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O inverno virando primavera

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Eu voltava do almoço ontem quando passei em frente ao novo posto de gasolina da rua. Há mais ou menos 1 ano o local estava abandonado e tinha sido invadido por moradores de rua, fumantes ilícitos e usuários de outras tranqueiras ilegais. Lembro que tinha receio de passar por lá quando a noite vinha caindo, tinha sempre muita bebida e ouvia muita bobagem a medida que chegava perto. Eu me perguntei várias vezes quando é que alguém compraria aquele terreno e o transformaria em um café, ou supermercado, floricultura, sei lá. O importante é que o local tivesse função, deixasse de ser tão perigoso e abandonado. E eis que ontem, depois da inauguração do posto, a paisagem era diferente: tudo muito claro, cores alegres, ambiente amigável, movimento de quem trabalha, energia boa essa de vida acontecendo saudavelmente. Aí, claro, me bateu um sentimento daqueles pararelos, sabe?, de quem tem mania de pensar na vida até quando olha pra lanterna do carro. Pois bem, fiquei eu elucubrando sobre quanta...

Por onde andas

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Faz tempo que eu ando com vontade de escrever sobre as conclusões a que chegamos, na maioria das vezes baseadas apenas nas referências que guardamos sobre o apego de nossas curtas experiências. Concluímos amor e desamor, cuidado e desatenção, honestidade e más intenções, gestos e silêncio. Concluímos o tempo inteiro apenas com nosso coração interessado ou com a falta de coração típica dos momentos de ódio. Vamos de uma ponta a outra da simpatia ou da aversão no mesmo pensar, basta navegar ora pela amizade, ora pelo ressentimento sem o menor controle sobre qualquer tendência. Nosso coração parece ter duas facetas: uma cheia de humanismo, morrendo de vontade de acreditar, e outra dura, manchada de desgosto e crítica severa. Já me deixei vencer pela angústia desse veneno inúmeras vezes e, não só o outro perdeu, mas, sobretudo, eu perdi: perdi alegria, perdi viço, perdi desejo, perdi amor. Presto muita atenção hoje, cuido muito pra entender se o que sinto é verdade ou fruto de uma predispo...

As linhas da vida

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Viver uma vida sem arrependimentos não é humano. É da natureza de quem respira, sente e tem memória olhar para trás e perceber que tem, sim, alguma coisa, várias coisas, pequenas e gigantescas coisas que poderia, ou que não deveria, ter feito. Por mais que se saiba racionalmente que nada acontece por acaso (ou à toa), é impreciso dizer em qual resultado essa lembrança pode desaguar. Acredito numa linha tênue que separa a amargura do arrependimento da boa lição aprendida. O ressentido lembrar aperta o coração, traz melancolia, resignação, um gosto de derrota. O arrependimento que vira experiência do bem é trampolim para o esforço em não repetir ou, pelo avesso, dedicar-se em observar o momento certo para, sim, fazer o que deveria ter feito ou dito. Na balança das duas coisas, uma palavrinha faceira que adora um bom teste: sabedoria. Tenho reparado que não apenas eu me queixo da falta de tempo (há anos entendi o quanto essa moeda tem sido demasiadamente cara). De tanto pensar a respeito ...

Com que ouro eu vou

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Eu percebo quando faz tempo que não blogo por dois motivos: 1º pela síndrome de abstinência, 2º porque os amigos começam a cobrar "tirou férias do blog?". Mas, há épocas assim mesmo: falta tempo, falta tempo demais. Assunto, não, tem sempre sobrando, tantos que esqueço quase tudo :0 Hoje mesmo precisei ir a um município vizinho e a viagem foi riquíssima. Preferi ir de fretado e foram quase 3 horas, entre ida e volta, de leitura tranquila sob a direção de um motorista igualmente sossegado e sem pressa. Ainda estávamos na Av. Paulista quando dei uma olhada nos ônibus ao redor: lotadíssimos, nervosos, motoristas acelerando mesmo parados como se quisessem passar por cima daquele mar de carros. Nós, no fretado, estávamos enfrentando o mesmo trânsito, mas com ânimos completamente diferentes. E aí, eu fiquei pensando: a gente passa a vida querendo ser fretado, mas acaba mesmo é sendo ônibus comum. E sabe por que? Porque a gente deixa tudo o que está fora interferir no nosso humor e ...

Farofa boa de amor

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Já faz algumas semanas que ando com uma certa inspiração para cozinhar. Nada de mais, não, sou bem feijão com arroz e salada, nunca tive o dom para essa arte. De vez em quando sai uma massinha boa ou um risoto marromeno, mas meu forte mesmo é degustar. Hoje, respondendo à inspiração, preparei o almoço de domingo. Acho que é coisa de amor essa história de ir para a cozinha de vez em quando e preparar com cuidado e dedicação uma coisinha bem gostosa para quem vive conosco. Mas, um detalhe é mega-importante: além do sabor bom, a comida precisa ser saudável. Entre outras cositas, preparei uma farofa ma-ra-vi-lho-sa. Pode copiar, recriar, aproveitar a vontade. Não tem medida, não, pode misturar a gosto que vai ficar gostoso. Dá uma olhadinha: 1. refoguei a cebola em pouco óleo; 2. acrescentei farinha de mandioca torrada, fibra de farelo de trigo integral torrada e farinha de linhaça; 3. acresentei tudo picadinho: 2 ovos cozidos, 2 bananas, uma barra de tofu e sal; 4. um pouco de margarina e...

Canções de Narciso

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Desde que o ser humano existe há vaidade no mundo. Pinturas nas cavernas trazem essa história, maquiagem indígena é coisa famosa, Cleópatra virou mito pela beleza. Hoje, a vaidade, mais do que nunca, virou indústria capaz de fabricar comportamentos e conceitos duvidosos, na maioria das vezes. Entretanto, essa vaidade só é poderosa assim graças a uma outra: a vaidade da alma, ainda mais perigosa. Essa vaidade, mãe do orgulho e da "superioridade", no mínimo, provoca separações. Mas é ela também que mantém pessoas aparentemente juntas: uma conhecida outro dia me disse que continuava com o namorado porque não queria dar o braço a torcer para as "outras" que o assediavam. "Você gosta dele?", perguntei. "Não sei, acho que não mais, ele me traiu muito", foi a resposta. Sinceramente, nem sei o que dizer numa hora dessas. E vamos ser justos, não é só mulher que se deixa arrebatar pela danada da vaidade: os homens, na ânsia de "demarcar território...

O caso Bruno

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Casos como o dessa moça Eliza e do jogador Bruno, do Flamengo, mais do que me espantar, me entristecem profundamente. Voltando um pouco na história do rapaz, pelo que ouvi e li, o jogador foi abandonado pelo mãe com poucos meses de vida e o pai faleceu logo, depois de cumprir pena por homicídio e afins. Criado pela avó, Bruno tentou reaproximar-se da mãe sem sucesso. Alcóolotra, essa senhora hoje está internada para desintoxicação e a avó, que criou o rapaz, anda sedada ultimamente, dado o choque pela suspeita de homicídio contra o neto. Independente se Bruno matou ou não Eliza, o filho do casal já nasce com o carma bem parecido ao do pai. Assustador. Se foi Bruno o autor do crime, essa criança viverá sob o signo inominável do verdadeiro terror. Que valores essa criança carregará? Que emoções lhe foram amputadas? Terá ele alguma escolha de viver sem essa sombra? Sua vida foi, prematuramente, dirigida ao lixo? Ainda ontem comentava que acredito muito que características físicas similare...