sábado, 17 de janeiro de 2009

Olhos de Makiguti


O trecho abaixo pertence a um livro chamado Jinsei Chirigaku (Geografia da Vida Humana), escrito em 1903 pelo educador Tsunessaburo Makiguti, antes do mesmo converter-se ao Budismo e fundar a Soka Gakkai.

Reparem que, lá naquele então, ele já falava de uma coisa que virou moda apenas recentemente: a globalização e seu efeito dominó.

"Sou de um vilarejo pobre de Arahama, localizado ao norte do Japão. Um homem comum que passou a metade da vida procurando suprir as necessidades diárias e dar uma pequena contribuição ao mundo. Contudo, quando penso nas coisas ao meu redor, fico admirado com a variedade de lugares, de origem desses objetos que afetam minha vida.

Por exemplo, uma peça de lã que me envolve foi originalmente produzida na América do Sul ou na Austrália e processada por trabalhadores na Inglaterra com a utilização de carvão e ferro extraidos dali. Meus sapatos têm solas feitas do couro fabricado nos Estados Unidos, e o resto do calçado é de couro da Índia. Sobre minha escrivaninha, há uma lamparina a querosene; ela é silenciosa, embora o combustível em seu interior esteja dizendo: 'Jorro do sopé das montanhas do Cáucaso, ao longo da costa do Mar Cáspio, e cheguei aqui depois de ter viajado milhas e milhas de distância'. As lentes de meus óculos foram produzidas com a destreza e precisão dos alemães.

Iniciei este capítulo descrevendo essas coisas triviais porque é muito mais fácil para nós vermos a extensão de nossas inter-relações com o mundo ao nosso redor se reconhecermos a presença dessas relações até mesmo nos pequenos aspectos de nossa vida cotidiana. Imagine um homem que leva uma vida suntuosa, que monta um cavalo árabe, usa uma jaqueta de couro feita em Lyon, que se aquece com um casaco de pele da costa do Mar de Bering ou protege sua cabeça do sol com um chapéu do Panamá. Ele se revigora com especiarias das ilhas dos Mares do Sul, tem ouro do Transvaal, na África, e usa como adorno pedras preciosas do Amazonas. Essa pessoa, na realidade, depende de três tipos de clima (tropical, subtropical e frio) para manter a temperatura do corpo, do solo de cinco continentes distintos para alimentar-se, e de cinco diferentes raças para enriquecê-lo.

O ponto inicial e natural para compreender o mundo e nossa relação com ele é a comunidade (uma comunidade de pessoas, terra e cultura) que nos dá origem. É essa comunidade que nos concebe a própria vida e nos inicia no caminho para nos tornar as pessoas que somos. É ela que nos oferece a base como seres humanos, como seres culturais.

Nas interações com o meio ambiente, observo simetria, harmonia e provas da lei universal no meio da complexa diversidade da natureza. Inconscientemente, meu coração se enche de gratidão e respeito. Essa é a interação espiritual que descrevemos como religiosa."

Pois é, Geografia da Vida Humana foi escrito antes das duas grandes guerras mundiais. Por que mesmo o mundo esqueceu a harmonia e virou o caos?

Um comentário:

marcelo barabani disse...

o mundo nao virou o caos, sempre foi assim, romanos, persas, etc... e sempre vai ser, é 1 mundo p isso, ha outros depois, nao tente arrumar tudo.