sexta-feira, 18 de junho de 2010

Vem pra luz, Caroline


Eu cresci ouvindo que sinceridade demais é defeito. Acho que por tempo demais comprei essa inverdade, como se eu tivesse que esconder minhas opiniões e observações quase feito um pecado. Há bem pouco tempo eu consegui amadurecer essa história que me incomodou tanto e tem sido possível resolver um bocado de insatisfações por causa disso.

Essa semana, conversando com amigos de turmas diferentes, o assunto foi bem parecido: falar ou não falar, se afastar simplesmente, disfarçar (que é igual a fingir, pra mim) ou simplesmente deixar pra lá pra não ficar com fama de "mau" ou sozinho.

Eu disse, e repito, que a gente vive numa sociedade muito hipócrita, a gente nem sabe em quem confiar porque o mundo tem as mesmas caras e bocas e usa as mesmas desculpas e artifícios. Desde pais e filhos, passando pela relação de trabalho, pela afetiva até as pseudo-amizades, a maioria de nós prefere a comodidade dos esconderijos ao esforço das relações verdadeiras. Aí que tá: esforço em termos, né?, porque é tãããão mais gostoso o convívio com a verdade, seja ela qual for, sabe por que? Porque a gente tem segurança, sabe por onde anda, não fica no escuro tentando adivinhar as coisas.

Por isso, eu não entendo como é que a gente consegue, por tanto tempo, pela vida toda às vezes, mentir tanto. É desgastante, sufocante, doentio. E a gente nem percebe muitas vezes o que está fazendo com a própria vida, tamanho vício em que se meteu. Já viu alcóolotra dizer "sou alcóolotra"? Ele só diz isso quando entende que precisa mudar!

O fato é que, por mais duro que possa ser, eu escolhi ser franca sempre. Deixei de considerar isso um defeito para saber que é uma necessidade. Não se trata de julgar a verdade uma virtude, ela é simplesmente isso mesmo: necessidade.

Por mais que eu ainda enfie os pés pelas mãos, ainda não saiba dizer uma coisa direito, possa parecer ingênua ou meio "sincera demais" (no sentido perjorativo), eu tento, tento todos os dias extrair alguma sabedoria da vida e do que vivo para aprender a falar direito e me expressar claramente. Fora falar, precisa também agir igual, da maneira mais coerente. Eu acredito que vale a pena: sei o que vejo no espelho e quem convive comigo tem a confiança de saber quem eu sou e o que penso. Principalmente porque deixo muito claro que não tenho a menor pretensão de ser perfeita e que, portanto, erro. E muito.

Beijos, bom final de semana :-)

2 comentários:

João Marques disse...

Boa noite Acácia Lima,

Não é todos os dias que encontramos um texto sobre este tema que valida a importância de simplesmente sermos aquilo que somos e acreditarmos que vale a pena falar e lutar por aquilo que, efectivamente, acreditamos.

Parabéns, obrigado pela partilha e...

Abraços saudáveis

Augusto Branco disse...

A mentira nos destrói.
Eu já menti muito para as mulheres. Sempre fui cachorro, e iludia as coitadinhas. Coisa feia de minha parte. Mas ainda bem que aprendi cedo que isto machuca bastante. Hoje, vou dizendo a verdade logo de cara: "não presto,não, anjinho, mas à parte isto sou um amor de pessoa..."rs