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Paul, moço bonito

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Do show de 1993, eu lembrava de um Paul simpático, bem humorado e, claro, dono de uma musicalidade impecável. Ontem, talvez porque eu própria estivesse mais emocionada e feliz, eu conheci um Paul doce, romântico, como se naquele estádio com mais 64 mil pessoas, ele estivesse na sala de casa, tocando e cantando entre amigos. Paul foi pontual, entrou no palco às 9 e meia. Ele foi o espetáculo por 3 horas ininterruptas: não parou um minuto, nem sob a desculpa de trocar de roupa ou beber água. Foram 3 horas leves e alegres que passaram como minutos. Nenhum efeito pirotécnico para desviar a atenção (a única exceção foram os parcos fogos em "Live and Let Die): o show era o Paul e sua fantástica banda (com louros à parte para o baterista Abe Laboriel Jr.). Aos 68 anos, Paul tem a disposição e encantamento com todo o profissionalismo do mundo. Paul nasceu para a música e para o público. Em alguns momentos, eu tive a nítida impressão de estar vendo o mesmo jovem dos anos 60, com o mesmo so...

Os idos de uma mente em movimento

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Eu nunca fui uma pessoa que suspira pelo passado. Vez por outra ouço alguém desejando voltar no tempo, ser criança outra vez, adolescente, ter 20 anos. Acho esquisito, sempre achei. Até outro dia, eu traduzia minha falta de nostalgia como bloqueio psicológico, um artifício racional que me protegia sabe-se lá do quê. Era nada. A minha falta de apego ao passado é bem mais otimista do que eu podia imaginar. Foi numa manhã dessas, nas raras em que pude acordar absolutamente sem pressa, que me bateu uma profunda gratidão pelo que sinto e tenho na vida: paz, amor, alegria, saúde, oportunidades, esperança. Jamais desisti, mesmo nos maiores cansaços, mesmo quando eu achava que conseguiria desistir. Nunca consegui, sempre continuei. Mesmo quando eu andava quase parando, havia alguma evolução em alguma coisa. Decisão difícil, essa de jamais desistir, acho que a mais difícil ever. Mas, sem ela, a gente para num caminho confuso, sem eira nem beira, sem motivo e sem reação, bem a mercê de uma coi...

Cuidar de si e do futuro

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"Não existe atalho". Essa frase, lida enquanto eu folheava o livro do Michael Jordan, me fez concordar: não existe mesmo. Ansiosos como somos, queremos mais é pegar o caminho mais curto pra tudo na vida, mas não há milagre. Se cortarmos o caminho para evitar alguma coisa ou para chegar mais rápido, a vida vem e nos devolve ao nosso tempo: aprende, filho, aprende senão você não passa pra outra lição. É claro que às vezes, em situações muito, muito difíceis, a gente fica exaurido demais e prefere pular uma página como se isso fosse fazer pular a dor também. É bem provável que, por uma breve fase, o sofrimento seja anestesiado e, no auge da nossa miopia, consideremos que fizemos a melhor escolha. Entretanto, enquanto a nossa memória é frágil, a memória da vida é implacável, tanto para o bom quanto para o nem tanto. Esses atalhos que buscamos normalmente são frutos da razão a que nos impomos, como se racionalizar completamente uma situação fosse nos prevenir de erros. É por isso ...

De tudo, nada se conclui

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"Nem sempre": acho que essa é a frase que mais digo nos últimos anos. "Nem sempre" quer dizer "melhor olhar sob outro ângulo", "melhor ouvir a outra parte", "melhor não julgar pela aparência", "melhor, melhor... melhor entender que, espremendo bem, todos nós somos bem parecidos no final". Assim, portanto, não adianta rotular muita coisa (ou quase nada) e é melhor reparar que, apesar da roupa bonita ou do tipo descolado, tem muita gente sofrendo enquanto reage com soberba. Acho engraçado como a gente vai tendo cada vez menos certezas para algumas coisas e um pouquinho mais (só um pouquinho mais) de certezas a respeito de outras. Normalmente, essas certezas "mais certas" são só sobre o quanto as motivações de cada um podem divergir, mesmo usando os mesmos meios e alcançando os mesmos fins. Conheci uma moça homessexual que tinha tanto preconceito consigo mesma que via preconceito em todos os lugares. E isso acontece n...

Amor e verdade

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Ontem eu ouvi histórias sobre os comentários dos meus sobrinhos, aquelas perguntas embaraçosas que só as crianças sabem fazer no meio do nada. Por essas e outras, a gente sempre acha que as crianças são inteligentes demais porque "pegam as coisas no ar". Por "pegar as coisas no ar" entende-se prestar atenção aos sinais e frases truncados que nós, adultos, "deixamos escapar" de vez em quando. Acredito que um dos maiores dilemas da vida adulta é saber quando e como falar e quando calar. A dúvida nasce do medo da reação do outro, da ruptura que pode acontecer e da contrapartida que poderá vir. Afinal, o que os adultos mais desejam nessa vida é ter controle de tudo. Por conta disso pensamos que perdemos a capacidade de "pegar as coisas no ar". Não perdemos, não, nunca, apenas fingimos e preferimos adiar o que pode ser uma discussão para um ponto tão distante que pode tornar-se irreparável. A dúvida sobre nossa capacidade de falar direito, de maneira ...

Universais

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Vez por outra, quando preciso de uma citação, vasculho alguma coisa no Pensador.Info, um site (até onde eu sei) confiável nesse mundinho virtual. Foi assim que encontrei esse texto da Marta Medeiros, lindo de doer, que me fez dar aquele sorriso de "hum rum" e balançar a cabeça "é assim, sim". Tem coisa que é universal mesmo, todo ser humano sente igual. O coração, afinal, é bem inteligente, né? A Voz Do Silêncio Pior do que a voz que cala, é um silêncio que fala. Simples, rápido! E quanta força! Imediatamente me veio à cabeça situações em que o silêncio me disse verdades terríveis, pois você sabe, o silêncio não é dado a amenidades. Um telefone mudo. Um e-mail que não chega. Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca. Silêncios que falam sobre desinteresse, esquecimento, recusas. Quantas coisas são ditas na quietude, depois de uma discussão. O perdão não vem, nem um beijo, nem uma gargalhada para acabar com o clima de tensão. Só ele permanece imutável, o silêncio,...

O inverno virando primavera

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Eu voltava do almoço ontem quando passei em frente ao novo posto de gasolina da rua. Há mais ou menos 1 ano o local estava abandonado e tinha sido invadido por moradores de rua, fumantes ilícitos e usuários de outras tranqueiras ilegais. Lembro que tinha receio de passar por lá quando a noite vinha caindo, tinha sempre muita bebida e ouvia muita bobagem a medida que chegava perto. Eu me perguntei várias vezes quando é que alguém compraria aquele terreno e o transformaria em um café, ou supermercado, floricultura, sei lá. O importante é que o local tivesse função, deixasse de ser tão perigoso e abandonado. E eis que ontem, depois da inauguração do posto, a paisagem era diferente: tudo muito claro, cores alegres, ambiente amigável, movimento de quem trabalha, energia boa essa de vida acontecendo saudavelmente. Aí, claro, me bateu um sentimento daqueles pararelos, sabe?, de quem tem mania de pensar na vida até quando olha pra lanterna do carro. Pois bem, fiquei eu elucubrando sobre quanta...