sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Que príncipe que nada

Eu me lembro da primeira vez que percebi o sentimento, o mais diferente de todos, que me fez despertar para a adolescência. Eu tinha 11, 12 anos e gostava de um menino da minha classe, da mesma idade, super-bonitinho. O engraçado é que eu falava com todo mundo, mas morria de vergonha dele e ficava muda quando o guri aparecia. Ô tempo bom... rs

Naquela época, a gente até falava de namorado, amor, beijo, mas tudo era só "uma coisinha de nada", quase uma brincadeira, embora a meninada já sofresse, e escrevia no diário, fazia hora na porta da escola.

Lembro do primeiro beijo, tão estranha a descoberta, mal sabia eu que aquilo seria o fim da tranquilidade dos meus patins. Não sei se eu achava que aquele menino seria o meu príncipe, meu namorado e tudo mais. Mas, de lá para cá, a memória me é bem clara e o príncipe nunca me apeteceu. Para falar a verdade, se eu fosse a Branca de Neve, namoraria mesmo era o guarda que lhe poupou a vida no meio da floresta... já começou o "relacionamento" com uma bela prova de não-egoísmo, arriscando-se a ser morto pela rainha invejosa (há versões da estória que conta que não foi o beijo do príncipe que salvou a princesa e, sim, o tropeção de um dos anões que carregava o caixão de cristal. Quer dizer, príncipe só na "vestimenta" mesmo, né?).

Acho que foi por isso que sempre me apaixonei por homens inteligentes, daqueles que sabem tudo, conhecem o mundo, sabem do que é feita a rebiboca da parafuseta e a composição química do ácido sulfúrico. Beleza por beleza foi, e ainda me é, inútil: o que me inspira é o conjunto da obra.

Assim como aos 11, hoje eu ainda me sinto muito ingênua para falar de amor. Taí um sentimento que desconcerta, faz a gente rever um quinhão de conceitos, duvidar da razão. Mas, se tem uma coisa que eu aprendi recentemente, é que o amor precisa ser real para ser e se manter forte. Precisa ser cotidiano, entregue, participativo. Precisa ser presente, sim, na dor e na alegria, na noite e no dia, na brincadeira da praça e na delícia do quarto. Para amar é preciso disposição, inclusão, mas, sobretudo, para amar é preciso ter amor no coração.

Amor é vida
É ter constantemente
Alma, sentidos, coração — abertos
Ao grande, ao belo

É ser capaz d'extremos
D'altas virtudes
Compr'ender o infinito, a imensidade
E a natureza e Deus

Gostar dos campos, das aves, flores, murmúrios solitários
Buscar tristeza, o ermo
E ter o coração em riso e festa
E à branda festa, ao riso da nossa alma

Fontes de pranto intercalar sem custo
Conhecer o prazer e a desventura
No mesmo tempo, e ser no mesmo ponto,
O ditoso, o misérrimo dos entes: Isso é amor, e desse amor se morre!

(Gonçalves Dias)

2 comentários:

marcelo barabani disse...

Beleza por beleza foi, e ainda me é, inútil: o que me inspira é o conjunto da obra.
O QQQQQQQQQQQQQ????????????????? e o rodrigo, vulgo deus grego, hshshs...
Silvia, me ajuda aqui, bjs meninas...

Luca disse...

participativo, moça, essa é a palavra.
estamos te esperando para o churrasco. bjs