quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Avestruz ou coruja?

Pausa para o almoço, enquanto os pensamentos continuam. É estranho pensar que esse é o único movimento que não podemos interromper: a correnteza mental é inesgotável, e acho até óbvio, já que faz parte dessa leva de coisas não-físicas que a gente não sabe de onde vem. E que, com sorte, cuidado e muita torcida, permanecerá pelo resto da vida.

Pois bem, desde ontem tenho pensado na realidade, em como não esquecê-la jamais. É muito fácil permitir que uma alegria nos eleve para além do nosso chão, e uma tristeza para aquém da verdade, pois é disso que precisamos muitas vezes: fugir. Mas, permanecer nesse estágio cegamente, considerando que aquilo transforma ou distorce os fatos, é por demais perigoso. O pouso pode virar uma queda, ou o retorno um caminho penoso demais. É claro que, como tudo nessa vida, viver no equilíbrio entre o real e a fantasia é puro exercício diário.

Com tanta notícia ruim na mídia, tanta violência e catástrofes "naturais", nós acabamos por considerar a vida real uma notícia triste, sem risada nem sabor. Mas, a vida real é o lugar onde tudo acontece de verdade, a dor e a alegria, o crescimento e a maturidade. Em qualquer outro lugar o que permanece é a desesperança de saber que tudo o que se deseja fica parado ali, como uma pintura bonita.

Realidade é vida, aplicada e sentida em cada pensamento e atitude. E vida é lógica pura. Nunca, jamais, uma realidade vai ser outra coisa de uma hora para outra simplesmente porque nisso não há lógica. Nenhuma! Acreditar nisso é viver a ilusão do milagre, aquele em que, sem a menor dedicação e esforço, uma situação vira do avesso. Aliás, uma pergunta: sem o aprendizado da conquista, em quais condições viveríamos uma realidade transfigurada de repente? Teríamos nós o paladar refinado para tão novo sabor ou comeríamos tamanho banquete como se mastiga uma ração?

Conhecer a realidade, saber que uma situação pode ser degustada, melhorada e vencida é a maior satisfação de todos os dias. É enxergar-se em expansão mesmo, só que inteiro, firme, forte. Não existe vitória na ilusão, seja ela boa ou não (tem gente que se ilude também achando que a vida é uma porcaria - tem louco pra tudo). Viver feliz e sorridente num mundo de fantasia é tão raso e frágil que dá aquela sensação de estar passando, sempre, olhando sem ver nada, falando e gesticulando sem finalidade, andando por aí como uma carroça vazia: só faz barulho, carregar alguma coisa que é bom, nada.

Como disse Nietzche, "é só dos sentidos que procede toda a autenticidade, toda a boa consciência, toda a evidência da verdade". Ser feliz é uma decisão e uma escolha que pode ser feita a qualquer momento, nesse tempo real. Acordado, desperto.

Quando der vontade de sonhar, chame alguém. Disseram também, certa vez, que sozinho é sonho, a dois é realidade.

Momento cultural:

As corujas possuem os ouvidos desenvolvidos, bastante aguçados e olhos grandes e fixos. As aves de ordem strigiformes estão divididas em duas famílias e 126 espécies das quais 18 são encontradas no Brasil.

As corujas levam fama de agourentas, pois eram consideradas pássaros de bruxas, mas os gregos consideravam a coruja uma ave de extrema sabedoria.

Sua visão, ao contrário do que se pensa, é melhor do que o das outras aves, sua pupila se dilata para enxergar melhor e nenhum animal terrestre tem ouvidos mais aguçados (mesmo sem orelhas visíveis elas conseguem ouvir a dezenas de metros de distância).

Quando percebe o perigo é capaz de girar a cabeça a 180º e esticar o pescoço para cima. É uma ave bastante concentrada. (fonte: Brasil Escola)

Um comentário:

Por Gabriela Athayde disse...

QUE COISA LINDA! ME INSPIROU!
OBRIGADA!