quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Abraçar o mundo começa pelas próprias pernas


Uma das grandes maravilhas de fazer aniversário é que, a cada ano, a gente melhora. Verdade. Tem um coisa que acalma no peito, mesmo na mais deliciosa euforia ou quando o sofrimento chega. Acho que Shakespeare, ao dizer "isso também passará", queria justamente falar sobre viver o presente, porque tudo passa, sim, não porque as coisas acabem, mas, e principalmente, porque elas acontecem.

Essa garantia de viver, dia após dia, hora a hora, construindo, renovando, lapidando mesmo, é um prazer que não se experimenta na ansiedade de quem vive fora do momento presente. Sabe aquela história de uma coisa de cada vez? Pois é, funciona.

Eu tenho reparado que sempre que eu me dedico "concentradamente" a cada pedaço do meu tempo, além da coisa fluir bem e de maneira objetiva, eu produzo mais e melhor. Por pedaço de tempo quero dizer tudo o que eu preciso e quero fazer: orar, trabalhar, namorar, conversar com as pessoas, dormir.

Parece que eu começo a entender o que é dedicação e que dedicação não tem nada de trabalhoso. Trabalho é para coisas que a gente "tem" que fazer, não para o que se gosta de fazer. E, mais uma vez, fazer aniversário traz bem a noção da diferença entre uma coisa e outra. Fica mais gostoso viver assim.

Encontrei com a minha vizinha hoje quando ela voltava do super-mercado. A dona Doroty está sempre fazendo alguma coisa, coisa incrível. Pois bem, eu jurava que ela tinha 65, 66 anos. Quase caí de costas quando ela me disse que tem 80! 80! Tão ou mais lúcida do que eu, bem disposta sempre, cuida do marido, um senhor de 84. Hoje ela me contava que ele havia desistido muito da vida depois que se aposentou. Achei triste porque ela é uma mulher viva demais. Aí eu fiquei pensando que se ele se dedicasse a algo que não fosse a sua própria misère ele ainda estaria vivo também.

Da onde eu concluo, agora, nesse instante, que talvez exista uma linha tênue entre o melhorar com o tempo e entregar-se a ele. E que, quem sabe, nós que buscamos tanto, questionamos tanto, vamos, afinal, quase sem perceber, conquistando nosso maior presente nessa vida: a plenitude.

Tá, ainda falta um bocado para eu chegar lá, mas, sabe?, tá bom demais esse meu caminho.

"... eu me perdi de noite
sem luz sob tuas pálpebras
e quando me envolveu a claridade
nasci de novo,
dono de minha própria treva."

(Neruda)

4 comentários:

marcelo barabani disse...

parabens criatura, nao abri a agenda esses dias, corrido... bjs e td de bom!

Luca de Melo disse...

sofia falando:

oi, tia, onde você consegue essas fotos tão bonitas para o seu blog? to com saudades, você vem pra cá no sábado? beijo. sofia

Maurício de Souza disse...

Oi Acácia
Muito bom esse post. Se vê sua atenção em observar a vida... e nos trás boas idéias para refletir....

existologopenso disse...

Oi moça!

Muito bom seu post! E é verdade, é bom achar exemplos de vida como esse da Dna Doroty!

Tenha um excelente fim de semana!

Beijos!