segunda-feira, 14 de junho de 2010

Osmose social


Há pessoas que extraem de nós o nosso melhor. Perto delas, conhecemos a tranquilidade, a ternura, a confiança. Sorrimos com leveza, somos interessados de verdade, o corpo inteiro fala como quem diz "estou inteiro aqui, concentrado nesse momento bom".

Outras pessoas, entretanto, carregam consigo um ferimento tão letal que é capaz de estimular nossa pior parte. E, aí, somos o oposto do "amigo", somos feras com quase o mesmo veneno do agressor.

Tem ainda a turma que não nos inspira a nada: perto dela sobrevive a apatia do "frio hoje, né?" e do "trânsito terrível". Viver ao lado de gente assim é como almoçar mingau de maizena todos os dias. Como esse grupo é morno demais, não faz "fá nem fu" como diria uma amiga, vamos deixá-lo pra lá.

Um dos enormes desafios da minha vida tem sido não me deixar provocar por esses "estímulos" alheios: estar perto de gente boa é fácil, mas conviver com alguém que difere completamente da nossa maneira de ver a vida é proporcionalmente o inverso.

O Budismo ensina a "influenciar o ambiente", ao invés de deixar-se influenciar-se por ele. Confesso que concordo plenamente com esse princípio e sei o quão possível ele é, mas, ainda assim, digo que é preciso muito treino, muita dedicação e atenção para não sucumbir vez por outra. Entendemos que devemos ser mais fortes, mas basta alguém nos desrespeitar ou negar um pequeno desejo nosso que nos embrutecemos. O que fazer?

Nada de grandioso a ser feito, não. O único remédio efetivo para manter o seu ânimo verdadeiro é respirar fundo, lembrar dos próprios objetivos e ter em mente que manter a sua própria sanidade emocional em bom funcionamente é o que importa. Se o seu coração chorar, ok, aliviar é necessário. Mas, não o deixe sangrar até a morte. Ninguém, nem nenhuma situação ruim, merece seu falecimento de esperança. Lembrar que sua felicidade absolutamente deve independer das circunstâncias é o primeiro passo para cultivar uma leveza esquecida nos dias de hoje.

Pois, como diria Carlos Drummond de Andrade, "a cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade".

Um comentário:

Augusto Branco disse...

... que lindo ver você pensando essas coisas, bebê. E que jeitinho mais gostoso de você dizer as coisas... Sabe, sou o tipo de pessoa que quando encontra algo bom quer compartilhar com todo mundo! Penso que se tivesse um livro apenas com textos de tua autoria,seria um dos poucos livros que eu teria prazer em ler e indicar pra todo mundo!
Aliás, você bem que poderia fazer isso, né, nem que fosse ali por onde eu comecei, no Clube de Autores. - Vou ficar no teu pé,agora!rs
- Beijo!!!