domingo, 29 de novembro de 2009

91,25


Eu ia começar escrevendo que essa foi uma semana atípica. Desisti: todas as semanas de 2009 foram! Também foram curtas demais para dar conta de tudo que eu queria e extremamente longas para tantos desatinos e emoção. Semanas com noites dormidas de um jeito e acordadas de outro. Manhãs certas e tardes nem tanto, e vice-versa. Tem uma frase do filme Uma mente brilhante que diz "a convicção é um luxo para quem está de fora". É isso mesmo. Então, já que o atípico perdeu sentido, vamos às divagações de praxe.

A YellowA, minha querida empresa, ganhou um cliente novo. Trata-se de um fabricante de produtos eróticos, bem diferente dos demais, tenho que dizer. O interessante foi que, enquanto via o dono da empresa me apresentar alguns produtos, me pus a pensar: como é bom dedicar tempo ao ritual da sedução.

E acho que a sedução eficiente é a que começa em si e funciona em si, pensada pra si mas dedicada a quem se ama. O banho, a textura das espumas, os tecidos, os gestos: lindo quando íntimo, quando entregue, nada ensaiado, nada só "pra fora". Aliás, no amor, a única força é a verdade. Nada pode impulsionar mais do que isso. Já reparou como a gente move montanhas (mesmo!) quando o coração pulsa de desejo e verdade? Sai pela boca, a pele brilha, o olhar se encanta. Deuses, como é maravilhoso amar!

Tem um trecho do livro da Marta Medeiros (copiei abaixo) que fala da paixão. Concordo, acho bonito e poético, mas só até a página 5. Depois disso, prefiro permanecer, seduzir eternamente o dono do meu coração, sem precisar buscar novas paixões para manter-me acesa. Mas isso é outra história. Olha o texto dela:

"A questão não é por que nos apaixonamos por Roberto e não por Vítor, ou por que nos apaixonamos por Elvira e não por Débora. A questão é: por que nos apaixonamos? Estamos sempre tentando justificar a escolha de um parceiro em detrimento de outro, e não raro dizemos: "Não entendo como fui me apaixonar logo por ele". Mas não é isso que importa. Poderia ser qualquer um. A verdade é que a gente decide se apaixonar. Está predisposto a se envolver - o candidato a esse amor tem que cumprir certos requisitos, lógico, mas ele não é a razão primeira de termos sucumbido. A razão primeira somos nós mesmos.

Cada vez que nos apaixonamos, estamos tendo uma nova chance de acertar. Estamos tendo a oportunidade de zerar nosso hodômetro. De sermos estreantes. Uma pessoa acaba de entrar na sua vida, você é 0km para ela. Tanto as informações que você passar quanto as atitudes que tomar serão novidade suprema - é a chance de você ser quem não conseguiu ser até agora."

Até algum tempo atrás eu dizia que eu parecia aquele trecho da música do Kid Abelha que diz "eu tenho pressa, tanta coisa me interessa, mas nada tanto assim". Vi essa frase ganhar vazio, ficar inócua nos últimos tempos. Me interesso de verdade por pouca coisa hoje, mas me interesso intensamente. Uma delas é aprender que não se come um prato inteiro de uma vez, mas em pequenas garfadas. Que não se perde 15 kg em uma semana, mas um pouco e saudavelmente a cada dia. Que não se constrói um amor sólido em 30 dias, mas no decorrer de mais tempo.

A vida nessa semana foi assim. Viva as semanas atípicas, viva a paixão, viva o amor. Se a vida é isso mesmo, que seja sempre bem-vinda.

Boa semana a todos ;)

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Centro


Minha amiga Sílvia me enviou hoje. Achou que parecia com meus pensamentos dessa semana. Eu achei lindo. Obrigada, Síl. Beijos, bom final de semana.

Centro

“Seria o tempo e o espaço um ciclo? Sendo assim, em qualquer ponto da roda do tempo o passado é futuro, o futuro é passado. E o presente um encontro dos dois, quando tudo está contido em um momento singular e infinito chamado agora.

Esse lugar é o coração da nossa consciência onde simplesmente observamos tudo que acontece ao redor, sem julgamento ou desejo de corrigir o que estamos vendo. Assim como o centro da roda fica imóvel, enquanto tudo gira ao redor dela, é retornando ao centro na nossa consciência e sendo serenos que nos permite ver a verdade.”

Mike George, Return to the Centre, Clear Thinking, 23/08/09

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Divina jóia


Quando iniciei esse blog, há quase 1 ano e meio, quando ele ganhou o nome de Gema em Lapidação (e foi até outro dia, né?) eu criei um box dedicado ao luxo. Por muitos meses, durante todo o início do Gema, meus maiores e mais frequentes luxos foram o tempo e o silêncio.

Ainda gosto do silêncio, mas agora chamaria de "ausência de barulho", ausência de ruído, principalmente o interno, aquela coisinha chata que fica nhem-nhem-nhem o tempo inteiro.

Quanto ao tempo... bom, esse ainda é meu grande luxo, meu maior desejo, meu sonho de consumo eterno. É muito triste e frustrante não ter esse bem para desfrutar com quem se ama, para descobrir sensações, para dançar junto, cozinhar, compartilhar, dormir. Descobrir. Redescobrir. Ter tempo para se apaixonar, para se entregar, desarmar-se, sorrir. Tempo para a vida, para não se arrepender, tempo para construir, tempo para ter tempo.

E o bonito do tempo, que todo mundo sabe e disse brilhantemente Victor Hugo, é que "o tempo não só cura, mas também reconcilia". Não é mesmo divino?

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Borboletas reais


Passei o dia me perguntando sobre mim mesma, no quanto quero (e preciso) mudar tanta coisa em mim, minha falta de santidade, meu excesso de humanidade (com todos os defeitos, fragilidades e possível sensibilidade imbutidos nisso). No final da tarde ouvi uma pessoa que reforçou esse sentimento, e pensei: puxa, porque não sou assim como essa mulher que me conta essa história? Cheguei perto de desejar ser outra coisa, tamanha minha introspecção.

Questionei minha naturalidade, o jeito normalmente simples, a falta de pose, o lidar com o outro igual. Não seduzo com hora marcada nem de caso pensado. Será que isso deveria mudar? Esse "salto alto" é necessário sempre, é necessário "mais"? Deveria eu mexer mais no cabelo, lançar o olhar 43 o tempo inteiro, rebolar, o quê? Fingir requinte, simular quem não sou para garantir qualquer coisa (por quanto tempo e por que mesmo?)?

Mas, aí, como anjos existem, recebi um comentário lindo no meu post "Borboletas na alma" (a gente não tem noção do bem que um comentário pode fazer a alguém, né?). Quem escreveu foi a Pamela, uma pessoa que vejo pouco, sempre a trabalho. O comentário é doce e de uma sinceridade que me desarmou, fiquei com os olhos marejados. Obrigada, Pam.

Depois disso, recebi a declaração amorosa da Ro, amiga querida, aqui em casa mesmo, e flores da Ana, rosas vermelhas lindas, e abraços e beijos (não, não é meu aniversário). Outro dia comentei também sobre o cuidado da Sílvia. O que foi, gente, vocês resolveram fazer um complô para me emocionar? Ou os deuses ouviram minhas dúvidas e resolveram responder que não, não, Acácia, existe valor em ser como você é. Tomara que tenha sido isso porque foi isso que eu entendi e foi isso que me confortou.

A gente vive num mundo vaidoso e, às vezes, eu me contamino e me julgo aquém de muita coisa. Quando isso acontece, eu preciso desse apoio todo, dessa cerca que me valida, me levanta, me recupera.

Por essas e outras tantas razões é que, de novo, só tenho a agradecer. E garantir que terei sempre o coração aberto para retribuir tudo o que recebo. Minha humanidade - aquela parte que erra, que traduz orgulho, egoísmo e mesquinhez - também tem como par a metade divina - boa, gentil, carinhosa, solidária, cheia de um amor que busca a verdade. Outro dia eu ouvi que eu sou "muito budista". Tomara ser sempre. Para isso, eu pratico todos os dias.

Eu tinha prometido escrever sobre o filme que vi ontem (Borboletas na alma - maravilhoso, by the way), mas quer mais borboletas na alma do a alegria de saber que existe um motivo em todas as coisas? E que do amanhã a gente sabe, sim, porque quem cultiva sempre sabe o que colherá? Viu? Melhorei ;)

Um beijo.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Borboletas na alma


Estou terminando tudo por aqui para assistir "Borboletas na alma". O filme europeu ainda não chegou ao Brasil, talvez nem chegue, mas ouvi dizer que é lindo, emocionante. E já decidi: hoje, quero chorar muito de emoção!

Já ouvi falar em borboletas no estômago, e fiquei pensando que sentir borboletas na alma deve ser muito mais gigante, certamente a coisa mais deliciosa desse mundo. Parece melhor do que felicidade, me remete para um sentimento maior até do que o próprio amor. E, sendo assim, deve ser uma plenitude maior do que eu jamais imaginei. Tudo isso porque alguém me disse "você é muito pequena para carregar tanta coisa", e eu respondi sorrindo "quer me ajudar?". A resposta foi o Borboletas na Alma. Bonito, né?

Amanhã eu conto como foi o filme, quem sabe a gente não se contagia e começa a transmitir "borboletas" um para o outro?

Aproveitando, olha que bonito esse trecho do Caio Fernando Abreu:

"Tenho uma parte que acredita em finais felizes,
em beijo antes dos créditos,
enquanto outra acha que só se ama errado.
Tenho uma metade que mente, trai, engana.
Outra que só conhece a verdade.
Uma parte que precisa de calor, carinho, pés com pés.
Outra que sobrevive sozinha , metade auto-suficiente.
Mas, há muito, eu erro a mão. A dose.
Esqueço a receita do equilíbrio".

Pra completar, publiquei o link de Utopia no título. Sempre amei essa música e acho que combina com essa noite de chuva ;)

Beijos (ah, obrigada a todos os emails e comentários sobre a alteração do Gema).

Deixa passar


Pois é, o Gema mudou de nome. Não que a idéia da lapidação tenha perdido sentido, mas cansei da marca, comecei a achar pretenciosa, antiga e quis mudar. Coisas antigas devem ficar onde moram: no passado e, sabe de uma coisa?, o passado não volta.

Minha amiga Gil falava hoje, durante um evento de trabalho, que sentiu saudades de uma época da vida enquanto assistia a uma palestra. Eu disse a ela que saudade a gente sente até de ex-marido que não funciona mais. E a gente sente saudade porque só lembra da parte boa, esquecendo o que não servia mais e desencadeou a ruptura. Se pensar direito, ou tentar reviver aquela história, verá que é em vão tentar ressuscitar: o que morreu deve ser enterrado. Algo para voltar deve renascer, não sobreviver à sombra do que foi um dia.

Parece triste e pesado o que digo, eu sei, mas não é, não. É final de ano, logo 2010 bate à nossa porta e, sinceramente, 2009 precisa ficar em 2009. Carregar bagagem pra quê, santabenedita?

Feliz ano novo pra todos amanhã, depois de amanhã, semana que vem, ano que vem. Todo dia. Tim-tim.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Amigas: mais sobre as fêmeas


Amizade daquelas que todo mundo fala, para todos os momentos, para o que der e vier, etc é coisa rara, mas, acho que pra isso tem família (que, digam o que for, é para tudo) e o marido/ a mulher.

De resto, amizade pode ser de todas as formas, desde que leal, que tá valendo. Amizade só de bar, amizade para estudar, amizade para chorar as pitangas, amizade para gargalhar: o que vale é reconhecer o tipo e não cobrar o que cada um não pode dar (pelo menos não até que possa).

Especificamente falando da amizade entre mulheres, existem alguns mitos chatos. Dizem que mulher é invejosa, competitiva, falsa, e por aí vai. Quando eu era criança, tive lá minhas amiguinhas, coisa de escola e brincar de bicicleta. Acho que a gente não tem muita noção nessa fase.

Na adolescência a coisa complicou bastante: foi difícil mesmo ter uma turma de amigas. Começa a fase dos namoricos e, de fato, era uma ou outra que se mantinha por perto. Existia, sim, uma ciumeira e era por coisa tão boba! Acho que cresci a partir daí com essa crença de que é raro ter amiga e foi demorado entender que isso é tão tolo quanto qualquer outra generalização.

Comecei o bem-querer depois de adulta e tive boas amigas desde então, e tenho ainda hoje. Amigas queridas, solidárias, cuidadosas, cada uma a sua maneira. Gosto de saber que tenho outro feminino caminhando comigo, entendendo as coisas com os mesmos hormônios que eu. Só a gente sabe como é ter tanta variação no mesmo minuto ;) Mais do que isso, é feliz não conviver com a antipatia gratuita, nem rejeitar uma pessoa pelo medo de competir com ela (isso é doentio, não é?).

Hoje, só me afasto de alguém quando essa pessoa me faz mal (no sentido de trazer uma carga incompatível com a minha). Não gosto de gente ressentida, nem arrogante, nem desrespeitosa, seja homem ou mulher. Gosto de gente que ama, fértil de coisa boa, que sorri, é educada de coração. E tenho amigas e amigos fantásticos assim, o que me faz pensar que, de alguma maneira, eu melhorei, fiquei mais amiga também.

Não concordo de forma alguma com Vinícius de Moraes quando ele diz que "eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores... mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!", simplesmente porque os amores verdadeiros também são amigos e só podem ser amores se assim for. A amizade precisa permear todas as relações, senão, nas faz sentido. Mesmo as de trabalho. Já viu como é chato trabalhar somente pela burocracia da coisa?

Gosto mais desse trecho de Oscar Wilde:

"Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. E para saber quem eu sou, pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que normalidade é uma ilusão imbecil e estéril."

E deixo a pauta para o próximo post: existe gente normal?

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Sutilezas divinas


Todo mundo já sabe que sou taurina. Digo isso sempre porque combina demais comigo tudo o que se diz sobre o meu signo. Não foi à toa que escolhi nascer sob essa marca, achei fofo essa história de comer bem, preguicinha, lealdade, segurança (e outras cositas mais) e decidi: vou nascer taurina e pronto!

Pois bem, na categoria “comer bem”, boa mesa é uma das maiores delícias da minha vida: em casa ou não, comida boa faz bem ao meu humor, me dá conforto, força e ânimo. Sempre fui suscetível ao paladar, ao cheiro, toque, e, principalmente, ao olhar. A audição e o mental (aff) também, mas esses dois ficam pra depois ;-)

Bom, isso pra contar que os florais brasileiros que minha amiga Sílvia preparou pra mim têm me feito um bem danado. Usei florais de Bach por 5 anos seguidos, há algum tempo. Lembro que sempre gostei, mas acho que tem coisa diferente nos florais de Joel Aleixo. Talvez o jeito de prescrever, as cartas, o fato de eu confiar tanto na amiga-terapeuta e também meu próprio amadurecimento, além, claro, das essências em si.

O fato é que desde sexta-feira tenho me sentido mais light, mais relaxada, confiante. Isso tudo na época que estou vivendo não é coisa fácil, não. Três pedreiros em casa há séculos, empregada mais filho pequeno, tinta, andaime, quase tudo fora do lugar, sem falar no tanto de dinheiro gasto: haja paciência. Haja. Ainda bem que para ajudar tem muita coisa boa nessa vida.

Quem quiser conhecer o site/blog da Sílvia, o endereço é http://www.vidafloral.com.br. Aproveita e marca uma consulta com ela, tenho certeza de que vai fazer bem.

Beijos

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Faço, logo existo


Outro dia eu comentava que meu maior desejo é tirar minhas verdades do discurso e praticá-las na vida real, no dia-a-dia.

Isso quer dizer deixar que pregar o respeito quase como uma utopia e lembrar-me dele quando estiver irritada ou nervosa com alguém, por exemplo. Também quer dizer esquecer as belas palavras sobre sustentabilidade e agir efetivamente, dando exemplos sem nem mesmo perceber. Falar de amor, sim (porque é uma delícia!), mas principalmente esbanjá-lo diariamente sobre meus afetos profundos. Sorrir para a moça do caixa não porque eu "lembrei" que isso faz bem pra todo mundo, mas porque a empatia fluiu sincera.

Quantas coisas assim podem sair no pensamento para ganhar vida nos gestos? Incontáveis... i-n-c-o-n-t-á-v-e-i-s. Isso é provocar uma mudança pura, não uma burocracia politicamente correta (se é que polílica e correto podem estar juntas na mesma frase. O correto seria "impolítico". Enfim.).

Fico ouvindo o povo encher a garganta para levantar bandeiras e observo a prática: niente, nada me convence, fica até feio. Mas também tem a gente que nem percebe e já está ok, fazendo tudo o que acredita, fielmente, surtindo efeito, bacana, correto, honesto. Uma delícia, dá alegria, vontade de compartilhar, ficar perto.

Tem uma frase budista que diz que "lata atrai lata, ouro atrai ouro". Acho que isso quer dizer me polir sempre (ou lapidar, para combinar com o Gema). Assim, é possível atrair, cada vez mais, jóias genuínas, pra brilhar junto ;)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Mais do mito da fêmea


Bicho que se culpa tem título: mulher. Penso nisso desde ontem por conta de um acontecimento que deveria ter sido simples pra mim, mas não foi.

Depois da "revolução feminista", o que a gente mais ouve é: mulher tem culpa quando sai pra trabalhar e deixa o filho em casa, quando vai se cuidar e deixa a família, quando isso, quando aquilo, culpa, culpa, culpa. Isso é tão verdadeiro que toda amiga minha que "consegue" sair para tomar um chopp vai logo se justificando "preciso de um tempo para mim", "conquistei essa liberdade", "eles precisam entender", e por aí vai.

Que chato, né? Na minha vida inteira, só ouvi coisa parecida de um único homem, quando falava do próprio filho. E essa culpa vem de onde? É do tempo em que mulher só ficava em casa ou da maneira como nossos hormônios são e pronto? É defeito ou qualidade? E olha que não precisa ser mãe para ter o instinto: eu me cobro quando me ausento, me cobro pela distância, me recrimino pela falta de tempo, pela desatenção às vezes, pelo estresse.

Mulher, como escreveu certa vez um blogueiro, parece que precisa ser super para ser validada como moderna, atual, antenada. Tem que ser excelente dona-de-casa (tô perdida), profissional bem-sucedida, mãe maravilhosa, esposa perfeita, fêmea fatal, malhadora, amiga de muita gente bacana, ter vida social intensa. Aff. Cansei. Como faz tudo isso, gente???

E não pode nem dar uma choradinha na TPM que muito marido já fala "ih, tá naqueles dias", como se só por isso a gente chorasse. A gente sofre com a pressão, viu? Bastante.

Eu conheço muitos homens sensíveis, gentis mesmo. E tenho sorte de conviver com um prá lá de especial. Mas, ainda assim, quando vejo amigas reclamando e se desculpando por reclamar (com culpa mesmo), dá vontade de dizer: "vai lá, diz o que você sente, relaxe!". Já que eu não falo isso pra nenhuma delas porque não me envolvo no relacionamento de casal algum, uso meu blog para contar: mulheres, desistam do super. Vamos ser mais humanas, como os homens (sem machismos, nem feminismos). Já viram como eles não temem serem vistos apenas como homens?

Somos fortes, sim. Heroínas e guerreiras também. Mas, os homens também são. Se nós podemos muitas coisas, eles também podem. Dêem espaço para eles e verão homens tão dedicados como achamos que só nós podemos ser. Nós não somos mais nem melhores. Isso é mito. Aceitar isso faz a culpa diminuir. Eu deveria aprender também ;)

domingo, 8 de novembro de 2009

Pecados da fêmea


Minha amiga Gil sugeriu, outro dia, o tema "pecadinhos" e eu acabei acrescentando algumas lendas também, depois de uma conversa interessantíssima com o universo masculino. Um pouco do assunto anda logo abaixo, aguardando a sua opinião e alguma sugestão. Depois me conta o que foi que você achou ;)

Da seção "pecadinhos", escolhi dois mais recentes: o que fazer depois de uma noite dormida com maquiagem? Esfregar o rosto na manhã seguinte resolve? Não, sequer esfoliação é indicado, já que a esfoliação provoca oleosidade. Mulherada, o negócio é limpar e hidratar. Só. Ah, e evitar que aconteça de novo, faz mal mesmo.

Ainda nos pecados, a segunda situação é a seguinte: semana inteira de academia e dieta X uma noitada de bebida e fritura. E então? Jejum no outro dia? Não, cara pálida... super-alimentação saudável, sim, e atividade física para queimar a gordura "gorda".

Agora, as lendas (e essas são boas). A brasileira sempre foi famosa pelo bumbum farto, certo? E o brasileiro sempre adorou, certo? Sim, para ambas, lendariamente falando. O que se sabe é que, na incapacidade de ter o bumbum da globeleza, a gente acabou copiando os seios americanos: fartos de silicone. Já quanto a preferênca masculina, o que ouvi ontem foi que o bumbum farto "demais" atrapalha e, aí, eu paro por aqui para evitar detalhes...

A outra lenda, e essa é meio picante, é que o orgasmo feminino deixa a mulher "acesa" depois. Mentira. Nenhuma descarga dessas pode deixar uma pessoa "ligada" a ponto de falar sem parar. Gente, dá sono. Mesmo. Atrelada a essa, a história de que mulher não "brocha". Como assim, né? Claro que brocha e é visível se o namorado for atento e sensível.

Ainda na seção luxúria, mulher tem muito, mas muito mais desejo do que qualquer homem é capaz de imaginar. Sou contra essa história de que a testosterona é que faz do homem um ser mais "suscetível", digamos assim, ao apelo sexual. É claro que aqui não cabe generalizar. Assim como há variações de diversos tipos disso ou daquilo, há de haver aqui também. Mas, ainda assim, homens, please, prestem mais atenção à suas namoradas: mal adaptando uma frase de Eintein, uma mulher "despertada" jamais volta ao seu estado original (ainda bem :)).

Bom, a gente sabe que tem mais um milhão de pecadinhos e lendas tumultuando nosso dia-a-dia, né? Quem quiser enviar a sua/seu, fique inteiramente à vontade. Terei o maior prazer em escrever mais 150 posts sobre o assunto ;)

Beijos, boa semana.

sábado, 7 de novembro de 2009

Vida de amores


A maioria das pessoas, e aqui eu me incluo com extrema facilidade, tem o amor como termômetro. Nada tem a mesma importância: se a mãe, o filho, o marido ou qualquer outra pessoa amada padece de alguma dor, o coração da gente já se inquieta. O mesmo vale para aqueles dias em que, por algum motivo, a relação em casa ficou estremecida enquanto a gente sai para trabalhar.

O trabalho não rende tão bem, a hora na academia parece infinita, o ida ao supermercado parece coisa de alienígena. Nem o mundo de gente caminhando ao lado parece fazer muito sentido.

Em contrapartida, como é deliciosa essa rotina toda quando tudo em casa está na santa paz! Eu acredito mesmo que amores, além da evidente função de cuidar do viço da vida, serve para aliviar nossas tensões e somar aquelas alegrias que nos fazer rir sozinhos muitas vezes.

É por isso que amar torna a vida tão mais leve: a gente tem certeza que conta com a ajuda, e sabe da preocupação, da dedicação, do afeto que permeia pra além de qualquer vínculo mundano.

Fazendo um adendo, as amizades entram aqui como um bálsamo: os amigos são, sem dúvida, uma espécie de família que emociona. E isso independe do tempo que se conhece nessa vida: tem gente que acaba de entrar e parece ter existido desde sempre.

Amor, amor, a gente precisa todo dia. E todo dia quer fazer mais. Sim, posso parecer brega, mas é a coisa mais importante dessa vida. E, pra mim, sempre será a solução para esse mundo.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Tomorrow never knows


Eu fiquei pensando sobre essa expressão "amanhã nunca se sabe" e, como todo bom taurino, fiquei intranquila com a impossibilidade de me divertir com o incerto. Eu sei, isso é bobagem, já que de nada adianta tentar controlar o futuro. Ainda bem, diz baixinho meu senso de vida. Que tortura, reclama meu pé no chão.

Ontem, durante uma reunião, foi falado que para lidar com o imprevisto só mesmo uma força imprevista. Totalmente de acordo: eu e o mundo inteiro de coisas vivas sabemos e vivemos à base do inconstante, do caos, e conhecemos igualmente um poder advindo sabe-se lá de onde.

É fato que o ser humano teme a mudança. É fato que qualquer movimento diferente demanda um novo pensar, uma nova postura, uma mecânica nova. A questão que sobra é até que ponto minha disposição e coragem têm força para caminhar. Até que ponto minha vontade de conhecer uma vida sonhada têm fôlego para garantir a sua realização. No final das contas, tanto a disposição quanto a coragem e o fôlego se resumem em escolha. E escolha, como a gente está careca de saber, acarreta uma renúncia aqui para colher um fruto desejado acolá.

Quando a gente acorda pela manhã e se pergunta "academia ou dormir mais um pouco?" pensando meramente naquele instante, a impressão que dá é que essa é uma escolha sem consequências, inócua. Mas, assim como um dia segue outro, uma displicência acaba trazendo mais uma, e mais outra, e mais outra ainda. Até que, nesse caso específico, o sedentarismo se transforma em diabetes, pressão alta, excesso de peso, às vezes depressão. É, nada é tão inócuo assim.

Por isso é que eu fico aqui, mexendo meus neurônios, tentando entender quais são as armadilhas e benesses a que me imponho e cultivo. Estarei eu sendo excessivamente exigente comigo mesma? Será, sim, que bom que "amanhã nunca se sabe" porque, assim, podemos todos os dias reinventar? Mas, por outro lado, reinventar todos os dias não é cansativo demais? Quais pedaços precisamos mudar e quais outros devemos manter e melhorar? Não sei, não. Pelo menos, não ainda. Será que um dia saberei?

Ah... perguntas, perguntas... dizem que quem pergunta ainda vive. Bom, desse jeito, viverei por mais 200 anos, no mínimo :)

"O futuro é para frente e para trás e para os lados" (Clarice Lispector)

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

A biboca da parafuseta


Um amigo facebookou ainda há pouco a famigerada questão entre ser feliz e ter razão. Confesso que isso me cansa um pouco, pois parece sempre que quem escolhe ser feliz opta por fechar os olhos para um tanto de coisa importante em detrimento... do que mesmo?

Hoje, durante o almoço, eu dizia que, depois de tantos anos levantando questões e "discutindo verdades" em terapia e etc, eu simplesmente cansei. Ara ara, a vida pode ser tão mais gostosa quando tá todo mundo disposto, não é? Por isso, perdi a paciência para quem faz doce, enrola, fica difícil, inacessível em seu "pensamento profundo". Aff, que preguiça pra tudo isso.

Ando gostando cada vez mais de quem agrega, junta, compartilha, mistura. Exclusão e isolamento, pra mim, virou coisa de gente muito pouca, que morre de medo de dar e faltar para si. E olha que disso eu posso falar sem pudor algum, eu mesma já fui de me isolar um bocado. Ainda bem que, mesmo com o medo todo, eu fui lá e entendi que dar só aumenta o que a gente tem. Lição da vida que ninguém ganha por nós, tem que ir e buscar.

Enfim, ter razão ou ser feliz me parece, a essa altura do brasileirão, tão obsoleto quanto o sexo dos anjos: se eles tem ou fazem, good for them. Vamos tratar de cuidar do nosso e fazer feliz as nossas estripulias.

Boa semana, beijos beijos beijos.

domingo, 1 de novembro de 2009

Sem os anéis


Mil anos depois, estou eu aqui de volta, morrendo de saudade. Completamente instalada na casa nova (êêêê...), exausta, feliz, ainda aguardo o dia em que os pedreiros me deixarão sem pó ou distrações deles próprios. Esse dia há de chegar :)

Enquanto isso, fiquei pensando na minha nova ajudante e em seu marido que ontem, amigavel e prontamente, se ofereceram para ajudar em um tanto de coisas que faltava para concluir o processo de mudança.

Sou observadora, não tem jeito. Nem posso chamar isso de vício ou hábito: é da minha natureza e pronto, não preciso explicar, simplesmente acontece. Pois eu vi nesse casal uma educação, gente, um refinamento que pouco vejo por aí. Normalmente, a gente classifica de educado quem fala baixo, diz "por favor", "obrigado" e pede licença. Tem a turma que acredita que educação é coisa que vem com o conhecimento, a literatura, a cultura geral. Acho isso não.

A educação pura, diria até a verdadeira, que me impressionou neles foi a natural. Dava pra sentir na expressão e no jeito de como se dirigiam: tinha respeito na fala e no gesto. Longe da condição social, a educação transitou por ali com a tranquilidade do espontâneo, não sabia o que é "politicamente correto", nem "pertinente" ou "socialmente aceito".

Fiquei me lembrando de quantas vezes eu presenciei gente sendo polida só enquanto a situação era favorável. Quando a sorte virava, logo o lado dark do berço se manifestava. Que berço é esse que se fala tanto, né? Só dá trejeito fino e nada mais? Cadê a delicadeza?

O cuidado desse casal, a consideração, a humildade, tudo fruto da percepção que eles têm da vida. Ninguém ensinou. Ninguém corrigiu. Ninguém pagou. Gente, isso é berço. Isso é humanismo. Evolução da boa.

Eu sei, sou meio boba para essas coisas mesmo, mas é porque eu realmente acredito nelas. Não me impressiono com status, nem me mostre seu relógio porque não me interessa, nem tampouco um carrão maravilhoso. Me comove, de verdade, é a vida acontecendo no meio da gente, a simplicidade que torna tudo mais fácil, mais fluido.

Obrigada, Janinha e família. A nossa onda está só começando.