terça-feira, 26 de agosto de 2008

Sonhos (im)possíveis?

Já reparou como nunca imaginamos que algo extraordinário acontecerá em nossas vidas, nem de ruim, nem de bom demais? Nunca nenhum acidente grave (por isso somos tão descuidados em alguns detalhes: filho pequeno no banco da frente do carro, cigarro, excesso de comida, falta de gentileza, e por aí vai), nem sorte grande na loteria. A tragédia só acontece com o vizinho. E é dele a grama mais verde também.

É assim porque preferimos mais do mesmo a arriscar um vendaval que só os deuses sabem onde vai dar. Administrar o nosso feijão-com-arroz é mais seguro; as coisas já estão, male-male, no controle. Nos condicionamos a ficar cada vez melhores em evitar que a vida nos surpreenda: fazemos exatamente as mesmas coisas todos os dias, mantemos os mesmo hábitos, os mesmo gestos, a mesma postura, para garantir os mesmos resultados, mesmo que seja para lamentar depois (vai entender).

Outro dia, eu me perguntei o por quê do povo sonhar tanto acordado como se o sonho fosse coisa do além. Se repararmos bem, a maioria dos sonhos é completamente possível. Por que cargas d'água, consideramos nossos desejos algo de outro mundo, dignos somente de outra pessoa?

Nossos desejos nascem daquilo que não temos, claro, e podem variar entre uma família feliz e um transplante de coração, ou uma casa na praia, um casamento idealizado, um prêmio Nobel. E aí??? O que torna todas essas coisas impossíveis? Falta de coragem? Preguiça?

Engraçado como poucas vezes nos damos conta de que arriscamos tantas realizações em nome das coisas mais banais da vida. Trocamos aquela vontadezinha (talvez o problema esteja no diminutivo) de mais sucesso (que exige empenho) pela novela das 8. Invejamos aquele corpo magro e saudável, mas nos afogamos na pizza com Coca-cola (nada contra, eu adoro!). Todos os dias! E numa passividade que dá vergonha.

"A única coisa não perdoável é não fazer. É preciso vencer esse encaramujamento narcísico, essa tendência à uteração, ao suicídio. Ser curioso. Você só se conhece conhecendo o mundo. Somos um fio nesse imenso tapete cósmico. Mas haja saco!" (Hélio Pellegrino)

Haja mesmo porque a coisa não é nada fácil. Eu que o diga. Meu maior defeito é a tendência à inércia (falo de cadeira mesmo, eu sou taurina). Entretanto, como nem tudo está perdido nessa vida, existe um treino capaz de levantar uma poeira nova. O diacho é que não tem receita pronta, sorry. Se eu puder dar um dica, uma única que seja, aqui vai ela: incomode-se. O incômodo, se alimentado com movimento, gera mudança. Mas, olha lá, heim? Não é para incomodar os outros ou, simplesmente, lamentar as mazelas sentado na poltrona.

Eu vou arriscar agora uma petulância e questionar Nietzche, quando ele diz: "a vontade é impotente perante o que está para trás dela. Não poder destruir o tempo, nem a avidez transbordante do tempo, é a angústia mais solitária da vontade".

Será?

3 comentários:

Fabricio disse...

Olá, querida criatura esperneante!!! Rsrsrs...

Quanto à seu (pra variar belíssimo) texto... bem, tenho que concordar com Nietzsche dessa vez. A luta contra o tempo é mesmo um dos (se não o maior) fatos que mais nos traz sofrimento, e é até o que move o desenrolar dos Quatro Sofrimentos de nosso maravilhoso Budismo.

A propósito, envio o link para a letra da música "Time", da banda Hootie And The Blowfish, que gosto muito. Espero que possa ouvi-la (se não tiver onde ouvir me fale)...

http://letras.terra.com.br/hootie-e-the-blowfish/996229/

Bjos mil!!!

Anônimo disse...
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Deborah Huff disse...

Oi Cá,
Já votei na sua enquete!
gosto muito do seus posts viu? sempre me dão algumas idéinhas, haha.

ah! o Pafúncio é meu candidato tb!! agora para vereador....talvez eu vote na Acácia do blog! gostou? ahaha