domingo, 28 de dezembro de 2008

A Cesar o que é de Cesar


Era uma vez um homem que plantava espinhos. Um dia, olhando a plantação do vizinho, ele percebeu que seu vizinho colhia flores e revoltou-se, pois ele só colhia os espinhos que plantava. Viveu anos revoltando-se por isso, e continuava colhendo espinhos, sem entender porquê.

Certa manhã, esse homem, pela primeira vez, sentiu vontade de colher flores também. Entretanto, ainda cultivando espinhos, só espinhos conseguia colher. Ele não conseguia enxergar que para ver crescer flores em suas terras era necessário arrancar os espinhos e, em seu lugar, plantar as sementes da flor que ele queria ver desabrochar. Sempre aparecia alguém tentando fazê-lo entender essa lógica, mas o homem era um pouco cego e surdo e só via e ouvia o que lhe fosse conveniente.

Assim, esse homem foi vivendo, ora sangrando os dedos com os espinhos que cultivava, ora sangrando outrem com eles, até que foi ficando cansado e todos ao seu redor também.

Ainda não se sabe o final dessa história, mas todo mundo torce para que o tal homem comece a plantar uma planta mesmo, que dê frutos e flores, e comece a viver feliz, usufruindo de suco e cor em suas terras, atraindo borboletas e pássaros ao seu redor.

"Como é que faz pra lavar a roupa?
Vai na fonte, vai na fonte
Como é que faz pra raiar o dia?
No horizonte, no horizonte

Este lugar é uma maravilha
Mas como é que faz pra sair da ilha?
Pela ponte, pela ponte
A ponte não é de concreto, não é de ferro
Não é de cimento

A ponte é até onde vai o meu pensamento
A ponte não é para ir nem pra voltar
A ponte é somente pra atravessar
Caminhar sobre as águas desse momento

A ponte nem tem que sair do lugar
Aponte pra onde quiser
A ponte é o abraço do braço do mar
Com a mão da maré
A ponte não é para ir nem pra voltar
A ponte é somente pra atravessar
Caminhar sobre as águas desse momento"


(Lenine)

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