sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Despedidas


Toda despedida é triste. Algumas menos, quando é temporária, uma viagem que passa logo, a certeza da volta. Outras doloridas, como essa da canção que recebi. Chorei "como se a dor fosse minha também".

Despedida

"Quando você chorou eu chorei
Como se a dor fosse minha também
Você quis parar e eu escutei e quando fugiu eu tentei entender
Quando me pediu eu mudei, como me aceitava eu fiquei
Não tava em teu mundo e por isso eu sofri
Mas quando te procurei me perdi
Por que foi que eu me perdi...?
Aonde eu vivia você não
E onde eu voava você era o chão
Você caminhava era em meu coração
Como não me escutava eu gritei
Assim você ouviu a minha voz mas não entendeu a dor em mim
Era tudo tão perfeito pra você que me achei errado e me calei
Por que foi que eu me calei...?
Por que nunca ouviste a tua voz?
Por que se esconder tanto de você?
Eu sei bem os erros que eu cometi
Mas podia obrigar-te a me querer
Nunca fui capaz de te dizer o porque e o quanto eu te amei
Eu sei que me afastei de ti mas te afastaste de mim também
Te afastaste de mim também
Me lembro sempre do teu olhar
Oblíquo e altivo, fugindo do meu
Me prendendo no caminho da tua solidão me fez tão triste
Mas pra sempre fui teu
Quis fazer de ti a minha salvação
Mas me vi sozinho e acho que desisti
Se quando você chorou eu chorei
E se quando vc chorou eu chorei foi por saber que ao me achar eu te perdi"

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Sapos, príncipes e homens


Ontem estive num evento de trabalho como outros tantos a que costumo ir. A diferença foi que, assim que bati os olhos numa figura, pensei: conheço o tipo. Eu sei, é péssimo julgar assim, mas eu realmente acredito que o corpo tem linguagem e que a postura e o desenho genético que herdamos falam por si só.

Fiquei, então, pensando nos tipos de homens que existem, tentando, mais ou menos como se faz com os signos, identificar sinais em cada um deles. Me sinto meio vilã fazendo isso, até porque eu aqui não farei o mesmo com as mulheres (sim, nós também somos transparentes). Mas, é fato que enxerguei alguns traços e me dei toda a permissão do mundo para falhar, confundir, embaralhar e, quem sabe, acertar.

Começando pelo mais primitivo, tem o homem hétero que não gosta de mulher. Esse é o macho, típico mulherengo, que nem se dá ao trabalho de conquistar, por isso gosta de mulheres fáceis (as que não dão trabalho). Esse sujeito gosta de sexo e pronto. Na hora de conversar e se divertir prefere a companhia masculina, está sempre em "turma" e, se sai com os amigos, jamais leva a namorada junto.

No sentido oposto ao brutamontes disfarçado de gato, tem o tipo "só" amigo. Essa criatura sofre porque é amigo de todas as mulheres que gostaria de ter como namorada. Ele se faz de tão bonzinho que vira "fofo", aí, já viu, né? Mulher alguma gosta de homem "fofo". Não faz sucesso, não. Só faz companhia.

No meio desses dois, tem o resto pouco ou mais interessante, com tantas variantes que fica difícil catalogar claramente. Aqui tem o uau com pegada, mas complicado demais para ter relacionamentos inteiros. Tem o bonito meio sem sal que acaba vingando porque é bom moço (e sempre tem quem aprecie). O não-tão-bonito inteligente que cativa sem se prender e se despede deixando uma ponta de frustração. O cavalheiro que toda mulher quer apresentar para a mãe e exibir para as amigas. O despretencioso que chega devagar, sem nem mesmo parecer que tá chegando e vai conquistando sem perceber também. Esse se deixa conquistar quase sem notar e, quando vê, deixou-se juntar.

Tem ainda o apaixonado, romântico que encanta, mas que "tem medo de relacionamento" (mulher adora essa desculpa. Tira dela a responsabilidade de ele não ter se apaixonado - como se isso fosse uma obrigação). Tem o divertido que cada hora tá com uma mulher "inédita" (esse é diferente do mulherengo. Essa gosta de mulher, se interessa, mas é inquieto demais). Tem o submisso (preciso explicar?), tem o charmoso solitário que perde a magia porque fica chato logo, tem o querido que bem poderia dar certo mas que arruma tantos afazeres que a mulherada desiste porque precisa de vida.

Tem homem bom, homem mala, homem atrevido, homem sem-noção, homem bandito que rouba almas. Tem homem emotivo, sincero, difícil, fechado, o que não sabe o que quer. Homem maduro, homem distraído, moleque, homem bebezão. Homem pontual, homem prestativo, homem egoísta, homem covarde, homem herói. E, finalmente, tem os homens raros, os homens muito acima da média, de inteligência sofisticada, sobretudo no coração. Esses são sensíveis e masculinos, não caricatam padrões sociais, nem adulam bonecas. Homens assim gostam de mulheres também como eles e não se distraem com paisagens. Para esses homens, uma mulher não basta ter pernas: ela precisa andar.

Me perdoe a ala masculina, alguns devem ter se encaixado, outros ficaram bravos. Fiquem não. Eu só fiz para provocar ;)

Beijos

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Eternos


É engraçado olhar a vida como quem assiste a um filme. Olhar a nossa, olhar a de quem se ama, olhar ao redor. Em todas as pessoas e coisas a gente enxerga amor e tempo, e tudo o mais que permeia essas duas fontes de permanente desafio, inclusive o perdão (!) e a liberdade. Há qualquer outra coisa mais intrigante do que essas duas? Toda alegria e sofrimento, todo encanto, toda experiência, tudo que se aprende, tudo que se abala, de onde se nasce, quando se morre.

Dizem que o tempo cura tudo, e, quando se fala assim, certamente se fala da chaga de um amor perdido (um filho que se foi antes dos pais, pais que se foram cedo demais, irmãos levados acidentalmente, um coração partido). Não sei se o tempo cura todas as feridas mesmo. Acho que cura às vezes, em outras anestesia. O fato é que o tempo sempre traz uma curiosa sensação de superação ou, para aqueles que não superam, a eterna amargura do arrependimento.

Ontem conheci um trecho do Tocaia Grande, de Jorge Amado, que diz: "Ai, meu branco, tua preta está cumprindo pena, tu me condenaste, não tenho paz. Para que me queres pesando em teu costado? Liberta minha morte e guarda em teu coração minha lembrança viva". Com isso fiquei pensando que o tempo que traz morte e lembrança (talvez aí a condenação), também traz libertação. Mas, num ponto discordo do livro: jamais é o outro que nos liberta, somos nós que vencemos quando desejamos vencer, que acreditamos merecer e merecemos. Que viramos a página, ganhamos certeza, seguimos.

Uma coisa o tempo não muda: o amar. Não muda. Há quem diga que o amor fica diferente com a experiência, com a maturação que amorna os sentimentos, mas eu jamais acreditarei nisso, jamais. Acredito, sim, que a maioria de nós melhora com o tempo e tudo em nós avança com isso. Passamos a maior compreensão, menos pressa, mais tranquilidade, algum saber do que queremos e do que não precisamos mais. Mas, o amar... o amor... ah, continua o mesmo: chega forte, intenso, apaixonante, vivo, iluminador, contagiante. Denunciador e atrevido, não nos consulta, nem cede às nossas resistências. Antes, nos controla a sua maneira. Ainda bem ;)

É verdade que os primeiros amores são mais terríveis. Inseguros e ciumentos, trazem certa guerra ao nosso coração. Já "aquele" amor traz uma paz delicada - cheia de desejo e de alegria -, que nasce da mesma vontade, da mesma disposição, do caminho juntos. Ouvi outro dia "você me deu esperança" e percebi que havia me completado com ela também: amor vive de esperança, sim, não de esperar; de presente com futuro, nunca do passado. O passado (e olha o tempo aí de novo) serve só para ensinar, jamais para se apegar.

Assim como os minutos que passam, o amor é excessivo, explícito, não se esconde, nem quer, nem pode: grande, não cabe em lugar algum que não seja o coração inchado, no toque impossível de controlar, no beijo que nunca para, no abraço que é mais forte do que a compostura, nos braços e pernas confundidos no lençol, como já diria Chico Buarque.

Assuntos que não se esgotam, permissões que nunca nos são dadas para compreendê-los: a procura se acalma apenas quando encontramos testemunha. E encontrar uma é questão de tempo. E só vale se for por amor, que é a única coisa que vale nessa vida. Eterna e verdadeiramente.

"Amo-te com um amor que me parecia perdido - quando
perdi os meus santos - amo-te com o fôlego, os
sorrisos, as lágrimas de toda a minha vida!"

(Elizabeth Barrett Browning)

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Beijomeliga

http://www.youtube.com/watch?v=oFLysouG86I

Faz quase 10 dias que eu não ando por aqui. Saí do ritmo, me atrapalhei com horários, compromissos além da conta, novidades todo dia. Para uma taurina convicta como eu, mudança demais é confusão na certa: se não for programada com a antecedência confortável, eu fico assim: perdida! Mas, acho até que tenho me saído bem, apesar dos atropelos aqui e ali. No final das contas, tenho sorte e gente boa por perto e um universo inteiro indo comigo. Tudo muda, né? Estaria eu na contramão se ficasse parada.

Eu até compartilhei muita coisa com alguns amigos, o que é uma senhora novidade pra mim também. Fui lá, falei, me deixei exposta, prontinha para escutar a opinião do outro. Ouvi de tudo: desde "legal" até "hum, sei não", passando por avaliações mais profundas e definitivamente interessadas.

Acho que quando a gente está seguro das escolhas que faz e, principalmente, ciente dos porquês e das consequências (e toma consciência de como é preciso agir e da disposição que precisa ter) fica mais leve escutar o que os amigos têm a dizer. Reparei nisso outro dia: basta uma pontinha de insegurança pra gente logo se irritar com o que o outro diz (ou não diz, só olha), ou ficar triste e em dúvida quanto ao que decidiu. Nesses momentos, qualquer grama é mais perfeita.

Muita coisa boa aconteceu desde o dia 1º de janeiro, muita diversão, muita festa e alegria. Isso deu uma "segurada" nas minhas viagens pelo desconhecido. Not that bad ter dançado um pouco mais, bebido um tiquinho mais (ops), me permitido um bocadão mais. Viver requer despreendimento e, sabe o quê?, vontade de ser feliz, não importa como. Ah, e tem mais: há que se ter sinceridade, abrir o coração, dizer, gostar. Alguém me disse isso essa semana: gostando, tudo fica mais leve.

Enfim, o carnaval está aí e acredito que, depois dele, a nova rotina vá se ajeitar. Não que eu me iluda com menos correria, nem com menos novidades. Nos dias de hoje, não é nada bom ter "sossego" demais. Mas, ritmo é importante e a falta dele me dá a sensação de estar sendo engolida. Por isso é que eu vou descansar muito os próximos 5 dias, deitar na praia, brincar muito e me soltar. Ah... isso vai revigorar. E muito ;-)

Lá vou eu, beijos a todos, feliz carnaval, boa viagem, saúde e muito sol!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Voa e aceita


Falava eu outro dia sobre aceitação dentro de um contexto bem específico. O engraçado foi que, só então, entendi quanta coisa eu própria havia assimilado sem fazer uso desse termo. Acho que quando a gente usa "aceitação" tem medo de parecer resignado "e puro" demais. Mas, não é assim, não.

Quando alguma coisa se resolve bem e honestamente, a gente nem se preocupa em rotular. A coisa vai banhando como aquele Frascati que a minha amiga Gil adora e me ensinou a gostar também: devagar, lentamente e, quando a gente vê, já está embriagada do jeito mais gostoso que existe. É a embriaguês feliz, leve, de quem não tem obrigações depois do almoço e pode continuar ali com as amigas, bebendo, conversando, rindo.

Aceitar serve para um monte de coisas: aceitar o tempo que passa e a gente não dá conta de tudo mesmo, aceitar a pinta no ombro, o cabelo com mais ou menos volume, as dificuldades, o jeito de ser (que é muito bom quase sempre), o ritmo diferente, o olhar.

Aceitar também, e principalmente, vale para o outro (porque ele só reflete aquilo que nós somos e queremos conosco, no final das contas): aí, aquilo que antes era um "defeito" vira um ítem de fabricação e pronto. É mais feliz viver assim, mas, sinceramente, quando esse estágio se instala é como olhar do alto de uma montanha: enquanto se sobe, mal se percebe o caminho, tamanha preocupação em respirar e superar. Quando se chega lá é UAU.

Eu podia escrever páginas e páginas sobre o assunto, que é bem bom. Mas, eu estou light demais, tranquila demais, feliz demais para elocubrar tanto.

Um beijo, uma deliciosa noite de quarta-feira. Pra todo mundo. Pra sempre. Será que é pedir demais? ;-)