domingo, 16 de novembro de 2008

Amor-próprio ou recompensa?


Há uns bons anos, eu disse a alguém que eu me presenteava sempre (toda semana) porque eu merecia. Afinal, eram tantas as obrigações, tantos os compromissos que era justo que eu comprasse alguns mimos para mim mesma.

Na época, essa pessoa questionou a minha justificativa argumentando irritantemente (pelo menos, foi o que eu senti no então). De lá para cá, eu andei observando muito as motivações que norteavam meu consumo, e achei triste quando, ainda ontem, uma amiga comentava de uma conhecida comum e seu desequilíbrio na shopping-terapia.

Imediatamente, eu me peguei pensando na diferença entre cuidar de si e tentar recompensar-se por todas as agruras a que a gente mesmo se impõe (por medo, preguiça, e mil outras razões). Esses conceitos são puramente devaneios da minha cabeça, mas acho que vale a pena parar um tiquinho para tentar encontrar alguma verdade nessa história.

Para mim, cuidar de si tem a ver com tratar da saúde (toda: física, mental, espiritual), cultivar o amor e as amizades, afastar-se do que não é digno, prevenir-se de canais que entopem o futuro (principalmente aquilo que não funciona mais).

O que acontece, muitas vezes, é que a gente se confunde e sai consumindo exageradamente, quase obrigando-se a necessidades que vêem não sei da onde, como se isso fosse acariciar nossa mais profunda carência. Mulher é campeã nisso, basta uma tristezinha e é um tal de "preciso de um sapato, uma bolsa, outra calça preta" (a 15ª). Uma visitinha ao shopping é um verdadeiro tapa-buraco, pena que dura pouco.

Às vezes, a gente repete esse vício também para aliviar uma culpa. Quem é que nunca comprou uma "coisinha" só para aliviar a falta que fizemos numa data importante, ou para alegrar alguém (como se o nosso ombro não fosse suficiente), ou, ainda, para disfarçar uma "mancada"? Pais são campeões nisso, casais também. O resultado é péssimo porque, se male-male a gente se engana, que dirá enganar o próximo.

Não sei se eu exagero. Pode ser. A verdade é que eu adoro presentes (de mim para mim, de mim para os outros, dos outros para mim), mas duvido de tudo que parece "demais", e acho que too much of a thing is good for nothing. Como qualquer outro trabalho, prestar atenção a si mesmo, o tempo todo, cansa naqueles dias mais preguiçosos. Entretanto, esse é o tipo de esforço que vale a pena, pois, como já dizia Platão, "não espere por uma crise para descobrir o que é importante em sua vida".

Um comentário:

marcela fortes disse...

"A verdade é que eu adoro presentes (de mim para mim, de mim para os outros, dos outros para mim), "

ja para mim essa frase é exata e bem precisa!!! adorooooooooooo tbm hehehehehe..