segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Intensivão infantil

Eram 8 e meia da manhã quando eu senti um beijo na bochecha e ouvi uma voz de mel dizer: bom dia, tia Cácia (assim mesmo, sem o "A" pra ficar mais fácil). Era a Sofia, uma menina meiga de doer e inteligente como quem já sabe que vida é essa. Nove anos de pura leitura e música, metade peixe, metade balança, olhos claros e pensamento falante.

Uma fatia de pão depois, eis que surge o bebê da casa no seu beabá de alegria. Um ano, já dono da terra, criado para ser feliz. Depois do Pedro, chegaram a Ana Lúcia de 2, o Gustavo de 3, a Carina de 4, o Manuel de 6. Pois é, seis crianças na mesma casa. Já seria festão só por causa delas. Por isso, logo, logo, quando a música chegou, aquela reunião virou quase um tsunami. Senta um pouquinho para eu arrumar seu cabelo, não precisa, não, tia, eu ainda vou correr mais. Quem é que segura?

Teve festa também no domingo, dessa vez com a Julinha de 4, o Alan de 8, Tati de 7, Mariana de 6, a Gabriela de 4, Rafaela de 2. Mais 6 pedaços de gente, dessa vez num apartamento ali no reduto judaico da Santa Cecília. Era festa de aniversário do , e teve até quem lustrasse o chão com o vestido enquanto o Kung Fu Panda tentava distrair a galera.

Tive um papo-cabeça sobre o Snoopy com meu sobrinho e achei graça da Julinha tentando falar com as bochechas cheias de salgadinho. Linda, cabelos e olhos escuros, louca pela moto do pai, numa energia que me deu inveja. Juju, vem aqui que eu vou te morder, e não é que ela vinha? Sentava no colo e esperava o apertão, fofa.
Adoro criança assim, de bem com a vida, que vai lá e suja a bermuda, ri alto e mancha a boca de suco. Come cenoura fazendo careta, de olho no brigadeiro de sobremesa. Tem malandragem, tem vontade, parece esponjinha, lembra até daquilo que não gosta. Sabe falar, sim, e direitinho, sem tatibitati, mas fala feito gente pequena, sorri sem o dente da frente, abraça quase derrubando, agradece com os olhos, beija molhando o rosto da gente.
Mas, o que eu amo mesmo é quando elas têm personalidade, e a gente consegue se afinar não porque sejam bonequinhas, mas porque aquele jeito é delas e não miniatura dos pais. Alguém já te perguntou por que herói é ídolo e heroína é droga? Pois é... e essa é uma das fáceis. Nessas horas, eu me lembro da Mafalda que diz que "adulto, quando não sabe o que responder, sempre põe uma cegonha no meio". Né?

Um comentário:

Por Gabriela Athayde disse...

hahahaha
Adorei!!! Criança é demais né? E essa mundo de brincadeiras imperdível a qualquer momento! E viva o Snoopy!
Beijooo