quinta-feira, 4 de março de 2010

A pureza que nos resgata


A gente sempre fala no quanto a vida muda, no quanto tudo é tão dinâmico, corrido, ninguém tem tempo, não dá nem pra ir à academia ou ao teatro. Tem Twitter, Google, notícia fica velha mais rápido do que nossa memória é capaz de esquecer. Só esse ano, pensem (e só estamos no começo de março), quanto coisa aconteceu. Tragédia, então, nem se fala. Shows, casamentos, descasamentos, carnaval. Velocidade o que mesmo? Ah, tá... humana.

E falando em humana, eu me dou conta dessa minha porção em tardes como as de hoje: apesar do ruído intenso do trabalho, eu me deixei desacelerar, parei para um café, me senti voltar mais lenta, tranquila, cheia de uma "facilidade" beirando a ternura. A gente perde tanto da vida quando se entope de assunto, né? Que assuntos tão importantes são esses que valem mais do que um aconchego? Eu não entendo isso, não. Mesmo.

Acho que grande parte da minha confusão mental sempre veio do fato de ser coração no corpo inteiro e ter que lidar com um pensamento real, conectado e preso na vida real. Confesso que já fui mais corrompida, que melhorei um pouquinho. Acho que aprendi mais liberdade, que me deixo escolher mais, que sei do que gosto, do que preciso e com o que me importo. Aprendi prioridades. E o preço delas.

Outro dia li uma frase, não sei de quem (acho que é de gente grande, mas esqueci, sorry) que dizia que ter certezas é morte e que vida é ter dúvida. Bom, eu não diria "duvidar", acho que tem sofrimento demais aí. Eu chamaria de "perguntar" porque nem sempre na pergunta há dúvida. Na maioria das vezes, na pergunta há apenas desejo de saber mais. É como a religião, sabe? Quando se tem fé, não se duvida, mas perguntar é saudável.

Isso pra dizer que, por mais que eu saiba um pouco mais a cerca de mim mesma (e gosto mais dessa mulher que conheço), eu ainda pergunto muito. Talvez com menos angústia porque mais fé tenho hoje. Talvez com menos pressa porque sei que o que eu planto infalivelmente me chegará. Talvez com mais carinho porque a vida foi me contando que viver sem amor e sem amizade não tem a menor graça. E talvez, ainda, com mais simplicidade porque nada, absolutamente nada, vale tão a pena quanto ter o coração sereno.

A vida voa mesmo. Se transforma. Mas, eu digo e repito: há coisas nela que jamais mudarão. Ainda bem ;)

5 comentários:

Augusto Branco disse...

Que lindo, minha princesa!...

Como eu adoro tudo que você escreve!

Um grande beijo pra você!

Hildete Barros disse...

Quais as coisas q/ na vida jamais mudarão????? não tô duvidando, tô apenas perguntando p/ conhecer melhor! bjs

Carla Daud disse...

"O problema dos nossos tempos é que o futuro já não é o que era." (Paul Valéry)

Tahiana Andrade disse...

é verdade... o mundo está mesmo mais acelerado, e o nosso ritmo anda tão lento se comparado a toda essa velocidade!
Mas eu gosto da calmaria das coisas que, como você mesma disse, não mudam nunca!

Beijos

Tahiana Andrade disse...

Tem um selinho pra você em meu blog... pega lá

Beijos