terça-feira, 14 de abril de 2009

A boa viagem


O Café Filosófico voltou à ativa, ainda aos domingos na Cultura e em novo horário, às 11 da noite. O formato é novo também, eu particularmente não gostei muito, mas o conteúdo ainda se aproveita bem.

O primeiro programa voltou-se ao tema "homens e mulheres" e, lá pelas tantas, o filósofo Conté soltou o seguinte: "esse encontro é uma maldição: haverão de se amar sempre e nunca se entenderem". Juro que nesse instante, ouvindo isso, me bateu um cansaço danado, vontade de ir para o meio do mato, pedir para o mundo parar, ou ser presidente dos EUA e nunca mais falar sobre o assunto.

Eu vinha de uma semana de conversas desse tipo com algumas amigas, sobre o trabalho e a dedicação que todo relacionamento precisa, etc, etc. Acho que é mais ou menos como uma carreira, pensei comigo: se você trabalha naquilo no qual tem vocação, paixão, dom, tudo fica mais leve, fluido, mal percebe que é trabalho-trabaaaaalho. Mesma coisa no amor que se tem pelas pessoas (amigos, família, namoridos e namoridas): se o negócio é pesado demais está na hora de repensar a escolha. Isso não quer dizer, claro, evitar problemas ou desistir na primeira dificuldade, sei que isso está implícito no entendimento de todo mundo. Só que há o curso da vida (com alguns baixos) e o eterno sofrimento: olha a baita diferença.

Por isso, acho que parei com essa história. Cansei do assunto, cansei da discussão, cansei dessa história toda de maldição, de árdua labuta: amor (qualquer tipo) tem que ser prazeroso naturalmente, deve ser gentil por querer e sem perceber, precisa de alegria leve, de descanso conjunto, troca substancial. Amor deve repor o que o estresse retira. Deve fazer bem no pior dia da vida, e no melhor também.

Quer coisa mais gostosa que sair com uma amiga, rir ou chorar, mas voltar revigorada? Sentindo-se querida, admirada, companheira? E que bálsamo conversar com a mãe, tia ou irmão e sentir o vínculo verdadeiro do amor? Sentir a preocupação genuína do outro conosco, a necessidade dele de ouvir nosso "oi" e saber que está tudo bem? Gente, isso é trabalho???

Portanto, chega. Vou ler Nelson Rodrigues e Zonas Úmidas que ganho mais. E sejam bem-vindos à minha nova fase amorosa: quando eu ligar ou escrever e-mails saibam que é só de coração. Não tem nada de networking, nem de garantir qualquer coisa. Pra falar a verdade, já era assim, mas agora ficamos claros e entendidos :)

Já disse Khalil Gibran, de quem meu tio sempre foi fã: "o amigo é a resposta aos teus desejos, mas não o procures para matar o tempo! Procura-o sempre para as horas vivas porque ele deve preencher a tua necessidade, não o teu vazio."

Um beijo.

2 comentários:

Felipe Agne disse...

Olá Acácia. Belo post, bem sincero e profundo. Não sabia que eras budista, como eu já fui. Fazia uns retiros com o Lama Padma Samtem Aveline, aqui no RS, mas sabes que os budistas têm uma expressão facial e um jeito diferente de olhar para as pessoas? Acho que foi isso que vi em você que me pareceu tão familiar. Mistério resolvido. Abraço e sucesso nessa nova fase, que já está se mostrando bem criativa.

Gabi Athayde disse...

Apoiadíssima!!! :)