quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Nós, mulheres

Pois é, eu tenho o hábito de comentar as conversas com as amigas, eu sei. É que alguns contatos são tão ricos que realmente me fazem pensar um tantinho mais.

Dessa vez foi durante um encontro de trabalho. Numa mesa de café da manhã com 4 mulheres, eu ouvia duas delas comentarem a história de amigas e conhecidas que ganharam carro, apartamento, roupas e jóias de seus namorados, noivos e maridos. Uma querídissima ao meu lado desabafou "puxa, nunca ganhei presente de homem algum!" e eu não pude deixar de dizer: minha flor, essas mulheres têm uma característica muito específica que nós não temos.

A conversa continuou: "não! elas são legais" (como quem diz: não são vadias!), e eu "sim, elas são legais, sim, mas algumas coisas só aparecem na relação homem-mulher e isso não é bom nem mal, só diferente daquilo que somos nós". Ela disse: "elas são gueixas!", e paramos por aí, outras pessoas se aproximaram, beijinhos para cá e para lá, enfim. E fiquei eu a refletir sobre nossa prosa tão breve mas que daria um trilhão de teorias sobre feminismo, cortesãs, passando por diferenças sociais, dando brecha para complexos, inclusive o de Electra.

Deixando de lado todo esse universo intelectual e psicanalítico, acho que, no fundo, no fundo, toda mulher gostaria de ganhar uns mimos de vez em quando. Nem falo de carro ou casa (claro, né?), mas de delicadezas fora de hora, frutos da lembrança carinhosa num dia qualquer. Afinal, é preciso ser aniversário, dia disso ou daquilo, ou natal, para fazer uma surpresinha? Pense no sorriso, no coração enfeitado: não vale a pena? (Homem também precisa, viu, mulherada? Mas, como o foco aqui é a carência feminina, nem vou arriscar a partir para o outro lado. Se algum amigo por aí quiser contar como é, fique à vontade para escrever.)

Bom, o fato é que mulher é mesmo mais dengosa, mais detalhista nessas coisas, valoriza demais a atenção do namorado. A gente já tem celulite, cólica, tpm, estria, engravida, tem menos colágeno, menos massa muscular, muito mais adipócitos e hormônios desregulados, merece, sim, ganhar flores com cartão, sem mais nem menos, não é? Então, homens, sejam gentis... se até a minha amiga super-poderosa deixou escapar um lamento lá no começo do texto, que dirá nós, mulherzinhas menos resolvidas...

Momento Cultural:

COMPLEXO DE ELECTRA - Intrinsecamente, o complexo de Eletra se resume no mesmo problema do complexo de Édipo. A única diferença está nas pessoas que entram em jogo. No complexo de Édipo se verifica o apego erótico do filho pela mãe, com o desenvolvimento paralelo de ódio pelo pai. No complexo de Eletra, a filha encontra na mãe uma rival que compete com ela na disputa das simpatias do pai.

Parece todavia um pouco forçada a denominação de complexo de Eletra, uma vez que na mitologia grega essa personagem não representa tão bem quanto Édipo o sentimento erótico e de ódio para com o pai e a mãe respectivamente. Com efeito, segundo a mitologia, Eletra, filha de Agaménon e de Clitemnestra e irmã de Orestes, nem matou sua mãe, nem se apaixonou por seu pai. A mitologia grega diz simplesmente que depois que sua mãe e Egisto assassinaram seu pai, Eletra salvou a vida de seu irmão enviando-o à côrte do rei Estrófio. Mais tarde, Orestes regressou e foi incitado à vingança por sua irmã, assassinando sua mãe e Egisto.

Seja como for, a menina em seu desenvolvimento sexual enfrenta os mesmos problemas, embora geralmente com menor intensidade que o menino, e as conseqüências do desenvolvimento anormal do complexo de Eletra são tão graves quanto as do complexo de Édipo. (Fonte: Clínica Universitária Henry Dunant)

Um comentário:

marcelo barabani disse...

vc tem razao, merece sim criatuuuuuuuuuuuuuuuraaaaaaa... q bom a vc anda de bem c a vida, bjs