quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Um dia depois do outro


Uma amiga querida me escreveu hoje que estava decepcionada com 2010. Ela havia plantado grandes própositos em 2009 e, por não vê-los realizados, frustou seu coração. Disse que não havia sentido o "click", que se sentia amuada, sem graça. Eu respondi a ela que tivesse paciência consigo mesma, que a vida não tem prazo de validade e que na sinceridade sempre tem espaço para a confiança. Que ela confiasse, portante. Disse a ela também que a gente põe expectativa demais nesse tal click e nem espera o destino vingar com tudo aquilo que tem de melhor a ser cumprido.

Foi a segunda vez que ouvi essa história de "click" e, outra vez, me pus a pensar sobre a vida e sobre quão angustiados somos capazes de ser: queremos a paisagem no tempo que desenhamos, e nos entristecemos e questionamos, choramos, esquecemos, nos abandonamos quando o relógio diz "ainda não". Nos sentimos feridos, não sentimos piedade nem paciência. Somos cruéis conosco. Desconfiamos da vida.

Demora um tempo, às vezes a vida toda, até que a gente perceba que há coisas que acabam, sim. Efêmeras, elas (coisas e pessoas) cumprem apenas uma determinada função no nosso destino. Há outras, entretanto, que são parte do presente e do futuro: são perenes, nos acompanham, assim como o amor. Tem coisa na vida, objetivo na vida, tem gente na vida que, depois que chega, nunca mais sai e a gente precisa aprender a lição que essa história tem pra ensinar. Mas, essa lição não precisa ser dolorosa como parece, como a gente sempre acha que lição é. Pode ser uma lição amorosa, gentil, amiga. Pode ser uma das poucas coisas na vida que nos trazem alegria e a gente não sabe. A gente não sabe tanta coisa, né? Que dirá sobre algo tão gigante...

Tem uma passagem no gosho budista que diz que não somos capazes de enxergar a própria sombrancelha, logo ela que está logo acima dos nossos olhos. Pois é, eu assumi minha miopia faz tempo. E agora estou tentando desistir de brigar com os prazos, com os resultados, com as frustrações. Eu vivo para descobrir. Assim, além de evitar o tédio, eu evito a cobrança, aquela que eu sou campeã em despejar em mim mesma.

Fico feliz quando posso usar minhas palavras para aliviar uma amiga. E adoraria, também, que, além de ajudar no alívio, eu pudesse ajudar na transformação. Pois, na vida, não basta entender, é preciso mudar. Mudar para ser feliz. É pra isso que a gente vive e é só isso que importa.


3 comentários:

G. disse...

mais que alivio...palavras que me fizeram soltar a respiracao que parecia estar presa desde o ano passado... meu primeiro sorriso leve, meu primeiro jantar leve.. meu primeiro leve acordar hoje, devem-se exclusivamente a elas. obrigada, obrigada obrigada! o "desconfiamos da vida" é genial. Carpinejar que se cuide! Love you.

Wanessa Lopes disse...

Como sempre, excelente texto.
Engraçado que muitas vezes que eu leio seus posts sempre me remetem a algo que tá acontecendo comigo ou com alguém muito próximo. Sempre me faz bem.
Saudades... bjkssssssssss

Luciana Kotaka disse...

Olá Acácia, sou colunista do meninas de Pantufa e li seu texto, achei muito interessante e vim conhecer seu blog.
Gostei muito daqui.
Um abraço