quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Estica e puxa


Notícia do Globo.com: O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobrevoou nesta quarta-feira as regiões mais atingidas pelas chuvas em Santa Catarina, onde já morreram 97 pessoas, e não 99 conforme a Defesa Civil local informara anteriormente, e destinou cerca de R$ 2 bilhões para ajudar as vítimas e a reconstrução do estado e outras regiões do país atingidas por secas e enxurradas.

Triste a situação, desesperadora. Noventa e sete mortos, cidade inundada, corações desolados. Desesperançados. Impossível imaginar o que aquele povo esteja sentindo. Duvido que qualquer pessoa que olhe nos olhos dos moradores de lá consiga ficar imune àquela dor.

Mas, eu acho que, apesar de tudo, a gente deve e precisa tirar uma lição daqui. Desde 1983, quando uma inundação deixou 49 mortos e quase 200.000 desabrigados, os estudiosos alertam sobre a ocupação irresponsável das planícies, o desmatamento e diversos outros fatores geoambientais. O que foi feito desde então? A região continuou sendo ocupada desordenadamente, ignorando o solo "podre" (quando a água infiltra, satura e desliza).

O governo local tem responsabilidade sobre a tragédia? Sem dúvida. Faltou fiscalização, planejamento, orientação. Concordo que a atuação política poderia ter evitado boa parte do problema. Só que eu não posso deixar de pensar que cada pessoa, cada morador de Santa Catarina seja igualmente responsável pela situação na qual se encontra.

A gente vive fazendo isso na vida: enxerga o erro, insiste nele e depois lamenta quando o resultado (previsto) acontece. Sinceramente, eu não sei porque. Nem posso caminhar pelo discurso cultural (brasileiro é assim mesmo), já que semelhantes tragédias percorrem o mundo inteiro. Aliás, a Terra parece uma bolha prestes a estourar e, mesmo sabendo disso, continuamos agindo como se nada estivesse acontecendo.

Reparem que o homem não separa seu comportamento pessoal da vida social que leva. Enquanto forçamos nossos limites domésticos para ver até onde a nossa insatisfação nos trará total desencanto, vamos irrompendo, sem pudor algum, o coração do mundo com igual desleixo. Afinal, pensamos, nós, o futuro não chega. Nunca. Esquecemos, entretanto, que as consequências sim, a cada minuto. Eu que o diga. Mas, eu estou acordando :) e, gente, se até eu posso melhorar, vamos combinar, qualquer um pode. Wake up, little Susie, wake up.

"Não basta abrir a janela para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há ideias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela."

(Alberto Caeiro)


Um comentário:

sílvia disse...

é... então... dizer o que, né?
bjs