sábado, 11 de abril de 2009

Bolinhas de sabão na tarde que cai


"A vida passa lentamente, e a gente vai tão de repente, tão de repente que não sente saudades do que já passou." Discordo em gênero, nº e grau, Lulu Santos: a vida voa, somos lerdos e sentimos saudades demais. Hoje, a minha saudade é das minhas férias do final de 2008. Parece que faz um século.

Ouvi uma música do Cauby hoje. Tão linda... começa assim: "a deusa da minha rua tem os olhos onde a lua costuma se embriagar".

Taurina com ascendente em Aquário. Ainda bem que tenho o ar de Aquário: dá uma balanceada no terrão que é Touro. E ainda bem que sou Touro: adoro mexer na terra. E filha de geminiana e virginiano: ô bagunça.

Concordava com uma amiga, outro dia, que bons relacionamentos dão trabalho e exigem dedicação. Mas, esse é o tipo que preço que vale a pena: infinitamente menor que o preço da solidão e definitivamente melhor.

Reparando no céu de outono, azulzinho, azulzinho, suspirei. E à noite ainda tem a lua cheia, toda amarela, beirando os cantos da rua de casa.

Presenciei uma cena ri-dí-cu-la de ciúme no caixa do supermercado e fiquei pensando: ai, meus deuses, somos todos ridículos na maioria das vezes!

Ainda peco com as novas regras da acentuação. As únicas coisas que lembro são que "tem" no plural não tem mais acento circunflexo e a história do uso do hífen (aliás, por que hífen termina com "n" mesmo?).

Coisa mais fofa desse mundo foi ouvir meu afilhado de coração me dizer "tô com xaudade". Outro momento-delícia foi tentar entender o que o fofo do Henrique dizia quando eu perguntei por quê ele chorava. Por fim, o pai traduziu: "o Felipe dormiu" e não brincou com ele.

Gosto da Maitê Proença escrevendo, mesmo lendo só um pouco de cada vez para não me cansar com tanta viagem. Achei bonito quando ela escreveu:

"Quando minha criança nasceu, uma amiga me presenteou com seu mapa astrológico e explicou:

- Vocês já estiveram neste mundo como mãe e filha, filha e mãe, por 16 vezes. Na vida atual não há carma para resolver, voltaram para se amar e usufruir do prazer de estarem juntas.

Não me importa se é mesmo dessa forma que as coisas se deram; fica mais bonito assim. Esta é portanto a verdade. E assim tem sido entre mim e Maria, a minha menina do meu coração."

E ri da superioridade da qual os filhos são capazes nesse outro trecho dela:

"X., o pai, convidou Maria para passar a Páscoa em Paris com a família do lado de lá.

Maria - Não quero ficar entrando e saindo de lojas, preciso desestressar.

Pai - Mas nós vamos pro Plaza Athenée, com tudo de bom pra fazer em volta... Explique pra ela, Maitê.

Mãe - Vá com seu pai, Maria, minha filha, vai ser divertido.

Maria - Vou pro sítio com amigos. Já fiz minha programação. Acordo tarde, fico na piscina, e de noite, night. Dia seguinte, acordo tarde, fico na piscina, e de noite, night. No outro dia, acordo tarde, fico na piscina, e de noite, night.

Mãe - Mas, Maria, isso vai ser muito cansativo!

Maria - Eu não disse que queria descansar, disse que preciso desestressar."

Estou lendo Cidadania Planetária, um diálogo entre Daisaku Ikeda e Hazel Henderson sobre como nossos valores, crenças e ações podem criar um mundo sustentável. Não tem jeito, não: é trabalho de formiguinha mesmo, contagiando outra e mais outra e mais outra, outra, outra. Bom mesmo seria se a ficha de todo mundo caísse ao mesmo tempo e cada um fizesse a sua parte com responsabilidade. Isso nem é pedir muito. É sonhar demais. O mais incrível é que a coisa é para bem próprio e não para o ET do além. Vai entender.

Cerveja demais na quinta, dormida longa na sexta, pernas pro ar, fertilizante nas plantas, almoço bom, cinema, muita preguiça e dengo. Pra quem vinha de noites curtas e dias longos, não posso me queixar do feriado, não.

Vá lá, Lulu, corrija-se:

"Hoje o tempo voa, amor
escorre pelas mãos
mesmo sem se sentir
e não há tempo que volte, amor
vamos viver tudo o que há pra viver
vamos nos permitir..."

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