segunda-feira, 13 de abril de 2015

Mãe é verbo


Sempre que ouvia falar em amor incondicional de mãe eu pensava "amor é amor; de mãe é um amor maior, só isso". Na minha santa ignorância eu não entendia, e não podia entender, esse gigante chamado "amor incondicional". Nenhuma mulher antes de ser mãe consegue entender o que é amor incondicional. E poucos, pouquíssimos homens são capazes de entender também.

Pois bem, minha filha nasceu há 8 meses e chegou varrendo tudo o que eu pensava saber sobre amor. Varrendo, não; trouxe mesmo foi um furacão. E me arrebatou com algumas verdades simples, me ensinou que necessário de verdade é amor e bagunçou fundo meu coração cheio das influências hormonais, perplexo e inundado de uma vontade enorme de proteger aquele serzinho indefeso.

Esqueci o que sabia sobre olhares gentis. Nenhum olhar consegue ser mais doce do que um olhar de mãe. Nenhum carinho, nenhum gesto contém mais cuidado do que o de uma mãe. O medo é grande, sempre, a coragem também. A culpa, ah... a culpa! Culpa por não ser perfeita define. Depois eu penso: "toda mãe é perfeita, só que erra de vez em quando".

Nunca a barriga de uma mulher e seus seios tiveram tanto sentido: foram inventados para construir a vida e alimentar os filhos. Ponto. O resto é só diversão. E, se precisar, a gente dá jeito depois com academia, cirurgia plástica ou só com uma roupinha que caia bem.

O coração de uma mãe sangra. Sangra com o choro do filho quando ela não sabe porque ele chora e quando ela sabe também. Sangra quando o narizinho está entupido e ele acorda no meio da madrugada assustado porque não consegue respirar. Imagine o quanto sangra o coração de uma mãe cujo filho passa por dificuldades muito, muito piores...

Mães são polvo mesmo, como já disse alguém: nós conseguimos embalar um filho, mexer na bolsa procurando o Rinosoro, falar ao telefone, almoçar e falar com a vizinha, tudo ao mesmo tempo. Somos polvo porque criamos braços e pernas extras para proteger nossa cria do que for preciso e também para vê-la sorrir. Polvos-palhaços, polvos-malabaristas, polvos-cantores, polvos-curadores. Polvo-polvo, cheio de garras e afetos por todo lado pra garantir a serenidade do sono de alguém que sequer vai lembrar depois. Mas nós sabemos que, mesmo sem lembrar, tudo, absolutamente tudo estará registrado naquele coraçãozinho pequenininho que vai crescer e se tornar um adulto gentil só porque foi amado por uma mãe de verdade (infelizmente algumas mulheres parem mas não são mães. Poucas, ainda bem).

Filhos nascem para melhorar seus pais, principalmente suas mães. Nunca mais, depois de ter um filho, uma mulher será capaz de ser dominada por uma atitude exclusivamente fria, calculada apenas na razão. Nosso coração será sempre um guia, seja qual for a situação. Haverá sempre a ponderação da mãe, "e se fosse com meu filho?", sempre a preocupação no olhar, a alma inquieta de quem não espera mais do mundo a não ser mais compaixão e menos violência.

Mãe vive querendo um tempinho só para si, mas quando esse tempo surge ela prefere ficar com a família, curtindo, sem fazer nada, ou, quem sabe, recolhendo brinquedos. Quando a casa fica silenciosa, à noite, e todo mundo vai dormir, às vezes a mãe anda pela sala, pela cozinha, arrumando alguma coisa, tomando um copo d'água devagar só para ouvir o coração acalmando, "que todos tenhamos uma boa noite de sono".

Mãe nunca pensa 1 e essa mulher nunca mais se colocará em primeiro lugar outra vez na vida. Mãe não é amiga. Amiga a gente tem na escola, na vizinhança, no trabalho. Mãe não tem destino, não tem fome, nem frio. Mãe é verbo. Nem cuidar define direito. Mãe é mãe. E ponto.