segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Dodói

Outro dia, ouvi um comentário que achei engraçado. Uma pessoa dizia que a molecada entra cada vez mais cedo na adolescência, mas que demora muito pra sair dela. Dizia que tem gente com 40 anos que ainda é adolescente.

Eu ri, mas, sabe o que? É verdade. Semana passada, passei por dois eventos, com conhecidos diferentes, que me fizeram constatar, infelizmente, que algumas pessoas não crescem. São ótimas, bacanas, simpáticas, até que alguma coisa as contraria. Aí, elas fazem bico, birra, se sentem ofendidas, magoadas. E olha que foram contrariadas porque a vida é assim mesmo, não foi alguém, que, por pura maldade, quis desiludi-las.

É uma chatice isso porque, querendo ou não, a gente fica com aquela cara de pastel, se afasta um pouco, ainda fica abismada com certas tolices de quem deveria ter crescido.

Agora, pergunto eu: se um homem ou uma mulher não consegue aceitar um contratempo, é justo que se queixem da vida? Não é a vida delas um reflexo da maneira como elas se comportam com os outros?

Falta aceitação, flexibilidade, empatia, amizade. Traduzindo: falta amor na vida, justo e simples. É isso. Gente que ama, que se sabe amada, é mais tranquila, relaxada, releva no limite de cada um, troca de lugar. Compreende.

Fico pensando que aquele amontoado de marmanjos no poder, lá e cá, passa pelas mesmas aborrecências, só que num grau de poder absurdo e, ao invés de careta, detona um bomba quando sente o orgulho ferido.

Como diz Daisaku Ikeda, "só o diálogo constrói pontes". Parece simples e fácil, mas não é. Requer disposição, atenção, dedicação. Principalmente, percepção de si mesmo. E sendo a reação em cadeia, a gente precisa começar de algum lugar. Que tal aqui, onde e com quem estamos? Com um pouco mais de paciência, desacelerando um tantinho só, é possível ter a alma mais leve com o outro. Não seria daí que nasce a amizade?

Soneto do amigo

Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.
É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo

Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.
Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.
O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...

(Vinícius de Moraes)

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