quinta-feira, 16 de outubro de 2008

A humanidade que envergonha


Às vezes, até eu me acho radical. Quando percebo que posso estar exagerando, juro que tento relevar, mas, gente, eu acho um a-b-s-u-r-d-o certas coisas.

Outro dia, 1 milhão e meio de pessoas ficaram sem luz, num bairro aqui de São Paulo, porque um sujeito decidiu chamar a atenção subindo numa torre de anergia. Aí, já viu, para que os bombeiros pudessem salvar o "coitado", a Eletropaulo precisou desligar o fornecimento de luz na região. Isso durou horas. Eu pergunto: é justo?

E, agora, por conta de um namoro rompido, um rapaz mantém em cárcere a namorada e uma amiga há 3 dias. A polícia e a imprensa estão de plantão durante todo esse tempo e eu pergunto de novo: esse mundo de policiais não podiam estar atendendo a outras necessidades? São Paulo é grande demais, há violência por toda parte e, além disso, os policiais civis estão em greve (pois é, está faltando ainda mais segurança nas ruas).

Isso sem falar que, em virtude do isolamento da área, milhares de pessoas estão sem sair de casa, não podem tirar seus carros da garagem, nem sequer comprar pãozinho na padaria. A escola do bairro está sem aula porque a polícia ocupou-a, virou QG. E quem precisa de hospital faz o quê? Me ajudem, eu estou mesmo sendo radical, chata, ou isso é completamente irracional?

E, olha, vou confessar mais ainda: sempre que vejo alguém jogando uma bituca de cigarro na rua, sinto a mesma indignação. Carro parado na calçada, idem. Gente falando alto, sem se importar se incomoda ou não, me agride quase fisicamente. Quem atrasa a vida dos outros, então, nem me fale. Desrespeito me dá urticária, desde o que parece apenas uma distração até os mais abissais, como o desse rapaz de 22 anos e sua namorada de 15.

As pessoas acham que solidariedade é o outro aceitar seus descasos com o próximo e consequentes desastres que decorrem daí. Ou será que um ser que se deixa levar pelo descontrole egoísta acredita, de fato, que não está incomodando ninguém? Vai ver que é pior: ele acha que o povo tem mais é que aceitar mesmo, e daí? Vai encarar?

Eu gostaria de ser mais permissiva, sério, mas isso vai contra demais ao meu jeito de pensar. Só espero que ou eu mude ou a galera tome mais consciência da coletividade. Bom, um excelente começo é votar melhor, dia 26 está aí. Quem sabe, assim, a educação não melhora nesse país?

Como já dizia Paulo Freire, "não é possível refazer este país, democratizá-lo, humanizá-lo, torná-lo sério, com adolescentes brincando de matar gente, ofendendo a vida, destruindo o sonho, inviabilizando o amor. Se a educação sozinha não transformar a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda."

3 comentários:

Por Gabriela Athayde disse...

Apoiado!!
Me lembrou do nervoso que senti, ao ver ontem no avião que eu estava, uma pessoa que conheço, conversando com outras duas. Ela ficou em pé no corredor e as outras sentadas. Havia uma outra pessoa sentada na ponta, a qual foi ignorada pela menina em pé, que se debruçava sobre ela sem a menor cerimônia. Que nervoso que me deu. Pela falta de educação e limite. As pessoas estão cada vez mais egoístas. Que pena ... que preguiça que isso me dá!

Deborah Huff disse...

Cá, fique tranquila pois existem mais pessoas que pensam como vc. Eu tb acho o cúmulo gente folgada e egoísta. Quer mostra maior de egoísmo que este Lindemberg? acha que sua dor de amor é motivo para incomodar um conjunto habitacional inteiro, na verdade, a cidade toda. Ele já está se achando, dando entrevistas na Sonia Abraão, Globo, etc. A mídia é mestre em fazer da tragédia um espetáculo!
Aliás, este caso dá um bom texto procê ecrever.
beijosssssss

sylviapierot disse...

Nossa!!!
Faço do seu texto o meu desabafo!!!
Concordo que tudo o que disse... Eu constumo chamar pessoas assim de SN (sem noção), só que por outro lado ninguém é obrigado a aceitar atitudes dos "SN's".
Aqui no prédio moram 2 SN e ontem um deles deu outro show (de horrores!).
Quem poderia colocar noção de vida em sociedade na cabeça dessas pessoas???