quinta-feira, 15 de abril de 2010

Músculo cardíaco


Quanto tempo não ando por aqui, saudade! Inspiração não me falta, o que tem faltado é um pouco mais de disciplina, aquela coisa que prezo e preciso tanto, mas que mantenho sob rigorosa atenção pra não perdê-la demais. Deixei escapar um montão de assunto bom nas últimas semanas, fiquei me sentindo em débito com esse meu canto. Coisa de quem é viciado mesmo :)

Uma coisa que falei ontem, entretanto, ficou martelando o pensamento e resolvi parar tudo para escrever sobre: músculo. Eu falava sobre o músculo da ação, da coragem, aquele que na saída da inércia ainda está fraco e frágil, fica dolorido, mas que, treinado, ganha todo dia um pouco mais de força. O contexto da conversa permitia essa analogia e ficou até bem claro. Mas, depois, eu parei pra pensar sobre outro músculo que precisa de igual treinamento: o cardíaco.

A gente vira adolescente sem saber lidar com o 1º amor e vai se virando assim até vários outros entrarem e saírem da nossa vida. Se apaixona, vibra, sofre, chora, se arrepende, decide nunca mais amar, ama de novo, acha que é pra sempre, faz planos, se decepciona, trai, é traído, acaba tudo, se apaixona e começa tudo outra vez.

Como o coração é o último pedaço do corpo a amadurecer, é natural que ele se embanane mesmo. Ainda infantil muitas vezes, esse músculo precisa de muito exercício para fortalecer suas emoções sem endurecer a alma. Tem gente que acha que endurecer resolve a musculatura, mas engane-se not: o que "firma" com saúde é a resistência, não a pele esticada de bomba (portanto, gente, calma com as tranqueiras que fazem um mal danado...).

Mesmo naquela fase da vida que a gente pensa que o coração cansou do exercício, e que o que resta é sublimar o que havia de amor nele, ele dá um jeito e volta a se agitar, bate no fundo, cheio de esperança de novo. E se houve treino sincero e constante antes, sem leviandade, o coração estará todo dia melhor para encontrar outro músculo forte e disposto, certo da entrega, tranquilo de que é assim que vale a pena viver.

Todo mundo que segue esse blog está cansadíssimo de saber que sou romântica. Mas, meu romantismo não é infantil nem utópico. Essa garantia que trago comigo de que só amando vale a pena construir a vida é a minha melhor parte. Como poderia desconsiderá-la, ignorá-la ou rebaixá-la? Pergunte-me quem quiser e eu responderei: amando e sendo amada, estarei sempre feliz, forte, invencível. Mas, se me tiram o amor, verão um corpo flácido, sem vida, caminhando no automático, sem sucesso algum.

Treinar os músculos da vida (coragem, atitude, disposição) é o acordar de todo dia. A gente cresce, come um bifinho pra ficar forte, estuda pra ficar esperto. E precisa, então, amar para brilhar. Já viu um apaixonado sombrio? Existe não.

"Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo."

(Pablo Neruda)

Um comentário:

Hildete Barros disse...

Muito lindo !! já estava com saudades e preocupada pensando .... o que será q/ tá acontecendo ???
que bom q/ vc retornou, legal !!! boa noite, durma bem, bjs.