domingo, 7 de setembro de 2008

Alimento de águia

Tem coisa que eu não entendo nessa vida. E achei graça quando ouvi hoje duas senhoras muito simples dizendo "a gente nunca sabe nada". A gente não entende e nunca sabe certas coisas mesmo!

Desde muito menina sempre tive uma sensibilidade exacerbada, coisa de incomodar mesmo. Não sei se chamo de intuição, de lembrança de outros tempos ou de lembrança genética. O fato é que eu tinha algumas informações e não sabia (e nem sei ainda) de onde elas vinham.

Isso trouxe muita solidão e medo para aquela guria magrinha, de cabelo comprido. Trouxe mais ainda na adolescência, imagine, como se não bastasse todos os hormônios explodindo, ainda tinha essa história.

Mas, acho que pior mesmo é quando se é adulto e precisa lidar com essa sensação com maturidade e "equilíbrio". Aff, não há nada de tranquilo em sentimentos de pavor evaporando! A única saída é administrá-los, a pergunta é "como?". Não, não dá, não é possível.

Mas, um caminho, descoberto outro dia, é deixar-se alimentar pelo outro que, sem saber, vai recheando o coração de segurança, permanência e cuidado. Gente, por que a gente demora tanto para aceitar ajuda?

Ainda essa semana escrevi sobre cuidado e sobre adoecer. Pois é, de novo, a gente adoece sem cuidado, mas se aquece no carinho que recebe. E tem uma coisa interessante nisso tudo: aprender a pedir (e não só a receber passivamente), aprender a mostrar a vulnerabilidade sem a angústia de assustar o outro. Se o outro se assustar com a fragilidade que está ali, paciência. Agora, se ele continuar e beijar aquele coração dolorido, supresa!!! Surpresa que levanta, diminui o tempo da febre e ajuda a curar, sim, senhor.

É, tem coisa que eu nunca vou entender. Mas, enfim, a gente precisa saber de tudo??? Acho que não... porque, como eu ouvi por aí, "para nós, os solitários, águias deverão trazer alimento em seus bicos! E, como fortes ventos, queremos viver acima deles [dos canalhas], vizinhos das águias, vizinhos da neve, vizinhos do sol: assim vivem os ventos fortes. E tal como o vento forte, quero algum dia, soprar no meio deles e, com o meu espírito, tirar o respiro ao seu corpo: assim quer meu futuro" (Nietzsche).

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