quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Adeuses



Eu estava folheando a Veja depois do almoço quando me deparei com a matéria sobre a tragédia na serra fluminense. No depoimento de um pai que perdeu a filha de 16 anos pude sentir a dor: "minha filha fazia tudo para mim, cortava meu cabelo, fazia minha barba. Acho que ela não tinha ideia do quanto eu a amava".

Lembrei de uma amiga que ontem me contava sobre o fim de um relacionamento de 7 anos. Chorando, ela disse: "a gente se amava tanto, tanto! Como é que terminou assim?", e eu, pra não chocá-la num momento de tanta mágoa, só consegui responder "dê tempo ao tempo".

Perdas tão distintas como essas, de amores e prazos tão diferentes, machucam pela ausência do outro, sim, mas também pela culpa de não ter feito e dito, não ter tentado, por ter adiado, por ter se ferido com o orgulho de que as relações são imperecíveis.

O pai em luto jamais esquecerá sua dor. Entretanto, quando sua angústia for anestesiada pela sobrevivência, seu olhar sobre os outros filhos terá uma nova necessidade: a de provar o amor e experimentá-lo no cotidiano, com menos pressa e mais paciência. Apreciar a convivência com quem tem importância ganhará outro significado.

Já para minha amiga, depois da separação, um sopro de calor no coração: amará novamente, amará melhor e será melhor amada. O fim de um amor é sofrido, todo mundo sabe, todo mundo já experimentou. Mas, o desejo de viver de verdade e feliz, e de fazer o outro feliz, pode gerar o bom aprendizado da alma, a sabedoria da paz, o clarão do propósito - aquele que vai facilitando e limpando o caminho -, pois, como disse Lya Luft, "viver deveria ser - até o último pensamento e derradeiro olhar - transformar-se".

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