terça-feira, 21 de abril de 2009

O bordão do romeiro



Sou uma imperfeição, um poço de contradições, uma alma intensa em ombros contidos. Tenho dois grandes defeitos: observo demais e implodo milhares de mini-vezes antes de explodir e, quando isso acontece, quase sempre é de maneira densa demais, com aquela latinidade típica de quem tem sangue ardente.

Sou um ser ruminante, como meu signo. Empacata, lenta com vontade de voar, onde já se viu? É a porção Aquário do meu ascendente criando confusão nesse espaço pequeno que é meu corpo. Já pensou no tamanho do universo? Qualquer um é pequeno nessa comparação.

Mas, eu sou uma mulher danada e tenho uma sorte: pratico um Budismo que combina, corrobora e clareia a minha busca, trazendo sentido, proporcionando humildade, constatação dos próprios limites, vontade de avançar para melhorar.

Quando alguém ouve o mantra que nós, budistas da Gakkai, recitamos, é normal estranhar. Todo mundo que pratica já estranhou um dia também, já fez careta ou riu. É engraçado mesmo quando não se experimenta. Lembro do marido de uma amiga dizer que ele achava que repetir "aquilo" (o mantra) várias vezes dava o mesmo efeito que repetir qualquer outra palavra. Hoje ele é budista de carteirinha, praticante a quem tiro o chapéu. E tenho o maior orgulho da minha amiga que soube viver na diferença. Nunca é fácil, mas sempre tem gente quem consiga.

Mas, voltando, é somente quando me dedico à prática dessa recitação que minhas fichas mais positivas caem. Às vezes, andando na rua ou conversando com alguém eu tenho meus insights. Aí, eu guardo-os dentro de mim e vou lá, para frente do oratório, chafurdar até destrinchar a informação. É quando ela muda, eu mudo, e a vida ganha um brinde, bingo.

Já ouvi que sou como aquela música, "complicada e perfeitinha", mas eu retiro o perfeitinha. No lugar, eu colocaria "louca para acertar". Eu sou louca para acertar! Não acertar para fazer bonito. Acertar para ser feliz. Ser feliz junto, nunca sozinha. Esse é o único acerto verdadeiro e disseminador nessa vida. Eu bato um monte a cabeça por causa disso, mas, ainda assim, continuo.

O lado bom de tudo isso (sempre tem) é que eu me sinto rica. Não sou rasa, nem leviana. Aprendi a ser profundamente honesta com o que sinto, com o que temo, com o que acredito, com o que quero, com quem amo. Esse é o meu maior bem hoje e todos os dias tento criar uma vida que combine com ele.

Sempre temi viver "formando fila com os pobres de espírito que nem gozam muito nem sofrem muito, na penumbra cinzenta que não conhece vitória nem derrota", como disse Roosevelt, mas confesso que temo demais a derrota. É aí que me confundo, às vezes. E me esforço para recobrar a confiança e mantê-la sempre firme, especialmente para os dias escuros. Por isso, eu amo a frase do Mark Twain que diz que "coragem é a resistência ao medo, domínio do medo, e não a ausência do medo".

Quase às vésperas de soprar velinhas, eu só tenho mesmo a dizer: "muitas felicidades, muitos anos de vida"... Tem sementinha à beça ainda :)

Um comentário:

Wanessa Lopes disse...

auto biografia hein!
Texto lindo.
Escreve um livro meu... vc daria uma boa escritora. Sei lá, tem leveza na escrita. Já te disse isso né.
Espero que o seu problema esteja resolvido ou para se resolver e que de preferência não tenha nada a ver com saúde. Seja o que for, passa, porque
sua auto biografia já diz que vc tem força o suficiente para superar né.

bjs e cuide-se!

Wan