sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Só a noite é que amanhece


Só a noite é que amanhece


(Alphonsus de Guimaraens Filho)


À VONTADE

Não seja por isto, noite.
Melhor é que desças
Com toda a tua treva
E entre nós — embora ressabiados e feridos — até que poderás ficar à vontade.


Pois de qualquer modo há em ti um frêmito vôo informulado,
grande ave de asas cegas…
Somos teus, como sabes, todos te pertencemos,
constrangidos embora.


Mas não seja por isto.
A casa é tua
— como nestes domínios é hábito dizer aos amigos —
e poderás ficar à vontade.

Nenhum comentário: