser vivida com o coração feliz, com o peito mais sossegado, com abraço na hora de dormir, com beijo de bom dia. Parece tão simples, mas a maioria vive sem. Imagino o quanto seríamos capazes de doar ao mundo se vivêssemos em paz nas nossas casas. Com a cabeça tranquila, com certeza olharíamos todas as pessoas com mais ternura e tolerância. Por isso esse mundo anda tão desorientado, violento. O povo anda infeliz, não é?


Eu desejo, mesmo, de todo coração, que, antes mesmo de 2009 chegar, e depois e sempre, tratemos de olhar primeiro para dentro para conhecer quem somos, e aí para o outro para enxergar se há amor para amá-lo como ele é e para viver a vida juntos. Day by day, through the years, como canta nosso Lenny Kravitz. Felicidade só existe se for (bem) compartilhada.


"Eis que uma vez, num dia mágico,
o encontrei
e ao conversarmos lhe falei sobre os reis
sobre as leis e a dor
e ele ensinou: nada é maior que dar amor
e receber de volta amor."


(Eden Ahbez, na versão do Caetano)

2 comentários:

Deborah e Rodrigo disse...

Sábia Acácia,
adoro seus textos!
Obrigada pela visitinha no meu novo blog! hehehe
bjks

Maurício de Souza disse...

Incrivel Acácia, como você vai diretamente ao ponto... intensa e provocadora...