sábado, 29 de agosto de 2009

A vida de todos os dias


Ontem à tarde, durante o trabalho, falamos sobre morte e ficamos ponderando sobre a dor: ela é maior quando a morte é repentina? Ou a dor esperada é tão sofrida quanto? Perguntei no Twitter e algumas pessoas responderam por lá mesmo, outras enviaram e-mail, duas ficaram preocupadas achando que talvez eu estivesse passando por uma perda e telefonaram. Fofo isso.

Enfim, a maioria disse que a morte repentina é mais dolorosa porque não permite despedida nem tampouco dá oportunidade de fazer o que se deseja para a pessoa que vai. Alguém também disse que depende, se para quem fica, se para quem vai. Minha amiga Sílvia foi muito mais profunda: escreveu que toda morte deveria ser esperada (não é a única certeza, afinal?).

Bom, o fato é que ninguém gosta do assunto. Eu, então, sempre tive pavor, não entendo, não aceito, não tenho consciência da finalidade. Por isso, cuidar da vida é tão importante pra mim. Cuidar da minha consciência viva é uma questão tão fundamental que é como se eu quisesse garantir que valha a pena tudo, no caso de não haver nada depois, que seja só pó. A intensidade da minha emoção e da minha busca é proporcional ao meu pavor pela morte.

Conheci uma pessoa impressionante durante um seminário essa semana. A Patrícia é intensa e cheia de paixão, mas, como todo mundo, tem um desejo sobrenatural de controlar o futuro. Sentiu um grande amor sem vivê-lo de verdade, sem concretizá-lo, e só percebeu o desperdício quando o homem que amava morreu de um câncer. Por uma série de questões familiares, ela nem pode acompanhá-lo no hospital, mal pode se despedir, e, claro, sofre demasiadamente pelo apego que não foi desatado por falta de... do que mesmo?

Todas as histórias que ouço me fazem pensar. Me fazem analisar minha vida, por que faço? por que não faço? por que digo/não digo? fico ou vou? Acho que isso ajuda um bocado, mas atrapalha na medida em que não sou fluida, estou sempre me apegando à experiências alheias para justificar minhas decisões. A conclusão que tiro dessa frase que saiu "sem querer" agora é que talvez eu tenha tanto medo da vida quanto da morte. E, atenta a isso pela primeira vez, vou tratar de me soltar, relaxar, viver. Talvez, afinal, a famosa "primeiro dia do resto das nossas vidas" parece fazer sentido.

Bom final de semana a todos. Um beijo cheio de vida.

Um comentário:

Patrícia disse...

Querida, obrigada pelo impressionante e intensa. Fico lhe devendo essa. Gostaria de somente fazer uma ressalva, talvez em nossa conversa meu discurso fragmentado tenha causado uma outra interpretação da estória.Eu vivi intensamente meu amor por ele, nunca houve desperdício, justamente por eu ser intensa, eu vivi intensamente cada momento na saude e na doença. A dor maior foi perdê-lo, a dor maior foi ter rompido nossa parceria, ele se foi e eu fiquei. Como meu amigo de longas datas foi-se, sem ao menos me dar adeus e informar seu novo endereço? Mas, felizarda que sou não houve arrependimentos, do que poderia ter sido ou do que poderia ter sentido. Senti tudo, vivi tudo, por isso sofri tanto. Só queria deixar meu relato.
beijos,