quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Coisas da vida II


Estava aqui, esperando para ser atendida, pensando em algumas coisas boas que vi hoje. Em plena época de Haiti e mortos pelas enchentes em SP, foi bom reparar nas pequenas coisas boas que ainda temos nessa vida.

No posto de gasolina, um dos funcionários entrou na loja de conveniência, pediu uma Coca e dois pães-de-queijo. Foi levar a um morador de rua que dormia por ali. Acordou-o com jeito e entregou o "café-da-manhã". Assim mesmo: com jeito.

Uma primavera completamente pink e carregadíssima, caindo pelo muro de uma casa amarela, tirou meu fôlego. Quase fui lá, pedir uma muda, mas lembrei que tenho uma em casa. Só falta crescer :)

Uma senhora foi grosseira com uma moça desconhecida no elevador. A moça foi gentil com ela. É, tem gente que não se rende mesmo, e acaba ensinando alguma coisa a quem deveria saber mais do que ela.

Numa troca de emails, um amigo me chamou de "mala". Eu morri de rir. Fazia um tempão que alguém não me "xingava" assim, tão espontânea e carinhosamente.

Li uma frase do Millor Fernandes no Twitter que dizia assim: "A felicidade conjugal só é possível a três" e tive a maior tranquilidade em discordar. Aliás, tem sido muito gostoso discordar de algumas frases feitas, famosas ou impactantes por puro empirismo. Sei lá, acho que pensar demais tem seus prós, after all.

Homem comprando flores! Ah, quem não acha isso lindooooo???? E com simpatia, aff.

A propaganda da Claro, da menininha com o pai, ele assustando o monstro embaixo da cama dela pelo celular. Fofo! E tem pai assim, viu? Coisa linda.

Estou correndo 10 km, 5 vezes por semana. Nada como um objetivo para dar sentido a algumas coisas. E, como eu, muita gente vai lá, tem disciplina, corre, se dedica, cuida. Impressionante como isso me faz feliz :)

Acho que vou começar a fotografar a cidade. Tem gente fazendo isso e eu fico namorando as fotos alheias. Tá na hora de ter as minhas, né? Afinal, a cidade vai mudar, as pessoas também, mas a gente se emociona sempre com as mesmas coisas.


terça-feira, 26 de janeiro de 2010

E o resto?


Estou exausta depois do Campus Party. Por isso, aproveitando que dei uma lida no pocket da Martha Medeiros, resolvi publicar uma de suas crônicas, estou cansada demais para elaborar qualquer coisa profunda. O livro inteiro parece comigo e meus olhos se emocionaram diversas vezes. Outras vezes, lendo, me senti balançar a cabeça como quem diz "eu sei...".

Bom, segue abaixo "Todo o resto", saído de Coisas da Vida (exclui um trechinho aqui outro acolá, só pra ficar mais objetivo). Enjoy ;)

" 'Existe o certo, o errado e todo o resto.' Esta é uma frase dita pelo ator Daniel Oliveira representando Cazuza, em conversa com o pai, numa cena qualquer que, ao meu ver, resume o espírito do filme.

Certo e errado são convenções que se confirmam com meio dúzia de atitudes. Certo é ser gentil, respeitar os mais velhos, seguir uma dieta balanceada, dormir 8 horas por dia, morrer bem velho e com o dever cumprido. Errado é dar calote, repetir de ano, beber de mais, fumar, se drogar, não programar um futuro decente, dar saltos sem rede.

E o resto? E tudo aquilo que a gente mal consegue verbalizar, de tão intenso? Ora, meia dúzia de normas preestabelecidas não dão conta do recado. Somos maduros e ao mesmo tempo infantis, por trás do nosso autocontrole há um desespero infernal.

O amor é certo, o ódio é errado, e o resto é uma montanha de outros sentimentos, uma solidão gigantesca, muita confusão, desassossego, saudades cortantes, necessidade de afeto e urgências sexuais que não se adaptam às regras do bom comportamento. Há bilhetes guardados no fundo das gavetas que contariam outra versão da nossa história, caso viessem a público.

Todo o resto é o que nos assombra: as escolhas mal feitas, os beijos não dados, as decisões não tomadas, os mandamentos que não obedecemos, ou que obedecemos bem demais - a troco de que fomos tão bonzinhos?

A maturidade é um álibi frágil. Seguimos com uma alma de criança que finge saber direitinho tudo o que deve ser feito, mas que no fundo entende muito pouco sobre as engrenagens do mundo. Todo o resto é tudo que ninguém aplaude e ninguém vaia, porque ninguém vê."

E eu completo, antes de dormir: todo o resto pode ser a vida acontecendo. Ou, quem sabe, amor.


domingo, 24 de janeiro de 2010

Against the wind


Não pensei em mim, não, quando ouvi essa música hoje. Lembrei de todos nós que nos iludimos ou nos perdemos um dia, ou de vez em quando, achando que o que nos faz felizes está sempre no impossível. E saimos procurando, indo para cada vez mais longe. Até entender que precisamos voltar.

Beijos (o link está aí, ó)

Against The Wind
Bob Seger

It seems like yesterday
but it was long ago
Jane was lovely, she was the queen of my nights

There in the darkness with the radio, playing low
And the secrets that we shared the mountains that we moved

Caught like a wildfire out of control
till there was nothing left to burn and nothing left to prove

And I remember what she said to me
How she swore that it never would end
I remember how she held me, oh so tight

Wish I didn't know now what I didn't know then
Against the wind

We were running against the wind
We were young and strong
We were running against the wind

And the years rolled slowly past
And I found myself alone
Surrounded by strangers I thought were my friends
I found myself further and futher from my home

And I guess I lost my way
There were oh so many roads
I was living to run and running to live
Never worried about paying or ever how much I owed

Moving eight miles a minute for months
At a time
Breaking all of the rules that would bend
I began to find myself searching
Searching for shelter again and again
Against the wind

A little something against the wind
I found myself seeking shelter against the wind

Well those drifter days are past me now
I've got so much more to think about
Deadlines and commitments
What to leave in, whar to leave out

Against the wind
I'm still runnin' against the wind
I'm older now but still runnin' against the wind
Well I'm older now but still runnin'
Against the wind, against the wind
I'm still runnin' against the wind
I'm still runnin' against the wind
Against the wind
I'm still runnin' against the wind


sábado, 23 de janeiro de 2010

Corpo nosso de cada dia


Estou cá criando coragem para sair, enquanto assisto Three Rivers. O seriado é ótimo por diversos motivos, mas o engraçado é que cenas médicas nunca foram meu forte, nem quando o bonitão Clooney iluminava E.R. O fato é que, além das histórias e fundo de cena serem muito bons, ouvir palavras como "afastador", "contraste" e "serra cirúrgica" me lembrou que eu conheço um tantinho desse mundo e que muita coisa que se aplica à cura do nosso corpo também se aplica à cura da nossa alma. Acredito que o corpo só padece daquilo que a gente não resolve ou não entende, não aceita ou nutre mágoa. Certas doenças são razoavelmente fáceis de serem identificadas com a causa. Outras, nem é bom pensar. Não é pra toda verdade que a gente tá preparado, né?

De toda forma, li e guardo dois livros muito bons sobre a relação mente/corpo: A doença como caminho e Porque adoecemos (esse traz explicações doença por doença). Tem um outro muito bom também, que explica o quanto o intestino é responsável pelo nosso bem estar e bom humor: O segundo cérebro. Só pra se ter uma idéia, o transtorno do pânico (a tal síndrome do pânico) parece estar relacionado "às alterações nos neurotransmissores e parece ocorrer na ausência relativa da transmissão serotoninérgica; a serotonina é um neurotransmissor obtido a partir da descarboxilação do aminoácido essencial triptofano. Existem, tanto em humanos como em animais, evidências de que a produção de serotonina cerebral possa ser modulada dieteticamente através da oferta de macronutrientes, principalmente a ingestão de carboidratos, proteínas e aminoácidos isolados (triptofano), mas vale ressaltar que o intestino é o principal responsável pela síntese deste neurotransmissor" (http://www.samaritano.org.br).

Pois é, se a gente escolhe um alimento muitas vezes pensando só em saciar a fome, com pressa e sem muito critério de qualidade, o corpo padece. Mas, a pergunta que me faço é: por que a gente não se cuida? Que displicência é essa consigo mesmo? Não é isso um sinal de insatisfação com a vida que se tem? Uma espécie de suicídio lento? E o cigarro, então? Uma pessoa próxima tem menos de 25% do pulmão e um tanque de oxigênio em casa, olha só.

Bom, se está difícil mudar o emocional da vida, o caminho inverso certamente ajuda: comer direito e fazer atividade física (mesmo sem vontade) sem dúvida trarão benefícios ao nosso corpo e, por consequência, trarão benefícios ao nosso bem estar. Um primeiro passo é sempre necessário, e, pra cair ainda mais no clichê, sem ele é impossível ;)

Beijo, bom final de semana.


sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Apaixonado e leve


Entendi porque gosto tanto desse vídeo. Além da música ser linda, linda, linda (letra e tudo), há um olhar apaixonado, tranquilo e feliz o tempo inteiro. E uma alegria também, misturada com leveza. Amo de paixão.

Halo (o link está no título)

Beyoncé

Composição: Bogart E. Kidd / Beyonce Knowles / Ryan Tedder

Remember those walls I built
Well, baby they're tumbling down
And they didn't even put up a fight
They didn't even make up a sound

I found a way to let you in
But I never really had a doubt
Standing in the light of your halo
I got my angel now

It's like I've been awakened
Every rule I had you breaking
It's the risk that I'm taking
I ain't never gonna shut you out

Everywhere I'm looking now
I'm surrounded by your embrace
Baby I can see your halo
You know you're my saving grace

You're everything I need and more
It's written all over your face
Baby I can feel your halo
Pray it won't fade away

Do your halo halo halo
I can see your halo halo halo
Do your halo halo halo
I can see your halo halo halo

Hit me like a ray of sun
Burning through my darkest night
You're the only one that I want
Think I'm addicted to your light

I swore I'd never fall again
But this don't even feel like falling
Gravity can't forget
To pull me back to the ground again

Feels like I've been awakened
Every rule I had you breaking
The risk that I'm taking
I'm never gonna shut you out

Everywhere I'm looking now
I'm surrounded by your embrace
Baby I can see your halo
You know you're my saving grace

You're everything I need and more
It's written all over your face
Baby I can feel your halo
Pray it won't fade away

I can feel your halo halo halo
I can see your halo halo halo
I can feel your halo halo halo
I can see your halo halo halo
Halo, halo

Everywhere I'm looking now
I'm surrounded by your embrace
Baby I can see your halo
You know you're my saving grace

You're everything I need and more
It's written all over your face
Baby I can feel your halo
Pray it won't fade away

I can feel your halo halo halo
I can see your halo halo halo
I can feel your halo halo halo
I can see your halo halo halo


quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Menos a cada dia


Regras são importantes para a convivência social, pessoal, familiar. Isso é inquestionável. Se todo mundo fizer só aquilo que lhe convém (como acontece com o homem e o uso dos recursos naturais), o caos se instaura (basta dar uma espiada de leve nos avisos que o planeta vem dando consistentemente).

Gosto particularmente das regras tranquilas a que nos colocamos: elas são fruto do conhecimento sobre nós mesmos, dos nossos limites, dos nossos objetivos. Aqui, regra pode ser chamada de disciplina, consciência do que é bom para si e para o outro com quem se convive.

Mas, existe uma porção de regras que me incomodam e das quais gostaria de me libertar (e trabalho para): são as regras nascidas do medo do julgamento, de uma vergonha que a gente cria, de um limite convencionado pelo olhar alheio. A gente não gosta de ser tachado de brega, nem de tolo, ingênuo ou todas as outras coisas que se diz de alguém que vai lá e se expõe.

Um amigo perguntou no Facebook se ele estava louco ou se, de fato, as mídias sociais se tornaram em ferramenta de marketing. Eu pensei comigo: a gente faz marketing quando escolhe um batom e uma camisa, que dirá quando se coloca num twitter da vida!

Entretanto, devo tirar o chapéu para toda essa interatividade. É impossível não apresentar quem se é de fato e isso tem me ajudado um bocado. Meu Face, por exemplo, é transparente. Meus blogs, então, nem se fala. Com eles, pelo fato de me por a pensar antes de escrever, tenho conseguido ser mais clara, e tenho quebrado muito lentamente alguns paradigmas que aceitei um dia.

Às vezes, a gente quer muito uma coisa, mas já vai pensando: iiihhh... vão pensar isso, vão dizer aquilo, já aconteceu tal coisa, como vou fazer agora sem sofrer recriminações...? Pois é, tudo bobagem. BOBAGEM! E, por causa de tanta bobagem, a gente deixa de viver feliz. De viver mais leve. De acreditar. De se entregar. Ah... meu maior desejo para os próximos meses é me libertar de tanta coisa! Tanta bobagem!

Quero ser feliz. Mesmo. E sei que pra isso eu preciso de mente aberta, olhos atentos e coração leve. Coragem? Sim, mas quando a gente tem vontade, vontade da boa, a coragem nasce. Nasce! E aí... quebrar as regras (aquelas) é coisa que acontece sem a gente sentir. E propaga, sem perceber.

Beijo


domingo, 17 de janeiro de 2010

Auto-ajuda


Ando meio confusa para escrever e com pouco tempo, mas não sem assunto. Estou abismada com a velocidade do tempo e, especialmente, com as catástrofes do mundo. Parece que a tragédia de Angra aconteceu somente há algumas semanas? Parece que foi há séculos diante todas as outras calamidades que vieram na sequência. Agora, o Haiti.

E eu conversava com uma amiga hoje sobre essa ajuda ao próximo e, correndo o risco de ir na contramão dessa comoção toda, eu disse a ela que é fácil socorrer o outro. Todos nós, de alguma forma, ajudamos alguém todos os dias. Acredito que a maioria de nós seja de natureza boa, por isso, quando a gente sorri pra alguém, ouve o problema de um amigo ou conhecido (e o brasileiro é campeão nisso), ajuda o menino no farol, etc, isso é ajuda. Ajudamos o tempo inteiro, sem nem mesmo nos darmos conta disso.

O difícil mesmo é a gente SE ajudar. Ouvir, aceitar, compreender a si mesmo com o mesmo coração aberto que a gente tem quando vê alguém sofrendo é uma missão quase impossível. E eu disse para minha querida Márcia: eu quero me ajudar, entender a utilidade que eu tenho para a minha vida. Sei que sou útil e necessária para algumas pessoas. Sei que minhas palavras e meu cuidado aliviam outras. Mas, e a mim? Será que não sou uma carrasca de mim mesma? Dura demais para perdoar meus erros, ou melhor, não lembrar-me deles? Aliás, aqui cabe um parêntese: perdão, pra mim, é uma palavra para arrogantes. A grande felicidade é não lembrar, pois "aquilo" perdeu toda a importância e sentido, ficou obsoleto.

Assim como a fé só pode ser praticada por quem entendeu que precisa exercitar-se diariamente para melhorar, a verdadeira auto-ajuda só pode ser exercida por quem sabe e entende que aceitar e amar a si mesmo é a única fonte de saúde, alegria e realização na vida. Até ajudar o próximo não realiza nem traz satisfação se antes a gente não tiver em si mesmo o melhor amigo para os nossos piores (e melhores) momentos. Olhar pra fora é bom, mas ENQUANTO a gente olha pra dentro, pra não se perder.

Beijos, boa semana :)


sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Borbulha em mim


Preciso tomar cuidado com as palavras, hoje mais do que nunca. Não porque meu blog tem sido lido mais nem comentado mais, mas porque a história do termostato começa a fazer sentido de fato e eu queria explicar isso direito, e não me acho capaz, não sei como explicar.

No final do ano, no meio das festas em família, comentei com meu primo que eu precisava de um... um o quê mesmo? Não soube dizer pra ele, mas ele me entendeu, disse que acontecia com ele também. Eu não falava de pessoas, nem coisas, nem de trabalho. Eu falava de um grito, uma motivação, aquele olhar faminto em busca de algo, ou de tudo. Interesse!

De uma certa forma, eu vivi meio assim a vida toda, com alguns intervalos maravilhosos, claro, porque ninguém é de ferro. Isso não é ingratidão, nem falta de senso de felicidade. E também não tem nada a ver com X, Y ou Z. Isso tem a ver com um ritmo meu, só meu, que eu quero (e vou) mudar. A minha essência é mais lânguida, disso eu não duvido e não quero alterá-la. Eu falo daquilo que escrevi há alguns dias: tesão pela vida (aliás, esse post ganhou vida própria no Twitter, thanks todo mundo).

Bom, a notícia boa pra mim é que hoje me encantei com esse céu nublado de São Paulo. E sorri, sorri muito. Fiquei até com vontade de fazer faxina, olha só. Não sei quem escreveu, mas, concordo: "Porque se alguma coisa importa, tudo importa".

Ainda estou concatenando as coisas, nada é tão simples quanto parece (ou é? Nossa, estou perdida, rs). Enfin (como diz minha querida Gabi), o jeito é abrir janelas e portas agora. E deixar o vento entrar.

Beijos, bom final de semana.


terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Metamorfose ambulante


Há uns bons 5 anos, eu comentava com minha amiga Sílvia que eu sentia, naquela época, que a minha vida estava no limite entre duas temperaturas de um termostato. Sabe quando vc está na função "aquecer" do forninho quase a ponto de passar para a função "assar/tostar"? E foi o que, de fato, aconteceu: pouco tempo depois dessa sensação chegar e me trazer a certeza de um fim para outro começo, eu girei no termostato. Minha vida mudou, não por fora, por dentro. A mudança de fora foi só consequência.

Claro que essa mudança não foi repentina, nenhuma é. A mudança é nutrida, todos os dias um pouco, até que a vida se desdobra, abre quase como uma flor mesmo. Foi o processo que transformou, apesar da gente sempre se assustar como se fosse tudo inesperado.

Eu estou com essa sensação de novo. Estou ali, tremendo entre o aquecer e o assar/tostar. Não sei o que é, nem como será, mas, com certeza andei plantando um tanto que lateja para existir de fato. Engraçado que ontem comentei que preciso fazer um "furinho", que, traduzindo, é encontrar o caminho para trocar a latência para a potência. Junto a isso, preciso aliviar meu coração de um monte de coisa que não preciso. A gente não precisa de um mundo de tranqueiras que carrega, né? Já pensou que delícia ter um memória péssima para mágoas e ressentimentos e um coração quente de coisas boas e felizes? Mundo perfeito.

Todos os dias eu oro, tentando encontrar em mim toda a coragem e sabedoria de que todos nós somos capazes, para limpar minha mente e meu coração. Eu entendi que o termostato só gira para aquela outra fase quando o coração entra na função auto-limpante. Coração um tiquinho mais livre é vida trocando de nível e, claro, vivendo outra realidade.

Hoje é minha oportunidade de concatenar sobre tudo isso, mesmo já tendo percebido o movimento há semanas. Agora, eu quero observar um pouco mais e começar a aceitar aquilo de novo e bom que 2010 me prometeu ainda em 2009. O ano novo começou.

Um beijo :)


quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Um dia depois do outro


Uma amiga querida me escreveu hoje que estava decepcionada com 2010. Ela havia plantado grandes própositos em 2009 e, por não vê-los realizados, frustou seu coração. Disse que não havia sentido o "click", que se sentia amuada, sem graça. Eu respondi a ela que tivesse paciência consigo mesma, que a vida não tem prazo de validade e que na sinceridade sempre tem espaço para a confiança. Que ela confiasse, portante. Disse a ela também que a gente põe expectativa demais nesse tal click e nem espera o destino vingar com tudo aquilo que tem de melhor a ser cumprido.

Foi a segunda vez que ouvi essa história de "click" e, outra vez, me pus a pensar sobre a vida e sobre quão angustiados somos capazes de ser: queremos a paisagem no tempo que desenhamos, e nos entristecemos e questionamos, choramos, esquecemos, nos abandonamos quando o relógio diz "ainda não". Nos sentimos feridos, não sentimos piedade nem paciência. Somos cruéis conosco. Desconfiamos da vida.

Demora um tempo, às vezes a vida toda, até que a gente perceba que há coisas que acabam, sim. Efêmeras, elas (coisas e pessoas) cumprem apenas uma determinada função no nosso destino. Há outras, entretanto, que são parte do presente e do futuro: são perenes, nos acompanham, assim como o amor. Tem coisa na vida, objetivo na vida, tem gente na vida que, depois que chega, nunca mais sai e a gente precisa aprender a lição que essa história tem pra ensinar. Mas, essa lição não precisa ser dolorosa como parece, como a gente sempre acha que lição é. Pode ser uma lição amorosa, gentil, amiga. Pode ser uma das poucas coisas na vida que nos trazem alegria e a gente não sabe. A gente não sabe tanta coisa, né? Que dirá sobre algo tão gigante...

Tem uma passagem no gosho budista que diz que não somos capazes de enxergar a própria sombrancelha, logo ela que está logo acima dos nossos olhos. Pois é, eu assumi minha miopia faz tempo. E agora estou tentando desistir de brigar com os prazos, com os resultados, com as frustrações. Eu vivo para descobrir. Assim, além de evitar o tédio, eu evito a cobrança, aquela que eu sou campeã em despejar em mim mesma.

Fico feliz quando posso usar minhas palavras para aliviar uma amiga. E adoraria, também, que, além de ajudar no alívio, eu pudesse ajudar na transformação. Pois, na vida, não basta entender, é preciso mudar. Mudar para ser feliz. É pra isso que a gente vive e é só isso que importa.


terça-feira, 5 de janeiro de 2010

O sagrado que nos mantém


Hoje recebi o email de uma leitora do blog que me emocionou sobremaneira. Acho que, de todas as mensagens que recebo através dos meus textos, essa foi a que mais me tocou. Ela dizia (vou chamá-la de Lu) que estava decidida a se separar do marido e começar o ano sozinha, pois há muito tempo eles não compartilhavam mais nada e ele não atendia a nenhuma expectativa dela.

Aí, navegando, leu meu texto "As lições do amor" e alguma coisa a tocou profundamente e a fez rever sua decisão. Ela termina me agradecendo. Ora... eu é que agradeço por ter "participado" de uma (re)união. Mesmo.

O dia seguiu, eu recebi outro email lindo, apaixonado, de alguém importante demais na minha vida. E fiquei pensando, claro, no quão sagrados são os nossos sentimentos. Eles têm força, né? São puros, verdadeiros. A gente chora por querer ser feliz. A gente sente o coração apertar, doer às vezes. A gente se culpa, se arrepende, se enche de esperança. Tudo porque quer ser feliz, amar e ser amado.

Outro dia me perguntaram por quê falo tanto de amor. É simples: fico murcha sem amar, viro robô, zumbi, perco a graça. Acredito mesmo que a vida só se justifica porque existe o amor, porque a gente tem sorte por encontrar a quem amar. Essa relação com o outro é que legitima a gente, traz valor. É o tal testemunho mesmo.

Eu ainda estou pensando em como responder para essas pessoas. Precisa ser especial. E será, tenho certeza, porque eu não consigo ser rasa, nem simplista. Sou taurina de Vênus, ascendente em Aquário, Carneiro no horóscopo chinês (segundo eles, o signo mais feminino do zodíaco) e tenho a lua em Escorpião: profunda. Tudo meu exagera e dramatiza, passiona, entrega. Quase uma mexicana ;)

E amo, amo demais. Amo demais. Não é só assim que vale a pena?

Tesão


Fui criança quieta e tímida e ainda sou (hoje menos, é verdade, mas ainda sou, sim). Me lembro de ouvir a minha mãe dizer pra eu falar um palavrão, de vez em quando, pra aliviar o estresse ou alguma dor. Nunca segui esse conselho e hoje me arrependo bastante, acho que teria sido útil em alguns momentos e talvez tivesse feito de mim uma pessoa mais solta.

Tesão era palavrão até bem pouco tempo atrás e, por isso, usá-la como título do meu post é um avanção. É que eu descobri que não existe palavra melhor e mais perfeita do que essa para exprimir esse mais do que desejo, essa volúpia, esse desconcentramento de tudo em virtude de uma única vontade. Tesão é a motivação da vida, o eros que nos mantém acesos e com disposição, é a razão de querer ser feliz, é ser feliz.

Tesão é mais do que paixão. Paixão acaba, paixão pode ser enrustida, paixão tem objeto. Tesão, não. Tesão é da gente, é impulso, energia que a gente não controla. É o que une, reune, não deixa ir embora, atrai. Resgata. Relembra. Instiga.

Pois é, tesão não é palavrão e por isso não alivia o estresse, nem a dor. Mas, faz dos dias passagens especiais, traz sentido. T-e-s-ã-o. Encontre e viva com o seu, que eu vivo com o meu. E, como os iguais permanecem, a gente se encontra ;)

Beijo

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Me arrebata, Edward Cullen


Há alguns dias assisti a entrevista da Oprah com de Stephenie Meyer, autora de Crepúsculo. Confesso que não tive lá muito interesse no filme, mas, depois disso, ouvi tantos comentários sobre o filme que fiquei curiosa.

Hoje, o Telecine exibiu e peguei desde o comecinho. Acabou de acabar e eu estou suspirando há 2 horas. Fiquei apaixonada, com inveja, "agoniada" (if you know what I mean) e com saudades desse amor e da entrega que a gente é capaz quando ama assim.

Foi bom pra começar 2010, nessa sexta-feira com cara de domingo à noite, com a ressaca cansada dos dias cheios de festa. Foi bom pra começar 2010, sim. O coração ficou muito cheio cheio ;)

Feliz ano novo a todos. Feliz, alegre e apaixonado.