terça-feira, 31 de março de 2009

A champagne nossa de cada dia


Termina hoje, às 20h, a maior feira para profissionais do setor de beleza do país, a Hair Brasil. O evento começou no sábado, dia 28, e até ontem o nº de visitantes era de 67 mil. Com a presença de celebridades e nomes importantes do mundo dos cosméticos, o sucesso já se anuncia para a próxima edição, em 2010. Todos os detalhes vocês poderão checar no portal, nesta quinta-feira. É informação que não acaba mais. Mas, o que eu quero dividir mesmo é a minha percepção desses 4 dias de lançamentos, festa, música alta, modelos, cabeleireiros, maquiadores, jornalistas, empresários e afins.

Desde que entrei para esse mundinho, essa é a primeira vez que me apresento completamente por minha conta. Fui convidada como Portal NetBelle e YellowA e sassariquei aqui e ali sendo dona única e exclusivamente de mim mesma, do meu trabalho e dos relacionamentos que cultivei. Comentava há pouco que essa foi a melhor e mais feliz das edições de feiras de que já participei porque pude medir o meu próprio desempenho e, principalmente, a minha credibilidade. Não havia um nome consolidado de mídia impressa atrás de mim: o portal existe há apenas 6 meses e seu único trunfo é a postura com a qual se manteve nesse curto período.

Escolhi a dedo quem visitar de acordo com os meus próprios critérios, tomei café e suco exatamente com as pessoas com quem tenho afinidade e em quem acredito. Conceito de trabalho é tão importante quanto conceito de produto. E ética é coisa difícil de achar. Portanto, não perdi meu tempo com obrigações, fui criteriosa e fiquei muitíssimo satisfeita com os resultados.

Muita água ainda vai rolar (ainda bem) e, daqui pra frente, hei de ter mais disciplina do que jamais tive, pois, como bem disse alguém, "o trabalho é como barbear-se. Não interessa se você fez um ótimo trabalho hoje, terá que repetir a performance amanhã". Finalmente, acredito que tenha encontrado uma paixão na vida profissional.
Trabalhar é necessário, mas trabalhar com paixão é como ter um hobby em tempo integral que recupera o viço e alimenta o brio: é bom demais. Como já dizia Aristóteles, "o prazer no trabalho aperfeiçoa a obra". Estou torcendo. E trabalhando, claro ;)

segunda-feira, 30 de março de 2009

A droga da verdade


Eu sou míope: -5,5 graus. Não é pouca coisa, não. Para vocês terem uma idéia, sem minhas lentes amigas, e a uma distância normal a qualquer olho com 100% de capacidade, eu não assisto tv, nem leio jornal, nem reconheço um rosto do outro lado da calçada. Meu desconforto virou óculos quando eu tinha 11 anos e era de apenas -0,75. De lá para cá, todo o esforço para enxergar virou uma audição fantástica (meus ouvidos são dois olhos extras) e uma sensibilidade para enxergar muito além da silhueta das coisas, físicas ou não. Incrível como a falta de visão aguça outros sentidos.

Por isso, acho estranho a tal "vista grossa", aquele estado em que as pessoas fingem que nada acontece, que tudo está a mil maravilhas, que um docinho como sobremesa resolve o amargo do prato quente. E eu fico bem brava quando alguém subestima minha capacidade de percepção, e tenta me enganar com rodeios super-bem-elaborados, bem-ditos, eloquentes!

Dois acontecimentos nos últimos três dias me abismaram: uma fulana do meu círculo profissional, por exemplo, ou é insana ou acredita que eu seja, porque mesmo imaginando que eu conheça a história das coisas, ela, ainda assim, se põe numa função de justa lamentação, como se vítima fosse das circunstâncias e das pessoas. Será que ela não sabe que esse nosso mundinho é pequeno, que as pessoas conversam, e que, eu, principalmente, sou adulta o suficiente para reconhecer uma mentirosa quando vejo uma? Ah, tá, melhor não usar "mentirosa", vamos ser delicados e dizer "fantasiadora".

Uma amiga usou esse termo para falar de uma outra sicrana que recentemente, "por pura fantasia", usou meu nome para fazer marketing pessoal (gente, tô podendo!). A tal até fabricou um e-mail como se fosse meu para dar mais veracidade à estória. Sinceramente, isso pra mim é doença, precisa de remédio e terapia. Alguém capaz disso é capaz de coisa muito mais grave, "sem maldade, claro".

Que todo mundo mente eu não questiono. Em maior ou menor grau, para se esquivar de um problema imediato ou se proteger tolamente, ou, ainda com a intenção de agradar ou se tornar querido ou "melhor", a gente mente. Não adianta dourar a pílula e chamar lorota de inverdade, esquecimento ou (essa é o máximo) "não estou mentindo, só escondendo para não magoar". Patranha, treta, bazófia, gabolice: tudo é mentira, enganação.

Outro dia, eu ouvi a meu respeito: "achei que você estava falando só o que eu queria ouvir". O incrível é que isso foi dito por quem me conhece mais do que a maioria. Levei um susto danado e só fiquei mais tranquila porque essa característica é de quem falava comigo e, portanto, aquilo era mais uma projeção do que um julgamento. Falar somente o que o outro quer ouvir, definitivamente, não é comigo. Prefiro ficar muda a elogiar alguém em quem não acredito ou inventar um blá-blá-blá só para ter assunto.

Com certeza minto, e pelos mais diversos motivos. Estranho dizer isso, mas é verdade (ops), mesmo que não consiga citar algo importante, só bobagens do tipo "infelizmente não posso, já tenho compromisso" ou "atrasei por causa do trânsito", "estava sem bateria no celular", "não recebi seu recado", "nossa, me confundi", "perdi a hora" e por aí vai. Como já dizia Oscar Wilde, "a verdade jamais é pura e raramente é simples", mas eu ainda concordo com Thomas Jefferson: "não há no mundo inteiro uma verdade existente que eu tema ou desejaria não saber". Não é?

O fato é que mesmo quem faz vista grossa sabe que não conseguirá essa façanha por muito mais tempo. O negócio é torcer para que a vista grossa não vire uma cegueira. Crônica. Um câncer irremediável.

Eu não enxergo bem, não, senhor, mas minha miopia está só nos olhos.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Êta nóis


Enquanto o Lula vive repetindo "eu não sabia", Barack Obama disse ontem: "eu sou o presidente, sou o responsável".


Pois é.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Show de Truman




Eu sei, não é nenhuma novidade: Show de Truman é de 1998. Jim Carrey ainda com cara de bebê e Ed Harris como "deus" formaram a dupla em um dos filmes mais injustiçados dos últimos tempos, na minha opinião. Ninguém deu bola, ninguém comentou, mas o filme é bom pra pensar na vida.

A história, muito mais do que apresentar a ficção de quem nasceu, cresceu e viveu com uma câmera de televisão relatando 24 horas de sua vida, conta o que acontece quando a nossa consciência começa a se abrir. Vivendo numa cidade em que as pessoas com as quais convive são figurantes, todas as memórias de Truman foram "imputadas", inclusive seus medos (o medo do mar fora fabricado para que ele ficasse preso à ilha onde vivia, por exemplo).

O filme está repleto de sacadas, mas o final é comovente para quem já chegou num ponto sem volta na vida: ao navegar tentando chegar a Fiji, Truman esbarra no final do cenário. Não havia mais para onde ir. Ponto final. Ele nunca chegaria a outro lugar, estava preso ali. E ele chorou, chorou feito um bebê porque voltar era inconcebível, ele jamais conseguiria viver novamente naquilo que ele sabia ser uma mentira.

Bom, eu sei que muita gente viu o filme, mas não vou contar o restinho que falta. Assim, quem ainda não viu pode assistir, imaginando o final. Uma dica: o Telecine está reprisando, vale a pena.

domingo, 22 de março de 2009

Corujice de mano


Meninas e meninos, prestigiem a entrevista que meu mano deu a uma rede de TV... e concordem comigo: é gato (e é de família... rs).


Beijos, obrigada.

Divagações sobre o ninho


Quando saí de casa, ontem à noite, o céu estava escuro, escuro... e nem era tão tarde assim. Já soprava aquele ventinho frio de outono, mas as árvores pareciam na primavera: carregadas de flores. É a alteração no planeta criando confusão na natureza.

Sei que andei devagar para olhar a praça e a rua, os faróis, os postes, a pouca gente na calçada. Fiquei nostálgica, nem triste nem alegre, só com a lembrança de quando vim morar nesta casa, como vim, porque vim. Foi em 2004 e lá se vão quase 5 anos.

Aqui, senti quase tudo o que se pode sentir na vida. Senti paz e alegria, mas experimentei muito medo e muita solidão, muita raiva e muita angústia. Conheci a apatia, o vazio, mas foi aqui que conheci também o amor, a fé, o respeito, a saudade, a confiança, a paixão, a vocação. Nessa casa entendi que sou mulher e escolhi um caminho, descobri do que gosto, quem sou (eu era tão perdida antes), o que posso, o que não quero, meu desejo, minhas prioridades.

Essa casa é onde verdadeiramente vivo, de onde ninguém me exclui, nem me convida. Nela eu entro como entro no coração de quem me ama, sou querida, mantenho e conservo esse lugar, e nele só entra quem entrou de verdade na minha vida. Aqui tem cheiro, histórias nas paredes. É uma sensação de dar paz a qualquer confusão sentir-se em casa.

Outro dia, convidando uma pessoa a participar das reuniões de Budismo aqui em casa, eu ouvi "é aquela cheia de plantas?", eu sorri "é, sim. É essa mesma". Cheia de plantas. Sempre floridas, sempre verdes, altas, quase árvores. Algumas dão frutos (mexerica e romã), outras invadem o lado de lá, escapulindo pelo muro. Adoram quando chove e são lindas, principalmente quando olho pra elas da porta de entrada.

Não havia um único veio verde quando vim para cá. E eu quis todas elas crescendo aqui mesmo, por isso as comprei bem pequenas. Meio assim como eu: encolhida quando entrei e inteira depois de algum tempo. É bom crescer com testemunha.

Minha casa tem a história que vivi a vida toda porque consegui sintetizar tudo nela, quase como numa catarse. Quase, também, como naquela frase do Thoreau que diz: "se você quer construir castelos no ar, não pense que seu trabalho está perdido: eles estão onde deveriam estar. Agora só falta colocar as fundações embaixo". É, eu coloquei alguma fundação aqui. E fico feliz por isso.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Um tapinha não dói


Gente, ninguém comentou publicamente o último post (Raso ou profundo), mas eu recebi 12 e-mails falando sobre o conteúdo, principalmente da ala masculina. Calma, homens leitores deste blog... sim, escrevi meio passada com a história de uma amiga que tem uma má sorte danada com sujeitos de uma saída só, mas, isso não quer dizer que todos os homens sejam cafajestes, não é?

Aliás, a maioria dos homens que conheço é super-bacana, querem compromisso e se esmeram para. Por que é que vocês ficaram tão irritados???

Teve um que me mandou casar, rs, achando que isso mudaria a minha opinião, como se eu fosse desistir da conquista diária por conta de um papel... Peralá... também não sou a rainha da cocada, só me esforço, afinal, já tendo vivido algumas experiências, sei onde errei e, francamente, não quero repetir. Nem que repitam comigo!

Então, queridos, relaxem. Foi um tapinha, sim, mas tapinha de amor não dói ;)

Um beijo

quarta-feira, 18 de março de 2009

Raso ou profundo


O consultor de cabelos do nosso portal resolveu cortar minhas madeixas. Nada de tirar o comprimento, ele falou, nem de cortar a franja enorme que eu adoro. Era mesmo para dar uma cara nova ao mesmo estilo. Ficou tão bom que a assessora dele comentou que eu ia conquistar um namorado novo. "Já tenho namorado, vou conquistá-lo novamente", respondi. Beeeemmm mais difícil. Aliás, bota difícil nisso.

Encantar uma carinha nova é a coisa mais fácil em se tratando de conquista: basta um visual bacana, uma mexida estratégica no cabelo, o sorriso "certo", as frases de efeito que nunca falham, "aquele" olhar. Se a conversa for interessante, então, nem se fala. Histórias bem contadas, cultura geral, expressões sedutoras e uma pitada de displicência: pronto, o (a) fulano (a) está no papo. Fácil.

Duro mesmo é manter essa conquista todos os dias com a mesma pessoa, aquela que conhece suas fragilidades, sabe que aquele charme todo do 1º encontro é pontual mas que o melhor charme é o espontâneo, entende suas imperfeições mas jamais admitiria uma mentira, ama pelo que é e nunca pelo que promete ser.

Envolver alguém numa festa ou num bar é tão mole que virou moda nos últimos 10 anos: todo mundo "fica", mas poucos permanecem. Quem é que consegue manter a pose do 1º encontro? Cansa fingir, cansa ser o máximo, cansa falar coisas fantásticas o tempo inteiro. Tudo isso acompanhado de falta de amor, então, vira um martírio, pura exaustão, vazio, vazio, vazio. Ainda não sei como tem gente que consegue. Enfim...

Mas, voltando ao começo do post, amando, prefiro conquistar o mesmo homem, exercitar minhas verdades para ser transparente e, aí, sim, aquecer a paixão sem cansaço, sem balela, sem faz-de-conta. E ainda tem a melhor parte disso: a confiança de se despir, de contar a história para ouvidos atentos, falar das fantasias, ver os desejos virando realidade com quem compartilha a vida. Ai, ai. Eu amo a vida verdadeira.

Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crianças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
Às vezes, um galo canta. Às vezes, um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

(Cecília Meireles)


segunda-feira, 16 de março de 2009

Medidas, limites e outras procuras


"Gosto, sim, de mulheres ousadas, daquelas que não têm receio de assumirem-se lindas, sexys e maravilhosas. Mulheres que sabem bem o que querem - e o que não querem! - sem se importar com conceitos antiquados ou tabus. Mulheres de um novo tempo: o tempo delas! O tempo de elas serem tudo o que podem e o que quiserem ser, após tanto tempo de repreensão. Mulheres ousadas são, sim, mulheres que ultrapassam fronteiras, são verdadeiras agentes de transformação de uma sociedade ainda tão hipócrita."

Essa frase de Augusto Branco é uma grande idealização, do tipo impossível de alcançar. Esse modelo perfeito de mulher é o que torna difícil saber direito quem somos de verdade. Nascidas sob a pecha de eternas donzelas, ainda não entendemos o quanto somos disso ou daquilo, até onde somos o que queremos ser ou se atuamos papéis diversos sufocadas por cobranças do gênero augustiano de que "nosso potencial é ilimitado", somos todas, somos heroínas, somos perfeitas.

Falo de cadeira: adoro cuidar, mas morro de medo de virar "mãe" de quem não é filho (medo de ser mãe da amiga, dos sobrinhos, do namorado, até da mãe). É fácil confundir-se nas frases preocupadas e assumir lugares inversos. Ainda por cima, tem o pavor de invadir o que não é meu e o outro pavor maior ainda de, por causa disso, ficar ausente. Difícil a medida exata.

Assim como eu, o outro também tem seus medos e, todo mundo há de concordar, o planeta virou individualista e se protege em pânico de perder a individualidade (se bem que, do pouco que eu sei, só teme perder a individualidade quem nunca a construiu). E a gente vai emitindo sinais oblíquos por conta disso, ora puxando, ora empurrando, na tentativa sofrida de garantir algum espaço (que espaço?) para chorar sozinho.

Uma vez, durante um almoço, a conversa descambou para relacionamentos, assunto beeeem indigesto para aquela hora. Teorias atravessando para lá e para cá, a única conclusão a que chegamos foi a de que o maior inimigo de todos os momentos é o orgulho. É ele que tenta impor limites desnecessários para proteger nossa posição, nosso brio, a auto-estima que todo mundo vomita sem nem mesmo entender o que é isso.

Eu, particularmente, me sinto péssima sempre que me deixo levar por esses sentimentozinhos bestas, que me tornam incapaz de enxergar o outro, que não me protegem, mas, antes, me afastam, me isolam, me deixam vazia. Difícil distinguir orgulho de dignidade, limite de preservação, medida de bobagem, mas dá pra saber pela emoção que vem depois. Dá pra saber.

Há desafios demais na vida que a gente leva, mas mais ainda na vida que a gente escolhe. Escolher é caminhar por um lugar desconhecido, perder a dosagem, criar a dosagem, destruí-la e aprender de novo. No final das contas, depois de um tempo nessa escola e da lição de casa bem-feita, o orgulho que nasce é de outra natureza: é o de aprender, melhorando a vida e o nosso redor.

As medidas são assim mesmo: complicadas de acertar, confusas de manter, sufocantes de perder. Mas, não tem nada, não. Assim como um bom prato, há que se ter sensibilidade para misturar sabores, sabendo que por melhor que sejam os pratos do chef Ferran Adrià, o que a gente gosta (e precisa) mesmo é de uma boa comida caseira.

Longe de Augusto, sou mais Sophia de Mello:

"Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade. "

quinta-feira, 12 de março de 2009

Quem é que sabe?


Segundo o Houaiss, vulnerável é a qualidade de quem pode ser ferido, prejudicado. Para mim, vulnerável é o significado do desejo em realização. Não há nada que desestruture mais. É quase como se a vida chafurdasse brincalhona para ver até onde somos capazes de ir.

Já escrevi sobre o quanto me vejo estranha, revolvendo sempre, abrindo, olhando, fechando, fazendo que esqueço, nunca esquecendo. Sofro por querer verdade em tudo, mas não adianta mais querer mudar (e, na verdade, nem quero): treinei demais e agora a coisa anda sozinha, os olhos e coração já estão por demais viciados.

Sou transparente, nada disfarço, nem quero enganar. Ponho a mão no fogo e grito, sinto frio e me encolho. Não acredito que alguém possa ler meus pensamentos, nem procuro quem tenha bola de cristal. Entretanto, basta um tiquinho de atenção para saber: estou isso ou aquilo.

Outro dia, li no blog da Vanessa: "não tenho receituário e se algum dia tiver, por favor, me processem. Só não quero morrer de tédio, programando mais do que devo o meu destino (...), quero olhar para o tesouro que achei escondido embaixo das pedras e musgos, e ter a certeza de que a possibilidade do fracasso é o que menos importa".

Resumidíssimo, também eu prefiro a corrida nos mais diversos terrenos do que a gangorra imóvel da mesmice. Do mesmo, só quero mesmo o amor. Nada além dele.


terça-feira, 10 de março de 2009

Ai, 2009! e inspiração alheia




Há uns dias escrevi que 2009 havia começado como quem vai abrindo todas as portas de uma vez, chegou "chegando", sem perguntar nada. Talvez, depois de anos ruminando, o tempo tenha resolvido correr, prazo no limite, esperar pra quê?

Pois é, o interessante é que parece que todo mundo tem sentido dessa mesma forma. Amigos e amigas tem me contado que "de repente" tudo aconteceu, rompeu-se um lacre, um caminho sem volta foi tomado. Teve gente que mudou de emprego (parabéns Gabi!), gente que aceitou grandes desafios, gente que perdeu pai e tio queridos. Tem gente em grande dificuldade, mas com grande fé para sustentar, tem ficha caindo, gente levantando. É coisa demais.

Sem falar na crise do mundo, na indústria automobilística, na comunicação. Será que é mesmo aquela história do ano do boi que diz que é chegada a hora de colher o que foi plantado anteriormente? Eita mundo cheio de mistérios, viu...?

Uma vez eu li que o homem é capaz de ficar nadando num tanque a vida toda, indo e voltando, indo e voltando, entediado, mas incapaz de interromper o fluxo. Aí, vem a vida e joga um tubarão no tanque e o sujeito dá um pulo, reaprende a andar, fica ereto, seco, certo de que precisa ir a outro lugar.

Zona de conforto não tem nada de confortável: no fundo, no fundo, quando esse estágio se instala, a gente sabe que logo vem sacolejo. Quem é que fica no conforto assim? O problema é que, normalmente, a gente espera o limite do limite, aquele que se rompe na exaustão, quando não há mais nem ar para amansar o pulmão.

Ainda assim, eu concordo com Eisntein, quando ele diz que "a mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original" e isso só é possível durante uma crise. Nunca ouvi dizer que alguém tivesse tido um insight transformador numa fase molinha da vida. Ele também disse "os problemas significativos que enfrentamos não podem ser resolvidos no mesmo nível de pensamento em que estávamos quando os criamos".

Portanto, há que se ter criatividade, do tipo urgente, pois "insanidade é fazer sempre as mesmas coisas , esperando resultados diferentes ", Einstein também (estou ficando repetitiva?).

Gente, não tem segredo: época difícil pede calma, mas não preguiça. Vá lá, tenha boa vontade, programe-se, lance um objetivo sem medo. Como eu disse a uma amiga hoje, quando a gente tem foco num objetivo grande, a dor do caminho fica suportável, pois tem significado. O tempo passa e a dor a gente só lembra para se orgulhar de ter seguido, apesar dela.

A vida é uma delícia e eu "nunca deixo de ter em mente que o simples fato de existir já é divertido." (Katherine Hepburn)




segunda-feira, 9 de março de 2009

Doce sabedoria


"Quando alguém te ama, a forma de falar seu nome é diferente." (Billy, 4 anos)


O que dizer, gente?

domingo, 8 de março de 2009

Irritando Acácia Lima


A Fernanda Young é tão engraçadinha naquele programa dela que eu resolvi fazer uma lista básica das coisas que me irritam também. Aqui não tem espaço pra tudo, não. Acho que todo mundo concorda que, diariamente, a gente anda perdendo o pavio para certas coisas e a lista cresce sem dó nem piedade.

Liderando a lista das coisas irritantes, mentira;

na sequência, sujeira na rua;


gente falando alto;


carro em cima da calçada;

conexão lenta;

mandar e-mail pedindo resposta e não receber;

gente atrasada: acho uma tremenda falta de respeito;

esperar sem fazer nada enquanto;


adolescente que se acha super-adulto;

perguntas invasivas;

gente xereta;

criança gritando por pura birra e pais que não estão nem aí;

jornalista que escreve e fala mal;

gerundismo;

"diferenciado" (gente, virou praga, todo mundo tem falado "diferenciado");

vício incontrolável (cutucar a cutícula, por exemplo);

alguém achar que está me levando na lábia. Pode ser qualquer um: desde o fulano que diz que não dá desconto à vista porque o preço já está no mínimo até aquela pessoa que dá desculpinha;

chuva no final da tarde, durante a semana;

gente que me telefona depois das 22h;

falta de coragem (é mais irritante do que medo);

produto que promete e não cumpre;

as mensagens com vírus que o msn envia em nosso nome (I'm sorry, aconteceu com o meu outro dia);

musiquinha besta fazendo sucesso;

descuido com o que é do outro;


palestrante com vício de linguagem;

lago do Parque da Aclimação sujo;


prazos não honrados;


noticiário sensacionalista;


etc, etc, etc...


Postei há um tempo sobre as coisas que me alegram o dia, mas não custa repetir... só para equilibrar esse aqui. Fica para a semana que vem, prometo ;)


Para compensar... olha só que graça:







quinta-feira, 5 de março de 2009

Dia Internacional da Mulher


... e já que você leu o editorial, dê uma sapiada no portal amanhã. Sugestões pra lá de sedutoras, capazes de justificar qualquer comemoração.

Especial Dia Internacional da Mulher

Greve de Nova Iorque em 1857 ou a da Rússia, em 1917? Mitos e controvérsias à parte, o fato é que, desde 1975 (designado Ano Internacional da Mulher), o dia 8 de março ganhou força de data comemorativa.

Com a descoberta da pílula nasceu a revolução social / sexual e as feministas bradavam sobre a “mística feminina” e queimavam sutiãs em praças públicas, reforçando o caráter político do movimento em plena guerra fria.

A escolha da cor roxa como símbolo da luta feminina foi outro marco: entre o azul e o rosa, a cor historicamente representava a nobreza; aqui, a idéia era enaltecer a nobreza da mulher, sua alma, seu caráter especial, a grandeza de quem carrega a vida.

O dia 8 de março, longe de ser uma data puramente ilustrativa, é o momento de resgatar as conquistas que hoje nos parecem simples e fáceis. Nós, mulheres do século XXI, votamos, trabalhamos, escolhemos nossos maridos, nos vestimos como desejamos. Consumidora exigente e formadora de opinião, a mulher contemporânea quer se sentir bonita, mas, sobretudo, ter qualidade e consciência em seu cotidiano. O conceito de “boneca” ficou no cinema, numa época em que a própria Marilyn Monroe já ganhava seu rico dinheirinho.

Em homenagem a essa mulher feminina, profissional, mãe e amante, o Portal NetBelle selecionou mimos deliciosos, capazes de seduzir e embelezar a todo momento, 365 dias por ano. Confira.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Ainda que mal


Procurando inspiração para a matéria que comemora o Dia Internacional da Mulher, encontrei Drummond.

Apesar de adorar muita coisa dele, já discordei algumas vezes dos ditos. Aqui, mais uma vez, preciso dizer: ledo engano, sr. Drummond, quem ama nunca se dana.

Ainda que mal pergunte,
ainda que mal respondas;
ainda que mal te entenda,
ainda que mal repitas;
ainda que mal insista,
ainda que mal desculpes;
ainda que mal me exprima,
ainda que mal me julgues;
ainda que mal me mostre,
ainda que mal me vejas;
ainda que mal te encare,
ainda que mal te furtes;
ainda que mal te siga,
ainda que mal te voltes;
ainda que mal te ame,
ainda que mal o saibas;
ainda que mal te agarre,
ainda que mal te mates;
ainda assim te pergunto
e me queimando em teu seio,
me salvo e me dano: amor.

terça-feira, 3 de março de 2009

Então...


Esse blog tem dado o que falar e eu acho graça demais nisso. Eu sei que ando em falta ultimamente, mas os motivos são justos. Hora dessas, o ritmo volta e eu, com certeza, ficarei mais feliz.

Para variar, hoje eu vou responder às perguntas que alguns amigos fizeram depois que textos foram publicados. Não dá pra responder tudo, mas selecionei uma porção começando pelos posts mais recentes e caminhando de volta a 2008.

No post "E vice-versa", uma amiga perguntou "por que vice-versa?" Simples demais: se uma mulher grandiosa ajuda a construir um homem grandioso, o inverso é potencialmente verdadeiro, né?

"Malu Magalhães who?" Gente, I'm sorry, essa menina é muito fraquinha! É tolinha, sabe? Adolescente abaixo da média, sem sal, sem açúcar. Já viram entrevista com ela???

Sobre o "barato" da corrida: só correndo para saber mesmo. Não é fácil sempre, nem delicioso começar algumas vezes. Mas, a sensação final é sempre fantástica. E o efeito no coração também.

Escrevi certa vez que algumas discussões não valem a pena e me perguntaram "qual discussão vale?" Fácil também: as que nos constrói, leva a um novo olhar e, principalmente, as que são conversadas. Quem grita está com o coração tão longe do outro que qualquer coisa que diga está distante de valer a pena.

"Não subtrair do outro em julgamento" é não acusar. Bom é olhar para si mesmo e perguntar onde é que está o erro.

Não, aquela casa azul não é minha, não. É uma casinha linda, a minha também é, mas aquela é do Google.

Teve gente impressionada porque eu disse que, nos últimos anos, um foi melhor do que o outro. É claro que isso não quer dizer que eu não tenha tido problemas ou enfrentado dificuldades, jacarés. Quer dizer, sim, que eu tirei proveito de todas elas. Melhorei. A vida ficou melhor por causa disso.

O post que mais "causou" foi aquele sobre os signos. Todo mundo gosta, incrível. E eu sou taurina, sim, senhor. Legitimamente taurina.

Uma pessoa me perguntou se eu sou apaixonada hoje do mesmo jeito desde o começo. Sim, sim, sim. O amor cresceu, amadureceu. Me amadureceu. Mas, a paixão é tão forte quanto antes.

Ai, ai, quando será o Rodablog. Caros, do jeito que as coisas estão, só depois do meu aniversário... que é em abril :)

Quando citei várias frases de Santo Agostinho, recebi um e-mail dizendo "mas, você não é budista?". Sou, mas isso não quer dizer que só budistas conheçam as verdades da vida, né? Ainda bem.

Depois do post "Nuvens de melancolia", vira e mexe alguém diz: cadê as nuvens de melancolia, nunca mais apareceram? Eu sorrio. Escrever é se expor mesmo. Não, povo, nunca mais apareceram. Eu sou uma pessoa predominantemente confiante, embora eu não ache que melancolia seja tristeza ou desesperança. É só um olhar parado mesmo.

Das frases que eu já citei, com certeza a mais forte foi: "Onde o amor impera, não há desejo de poder; e onde o poder predomina há falta de amor. Um é a sombra do outro." Jung, claro. Ok, Freud também é bom...