quarta-feira, 11 de maio de 2011

Nem tanto isso, nem tanto aquilo


Outro dia, durante uma conversa, um amigo comentou que precisava se deixar levar mais pela emoção do que pela razão. Ele contou que, há anos, racionalizar tudo foi a maneira que ele encontrou para garantir menos sofrimento. A gente pensa mesmo assim, né? Acha que a emoção é a causadora de toda dor e a razão nos protegerá.

Essa guerra antiga entre nossos dois hemisférios cerebrais é uma falácia, na verdade. Não há nada que alivie uma dor. No máxima ela será somatizada, e, quem sabe, virando uma cistite ou pressão alta a gente consiga prestar atenção nela.

E, longe de ser também uma vilã aos olhos dos hippies da alma, a razão é uma questão de saúde emocional a quem tem a mínima intenção de compreender o que dispara uma angústia. Identificar, analiticamente, a fonte do que nos machuca pode não resolvê-la, mas traz à luz o medo que, desconhecido, é invencível.

Quanto a emoção, coitada, sozinha ela é uma perdição: de energia, de tempo, de confiança. Ninguém 100% entregue só aos desatinos do coração tem direção na vida. Nem amar consegue, já que não tem inteligência pra isso. A pessoa envolve-se aqui e acolá, com seres e causas, como se todos os "escolhidos" fossem o motivo pelo qual ela vive.

Assim, concluímos que nem isso nem aquilo: desarmar o discurso bacana, recheado de argumentos ferozes, em prol de uma postura (emocional ou racional), é o primeiro passo para encontrar o resultado da verdade da vida de cada um. Não há muita regra, não. Mas é fundamental que haja equilíbrio, que haja sinceridade no olhar pra dentro, que haja coragem para assumir certas causas. Disfarçar os reais motivos das nossas fugas e usar bandeiras que nos confundem só nos distanciam daquela coisa que a gente vive dizendo que anda atrás: felicidade. Como bem disse Goethe, "a alegria não está nas coisas, está em nós".

Um comentário:

Marcia Regina disse...

Como sempre, a palavra chave é equilibrio !!!