quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Sincera incapacidade


Achei graça na minha tia, outro dia. Diz que ela entrou, nesse ano, no módulo sinceridade afiada, assim meio tolerância zero. Não que ela não fosse sincera até 31 de dezembro de 2008, mas, acho que antes, como todo mundo, minha tia ponderava um tiquinho mais na tentativa de evitar um "climão". Eu ri quando ela foi irônica comigo a respeito de uma bobagem. Na casa da família, os "causos" estão ficando famosos.

Às vezes, eu também tenho vontade de eliminar meu sensor, baixar um pouco essa tendência a pensar demais antes de falar, dizer mais "não gosto, não quero, fiquei decepcionada, estou com raiva, você precisa mudar isso e aquilo, tem que praticar atividade física, cuidar da vida, você é medroso, mentiu, me sinto ludibriada", e por aí vai.

Acho que olho tanto para as minhas próprias deficiências que não ouso julgar alguém, pelo menos, não de maneira assim, tão enfática, invasiva (que mania, sempre penso que estou invadindo quando falo do outro). Pode ser que eu seja adepta daquela frase de Tito Lívio que diz "a sinceridade não é dizer tudo o que se pensa, mas crer em tudo o que se diz".

Engraçado que pra falar coisa boa eu não tenho freios, elogio mesmo, assumo o talento alheio, a beleza, a inteligência, etc. Vai ver que Freud explica isso, quem sabe eu pergunte a ele na próxima sessão e consiga ser mais objetiva naquilo que me desagrada. Dizer sim é difícil, mas dizer não... é muito mais.

"We'd gather around all in a room
fasten our belts
engage in dialogue
We'd all slow down rest without guilt
not lie without fear
disagree sans judgement
We would stay and respond and expand
and include and allow and forgive
and enjoy and evolve and discern and inquire
and accept and admit and divulge and open
and reach out and speak up
This is utopia
This is my ideal my end in sight
This is my nirvana
My ultimate

(Alanis Morissette)

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