quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Com o futuro no olhar


Uma homenagem feminina ao tempo, que faz a vida maior


Há algumas semanas soube que estou grávida, provavelmente de uma menina. O que pode parecer muito comum para a maioria das mulheres, pois é um sonho e um desejo para quase todas, para mim foi, e tem sido, uma grande descoberta, uma vida, de fato, nova, que antes eu nunca havia imaginado para mim.

A gravidez é o símbolo maior de feminilidade, muito embora  eu sempre tenha acreditado que nem toda mãe é, por natureza, uma mulher plenamente realizada somente porque pariu outro ser. Na minha opinião, a maioria das mulheres tem filhos sem ao menos pensar direito no que é isso, apesar do discurso fácil ser o mesmo: "é a melhor coisa do mundo".

Foi em abril de 2013, mês do meu aniversário, que me perguntei o que eu e o meu marido faríamos com todas as experiências que tivemos e temos, com todos os valores que construímos, com as descobertas sobre a vida que conquistamos a cada segundo, a cada dia. Para quem contaríamos nossas histórias? A quem ensinaríamos que a vida não é exata e que as pessoas são diferentes, porém iguais em essência? E as nossas tantas viagens, para quem mostraríamos tantas fotos e tantas curiosidades? E o nosso trabalho, diário e arduamente construído, com persistência e paixão, para quem deixaríamos os frutos?

Começou assim a viagem para o meu coração de mãe, antes tão adormecido por questões práticas e um tanto preguiçosas. Filhos dão trabalho, filhos são caros, filhos são difíceis de educar, filhos são ingratos. O mundo está complicado para por filho no mundo, a sociedade está perdida. Todas essas razões, vamos combinar, são muito razoáveis!

Lembro que, num certo dia de junho do ano passado, uma amiga que tentava engravidar há muito tempo me disse: "tenho absoluta certeza de que eu seria uma pessoa muito melhor se eu fosse mãe". Aquilo bateu fundo no meu coração porque eu sempre quis retribuir a sorte que tive na vida sendo um ser humano melhor. E a sementinha da maternidade começou a crescer com um pouco mais de certeza e sem tanto medo assim a partir daquele almoço no maior estilo "Sex and the city".

Enfim, em dezembro descobrimos que estávamos grávidos! E um turbilhão de novidades começou a acontecer, no meu corpo, no meu coração, no meu olhar que ganhava futuro. Não existe uma única palavra para descrever o que é "fabricar" um serzinho a partir de uma sementinha. Não é possível descrever como é saber que estou construindo cérebro, pulmões, coração, rins. E que, em breve, muito em breve, eu e meu marido, o homem que escolhi para ser meu companheiro eterno, estaremos construindo um caráter, uma pessoa, um cidadão.

É preciso ser mulher, é preciso viver essa experiência para entender o que é a verdadeira natureza acontecendo. Não sou apenas eu, meus pensamentos e meus sentimentos. Há uma natureza soberana agindo, incontrolável e indomável. Sobre ela não tenho rédeas e isso, que poderia ser assustador, tem sido, para mim, libertador. Finalmente, estou à mercê da vida!

Como já dizia Oliver Wendell Homes, "a verdadeira religião do mundo vem das mulheres, das mães acima de tudo, que carregam a chave de nossas almas em seu seios". É esse poder, sem poder algum, que estou sentindo. É a apropriação da minha condição de mulher. Plenamente realizada. Meu tempo neste mundo ficou maior.