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Chapeuzinho não vive sem Lobo-mau: mitos da insuficiência

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"Não vemos as coisas como elas são, mas como nós somos" , quem escreveu isso foi Anaïs Nin, lá pelos idos dos anos 50 do século passado. Anaïs Nin é famosa por sua literatura erótica, é autora de Delta de Vênus, Pequenos Pássaros e Uma Espiã na Casa do Amor. O que mais me impressiona em seus textos é a absurda intensidade, uma entrega que sempre achei que eu própria não tivesse e, acima de tudo, o despudor em assumir sua imoralidade. Essa, entretanto, não é a melhor faceta de Anaïs Nin. O que ela tem de melhor, eu acho, é a capacidade de transformar os enigmas abissais entre homem e mulher naquilo que é mais simples e primário: foram feitos um para o outro, são carnais, são amantes. Desde que me entendo por gente leio e ouço por aí rótulos femininos e masculinos, interpretações racionais e científicas a respeito das diferenças entre macho e fêmea. Um é assim, o outro é assado. Um veio de Marte, o outro de Vênus. Um tem hormônios demais; o outro, TPM de dar dó. Tanto tempo gas...

Muito prazer em conhecer

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É interessante essa história de blog. Por aqui, a gente conhece melhor o sentimento de quem escreve, mesmo que a intenção seja só falar sobre filmes ou política. Foi assim, que comecei a me sensibilizar e reconhecer alguns corações, e uma pessoa, em particular, até virou minha amiga, e me incentivou a escrever também. Essa semana recebi o e-mail de um ex-colega de trabalho, pessoa de quem sempre gostei mas que tive poucas oportunidades de conversar sobre tudo o que escrevo. Aliás, se existe uma coisa que a gente não fala normalmente é sobre assunto que vira blog, quem é que tem tempo? Pois bem, ele me dizia que tinha lido um post e que desconhecia "esse meu lado". Eu achei graça, porque as pessoas se conhecem muito pouco mesmo. Só parando de verdade, com calma e vagar, e com alguma regularidade, para começar a entender a cabecinha de quem encontramos no trabalho, na escola, na vida, enfim. Outro dia, também, uma amiga, lendo meu perfil, "descobriu" que sou budista e...

Come on, baby, just pump it

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Quem viu John Travolta e Uma Thurman em Pulp Fiction sabe que Black Eyed Peas pegou uma carona deliciosa nas batidas de Misirlou , no filme interpretada por Dick Dale & His Del-Tones (aliás, a trilha sonora inteira do filme é contagiante, dá até pra ver Vicent Vega e Mia Wallace dançando juntos quando ouço You Never Can Tell). Pulp Fiction é de 1994, então, dá pra imaginar a quanto tempo eu ouço Misirlou e, depois, Pump it: ADORO. É impossível manter os músculos quietos, o coração ganha energia, dá vontade de sair dançando, se sentindo a própria wonder woman do rádio. Uma delícia, quase um Prozac, só que o único efeito colateral é o aumento no batimento cardíaco. Como diz a turma tchope-tchura, a música é, definitivamente, a melhor viagem. E, dependendo do lugar para onde se quer ir, um cliquezinho é o passaporte garantido. Eu, particularmente, evito algumas, às vezes; procuro outras, outras vezes, e canto o dia inteiro quando preciso mudar o meu humor. Já perdi a conta de quanta...

"Agente, prefiro mais, pelo omenos" e outras dores

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Gente, que me perdoem os mais desatentos, mas se tem uma coisa que me dá alergia e está ficando cada vez mais difícil suportar são os "enganos" com a nossa língua portuguesa. É tanto desmazelo que fico preocupada mesmo com o futuro dos nossos livros. Uma pessoa simples, que não tenha estudado, eu entendo, juro: acho honesto que não saiba falar ou escrever direito. Mas, vamos ser bem francos, gente "estudada", até "de nível superior", usando o nosso bom e lindo português sem a menor noção, é de matar! É um tal de "que nem" (é o menos agressivo), "agente" (assim mesmo: tudo junto), "enstruída", "pelo omenos" (ai, ai), "ecessão" (pela mãe do guarda!), "fazem cinco anos", "pra mim fazer"... olha, é tanta coisa que dá dor de cabeça! Onde foi que esse povo viu isso escrito? Não viu, né? Aí é que está o problema: falta leitura. Parece óbvio dizer isso, mas, sim, só lendo é que se aprende a escr...

Saúde

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Eu conversava ontem sobre saúde e de como eu me preocupo com a minha: prefiro o caqui ao salgadinho, faço atividade física com frequência, procuro manter o coração limpo, além de, claro, claríssimo como um céu de verão sem nuvem alguma, não fumar, nunca fumei, não tenho a menor vontade de. Todos esses cuidados são racionais, programados, incluídos na minha rotina com o propósito definido de viver em pleno funcionamento, mas também têm muito de preferência pessoal. Eu gosto do sabor mais natural e ponto. E isso não é de hoje, não. Há séculos bebo suco ao invés de refrigerante, 2 litros de água todos os dias, carne só em época de muita carência proteica, natação, corrida, bike, musculação. Minha preocupação em não adoecer é "meio doentia". Uma gripe, um resfriado, ainda vá lá. Mas, adoecer pra valer me dá pânico. Ficar de cama pra sempre, pra mim, é a morte. Sério. A observação que ouvi foi "parece até que você não tem família ou amigos para cuidar de você". Pois é, t...

Só a noite é que amanhece

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Só a noite é que amanhece (Alphonsus de Guimaraens Filho) À VONTADE Não seja por isto, noite. Melhor é que desças Com toda a tua treva E entre nós — embora ressabiados e feridos — até que poderás ficar à vontade. Pois de qualquer modo há em ti um frêmito vôo informulado, grande ave de asas cegas… Somos teus, como sabes, todos te pertencemos, constrangidos embora. Mas não seja por isto. A casa é tua — como nestes domínios é hábito dizer aos amigos — e poderás ficar à vontade.

Mesmo que o tempo e a distância digam não

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Eu frequentei, durante bons anos, um grupo de estudo com meia dúzia de pessoas. O trabalho era bem intimista, uma vez por semana (toda semana) e acabamos criando um vínculo muito intenso, a ponto de gerar muita amizade e, às vezes, claro, alguns confrontos. Há alguns meses, entretanto, graças ao ritmo da vida, ao tempo curto e, por que não assumir?, a falta de vontade mesmo, eu me desliguei do curso. E aí, ontem, reunindo dois amigos do grupo num papinho regado a sucos, caipirinha e carne seca, minha amiga perguntou se eu não sentia falta do trabalho. Sem pensar, eu respondi que não, mas, sabe?, fiquei pensando nessa resposta hoje. E cheguei à seguinte conclusão: eu não guardo saudade do curso em si, mas sinto uma falta tremenda dos amigos. A amizade e o carinho permaneceram, sem dúvida, mas, é diferente quando a gente se encontra regularmente, e conversa, sabe como foi aquela semana, volta pra casa juntos, jogando prosa pela janela. A gente chorou muito juntos, e riu, fofocou, pondero...