domingo, 30 de maio de 2010

Dores do ócio


Sempre ouvi que a maior virtude da vida é a paciência. Pode até ser, desde que não confundida com a complacência, mãe de toda a preguiça e de todo adiamento que fazemos. Talvez por conta dessa confusão, a cada dia que passa me convenço mais de que nada deve ser adiado, absolutamente nada. Nem uma conversa, nem um abraço, nem um trabalho, telefonema, pedido, esforço, passeio, choro ou sorriso.

Cheguei num ponto da minha vida que adiar significa correr o risco de ver, lá na frente, uma situação fora de controle, grave, descuidada, talvez irreversível. Como adiei muita coisa no passado, sei bem do que estou falando.

Fiquei pensando ontem na quantidade de filhos desajustados cujos pais são boas pessoas e ninguém sabe como tudo começou. Certamente, desde muito pequena, a criança esteve lá mostrando sua personalidade esquisita, ou foi apenas alargando seus limites, enquanto pai e mãe estavam com preguiça demais para corrigir, achando talvez que a escola fosse dar jeito, ou a própria vida. Adia-se um dever e o que sobra no futuro é um 'por que?' vazio e cheio de lamentação.

Isso serve pra qualquer coisa na vida: pro carro que engasga e a gente espera ele pifar de vez pra levar ao conserto, praquela dorzinha ali na região dos rins e quando se vê virou uma pedra enorme com dores cirúrgicas, pro relacionamento que com certeza poderia ser muito feliz e rico se não fosse o medo de conversar (quem é que sabe falar direito, né? Com esse medo, e mais o medo de perder, a gente se cala e, quando vê, tudo foi para as cucuias).

Em todas as situações cabe a paciência. Em todas elas, deve haver paciência. Mas, nunca, nunca, a complacência. Porque quando a coisa estoura e o conflito está instaurado é muito difícil ter o bom senso que a situação exige. No auge da crise advinda de um adiamento preguiçoso, o que resta é, normalmente, a ruptura definitiva, o desgaste absurdo, o cansaço, o desamor ressentido.

As relações podem ser eternas e felizes, eu acredito nisso. Por isso, meu treino diário tem sido olhar, perceber o que é importante, falar, ouvir, ponderar e agir. Nada do que é vital deve ser colocado em risco por causa da inaptidão em lidar com a dificuldade. Se eu não souber o que fazer, nem como fazer, nem sequer o que acontece direito, ainda assim eu digo: 'não sei, me ajuda a entender, me ajuda a solucionar'. Ter verdade na vida tem me ajudado a romper uma montanha de vícios, inclusive o da preguiça, que eu julguei até outro dia ser paciência. Era nada, era pura complacência.

4 comentários:

Tahiana Andrade disse...

A complacência é um dos piores defeitos do ser humano.
O pior é que, com a mania de procrastinar, os nossos dias vão se enchendo de coisas, ficam acumulados de coisas possíveis porém chatas de serem executadas... simplesmente porque somos complascentes demais!


Belo post.


Beijos

gabimoraes disse...

Nossa, acho que eu andava precisando ler algo assim! :P

Sou a mestra em adiamento (em grande parte das coisas na minha vida, não em tudo) e já tive alguns problemas sérios por conta disso... acho que a única coisa que sempre resolvo de pronto é quando se trata da educação do meu filho, sou muito preocupada com "o que vai dar" desse menino.

Belo texto!

bjos

Carla Daud disse...

oie.. a carapuça serviu..rss

bjs
carla

Augusto Branco disse...

ô, minha princesinha... Só agora vi que você esteve indicando meu site no twitter! Muito obrigado,bebê!
- Como deves ter percebido, eu não uso o twitter, então quando o pessoal me encontrar por lá, encontrará o endereço do site,né.rs
Um beijão pra ti, minha Princesa Acácia!