quarta-feira, 10 de abril de 2013

Retalho humano


Nada me encanta mais do que ouvir histórias de vida. E, quanto mais o tempo passa, quanto mais histórias eu ouço, mais eu me convenço das nossas semelhanças nas escolhas, nos medos e sonhos. Somos todos gêmeos em essência, essa é a lição da vida. E para aprendê-la com primazia há que se atravessar um mundo de dificuldades, treinar a humildade, o vínculo e o desapego, a empatia e o humanismo.

Nunca se vive o suficiente para aprender tudo. Algumas religiões até nos acalentam, pregando a vida após a morte, existência após existência, como se isso nos tornasse melhores no dia a dia, que é onde realmente importa e o que promove nossa "evolução".

Pelo pouquíssimo que sei e vivi até hoje, não acredito que estejamos evoluindo como seres humanos. Há 5 mil anos desejamos a imortalidade e o poder e muitos de nós continua fazendo qualquer coisa para satisfazer essa necessidade. O vazio por desconhecer a origem e o porquê da vida, e por não termos as respostas que julgamos precisar, é a mola que nos empurra e nos puxa, ao mesmo tempo.

Perguntadora por natureza, não a respeito da vida, mas a respeito de nós mesmos, há algum tempo tenho treinado a observação imparcial, mais para ter paz do que para ter conclusões. Aliás, cada vez concluo menos e busco mais, para entender menos e, mesmo assim, aceitar o que é possível e refutar o que é, na minha opinião, maligno.

Algumas exclamações me assombram, principalmente quando presencio a preguiça em desfazer-se da ilusão, a preguiça de conquistar o que se diz desejar (!), a preguiça em mudar mesmo em meio ao sofrimento. Também me surpreendo quando ouço alguém se queixar das "pressões" da vida. Bom, penso comigo, essa é uma das regras da vida, a pressão faz parte, assim como a chuva, o sol, o vento, acostumemos-nos sem reclamar tanto!

Não sei se temos um destino, cada um de nós. Não sei se os grandes acontecimentos que experimentamos foram traçados em alguma outra dimensão. Em meu coração, não acredito no destino, mas não sei afirmar uma coisa desse tamanho sem me considerar arrogante demais. Eu acredito em atitudes, fatos, pensamentos e palavras e que tudo em nossa vida seja fruto dessas expressões, principalmente da conivência e do silêncio.

Acho mesmo que nós, seres humanos, poderíamos usar nosso tempo nesta Terra para viver da maneira mais simples possível, seja lá o que isso queira dizer para cada um. A falta de simplicidade faz com que discutamos questões de cunho absolutamente pessoal como se fossem bandeiras mundiais, como a homossexualidade, a religião, a maneira de vestir, andar, o tom de voz e outras tantas bobagens. Afinal, o bom senso cairia melhor do que tantas leis e burocracias comportamentais, e nos pouparia de todo desperdício humano, se fôssemos mais limpos, mais leves e menos "sabidos".