quinta-feira, 7 de agosto de 2008

The sun's in my heart


Cai o mundo em São Paulo agora. Chove de fazer barulho. Uma pessoa amiga, então, me escreveu dizendo que a chuva a deixa "pra baixo", pensativa. Acho intrigante considerar a introspecção uma tristeza.

Eu própria me considerei, a vida toda, uma pessoa de natureza triste simplesmente porque conversava mais com os meus botões do que com qualquer pessoa. Havia sempre tanto a observar (porque eu queria entender) que nunca perdi muito tempo com as panelinhas ou algazarras típicas de adolescente. Eu lia demoradamente numa sala de biblioteca, vivia entre as músicas que ninguém gostava, assistia a filmes cheios de poesia, caminhava sozinha.

Foi um alívio quando, há bem pouco tempo, entendi que havia acumulado um universo interior muito querido e não uma montanha de tristezas. É íngreme o caminho para dentro da alma, mas, é o que se transforma em amor com o passar do tempo. Amor do bom, com força e garantia.

"O que é belo, o que é justo, santo e grande Amo em ti.
— Por tudo quanto sofro, por quanto já sofri, por quanto ainda
Me resta de sofrer, por tudo eu te amo.
O que espero, cobiço, almejo, ou temo
De ti, só de ti pende: oh! nunca saibas
Com quanto amor eu te amo"

Falava Gonçalves Dias do amor pelo outro ou do amor-próprio? Não seria "por tudo quanto sofro, por quanto já sofri, por quanto ainda me resta de sofrer, por tudo eu te amo" a maior declaração de afeto por sua própria história, orgulho daquilo que se constrói, daquilo que se é e só você sabe?

Que molhe a chuva, que venha lavando o ar, que encha os rios e não inunde as casas. Um pouco de preguiça, sim, um tanto de trânsito também (pois é, nem tudo é perfeito), mas dá pra ser feliz e até aproveitar a noite de chuva para cantar e dançar... com muito prazer. E alegria.

Um comentário:

Por Gabriela Athayde disse...

Adorei! "Foi um alívio quando, há bem pouco tempo, entendi que havia acumulado um universo interior muito querido e não uma montanha de tristezas."

Isso aí ... na verdade a gente não sabe quando novinha onde a nossa maneira de ser vais nos levar. E é tão bacana descobrir que a profundida nos dá um orgulho imenso nesses tempos de um pouco de maturidade! Parabéns!

Beijos
Gabi