terça-feira, 26 de maio de 2009

Sopros sutis


Anda pela Av. Paulista um morador de rua que me intriga. Ele deve ter entre 26 e 28 anos, é magro, alto, bonito, cara de quem estudou, conheceu um mundo muito diferente do que vive agora. Tem os cabelos na altura do queixo, em fio reto, finos, levemente ondulados por conta da falta de cuidado. Ele prende a parte da frente dos cabelos puxando para trás, numa espécie de rabo-de-cavalo.

O rapaz empurra um carrinho de supermercado, carregando coisas que pega aqui e ali. Tem um cachorro que o acompanha preso a uma coleira feita de pano, parece uma camisa bem velhinha. Cachorro é bicho fofo mesmo: esse não late, nem rosna pra ninguém. Pelo contrário, mesmo nas vezes em que o vi solto, andava sempre perto do dono, dócil, dócil.

Eu fiquei olhando o moço, sofrendo pelo desperdício da vida dele. Ele certamente acha que nasceu só para aquilo mesmo, que é sua única opção, que não há que se ter forças para mais nada, tudo tão difícil e complicado que é melhor ou mais fácil deixar pra lá.

Ou talvez não. Talvez o desperdício seja meu, do meu tempo, por, arrogantemente, considerar minha vida melhor. Talvez ele seja feliz assim, tão dedicado às suas coisinhas, sem conta para pagar, sem trânsito, sem chefe, achando que tola sou eu, sentindo melancolia e tristeza pelo destino a que ele se impôs, "tão curto, tão incompleto, tão pouquinho".

Entretanto, se, em algum momento, ao deitar e fechar os olhos para dormir, ele, mesmo que fugazmente, no fundo do seu coração, no meio daquela solidão toda, lamenta a falta de uma cama, a falta de um amor, a falta de um casa, de trabalho, de um abraço, então eu estou certa mesmo, é um desperdício ter desistido.

Tomara que um dia eu consiga com que ele olhe na minha direção. Não por nada, certamente eu não teria coragem de falar coisa alguma. Mas eu gostaria de olhar para aqueles olhos, enxergar nem que fosse uma sombra de alma, emprestar um sorriso, ou só mesmo fazê-lo perceber que não é invisível.

Acho que quando a gente sorri para alguém, para qualquer pessoa, ela se sente viva. E quando é tocada, então... acorda. Amada, se ilumina, acredita, fortalece a própria capacidade e a do outro. É assim que a gente não desiste.

Eu fico pensando em como é que se chega a pessoas como esse moço, como é que se pode soprar um pouco de vida nele e num montão de gente que se entregou assim. Tem cegueira em toda parte, de toda sorte, em todos nós. Mas, em alguns, a cegueira é mais fatal: é de esperança.

Eu sei que vou te amar


... o vídeo está no título. Boa voz, linda letra, sentimento inesgotável. Para quem ama.

Eu Sei Que Vou te Amar

(Tom Jobim / Vinícius de Moraes)

Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar
Em cada despedida eu vou te amar
Desesperadamente, eu sei que vou te amar
E cada verso meu será
Prá te dizer que eu sei que vou te amar
Por toda minha vida
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que esta ausência tua me causou
Eu sei que vou sofrer a eterna desventura de viver
A espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida

sábado, 23 de maio de 2009

Receita de gente


Fazia um tempão que eu não andava por aqui. Pura falta de tempo, rumei por outras bandas, agenda complicada e tudo mais. Estava com saudades. Muitas mesmo. Esse pedaço aqui é o meu "oi, as coisas estão assim" para um monte de gente ao mesmo tempo, gente que não vejo com frequência, gente que retribui, gente que não conheço. Não acho que seja fundamental pra ninguém, mas é para mim. E acredito que, vez por outra, alguém esteja vivendo uma fase parecida e se identifique e pare de se sentir um ET. Afinal, todo mundo se pergunta alguma coisa, duvida, questiona, acredita, sonha.

Minha querida Lívia me enviou um texto supostamente do Jabor (difícil, nesses tempos de informações voláteis, saber ao certo. Particularmente, não acredito que seja dele, o texto estava mal escrito, andei corrigindo aqui e ali) e resolvi trazer pra cá. Apesar de não compactuar com alguns termos (mulher moderna, liberal, chifre, etc) nem com alguns conceitos simplistas, achei interessante essa busca por uma fórmula de enquadrar os relacionamentos. Parece que, a partir deles, todo o universo de homens e mulheres vai mudar seus anseios e carências e viver felizes para sempre.

Eu andei pela Paulista outro dia pensando nisso: as pessoas, na grande maioria, se vestem iguais (mesma bota, mesma bolsa, mesmo lenço no pescoço, mesmo número de botões no paletó), numa necessidade tremenda de criar uma identidade coletiva. E a moda ajuda nesse sentido, afinal estipula prazos, cores, modelitos, comportamento, tudo para a gente saber, com segurança, o que e quando usar isso ou aquilo para ser mais aceito, pertencer, jamais ser excluído.

Me parece que é assim nos namoros e afins também, e esse texto vem corroborar com isso. É um tanto longo, me perdoem, mas vai ajudar a repensar um pouquinho sobre esses estigmas periódicos e certamente inúteis que enchem revistas e geram pouco resultado na vida prática (a menos, claro, que isso desencadeie um comprometimento mais sério com outras necessidades, mas isso, ai ai ai, é assunto pra mais de hora!). Bora lá:

"Você, homem da atualidade, vem se surpreendendo diuturnamente com o nível intelectual, cultural e, principalmente, liberal de sua mulher, namorada e etc.

Às vezes, sequer sabe como agir, e lá no fundinho tem aquele medo de ser traído - ou nos termos usuais - corneado. Saiba de uma coisa... esse risco é iminente, a probabilidade disso acontecer é muito grande, e só cabe a você, e a ninguém mais, evitar que isso aconteça ou, então, assumir seu chifre em alto e bom som.

Você deve estar perguntando porque eu gastaria meu precioso tempo falando sobre isso. Entretanto, a aflição masculina diante da traição vem me chamando a atenção já há tempos. Mas o que seria uma "mulher moderna"?

A princípio, seria aquela que se ama acima de tudo, que não perde (e nem tem) tempo com/para futilidades, é aquela que trabalha porque acha que o trabalho engrandece, que é independente sentimentalmente dos outros, que é corajosa, companheira, confidente, amante. É aquela que às vezes tem uma crise súbita de ciúmes, mas que não tem vergonha nenhuma em admitir que está errada e correr pros seus braços. É aquela que consegue ao mesmo tempo ser forte e meiga, desarrumada e linda. Enfim, a mulher moderna é aquela que não tem medo de nada nem de ninguém, olha a vida de frente, fala o que pensa e o que sente, doa a quem doer.

Assim, após um processo investigatório junto a essas "mulheres modernas" pude constatar o pior:

VOCÊ SERÁ (OU É???) corno, a menos que:

- Nunca deixe uma mulher moderna insegura. Antigamente elas choravam. Hoje, elas simplesmente traem, sem dó nem piedade.

- Não ache que ela tem poderes adivinhatórios. Ela tem de saber - da sua boca - o quanto você gosta dela. Qualquer dúvida neste sentido poderá levar às conseqüências expostas acima.

- Não ache que é normal sair com os amigos (seja pra beber, pra jogar futebol) mais do que duas vezes por semana, três vezes, então, é assinar atestado de chifrudo. As mulheres modernas dificilmente andam implicando com isso, entretanto elas são categoricamente "cheias de amor pra dar" e precisam da presença masculina. Se não for a sua, meu amigo...

- Quando disser que vai ligar, ligue, senão o risco dela ligar para outro bom de cama é grandessíssimo.

- Satisfaça-a sexualmente. Mas não finja satisfazê-la. As mulheres modernas têm um pique absurdo com relação ao sexo e, principalmente dos 20 aos 38 anos, elas pensam em - e querem - fazer sexo todos os dias (pasmem, mas é a pura verdade). Nem precisa dizer que se não for com você...

- Dê atenção a ela. Mas principalmente faça com que ela perceba isso. Garanhões mau (ou bem) intencionados sempre existem, e estes quando querem são peritos em levar uma mulher às nuvens. Então, leve-a você, afinal, ela é sua ou não é????

- Nem pense em provocar "ciuminhos" vãos. Como pude constatar, mulher insegura é uma máquina colocadora de chifres.

- Em hipótese alguma deixe-a desconfiar do fato de você estar saindo com outra. Essa mera suposição da parte delas dá ensejo ao um chifre tão estrondoso que quando você acordar, meu amigo, já existirá alguém muito mais comedor do que você, só que o prato principal, dessa vez, é a sua mulher.

- Sabe aquele bonitão que, você sabe, sairia com a sua mulher a qualquer hora? Bem, de repente a recíproca também pode ser verdadeira. Basta ela, só por um segundo, achar que você merece e, quando você reparar, já foi.

- Tente estar menos "cansado". A mulher moderna também trabalhou o dia inteiro e, provavelmente, ainda tem fôlego para "dar uma", para depois, virar pro lado e simplesmente dormir.

- Volte a fazer coisas do começo da relação. Se quando começaram a sair viviam se cruzando em baladas, "se pegando" em lugares inusitados, trocavam e-mails ou telefonemas picantes, a chance dela gostar disso é muito grande, e a de sentir falta disso, então, é imensa.

Bem amigos, aplica-se, finalmente, o tão famoso jargão "quem não dá assistência, abre concorrência".

Deste modo, se você está ao lado de uma mulher de quem realmente gosta e tem plena consciência de que, atualmente, o mercado não está para peixe (falemos de qualidade), pense bem antes de dar alguma dessas mancadas, proteja-a, ame-a, e, principalmente, faça-a saber disso.

Ela vai pensar milhões de vezes antes de dar bola pra aquele bonitão que vive enchendo-a de olhares e vai continuar, sem dúvidas, olhando só pra você."

terça-feira, 19 de maio de 2009

Então...


Ok, vamos explicar o que eu quis dizer com "absolutamente feliz" no post anterior :)

O Budismo explica que há dois tipos de felicidade: a relativa e a absoluta. A relativa é aquela felicidade condicionada a alguma coisa ou a alguém: a criatura não consegue ser feliz SE não tiver muuuuiiiito dinheiro, SE não "tiver aquela" pessoa, SE não possuir aquele carro, SE não for contratada por aquela empresa, e por aí vai. Já a felicidade absoluta independe de qualquer coisa fora de si mesmo: é uma condição saudável e segura que se alegra com as conquistas, mas não se prende a elas.

Quando escrevi "absolutamente feliz" foi por experimentar essa sensação boa de contentamento por minha causa mesmo, não por qualquer outra coisa. E, sinceramente, estou me dedicando muitíssimo para que esse estado perdure o máximo de tempo possível, pois é bom demais. Isso não quer dizer que eu esteja vivendo exatamente como acalento no meu coração (aliás, pelo contrário: estou longe das pessoas que amo, com saudades, ainda consolidando meu trabalho, etc). Quer dizer, entretanto, que posso ser feliz enquanto caminho para...

Beijocas

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Na boa fogueira


Novidade na minha vida não é coisa rara, não. Acostumada que estou com as mudanças , já nem me assusto tanto, mas sempre me ponho a pensar sobre. Nos últimos dias, por exemplo, eu percebi o quanto eu havia esquecido uma vaidade sutil, aquela fina manta que a gente atenta quase sem querer, mas que distingue pelo gosto apurado. Não é sobre a vaidade do ego que falo, essa não tem cura, já desisti, faz parte da humanidade, seja em que grau for.

É outra essa vaidade que redescobri (com surpresa por ter perdido): é a vaidade do luxo, aquele que satisfaz o olhar e o tato só por prazer mesmo, mais nada.

Há tempos venho vivendo numa praticidade espartana a que eu própria me impus por pura necessidade de disciplina e segurança, senso de prioridade, organização, independência acima de tudo. A sensação que eu tenho, agora, é que construí um porto e que já é possível olhar para além da paisagem. É com um suspiro bom que me dou conta disso. Dá um alívio, sinto conforto, garantia. Tem um chão interminável à minha frente e é rico demais que seja assim: essa é a deixa para eu não me acomodar, nem me conformar ou resignar minha vida a direções que não quero. Meu destino é meu e essa direção é minha. Mas, não pensem que isso é egoísmo ou isolamento: os amores da minha vida são parte inseparável e sem a qual não há felicidade completa. O desafio é fazer disso sempre uma escolha, nunca falta de opção.

Depois desse presente reconhecido, eu me comprei alguns mimos lindos e gostosos: feliz aniversário Acácia, o mais atrasado, mas o mais absolutamente feliz. Como é que se pode querer parar assim?

Só pra terminar, recebi, pelo Twitter, a indicação do Sweet Jardim, da Tiê. É bem bonitinha a música dela, é pra deixar tocando enquanto se faz alguma coisa, cozinha, escreve, toma vinho, conversa. Me chamou a atenção a letra de "Dois", a composição é dela e do Thiago Pethit. Dá para ouvir o CD inteiro pelo endereço dela: www.myspace.com/tiemusica.

Olha que fofa:

Como dois estranhos,
cada um na sua estrada,
nos deparamos, numa esquina, num lugar comum.
E aí?
Quais são seus planos?
Eu até que tenho vários.
Se me acompanhar, no caminho eu possso te contar.
E mesmo assim, eu queria te perguntar,
se você tem ai contigo alguma coisa pra me dar,
se tem espaço de sobra no seu coração.
Quer levar minha bagagem ou não?

E pelo visto, vou te inserir na minha paisagem
e você vai me ensinar as suas verdades
e se pensar, a gente já queria tudo isso desde o inicio.
De dia, vou me mostrar de longe.
De noite, você verá de perto.
O certo e o incerto, a gente vai saber.
E mesmo assim,
Queria te contar que eu tenho aqui comigo
alguma coisa pra te dar.
Tem espaço de sobra no meu coração.
Eu vou levar sua bagagem e o que mais estiver à mão.

Um beijo, boa semana.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

O Twitter, segundo o Portal Exame


Por que o Twitter merece atenção

O serviço de troca de mensagens curtas toma o mundo de assalto - e começa a incomodar os gigantes Google e Facebook

Até bem pouco tempo atrás, boa parte dos que ouviam falar do Twitter fazia cara de ponto de interrogação. Apesar de existir há três anos e contar com algumas centenas de milhares de usuários apaixonados mundo afora, o serviço de troca de mensagens durante muito tempo se manteve restrito aos aficionados de tecnologia e aos que trabalham na área digital. O apelo de compartilhar ideias em até 140 caracteres, em resposta à pergunta "O que você está fazendo agora?", de fato foi fácil de compreender, o que levou mais de um blogueiro a comparar a experiência ao sexo: você pode ler o que quiser a respeito, olhar fotos ou assistir a vídeos, mas só saberá do que se trata quando começar a fazer. Pois desde o começo deste ano muita gente decidiu experimentar o Twitter. Muita gente mesmo.

A comScore, empresa de medição de audiência na internet, calcula que 9,8 milhões de pessoas olharam páginas do Twitter na web em fevereiro. Em março, o número quase dobrou, chegando a 19,1 milhões - e a conta não inclui as pessoas que acessam o serviço pelo celular ou por programas específicos para "tuitar", como aponta um novo verbo que deve entrar para o vocabulário deste século. Como convém a uma inovação vinda do Vale do Silício, o Twitter começou pequeno, ganhou tração entre alguns usuários ferrenhos e ainda não dá lucro - ou, para ser mais preciso, nem sequer tem uma fonte de receitas. Mas o dinheiro, por enquanto, é apenas um detalhe. Com sua simplicidade frustrante, o Twitter já é considerado uma ameaça potencial para o Google e o Facebook - e uma oportunidade enorme de marketing para todas as outras empresas do planeta.

Parte do impulso recente do Twitter tem a ver com a enxurrada de celebridades americanas que invadiram o serviço. Arnold Schwarzenegger, ator e governador da Califórnia, está lá desde o início. Barack Obama, o presidente americano, também aderiu quando ainda disputava a candidatura do Partido Democrata. Mais recentemente, a apresentadora Oprah Winfrey, uma das personalidades públicas de maior influência da TV americana, tornou-se uma "tuiteira". O ator Ashton Kutcher travou uma disputa pública com a rede de TV CNN para ver quem atingiria primeiro a marca simbólica de 1 milhão de seguidores, nome que designa a pessoa que lê as mensagens de determinado autor. (O astro venceu a corrida.) No Brasil ainda não há ninguém que chegue perto dessa notoriedade, e o líder em audiência, se é que o termo pode ser empregado, é o humorista Marcelo Tas, com cerca de 42 000 seguidores no dia do fechamento desta edição e que, assim como seus companheiros do programa CQC e outros usuários, lançou mão de ferramentas tecnológicas para artificialmente ampliar seu alcance, como o blogueiro Edney Souza, conhecido como Interney, e a ex-apresentadora de TV Rosana Hermann.

Famosos podem ajudar a divulgar o Twitter, mas são as pessoas comuns, com seus 50, 100 ou 150 seguidores, que fazem do serviço algo potencialmente transformador. Abastecido pelos curtos - mas frequentes - comentários de seus usuários, o Twitter reúne a cada segundo um gigantesco banco de dados sobre o que as pessoas estão falando. Com isso, está se tornando o principal termômetro da web. Uma busca no Twitter traz resultados muito diferentes de uma pesquisa no Google. Por mais eficiente que seja, o algoritmo desenvolvido por engenheiros na Califórnia não é capaz de medir o pulso da conversa global com tanta velocidade. "O Twitter é uma janela para tendências imediatas, assim como para problemas que as empresas precisam acompanhar", diz Josh Bernoff, vice-presidente de inovação da Forrester Research e coautor de Groundswell, livro sobre tecnologias sociais ainda sem tradução para o português. Uma busca por "gripe suína" no Google trará algumas notícias e textos de referência. No Twitter, os resultados provavelmente incluirão relatos em primeira mão de moradores da Cidade do México sobre as restrições impostas à circulação de pessoas.

Um tipo de busca não exclui a outra, é claro, mas o Twitter já se tornou uma consulta obrigatória para empresas que querem avaliar a quantas anda sua reputação. As operadoras de telecomunicações NET e Claro, o banco Bradesco e a fabricante de cosméticos O Boticário contrataram uma empresa terceirizada, a e-Life, para monitorar a internet, inclusive nos microblogs. "Hoje, 30% das manifestações sobre a companhia na internet vêm do Twitter", diz Bruno Raposo, diretor de gestão de clientes da NET. Em termos de impopularidade, porém, deve ser difícil superar a Telefônica. Na primeira semana de abril, o serviço de banda larga da empresa, o Speedy, sofreu uma pane no estado de São Paulo. As reclamações de 140 toques (e muitos xingamentos) se espalharam pelo Twitter instantaneamente - e duas semanas depois os relatos de problema continuavam a aparecer nas buscas. O serviço serve para ouvir e, é claro, também para falar. A fabricante de computadores Dell já vendeu mais de 1 milhão de dólares nas promoções exclusivas que são lidas por seus seguidores. O varejista Submarino é um dos exemplos brasileiros na linha das promoções. Quase 8 000 pessoas já optaram por receber as ofertas de livros, CDs e DVDs. A lista de empresas é longa e inclui até mesmo curiosidades como a padaria londrina Albions Oven, que avisa seus seguidores sempre que sai uma fornada nova.

Mas o Twitter vai muito além do uso empresarial. Ele representa um fenômeno cultural que tem despertado interesse e perplexidade em iguais medidas. Muitos tweets, como são chamadas as mensagens trocadas entre os usuários, são triviais: Fulano comeu macarrão no almoço, Sicrano chegou 5 minutos atrasado e ficou sem ingresso para a sessão de cinema, Beltrano está assistindo a um jogo de futebol. Há um pouco de exibicionismo envolvido, assim como uma necessidade incontrolável de manter-se em contato com outras pessoas. Mas será que só isso explica o sucesso desenfreado dos últimos meses? Numa entrevista recente, Paul Saffo, diretor da consultoria Instituto do Futuro e professor da Universidade Stanford, disse que o Twitter reverte a noção tradicional de grupos online. Milhares de pessoas se reúnem em torno de um tema sem que precisem aderir a um grupo de discussão ou às tradicionais comunidades. Foi graças ao Twitter, a propósito, que o fenômeno da escocesa Susan Boyle num programa de calouros tomou o mundo digital de assalto.

O Twitter conquistou a imaginação coletiva sem ter um modelo de negócios e praticamente sem ter faturamento. A empresa já recebeu 55 milhões de dólares de investidores de risco. Os fundadores, Jack Dorsey, Biz Stone e Evan Williams, que criou o Blogger e depois vendeu a empresa ao Google, afirmaram mais de uma vez que ainda neste ano haverá novidades nesse campo. Alguns especulam que o Twitter possa cobrar de empresas que queiram fazer uso comercial da ferramenta, como a divulgação de produtos. Uma alternativa possível é publicar anúncios de acordo com o perfil dos usuários. O que parece claro é que, por enquanto, a dupla não tem motivos para pressa. Ao contrário do YouTube, que daria prejuízo de até 2 milhões de dólares por dia, segundo uma estimativa, o Twitter não tem custos exorbitantes de infraestrutura.

O serviço também continua rumando para a estratosfera, com um crescimento de 600% durante o ano passado. "Uma vez que um site é capaz de construir uma audiência dessa forma, é difícil perdê-la do dia para a noite", diz Magid Abraham, presidente da consultoria americana comScore. Esse deve ter sido um dos motivos pelos quais o trio rejeitou, em novembro do ano passado, uma oferta de 500 milhões de dólares em ações e dinheiro feita pelo Facebook. Sem a aquisição, a maior rede social do mundo partiu para a forma mais sincera de lisonja: a cópia. Há dois meses o Facebook revolucionou a interface do site para deixá-la muito semelhante à do Twitter - e seu fundador, Mark Zuckerberg, começou a "tuitar".

FONTE:Portal Exame

Rapidinhas


No noticiário de ontem eu ouvi: "vaticano nega a simpatia do Papa com o nazismo". Mas, escuta, não é incrível ter que dizer isso?

> e aquele deputado mauricinho que matou dois rapazes no Sul? Carteira apreendida há séculos, cheio de pontos na carteira, irresponsável e inconsequente, o sujeito foi transferido para o Einsten para tentar consertar o estrago nos ossos do rosto. Gravem o nome e o partido: Fernando Ribas Carli Filho (PSB);

> tem gente que acha que o Sr. Brasil, da Cultura, é programa sertanejo. Ledo engano. O que passa por lá é música brasileira de primeiríssima qualidade (e causos deliciosos);

> vocês acreditam que eu fui convidada para dar uma palestra sobre a "arte" de escrever? Eu nem tinha levado a sério no primeiro e-mail, mas, a coisa é de verdade mesmo. Eu vou, né?, aprender um pouco como se faz;

> eu navegava pelo santo Google, fazendo uma pesquisa inocente, procurando cositas puras e castas, quando encontrei um site beeeem bom. Meninas, deem uma voltinha por lá e suspirem: https://www.rumo.com.br/sistema/home.asp?IDLoja=159&cch=&1ST=1&Y=1518175115837 (cliquem no título para acessar);

> lembram da Maria Mariana, aquela que escreveu Confissões de Adolescente? Uma amiga postou no Twitter as bobagens que a criatura andou falando durante uma entrevista à Revista Época. Confiram algumas:

“Se a mulher parir naturalmente, será uma mãe melhor.”
“Amamentar não é um detalhe, é para a mãe que merece.”
“Deus preparou o homem para estar com o leme na mão.”
“Apanhar cueca suja que o marido deixa no chão é um aprendizado de paciência e dedicação.”

Que pena, não? Ela era tão espertinha... e a Época, então? Podia dar esse espaço pra tanta gente mais interessante!

> blogueiros e pretendentes a, anotem na agenda: eu, Fabrício e Nanci estamos organizando o Rodablog (1º Encontro de Blogueiros) para acontecer em agosto. Com esses dois, a coisa dessa vez sai. Acompanhem, divulguem e compareçam, por favor. Já tem tema e tudo. Falta só confirmar o lugar. Ah, sugestões são muito bem-vindas;

> aos amantes do humor inteligente, assistam ao Furo MTV. Morro de rir. Melhor que ele, só o CQC mesmo;

> meio volátil essa manhã, entre lânguida e pilhada, eu vou indo. O dia será longo e cheio e preciso transpirar um pouco agora: hoje é quarta e a academia é mais cedo. Como diz o Marco Luque, beijomeliga :)

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Luva de pelica


Ai, ai, blog é uma coisa boa mesmo. Adoro! Vocês não devem lembrar, mas, em 16 de março, eu publiquei um texto intitulado "Medidas, limites e outras procuras". Nele eu citava, não muito agradavelmente, um outro post que eu havia lido, do Augusto Branco.

Pois é, hoje ele me escreveu, comentou minha malcriação, e, vou dizer com certo pudor, fiquei docemente surpresa. Quantas pessoas, ao lerem uma "crítica" (se é que se pode chamar assim), seriam tão bem-humoradas, gente? Obrigada, Augusto, bela lição de auto-estima.

Ah, e para que vocês não fiquem curiosos, segue o comentário:

"(rsrs) Legal ter encontrado o teu blog. Você escreve coisas bem contundentes, mocinha e... quero pedir desculpas se pareço ter desenhado um modelo feminino que torna as coisas mais difíceis pra vcs. Na verdade, eu apenas disse que gosto de mulheres ousadas - o que não significa que eu não goste das que não são ousadas também, rs.

Ocorre que ser ousada é, muitas vezes, ser discriminada ou até excluída. Engraçado verificar que não ser ousada pode dar no mesmo também. No final das contas, parece que a grande ousadia acaba sendo "ser você mesma", mesmo que não se saiba exatamente o que é "ser você mesma" ou mesmo que isto não seja ousadia nenhuma...

Ma va bene: bobagem de bobagem, parece que tenho mesmo o dom de escrever bobagens. De qualquer modo, achei bem interessante o que tu escrevestes.

Um grande beijo pra você, mocinha!"

domingo, 10 de maio de 2009

Dançando com vista pro mar


Final de domingo. Que estranho, estou com a sensação de fim de feriado prolongado... e estou teimando para que esse dia não acabe. Dia tão bom, paz tão boa, nem quero pensar que, em algumas horas, já estaremos na segunda-feira.

Assisti ao longo making off de Ensaio sobre a Cegueira. O filme é bom (bom mesmo), mas é feio e triste; o making off, entretanto, é simplesmente ma-ra-vi-lho-so, super-alto-astral, comovente. Fiquei pensando nas realizações que protagonizamos, nas construções, nos caminhos que escolhemos, nas pessoas envolvidas, nos sonhos, nas pequenas e grandes frustrações, na emoção, na vida toda que acontece enquanto tudo isso se processa.

Engraçado que, mesmo sendo hoje o dia das mães, eu pensei mesmo foi na minha avó. Minha avó faleceu há alguns meses e acho que nunca me dei conta disso direito, a ficha tem caído aos poucos, devagar, como sempre acontece comigo.

Minha avó faria aniversário no último 19 de abril, foi avó muito cedo e acho que, por isso, não teve tempo para aprender a ser. De gênio difícil, minha avó sempre falou com gente invisível (espíritos ou fantasmas, como queiram chamar). A coisa não aconteceu com a idade, não, desde muito jovem isso acontecia (o que não falta é testemunha para contar as histórias). Quando minha tia-avó faleceu (irmã dela), há quase 3 anos, minha avó soube sem que ninguém precisasse contar. E, conversando com ela "ao vivo" disse que não iria por ora, que ficaria mais um pouco, que parasse de chamá-la.

Não sei quanto disso carrego, mas sempre fui sensível, suscetível às viradas de ar e afins. Há tempos em que essa "antena" desliga e eu fico mais leve, mais solta, feliz. Mas, há época em que isso pesa sobremaneira e parece que finalmente entendi que, em época assim, eu devo interromper qualquer estímulo externo que possa piorar a sensação. Até mesmo uma bebidinha inocente pode desencadear um trelelê nessas horas. Calma, gente, não baixa santo nenhum, é só a sensibilidade que fica à flor da pele mesmo. E, aí, haja paciência para amansar o peito.

Dizem que essas coisas passam de avó para neta mesmo, pulando uma geração sempre. Fico feliz em saber que posso mudar um tanto essa novela, "7 gerações para trás e 7 para frente", como diz o gosho. Isso me dá a sensação de estar realizando a minha vida, seguindo o rumo, tudo tem um destino, afinal. Reconhecer esse ir me traz momentos de tranquilidade e complacência, tolerância e paciência comigo mesmo, como hoje.

No final do livro que acabei de ler essa semana, Maitê escreveu: "Sigo subindo e descendo as montanhas para saber o que há atrás da paisagem. Haverá, possivelmente, outra montanha muito parecida com esta em que me encontro agora, mas, como tenho pregados na memória aqueles primeiros tempos em busca de alegrias essenciais, não acharei isso maçante: a satisfação está no percurso, e alcançar o topo para espiar o outro lado é só a motivação para seguir no caminho, para seguir no caminho, para seguir simplesmente no caminho".

Enfim, boa semana a todos...

PS: By the way, parei de assistir Dona Beija. Não deu mais, não. Too much for me.

PS2: Minha amiga Sílvia me disse, certa vez, que essa música a fazia lembrar de mim. Pode ser, Síl, o link para conferir o clipe está no título :)

Beijos

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Minudências


A semana acaba depois de dias bons e cheios. Hoje, particularmente, foi um dia fantástico, mas saí de casa às 8 e meia da manhã, o que, para mim, é cedo demais. Apesar de acordar às 7, não gosto de sair antes das 9. Esse é uma das minhas pequenas e irritantes manias - irritantes e entediantes - mas, que nem atrapalham tanto quando isoladas. O problema é quando elas se juntam na TPM, aí nem eu me aguento.

Minha mais recente mania é o Twitter, a-m-e-i a ferramenta. Serve para comunicar, divulgar, blogar instantânea e resumidamente, encontrar profissionais bacanas e descobrir notícias antes que a maioria. Gostei tanto que indiquei para tudo quanto é assessor de imprensa, jornalista e afins. Tem gente que ainda resiste, mas é só porque não entendeu a função da coisa ainda. Se a Bandeirantes e a Cosmopolitan usam, quem sou eu para ignorar, né?

Inexplicavelmente, apesar das manias serem alguma espécie de método benéfico, a rotina me aborrece sobremaneira (na mesma medida em que me assegura de que a vida tem ritmo e curso). Eu sou estranha mesmo, já entendi essa parte.

Em compensação, não tenho aqueeeeles vícios que machucam tanto: não fumo, não uso drogas ilícitas, não sou alcóolica nem assassina, não bato em vovozinhas, não roubo, não jogo lixo na rua, nem desrespeito conscientemente ninguém. Por isso, até, na balança das causas, eu acabo me dando o direito de pequenos deslizes, como se, para me redimir da mesmice do correto, eu julgasse que posso tomar um banho mais demorado ou deixar uma lâmpada acesa quase sempre pela casa (não gosto de escuros, a não ser para dormir).

Nunca assisti novelas, mas confesso que, desde que Dona Beija passou a ser reprisada, tenho acompanhado sempre que posso. Adoro histórias de cortesãs (sempre tão intensas e apaixonadas) e gosto demais da Maitê Proença (seu livro Vidas Inventadas foi uma das coisas mais sensíveis que li na vida, outro dia farei disso um tema). Eu sou assim mesmo: quando gosto, GOSTO! E gostarei para sempre, a menos que um raio caia sobre o objeto de tanto gostar.

E é assim que ouço muitas músicas há anos e amo demais cada uma delas. Macy Gray me acompanha há bem 10 anos, adoro Damien Rice incansavelmente com a mesma canção e corro com Pump it há milênios. Sou até meio previsível, mas às vezes fico enjoada, também. Aí, eu dou uma volta, respiro outra praia, olho outra paisagem. Só não faço isso com o coração: esse não. Esse é decidido, fiel, leal, apaixonado. Canino mesmo.

No final das contas, e pensando bem, meus pequenos vícios desenham alguma disciplina que me é bem útil: talvez, sem eles, eu não soubesse para onde ir, nem por onde começar, nem em por quais bandas seguir. Como diz Clarice Lispector, "sou a mesma sempre, mas não serei a mesma para sempre".

Bom, agora vou-me embora para Pasárgada, pois lá sou amiga do rei*. Bom final de semana, um beijo.


* Manuel Bandeira

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Uhu... corre neguinha...


Gente, vocês não tem noção do que foi a reunião na minha casa hoje. Eu, que andava tão míope, tomei um choque de vida. Vida grande. E, uau, UAU, uma venda caiu.

Às vezes, nesse processo de lapidar, a gente embrutece, né? Feito uma pedra mesmo, e cai no lamento pequeno da vidinha miúda, longe daquela delícia de se sentir "cheia", completa, estabelecida em si mesma, ereta. Não tem problema nisso, não: isso faz parte do humano em nós. Nossa porção humana é assim mesmo: desliza, tropeça, adoece, duvida, carece. Mas, nossa vida também tem muito de divino: é a porção que recupera, levanta, cura, acredita, doa. Daí a grandessíssima importância do treino, do desejo de deixar o coração e a mente fortes e alinhados e divinos na sua forma mais saudável. Funciona quando a gente mais precisa.

Eu pretendo viver mais 50 anos, isso é mais do que vivi até hoje. E quero que sejam os 50 anos mais felizes da minha vida, os mais produtivos, os mais efetivos, os mais acompanhados. Os 50 anos mais significativos.

Super-obrigada ao meu convidado, o Zé, que, ao sugerir o tema para a nossa reunião, nem podia imaginar o furor que causaria na minha noite: o que ouvi e falei hoje era exatamente para mim mesma.

Obrigada também à Rose, veio de primeira e me cativou! Obrigada Mary, Ciarini, Raniy, William, Douglas, Paulo, Carmen, Ana, Clarice, todos, todos.

Um beijão, até amanhã.

"A esperança é uma fonte de força. Nunca percam o brilho do coração. Esse é o propósito da fé." (Daisaku Ikeda)