terça-feira, 27 de outubro de 2009

Bem rapidinha


Ainda há pouco eu twittei que a gente estranha tudo que é unusual, não corriqueiro. Mesmo que bom, ainda assim a gente estranha. Eu me referia especificamente a um fato ocorrido há algumas horas e acabei estendendo essa sensação à outras situações.

Já parou pra pensar em como a gente fica "meio assim" no primeiro instante? Não é natural ir se soltando aos poucos e só assim? Poucas vezes me lembro de ter ido a uma festa sem conhecer ninguém e, de cara, me sentir em casa.

Eu achava que o nome disso fosse timidez, mas, não é não. É reconhecimento, faro, proteção. A gente vai olhando, sentindo segurança e baixando a guarda devagar na medida em que ganha intimidade. Quando vê, já tá no meio da pista, dançando e cantando. E, o melhor, acompanhado ;-)

domingo, 25 de outubro de 2009

De noite, Neruda


De noite, amada, amarra teu coração ao meu
e que eles no sonho derrotem
as trevas como um duplo tambor
combatendo no bosque
contra o espesso muro das folhas molhadas.

Noturna travessia, brasa negra do sonho.
Interceptando o fio das uvas terrestres
com pontualidade de um trem descabelado
que sombra e pedras frias sem cessar arrastasse.
Por isso, amor, amarra-me ao movimento puro,
à tenacidade que em teu peito bate.

(Neruda)

Ah, vontade de escrever... mas, e o sono? Amanhã, tomara ;)

Beijos, boa semana

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Guarda-novidade


Li hoje um texto desses que correm pela internet, o autor é Joseph Newton e fala sobre abrir vazios necessários. Apesar do começo ser óbvio, eu continuei lendo já que a amiga que me enviou é inteligente e raramente envia esse tipo de coisa. Pois bem, o autor diz que enquanto não nos desapegarmos de objetos antigos, aqueles que guardamos por anos sem uso algum, estaremos ocupando o espaço que, certamente, é de uma coisa nova. Engraçado, justo agora que ando na faxina para a mudança de casa :)

Ele continua dizendo aquilo que sabemos: guardamos sentimentos velhos também, sentimentos que já não nos dizem respeito, mas que, por pura birra, cismamos em cultivar. Lembranças de dores passadas, mágoas, desconfianças, rancor: tudo isso pode, e deve, ir para o lixo.

A parte boa do texto, a que me chamou a atenção, é a que diz que a gente só guarda aquilo que teme que faltará, que fique vazio, por pura carência, e acaba enviando duas mensagens ao nosso cérebro: "não confio no futuro" e "o novo e o bom não são para mim". Mania que a gente tem de achar que é melhor "isso que eu tenho agora" do que "quero criar mais, experimentar mais, viver mais".

Fiquei feliz por perceber que, apesar da música do Lulu Santos dizer que "assim caminha a humanidade, com passos de formiga e sem vontade", tem gente que põe a cabeça pra funcionar e cria mensagens que nos encorajam a dar passos, mesmo que pequenos hoje, mas sinceros e rumo ao objetivo de ser inteiro.

Há fases em que a gente vai devagar mesmo (para um pouco também), mas já reparou como, às vezes, esse monte de passinhos viram um salto? É quando a vida parece que muda de repente, sem lembrar que tudo foi plantado, construído, cuidado de certa forma.

Algumas pessoas acreditam em destino, outras em acaso, coincidência. Muitas, assim como eu, acreditam em conquistas. Acreditam que, sim, há um traço direcionando para aquilo que herdamos de nossos pais, com suas crenças e vivências, mas, que, fundamentalmente, criamos a nossa história sempre que damos lugar ao novo e, principalmente, ao que é realmente importante na vida. O segredo? Não tem, não. É só pura coragem.

(Essa é a minha coluna semanal do portal Minha Vida. Estará no ar na próxima 6ª-feira com pouquíssimas alterações.)

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Making my way


Li uma frase hoje que era assim: "confie em quem já tentou". Fiquei pensando tanto nisso que meu coração respondeu: quem tenta tem intenção de conseguir, claro, óbvio, e, por isso, carrega tanta sinceridade que já vale a confiança.

Desde menina ouço minha mãe falar e falar (e como falava) que confiança é difícil de conquistar e fácil de perder. Ela falava desse jeitinho, eu ficava até irritada porque, criança e adolescente depois, eu mal sabia o que era aquilo que mamis dizia.

Enfim, cresci (um pouco, é verdade) e fui entender mesmo o que ela dizia somente há poucos anos, quando confiei verdadeiramente pela primeira vez. É estranha a sensação no começo, mas acho que nem pensei direito: confiar foi natural, uma resposta, um alento.

Acho confiança a jóia mais rara dessa vida. Uma preciosidade que faz a gente enfrentar qualquer coisa, uma arma honesta que carrega o brado amoroso de qualquer vitória.

Falei hoje sobre a confiança que tenho em mim, especialmente em situações de muito risco. Eu sou do tipo que renasce das piores crises, que levanta, se regenera, recupera e avança. Mas, sabe? Quero mais não. Quero me manter ereta sempre, sem precisar me reerguer. Quero ir lá, todas as vezes, sempre pronta, forte, tranquila. Quero o meu coração sereno, gente comprometida comigo, a vida é bem melhor assim, não é?

Deixa a confusão para o cinema, novela, para o Jornal Nacional, para os programas da Record e SBT. Se fora de casa haverá sempre gangorras, que dentro dela haja conforto, porto, descanso. Isso não quer dizer mesmice, não. Isso é segurança. Coisa boa demais.

Ainda vou pensar um bocado sobre isso, torcendo pra sair logo do mental e voltar para o coração, lugar de onde nunca deveria ter saído.

Beijo

domingo, 18 de outubro de 2009

O futuro que chega


Pois bem, o final de semana com uma hora a menos termina. Cansada, corpo dolorido da mudança, desacelerando depois do vinho, mas eu estava com tanta saudade do blog, tanta, tanta, que não resisti: aqui cheguei e vou aproveitar para desafogar o coração.

O dia foi emotivo, meio festeiro meio despedida. Depois de 5 anos vivendo nessa casa como se estivesse de passagem, a sensação que tenho é que encontrei um lar. A casa nova é linda, tem jeito de morada mesmo, tem espaço para viver nela com muita música, comida boa, gente e luz (tem música do Pearl Jam no título, ouvi tanto hoje junto com Norah Jones).

Ainda vai levar um tempo para que ela fique perfeita, a reforma é longa. Mas, já dá pra vislumbrar: as fotos estão por lá, os CDs,a cozinha já desenhou os cafés-da-manhã e, nos armários, roupitchas penduradas! Tem até quarto de hóspedes e minha mãe será a primeira a inaugurá-lo (bonito, né?).

Eu queria contar mais, a vida mudou tanto, mas meu corpo pede cama. Ainda por cima, tem horário de verão pra confundir só um pouquinho mais ;)

Beijo procês, boa semana.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Hello, little girl


Hoje é o dia das crianças. Pela primeira vez nessa vida vi um sentimento genérico abraçar todo mundo. Foi uma nostalgia por todos os cantos por onde andei. Até no Twitter: o povo trocou a foto por uma da infância e passou horas contando as lembranças boas. Que coisa, né? Esqueceram a santa em detrimento da saudade.

Claro que essa nuvem nostálgica me pôs a pensar. Lembrei daquela história que diz que precisamos de testemunhas que acompanhem nosso caminho, que nos certifiquem da verdade de nossas recordações e nos ajudem a validá-las. Dizem, também, que as melhores testemunhas são nossos irmãos e, depois, o amor que encontramos.

As perguntas que me fiz foram: quanto mudei nesses anos todos, que alegrias senti? Que alegrias causei? E por que? Como faz pra repetir, pra garantir, eternizar?

Muita gente diz que o homem muda pelo amor ou pela dor. Eu discordo: o amor nos torna mais doces enquanto ele vive em nós. É fácil ser "bonzinho" enquanto se está feliz, quero ver alguém desiludido ser gentil ou compreensivo. E quanto à dor, bom, essa é bem egoísta. Quem sofre, só enxerga o próprio umbigo. Na melhor das hipóteses, quando a dor passa, a gente fica um pouco mais solidário, entende melhor quando o outro chora, mas é só. Se a dor for esquecida, então... tudo volta ao que era antes.

Na minha modestíssima opinião, a única fonte de transformação efetiva e profunda é a consciência. Por isso, eu acho que tanto faz a fase que a gente vive: a ficha pode cair sempre que houver o desejo consciente de enxergar, processar, compreender, mergulhar, e, sim, mudar para ser feliz.

São 5 as fases que todo mundo passa depois de um sofrimento: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Das 5, a que mais me impressiona é a barganha. A gente sempre pensa que “talvez se eu agir desse ou daquele jeito, seja possível reverter a situação”. O famoso "jeitinho". É difícil mesmo dar-se a oportunidade de sair do lugar, procurar a realização agindo diferente, mas é preciso tentar, tentar sem parar até conseguir. Achar que pode obter resultados diferentes agindo da mesma forma, como já dizia Eisntein, é a maior tolice do ser humano.

Com o fim da infância, e a medida que os anos passam, a gente vai percebendo que a vida se torna menos tolerante com os nossos erros e nos dá cada vez menos tempo para corrigi-los. Quanto mais a gente insiste em bater a cabeça, mais difícil fica disfarçar. Bom. Bom mesmo. Caso contrário, ficaríamos eternamente mulambando por aí.

Mas, voltando ao dia 12, foi boa tanta troca de lembranças, e a conclusão a que cheguei foi que essa é a única fase verdadeiramente inocente da vida (clichezão, mas é verdade). O problema é que eu achava que nunca passaria ;)

Da minha parte, o impressionante é que eu nunca havia sentido saudades da minha infância antes. Essa foi a primeira vez. E foram muitas. Amei, obrigada.

Um beijo, boa semana.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Doadores de afeto


Escrevi há pouco para uma amiga que há muito não vejo. Falava sobre como andam as coisas, o trabalho, a família, os amigos, o amor. Enviei um livro, coitada, vai precisar de paciência para ler tudo. Mas, atenciosa como é, aposto que vai pedir mais ;)

O fato é que tem dia que é de uma riqueza sem fim, né? Logo pela manhã, eu li uma frase que foi uma verdadeira sacudida: "só os tolos e ignorantes têm certezas. Os sábios estão sempre em dúvida". Depois, recebi um email super-carinhoso de uma moça que leu minha coluna no portal Minha Vida. Ela dizia que, depois de ler o texto, foi clicando nos links e achou várias coisas minhas: meu blog, meu Twitter, enfim, meu coração. Disse Natália que se identificou muito e quer continuar me acompanhando. Interessante, rs.

Na sequência, Jorge (que também veio pelo Minha Vida) me contou sobre a emoção que sentiu com meus textos. Gente, vocês querem me convencer??? Que coisa linda tanta demonstração de afeto. Na reunião de todas as quartas na minha casa, foi a vez da minha amiga Ro rasgar a seda e me encher de carinho. Para fechar a noite, minha amiga Gil, querida... que linda declaração!!! Não cabe tanto em mim, gente, não cabe.

Fico verdadeiramente tocada com tanta doação, obrigada mesmo. Isso só reforça em mim a certeza de que, na minha vida, não há absolutamente nada mais importante do que um coração feliz.

Como todo bom taurino, adoro conforto, luxo, comida boa, cristais, bom vinho. Um amigo disse hoje que taurinas adoram receber flores, são românticas e... teimosas! Verdade, mas, quem disse que flores e luxo valem a pena em solidão? Quem me convence de que a vida merece ser vivida sem amor, sem amigos, sem beleza? Uma música é capaz de me tirar no chão, que dirá a lua cheia dessa noite.

Lucky me. Ouçam a música no título do post... Coisa mais linda desse mundo.

Beijos

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Nossos ventos


A manhã foi rica em assuntos para a blog, mas uma coisa está gritando pra mim desde ontem: não precisamos de ingênuos novos que desconheçam nossas fraquezas para continuar alimentando-as. O que a gente precisa é de verdade e gente comprometida capaz de nos amar mesmo conhecendo essas fraquezas.

Pular de galho em galho é mais fácil, mas uma hora cansa. A riqueza é criar raízes.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Você precisa do que?


Esse meu blog é estritamente pessoal, todo mundo que acompanha já percebeu. Aqui eu derramo as minhas experiências sem intenção de que se tornam verdades unânimes, sequer verdades. Alguém, vez por outra, se identifica e é super-natural: somos humanos e parecidos em algum momento. Digo isso porque estive pensando sobre um assunto delicado e corro de risco de gerar algum desconforto. Mas, é para o bem, como sempre é a minha intenção.

Fiz terapia por 4 anos e participei também por um bom tempo de um grupo cujo objetivo era trazer luz ao coração e ajudar a melhorar a vida através do auto-conhecimento. Tentei terapia outra vez, depois disso, mas foi por pouquíssimo tempo. Trabalhei bastante comigo, como vocês podem imaginar.

O fato é que, tendo vivido todas essas coisas, me sinto muitíssimo à vontade para dizer: terapia ajuda na medida em que alivia uma dor momentânea (e falar sobre a dor sempre trará benefícios), mas não atua na mudança, sequer na transformação da rota que insistimos em manter.

Além de mim mesma, conheço pessoas assíduas e aplicadas em processos terapêuticos (quaisquer que sejam: freudiano, junguiano, holístico, etc) que, no máximo, conseguem entender como funcionam e porquê, mas que, lamentavelmente não conseguem romper com os ciclos, vícios, deslizes e boicotes.

Lembro que, após um determinado tempo e conhecendo o raciocínio da psicóloga que me atendia, eu escondia uma informação ou outra e, aí, acabava rolando uma manipulação. Péssimo pra mim que não atingia a melhora, e, talvez, péssimo para ela que via seu trabalho assim, sem resultado efetivo.

Encontrei a saída apenas quando reencontrei o Budismo porque, ali, téte-a-téte comigo mesma, sem intervenção, sem máscaras e sem escapatória (ou resolvia ou estava fadada à eterna repetição) eu fiquei inteiramente sob a minha responsabilidade. Foi somente assim que entendi que a brincadeira de fazer-de-conta-que-a-vida-é-passatempo não me fazia feliz. E, vamos combinar, felicidade é assunto que exige compromisso, desejo profundo e seriedade da boa. Propósito bão e é disso que eu preciso :) Tim-tim.